domingo, 27 de outubro de 2024

Ele não abriu a sua boca

 "Ele não abriu a sua boca." (Is 53.7.) 


De quanta graça precisamos para receber bem um mal-entendido! 

Para receber em santa suavidade um mau julgamento! 

Nada prova tanto o caráter cristão como uma coisa má que é dita contra ele. 

É o teste que logo prova se somos banhados a ouro, ou se somos ouro maciço. 


Se apenas pudéssemos conhecer as bênçãos que estão ocultas em nossas 

tribulações, diríamos como Davi, quando amaldiçoado por Simei: "Deixai-

o, que amaldiçoe, ... porventura ... o Senhor me pagará com bem a sua 

maldição deste dia." 


Algumas pessoas facilmente se afastam da grandeza do trabalho de sua vida, para perseguirem seus ofensores e inimigos, e sua vida se torna um insignificante redemoinho de atividades. 

É como mexer num ninho de vespas. 

Você pode dispersá-las, mas provavelmente ficará muito picado e nada obterá em troca de suas dores, pois nem o seu mel vale a pena. 


Deus nos dê mais do caráter dAquele que, "quando o injuriavam, não injuriava, mas entregava-se àquele que julga justamente".


"Considerai aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra 

si mesmo." — A. B. Simpson

sábado, 26 de outubro de 2024

A providência de Deus para com Seus filhos

 "Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, tocando ele o lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. Então as cadeias caíram-lhes das mãos."(At 12.7.) 


"E perto da meia noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus... E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos." (At 16.25,26.) 


Esta é a maneira de Deus atuar. 

Na hora mais escura da noite, 

Seus passos se aproximaram por sobre as ondas. Quando se aproxima a hora da execução, o anjo vem à cela de Pedro. Quando a forca de Mordecai está pronta, a insônia do rei o leva a uma reação em favor da raça escolhida. 


Ah, alma, pode ser que você chegue às margens do pior, antes de ser libertada; mas o livramento virá! Deus pode deixá-la esperando, mas Ele não Se esquece do Seu concerto, e aparecerá para cumprir a Sua Palavra. — F. B. Meyer 


Há uma grande simplicidade na maneira como Deus executa Seus planos, contudo, dentro dessa simplicidade estão Seus recursos, que são mais do que suficientes para suprir qualquer necessidade; está a sua fidelidade inabalável para com o filho confiante; está o Seu propósito firme, do qual jamais Se esquece. 

Através de um companheiro de prisão e depois de um sonho, Ele tira José da prisão e o leva ao posto de primeiro ministro. 

E o tempo passado na prisão livra o futuro ministro de se vangloriar. 


É seguro confiar no método de Deus e seguir pelo Seu relógio. — S. D. Gordon 


Quando o caso é mesmo desesperador, a providência de Deus tem mil chaves para abrir mil portas para o livramento dos Seus. 

Sejamos fiéis e cuidemos da nossa parte, que é sofrer por Ele; ponhamos sobre Cristo a Sua parte e a deixemos lá. — George McDonald 


A dificuldade é a própria atmosfera do milagre — é o milagre em seu primeiro estágio. 

Para que se opere grande milagre a condição não é que o problema seja apenas difícil, mas que seja impossível. 


Ter a mão do filho confiante dentro da Sua, faz que seja um prazer para Deus o resolver a situação impossível.


sexta-feira, 25 de outubro de 2024

O TESOURO CELESTIAL É AMOR


A partir do momento que o amor busca a si mesmo, ele morre. O amor de Jesus brilha e busca aqueles que estão em trevas. O sol não pode permanecer restrito a si mesmo. Parte da natureza misteriosa desse raio de luz celestial é que quando começamos a agarrá-lo para nós mesmos, ele parece se obscurecer. Não podemos ter a luz e mantê-la reservada para nós mesmos. Você vê o sol brilhando sobre aquela árvore? Se a árvore dissesse, “ninguém deve me ver”, será que ela poderia se ocultar antes que as trevas da noite a apanhem? Uma vez que a luz está sobre ela, ela será vista. Nós somos vasos de barro criados para conter o tesouro celestial e nada mais – fomos criados para deixar essa vida, amor, riquezas e tesouros de Jesus aparecerem.

