segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Deixemo-nos Levar Para o Que é Perfeito

 "Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, avancemos para o que é perfeito, não lançando de novo a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus, o ensinode batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno. Isso faremos se Deus permitir." (Hebreus 6:1-3)


Vimos como havia duas classes de cristãos entre os hebreus. Eles são encontrados em todas as igrejas cristãs; alguns há que, ao invés de crescer para se tornarem mestres

ou ajudadores de outros, sempre permanecem crianças e têm necessidade de alguém que lhes ensine novamente os rudimentos dos oráculos de Deus. Outros são homens perfeitos, ou adultos, que tiveram suas faculdades espirituais exercitadas para discernir o bem e o mal, e são capazes de receber o alimento sólido do conhecimento da perfeição de Cristo e de sua obra. Ouçamos a palavra que nos chama para sair da indolência e da fraqueza e avancemos para a perfeição que Cristo veio revelar.

Primeiramente, o autor nos diz do que temos que abrir mão: "deixemos a palavra do princípio de Cristo". Em Hebreus 3:14, fomos impelidos a "guardar firme, até ao fim, a confiança que desde o princípio tivemos". Esses dois textos e expressões não se contradizem. O princípio é a semente ou o primeiro início a partir do qual a vida deve crescer e expandir até a perfeição. Esse princípio, como a raiz de tudo o que virá, deve ser mantido firmemente até ao fim.

Mas o início como um mero começo de algo ainda melhor deve ser deixado para trás. Há um terrível mal-entendido a respeito das palavras "Guarda o que tens"; imagina-se que devemos simplesmente preservar o que já temos. De modo algum! Devemos entender que o conhecimento de Cristo e a medida da graça que recebemos em nossa conversão não são suficientes para a vida que teremos de viver mais adiante.

A cada dia, precisamos aprender mais de Cristo, precisamos avançar em obediência a fim de obtermos maior experiência do poder da vida celestial. Não pode haver uma vida saudável se não houver crescimento e progresso. Devemos deixar a palavra do princípio de Cristo.

"Não lancemos de novo a base", o fundamento. Quando um construtor lança os fundamentos de seu edifício, ele não volta a trabalhar nesses fundamentos, mas constrói em cima deles. Há cristãos que nunca avançam além do fundamento, que desconhecem que tipo de casa é essa para a qual o

fundamento foi lançado, desconhecem que essa casa deve ser uma habitação de Deus por meio do Espírito Santo e um lugar onde o amor e o poder de Deus deve habitar.

O escritor menciona em três pares, seis pontos que pertencem às verdades fundamentais, nos quais o jovem iniciante deve ser instruído. "Arrependimento de obras mortas e fé em Deus". Esses são de fato somente os rudimentos da palavra de Cristo. Depois, seguem dois pontos que fazem referência à confissão pública da fé e à ligação com a igreja: "o ensino de batismos e a imposição de mãos". Depois, são acrescentados dois pontos que se relacionam à vida futura: "a ressurreição dos mortos e o juízo eterno". Sem essas verdades elementares, alguém raramente seria cristão, mas o homem que está satisfeito com essas verdades e não se interessa em conhecer mais não pode ser um cristão como Deus pretendia que fosse, e tem razão para duvidar se é de fato cristão.

"Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, avancemos para o que é perfeito". Não é difícil saber o que perfeição aqui significa. Perfeito é tudo aquilo que corresponde ao seu ideal, ao que deveria ser, que corresponde àquilo que seu criador intencionava. Nenhum pai ou mãe está satisfeito que seu filho permaneça bebê, ele o educa para ser um homem maduro. Em sua palavra, Deus colocou diante de nós a vida que deseja que vivamos, e ele chama cada filho verdadeiro a colocar de lado os princípios elementares e correr após a perfeição, a buscar diligentemente ser tudo o que Deus prometeu que nos tornaria. Ele não deseja que busquemos mais do que isso; a menos que estejamos enganando a nós mesmos, não ousaremos estar satisfeitos com menos do que isso.

Em Cristo Jesus e sua vida na terra, temos a personificação dessa perfeição, que consiste em uma vida entregue à obediência à vontade de Deus; temos a comprovação de que é possível um homem verdadeiro viver uma vida agradável ao Pai; temos a promessa que, desde seu trono no céu, ele agora nos transmitirá essa vida e operará em nós. No sofrimento, Jesus entregou a si mesmo para que Deus o aperfeiçoasse. No sofrimento, ele aprendeu obediência e foi aperfeiçoado para que se tornasse o Autor da nossa salvação eterna. Agora, como o Filho perfeito para sempre, ele é o nosso Sumo Sacerdote no céu, que opera em nós no poder de uma vida celestial aquela perfeição que lhe permitiu abrir o caminho para a glória como nosso líder. Nossa perfeição nada mais é senão a perfeição de Cristo, sua perfeição é nosso modelo, nossa vida e poder. Deus deseja e não pode ser satisfeito senão com o que ele vê de seu Filho amado e de sua perfeição por meio do sofrimento e da obediência. "Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito.

Isso faremos se Deus permitir". É como se o escritor dissesse: "os próximos capítulos serão o ensinamento a respeito da perfeição cristã. Iremos com você e o ajudaremos dando-lhe alimento sólido, o alimento e o poder daquele que é perfeito: o sacerdócio celestial de Cristo no poder de uma vida eterna; sua glória e poder como mediador da nova aliança, escrevendo a lei de Deus em nosso coração; a infinita eficácia do sangue abrindo-nos o acesso ao Santo dos Santos e purificando-nos

para entrar e servir ao Deus vivo. Essas e outras verdades semelhantes, revelando a perfeição que Cristo atingiu em sua vida humana, e para as quais ele nos torna adequados em seu divino poder, nisso constitui-se o alimento sólido para os perfeitos. 

A perfeição de Cristo como uma verdade revelada torna-se a perfeição do crente como uma vida experimentada naqueles que consideram todas as coisas como refugo para obter a excelência do conhecimento dele, o nosso Senhor.

1. Tenhamos muito clara a diferença entre doutrina elementar e doutrina da perfeição. Há verdades relacionadas ao início de Cristo, que tivemos na primeira metade da epístola - sua divindade e humanidade, sua obra de substituição, provando a morte por todo homem, sua entrada no céu como tipificado por Arão. Na segunda metade da epístola, temos o que é necessário para completar a vida cristã; o poder da vida celestial assegurada no sacerdócio celestial e no santuário celestial. "Avancemos, portanto, para alcançar a perfeição". Deixemo-nos levar para o que é perfeito.

2. "Avancemos, portanto, para alcançar a perfeição". Deixemo-nos levar para o que é perfeito. Tome essas palavras como uma ordem, uma recomendação séria de Deus, que nos fala em seu Filho. Ouça Sua voz, não esteja satisfeito com as coisas elementares - avance para conquistar a perfeição, para ser o homem perfeito, até a medida da estatura da plenitude de Cristo.

3. Considere as palavras de Paulo em Filipenses 3:13-15: "Prossigo" para o alvo, para, conquistar aquilo para o qual também fui conquistado por Cristo Jesus. Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para o alvo. Que todos aqueles que desejam ser perfeitos tenham essa mente. Prossigamos para a perfeição.


(Por Andrew Murray - fragmento de "The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews": em domínio público - tradução livre) 


FONTE: https://library.mibckerala.org/lms_frame/eBook/The%20Holiest%20of%20All%20-%20Andrew%20Murray.pdf

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