VAMOS ENTÃO OLHAR PARA O VASO DE BARRO. 

Vi outro dia um jarro de prata sobre a mesa cheio de leite, e um pequeno vaso de barro marrom com creme. Ninguém rejeitou o creme porque estava em um vaso de barro. Somos como os vasos de prata, mas Deus ama colocar Seus mais ricos tesouros em vasos de barro. Essa é uma lição de extrema importância.

Cristãos pensam tanto a respeito de suas fraquezas – “sou tão tolo, fraco, limitado, alguém é mais dotado que eu, pode fazer mais!” – esquecemo-nos que Deus deseja vasos de barro!

Na África do Sul havia um incrédulo muito difícil de tratar e um dia um ministro enviou um ancião da igreja, homem sábio e piedoso, para visitá-lo. Ele argumentou com ele, mas não conseguiu convencê-lo, foi inútil. Havia um velho fazendeiro que orava por anos por aquele homem incrédulo (ele era um ferreiro). Bem cedo ele tomou seu cavalo e foi até ele, que o saudou dizendo “bem, o que traz você aqui numa hora dessas?”. O fazendeiro gaguejou, pois ao ser saudado com aquelas palavras ele ficou sem palavras. O incrédulo riu, dificultando ainda mais as coisas. Finalmente aquele fazendeiro começou a chorar e balbuciou: “Estou muito ansioso devido à condição de sua alma”, e foi logo embora. Isso levou aquele incrédulo a se converter. Veja, o tesouro celestial em um vaso de barro.

ISSO NOS ENSINA CORAGEM, E TAMBÉM HUMILDADE. 

Não tenho nada em mim mesmo. “O que se humilha será exaltado” (Lc 14:11), aquele se confessa ser nada além de um vaso de barro pode ser cheio do tesouro celestial. Que terrível maldição: o orgulho e o ego. Desejamos que Deus nos dê algumas coisas para que nos tornemos em algo, mas Deus deseja que“nada” sejamos. Um tesouro celestial em um vaso terreno. 

Paulo estava correndo perigo nesse sentido. Ele pregava na demonstração do Espírito e de poder. Ele foi tomado ao terceiro céu e ouviu coisas inefáveis, que não podia referir. Então Deus permitiu que “um mensageiro de Satanás” o humilhasse. Paulo orou a esse respeito três vezes, mas Jesus lhe disse: “Não, Paulo. Te levei ao terceiro céu e você corre o risco de acreditar que é um vaso celestial. Enviei isso para te humilhar, e para que minha força seja aperfeiçoada em sua fraqueza”. Assim Paulo pôde louvar a Deus e imediatamente ele se alegrou por todos os problemas que ainda viriam (2Co 12:1-10).

Mais adiante, vemos que Paulo afirmou: “trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Co 15:10), certamente ele nunca havia sonhado em ter realizado tantas coisas. 

Mas, depois de falar sobre esse tesouro celestial contido nos vasos terrenos, qual seria a aplicação disso?

Quem dentre nós deseja ser um vaso terreno cheio com esse tesouro celestial? Ah! Como isso é necessário! Quatro milhões de pessoas em Londres nunca foram à um lugar de adoração. Que terrível isso acontecer em um país cristão. Não seria melhor chamá-la de terra ímpia? E o pior é que dentre um milhão de pessoas que frequentam esses lugares com tanta formalidade, como são poucos aqueles que realmente conhecem a Cristo e o tesouro celestial que Ele é. Se todos aqui abrissem mão de suas vidas para serem tornados em um vaso de Deus cheio do Seu tesouro, certamente não seríamos tantos. 

Vamos retornar à nossa ilustração inicial. Antes que o creme pudesse ser colocado no vaso de barro, certamente ele deveria estar limpo. Assim Deus precisa limpar o orgulho e egoísmo dos vasos terrenos.

O vaso também precisa estar vazio. Não pode haver vestígios de vinagre, leite ou vinho nele, nada pode ser misturado ao creme. Quantos vasos terrenos estão cheios, mas não de pecados ou coisas desse tipo – me refiro à coisas lícitas, coisas boas. Sim, o bom também precisa sair junto com o pecado – me refiro às coisas que ninguém pode afirmar que são malignas – caso contrário não haverá espaço para o tesouro celestial. O amor do pai, mãe, irmã e irmão precisam ser entregues à Deus para ser cheios com o amor de Cristo.

O vaso também precisa ser rebaixado. Quanto mais baixo ele estiver, mais fácil é ser cheio. Alguns vasos estão vazios, limpos, mas não são humildes o suficiente. Eles não colocam a boca no pó, e por isso o Senhor não pode enchê-los [Lm 3:29, Jó 42:6]. Oh, vamos orar: “mais para baixo, mais baixo, ainda mais baixo, Senhor… nada, nada, nada, que Deus somente possa ser exaltado”. 

JESSIE PENN LEWIS

À PROCURA DA VIDA CRUCIFICADA



Viver a vida crucificada não é uma jornada para os fracos de coração. A jornada é dura e repleta de perigos e dificuldades, e não termina até vermos Cristo. 

Mas, ainda que a jornada possa ser difícil, o resultado de ver Cristo face a face compensa tudo. 


Face a face

Carrie E. Breck (1855-1934)

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Face a face com Cristo, meu Salvador, 


Face a face — como será Quando em êxtase contemplá-Lo, 


Jesus Cristo, que por mim morreu?

Face a face irei contemplá-Lo. 


Muito além do céu estrelado;

Face a face em toda a sua glória,

Logo, logo O verei! 


Vejo-O agora indistinto,

Através de um véu escuro;

Mas vem um bendito dia,

Em que sua glória será vista. 


Que alegria em sua presença,

Quando forem banidos a dor e o pesar;

Quando os caminhos tortuosos forem retificados,

E as coisas obscuras, esclarecidas! 


Face a face! Ah, momento bendito!

Face a face para ver e conhecer;

Face a face com meu Redentor,

Jesus Cristo, que tanto me ama.


Mão ferida

 "Todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim." (Sl 42.7.) 


Esteja de pé no lugar onde o amado Senhor o colocou, e ali faça o melhor que puder. 

Deus nos prova. 

Ele põe a vida diante de nós, face a face, como uma antagonista. 

Espera-se que ao sair da arena de um sério conflito estejamos mais fortes. 

A árvore que cresce onde as tempestades lhe açoitam os ramos e curvam o tronco até quase dobrar-se, tem geralmente raízes mais seguras do que a árvore que cresce no vale retirado, onde nunca há pressão e tensão de temporais. 

O mesmo se prova em nossa vida. 

É nas dificuldades que cresce o caráter mais firme. 

Mão amada, Mão ferida, 

Que o meu bem, somente, quis! 

Se me fere a Mão ferida, 

Dói-lhe a própria cicatriz! 


Se me fere a Mão ferida, 

O meu bem, somente, quer. 

Eu Te adoro, Mão ferida, 

Faze como Te aprouver! 


Extraído de Mananciais do Deserto


TUDO OU NADA

 


As duas pequenas moedas dadas pela viúva (Mc 12:42) ultrapassaram, na avaliação de Deus, a soma de todas as ofertas. 

É relativamente fácil dar dezenas, centenas e milhares  de nossos tesouros acumulados; mas não é fácil privar a si mesmo de um simples conforto ou de algo supérfluo, isto para não falar de algo que seja verdadeiramente necessário. Mas ela deu todo o seu sustento para a casa do seu Deus. 

Foi isso que a colocou numa afinidade moral de espírito com o próprio Senhor bendito.

Mas por que será que o Espírito tomou tanto cuidado em registrar que ela "depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante"? (Almeida Versão Atualizada.)

Por que Ele não se contentou em dizer "depositou um quadrante"?

Ah! isto não atingiria o Seu propósito. Isto não desvendaria algo de rara beleza: o verdadeiro toque de uma devoção total do coração.

Se ela tivesse tudo em uma só moeda, ela teria dado tudo ou nada. 

Tendo o valor em duas moedas, ela tinha a opção de guardar metade para seu próprio sustento. 

E na verdade, muitos de nós consideraríamos uma devoção extraordinária dar à causa do Senhor metade de tudo o que possuímos neste mundo. 


Mas aquela pobre viúva tinha

todo o seu coração para Deus. 


Aí estava a questão. Não havia reservas quaisquer que fossem. O seu próprio eu e seus interesses estavam completamente fora de cena, e ela lançou todo o seu sustento naquilo que para o seu coração representava a causa de seu Deus. 


Que Deus nos conceda algo deste espírito! 


C.H.Mackintosh


AZEITONAS QUE NÃO FORAM ESPREMIDAS

 


Azeitonas que não conheceram a pressão,

nunca podem azeite conceder;

Se as uvas escaparem do lagar,

o vinho da alegria nunca poderá fluir;

Só sendo triturado é que o nardo

pode difundir sua fragrância. 


Recuarei então do sofrimento,

ao qual Teu amor induz?

Cada golpe que sofro, é verdadeiro

ganho para mim;

No lugar daquilo que tiras,

Tu te das a Ti mesmo a mim. 


As cordas do meu coração

precisam ser esticadas por Ti,

Para provar a música Divina?

A música mais doce deve vir,

do duro tratamento do Teu amor? 


Senhor, não temo qualquer privação,

se eu for atraído a Ti;

Quero me entregar em plena rendição,

pra ver todo o Teu coração de amor. 

Estou envergonhado, Senhor,

por buscar, guardar sempre a mim mesmo;

Embora Teu amor tenha feito seu despojamento,

Ainda me sinto constrangido por Teu caminho. 


Senhor, conforme o Teu prazer,

Completa Tua obra em mim;

Desconsiderando meus sentimentos humanos,

Faça apenas o que Te agrada. 


Se Tua mente e a minha foram diferentes,

Segue Teu caminho, Senhor;

Se Teu prazer significa minha tristeza,

ainda assim meu coração dirá: Sim!

É meu profundo desejo Te agradar,

Embora eu possa sofrer perdas;

Mesmo que Teu prazer e glória,

signifiquem que eu suporte a Cruz. 

Oh, Te louvarei mesmo chorando,

Mistura-Te com meu cântico;

Tua crescente doçura provoca,

louvores de gratidão o dia todo. 


Tu fizeste a Ti mesmo mais precioso,

Do que tudo para mim;

Cresça, Tu Senhor, e eu diminua

Esta é agora minha única súplica.


(Watchman Nee) 

domingo, 20 de outubro de 2024

Jesus

 


Jesus é um nome maravilhoso porque Jesus é Jeová. Em Gênesis 1 não encontramos o nome Jeová. 

Encontramos apenas o nome Deus: “No princípio criou Deus”. Eloim-Deus-é o termo para o Deus da criação. O nome Jeová, que não é usado até Gênesis 2, é usado especialmente quando Deus se relaciona com o homem. O nome Jesus é algo adicionado a Jeová, isto é, Jeová nossa salvação, Jeová nosso Salvador.

Jesus é o verdadeiro Josué (Nm 13:16; Hb 4:8). 

Josué é o equivalente hebraico de Jesus e Jesus é a tradução grega para Josué. Moisés fez sair o povo de Deus do Egito, mas Josué os introduziu no descanso. 

Como nosso verdadeiro Josué, Jesus nos introduz no descanso. Mateus 11:28 e 29 nos diz que Jesus é o descanso e que Ele nos trouxe para Si mesmo como o descanso. Hebreus 4:8, 9 e 11 também falam de Jesus como nosso Josué verdadeiro. O Josué no texto do Antigo Testamento torna-se Jesus no texto grego de Hebreus. O Jesus mencionado em Hebreus 4 é nosso Josué. 

É difícil separar Jesus de Josué, porque Jesus é Josué, e Josué é Jesus. Hoje, Jesus é nosso Josué verdadeiro que nos conduz ao descanso, o descanso da boa terra. Ele não é apenas nosso Salvador salvando-nos do pecado, mas também nosso Josué conduzindo-nos ao descanso, a boa terra. Sempre que invocamos Seu nome, Ele nos salva do pecado e nos conduz ao descanso, ao desfrute Dele mesmo. Há um hino que fala acerca de clamar o nome de Jesus mil vezes num dia. Quanto mais você diz: “Jesus”, melhor. Devemos aprender a falar o nome de Jesus todo o tempo. Jesus é nossa salvação. Jesus é também nosso descanso. Todo que invocar o nome do Senhor Jesus será salvo e entrará no descanso.


Witness Lee 


ORAÇÃO É REVISÃO

 


Atos 9.10-17


Uma versão revisada da sua vida é revelada toda vez que você ora de fato. Pois, no silêncio diante de Deus, você submete mais e mais áreas da sua vida ao controle dele, mais e mais poderes são colocados à disposição de Deus, mais e mais canais de receptividade são abertos, cada vez mais sua vontade se alinha à de Deus. Alguém definiu educação como mudança. Então, oração é a educação mais profunda da vida, pois, na oração, você está sendo educado no lugar que mais importa – no centro da vida. Você está sendo educado no ser.


Querido Senhor, por três coisas eu oro:

Para te ver com mais clareza,

Para te amar mais profundamente,

Para te seguir mais de perto,

Dia a dia.*


Se oração é revisão, então oração significa também poda. “Todo ramo […] que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda” (Jo 15.2). Poda o quê? Deus poda os ramos que sugam a vida do galho, que não dão fruto, que apenas impedem a frutificação. Esses ramos que sugam a vida não são ruins; eles simplesmente sugam a vida do que deveria dar frutos. Grande parte da nossa vida está cheia de coisas sem importância. Estamos ocupados com futilidades. A oração traz o importante para o centro da consciência e expulsa o que não é importante.


Enquanto trabalhava, um artista tinha ao seu lado uma coleção de pedras preciosas de muitas cores. Quando perguntado por que, ele respondeu: “Tenho que purificar meus olhos constantemente com as cores da natureza”. Essas cores clarificavam as cores dele. Olho para Jesus e me vem um senso de valor. Purifico meus olhos nas cores dele.


Alguém tentou convencer as crianças de uma favela a tomarem banho. Elas não atenderam a esses apelos até que se tentou outro método: uma criança com o rosto limpo e as roupas limpas foi levada até elas. Então, uma a uma, elas saíram e lavaram o rosto. Contemplo o rosto de Jesus e sei que, ao fazer isso, preciso lavar o meu próprio rosto, o meu coração, a minha vida. A oração poda nossos propósitos e nosso ser.


Ó Cristo, contemplo o teu rosto, ouço a tua voz e vou embora com a sensação de que desejo jogar algo fora. Quero esvaziar as mãos para poder segurar o Cristo inteiro; desejo o que tem valor eterno. Amém. 


Afirmação do dia: “Como pode o jovem manter pura a sua conduta? Vivendo de acordo com a tua palavra” (Sl 119.9).



* Adaptado da oração de Richard de Chichester (1197–1253). 


(Retirado de "O Caminho" [Stanley Jones]. Editora Ultimato)


BEM-AVENTURANÇAS

 


Leia Mateus 5:3-12


Cada uma das bem-aventuranças, ou beatitudes, descreve tanto a identidade do verdadeiro discípulo de Jesus quanto o seu destino.


É surpreendente que Jesus anuncie que os mais felizes, ou mais favorecidos por Deus, sejam os pobres, os que choram, os humildes, os que têm fome e sede, os misericordiosos, os de coração puro, os pacificadores e os perseguidos. Essas descrições são meras constatações dos fatos, não mandamentos. Elas são todas extraídas das descrições que o Antigo Testamento faz do povo fiel a Deus, que busca o único que pode ajudá-los, especialmente em tempos de crise (por exemplo, Isaías 61).


“Felizes são os pobres de espírito” (v.3) serve como uma apresentação de todas as bem-aventuranças. Pobreza de espírito diz respeito àqueles que reconhecem que não são, essencialmente, independentes. Eles carecem dos recursos necessários para transformar suas circunstâncias, sejam elas materiais ou espirituais. Tais pessoas olham para o Senhor, o único que pode prover tudo o que eles precisam. Jesus declara que as pessoas mais abençoadas são aquelas que estão conscientes de sua total dependência de Deus e que têm uma devoção resoluta a Ele.


É importante lembrar que todas as bem-aventuranças são maneiras diferentes de descrever o discípulo de Jesus: trata-se da mesma pessoa sendo descrita por diferentes perspectivas, assim como podemos descrever um cristão como alguém nascido de novo, justificado, um santo ou um membro do corpo de Cristo. Você não pode se encaixar numa dessas descrições sem se encaixar nas outras. O discípulo de Jesus chora, tem fome de justiça e é um pacificador.


Não devemos nos esquecer da última bem-aventurança: felizes são os perseguidos por causa de sua lealdade a Jesus (v.10). Isto é um traço do verdadeiro discípulo assim como a humildade e a pureza de coração. As pessoas fiéis a Deus sempre sofreram algum tipo de maltrato. Não se surpreenda quando o mundo se opuser a você; na verdade, se surpreenda se isso não acontecer.


É bom sermos lembrados de nossa verdadeira identidade. O mundo ou ignora o povo de Deus como sendo insignificantes, ou ativamente os maltrata e ataca. No final, há apenas uma opinião que importa: a de Deus. E Deus diz que os Seus filhos são os que são verdadeiramente felizes.


Pão Diário - Devocional


sexta-feira, 18 de outubro de 2024

A Vocação e a Missão

 *Mc 3:13-14: "Ele subiu ao monte, e chamou para si os que quis; então vieram a ele. E constituiu doze para que estivessem com ele, para enviá-los a pregar,"*


1. *O Chamado para Estar com Ele:*

Antes de qualquer missão ou ministério, a prioridade de Jesus ao chamar os discípulos era para que “estivessem com Ele.” O relacionamento pessoal com Cristo é o fundamento de toda obra espiritual. O verdadeiro ministério flui a partir de uma profunda comunhão com o Senhor, e sem isso, o serviço perde seu poder e propósito.


2. *A Missão que Flui da Presença:* 

A ordem de Jesus — primeiro estar com Ele, e depois ser enviado — reflete uma dinâmica espiritual essencial. O ministério não é algo que realizamos por esforço próprio, mas uma extensão daquilo que recebemos na presença de Cristo. Estar com Ele é o meio pelo qual somos capacitados para pregar e realizar a obra de Deus. Sem essa comunhão íntima, o trabalho ministerial pode se tornar mecânico e vazio.


*“Estar com Ele”* é uma expressão da vida cristã que transcende meras atividades religiosas e foca em um relacionamento contínuo e transformador com Cristo. A partir desse relacionamento, somos verdadeiramente enviados com autoridade e unção para cumprir o propósito de Deus.


T. A Sparks


A tua vara e o teu cajado me consolam

 "A tua vara e o teu cajado me consolam". (Sl 23.4.)


 Na casa de meu pai, na fazenda, há um pequeno armário junto à lareira, onde estão guardados os bordões e bengalas de várias gerações de nossa família. Em minhas visitas à velha casa, quando meu pai e eu vamos sair para uma caminhada, muitas vezes abrimos aquele armário e tiramos dali o bastão que mais nos convém para o passeio. Isso muitas vezes me faz lembrar que a Palavra de Deus é um bordão.


Durante a guerra, quando pairava sobre nós o desânimo e uma constante ameaça de perigo, o verso "Não se atemorizam de más notícias; o seu coração é firme, confiante no Senhor" (Sl 112.7) serviu-me de bordão para atravessar muitos dias escuros.


Quando a morte levou nosso filho e deixou-nos quase despedaçados, encontrei outro bordão, na promessa de que "o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã".


Quando fiquei separado dos meus por um ano por causa de minha saúde, sem saber quando me seria permitido voltar para casa e trabalhar novamente, levei comigo este bordão que nunca falhou: "Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal".


Em tempos de maior perigo ou dúvida, quando todos os juízos humanos pareciam não ter nenhum valor, foi suave avançar com este bordão: "No sossego e na confiança estaria a vossa força". E nas emergências, quando parecia não haver tempo para tomar uma deliberação ou mesmo para agir, este bordão nunca me falhou: "Aquele que crer, não se apresse".


— Benjamin V. Abbott em The Outlook —


"Eu nunca teria compreendido", disse a esposa de Martinho Lutero, "o que significavam certas palavras de alguns salmos, as expressões de angústia de espírito, jamais entenderia a prática dos deveres cristãos, se Deus não me tivesse dado aflições". De fato, a vara de Deus é como o ponteiro do professor, que aponta a letra para que o aluno possa acompanhá-la melhor; com ela Ele nos aponta muitas lições boas que de outra forma não aprenderíamos.


— Selecionado —


Deus sempre envia, com a Sua vara, o Seu cajado.


"O ferro e o metal será o teu calçado, e a tua força será como os teus dias." (Dt 33.25.)


Podemos estar certos de que, se Deus nos envia por terrenos pedregosos, Ele nos provê de sapatos fortes; e não nos mandará a nenhuma caminhada sem nos equipar convenientemente para ela.


— Maclaren —


Mananciais no Deserto


A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO

 


"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á". (Mateus 7:7, 8). Grande importância é dada às orações dos santos em 1 Timóteo 2:1-2. Se os cristãos soubessem como suas orações pelos reis e governadores são ouvidas no céu, não se intrometeriam na política deste mundo.


Cada desejo que o Espírito Santo sopra na alma de um crente é uma voz que chega ao ouvido de Deus. É bom para um filho de Deus orar por suas necessidades, mas é ainda mais excelente orar pelos outros. Deus honra o espírito de intercessão.


Estamos muito dispostos a definir um tempo e uma maneira para Deus responder às nossas orações; e quando nossas orações são respondidas, muitas vezes ficamos surpresos e quase desmaiamos. Se desejamos muita comunhão com Deus e com Cristo, não devemos nos surpreender se o Espírito Santo vier sobre nós como um vento cortante, revelando-nos nossa própria corrupção e mal.


Quando isso ocorrer, não devemos dizer: ‘Como podemos suportar isso’? Antes, seja grato pela sábia resposta de Deus à sua oração. Se não desfrutamos do espírito de súplica e ações de graças, comecemos pelo espírito de confissão.


Quando oramos, devemos estar certos de que Deus está nos ouvindo. Se buscamos ajuda, bondade, favor de um amigo, nos anima observar o seu doce olhar atento. Vamos, pela fé, considerar nosso Sacerdote e Salvador invisível, e estabelecer em nossos corações que nossa oração é recebida e a resposta vai chegar no tempo adequado.


Ainda que não possamos obedecer às justas demandas de Deus para louvar e triunfar com o Cristo ressurreto, Ele ouve os gemidos dos Seus filhos incrédulos. Ele curva Seus ouvidos para ouvir seu clamor. Nossa necessidade de Oração é tão frequente quanto os momentos de nosso dia; na medida que crescemos em espiritualidade na mente, nossa necessidade contínua dela será ainda mais percebida.


Para ter poder com Deus na Oração, é demandado um coração não dividido; se vamos chegar confiadamente diante do trono da graça, precisa ser em obediência. Daniel fez da oração e da meditação nas Escrituras a principal ocupação de sua vida; contudo, se considerarmos as circunstâncias nas quais ele foi colocado, veremos que poucos tiveram maiores obstáculos do que ele no caminho da busca de Deus.


Deus concede, como um Pai sábio, benefícios valiosos aos Seus filhos que a Ele suplicam. Quando pedimos por mais comunhão com Deus, devemos estar dispostos a deixar de lado tudo que a impede. Vamos atentar para que nossos caminhos sejam coerentes com nossas palavras, quando nos achegamos ao trono da graça.


É de grande ajuda para nós compreender que nossas orações e nosso serviço devem ser como o grão de trigo caindo na terra. Se buscarmos primeiro a morte e o sepultamento, seremos capazes de prosseguir com paciência; e no devido tempo, seguramente, ceifaremos uma colheita abundante.


Devemos ir a Deus considerando nossos assuntos como se fossem totalmente dEle. Quão grande é nosso favor e poder com Deus! Somos reis e sacerdotes diante dEle – Seus filhos e filhas por meio da adoção e graça. Vamos atentar para não entristecer o Espírito que nos selou para o dia da redenção, assim o Senhor nada nos negará (Jo 15:7).


O mais elevado testemunho de Estevão foi o último. Esse testemunho não ocorreu enquanto ele pregava ou operava milagres, mas quando intercedeu pelos seus inimigos, pois nesse momento ele mais se assemelhou ao Senhor Jesus em paciência, perdão e amor.


Quando alguma pressão específica estiver sobre você, seja como a Rainha Ester, cujo primeiro pedido foi estar na companhia do rei. Em cada prova, “buscai primeiro o reino de Deus e Sua justiça”, e todas as outras coisas serão acrescentadas. Buscar o Senhor primeiro, a remoção da provação evidencia que precisamos da continuidade dela. Amém!!!


Robert Cleaver Chapman (1803-1902)


O anelo cristão

 "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós". (Rm 8.18)


 Um notável incidente ocorreu certa vez numa cerimônia de casamento na Inglaterra. Um rapaz muito rico e de elevada posição social, que havia perdido a vista num acidente aos dez anos de idade, e que a despeito da cegueira havia concluído o curso superior, estava noivo de uma jovem muito linda. Algum tempo antes do casamento ele havia se submetido a uma série de tratamentos em mãos de especialistas, e o clímax veio no dia da cerimônia.


 Havia chegado a hora, e ali estavam os convidados. Entre estes, ministros de estado, generais e bispos, e outras pessoas importantes.


 O noivo, muito bem vestido, com os olhos ainda vendados, entrou na igreja com o pai, e juntos se dirigiram à sala paroquial, onde se encontraram com o médico do rapaz.


 Chegou a noiva. Foi entrando na igreja pelo braço do pai. Grande era a sua emoção. Será que finalmente aquele que ela amava iria poder ver o seu rosto, que tantos admiravam mas que ele só conhecia pelo tato?


 Ao aproximar-se do altar, enquanto ressoavam ainda os últimos acordes da marcha nupcial, seus olhos pousaram num estranho grupo.


 Ali estava o rapaz com o pai, e, junto do moço, o médico, que acabava de tirar de seus olhos a última atadura. O noivo deu um passo à frente, com aquela dramática incerteza de alguém que não consegue acreditar que está acordado. Caía-lhe sobre o rosto um raio de luz rósea vindo de um vitral, mas isso não chamou a sua atenção.


 Estaria ele vendo alguma coisa? Sim! Recobrando num instante sua firmeza de expressão, e com uma dignidade e gozo jamais vistos em seu rosto, adiantou-se ao encontro da noiva. Olharam-se ambos nos 

olhos, e dir-se-ia que os olhos dele jamais deixariam o rosto da moça.


 "Até que enfim!" murmurou ela. "Até que enfim!" ecoou ele solenemente, inclinando-se. Foi uma cena de grande impacto, e sem dúvida de imensa alegria. E, no entanto, é apenas uma mera sugestão do que acontecerá no céu quando o crente que tem andado por este mundo de provas e dores vir o Senhor face a face.


Mananciais no Deserto — Selecionado