segunda-feira, 4 de maio de 2026

PERDÃO: A suave marca dos filhos de Deus

 

“... o pão nosso de cada dia nos dai hoje;

e, assim como perdoamos aqueles

que nos ofendem, que nós também

recebamos a graça do perdão.” 

( Uma paráfrase - Mateus 6:11-12 )


“ Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mt 6:14-15)


No referido verso (Mt 6:12), o conectivo “e” (gr.  ‘kai’ ) é usado para conectar cada uma das três últimas petições contidas na oração do Senhor em Mateus 6:9-13, enquanto as três primeiras são "independentes". Por que conectar as três últimas? Essa conexão fala das três como absolutamente necessárias: alimento para o corpo, perdão para a alma e libertação da tentação para o espírito.¹

Nesta frase do índice: "Confessamos que somos pecadores e precisamos de perdão e indulgência diários. Esta parte da Oração do Senhor merece ser lembrada com especial atenção. Ela condena toda a justiça própria e a autojustificação. Somos instruídos aqui a manter o hábito contínuo de confessar diante do trono da graça e o hábito contínuo de buscar misericórdia e remissão. Que isso jamais seja esquecido. Precisamos lavar os nossos pés diariamente ( João 13:10 ) ... Seu objetivo é nos lembrar que não devemos esperar que nossas orações por perdão sejam ouvidas se orarmos com malícia e rancor em nossos corações em relação aos outros. Orar com essa mentalidade é mera formalidade e hipocrisia. É ainda pior do que hipocrisia: é o mesmo que dizer: 'Não me perdoe de jeito nenhum'. Nossas orações não são nada sem amor. Não devemos esperar ser perdoados se não podemos perdoar."

Por que Jesus mencionaria o perdão tão abaixo na "lista" desta oração modelo ? Qual é a ênfase nas três primeiras frases temáticas? Deus Pai - adoração, anseio pelo Seu Reino, desejo de fazer a Sua vontade, busca pela Sua provisão para as nossas necessidades de vida.

Eis a questão : quando contemplamos a grandeza e a bondade de nosso Pai que está nos céus, como podemos nós, meros mortais, escolher negar aos outros o mesmo perdão que recebemos no momento da nossa salvação e a cada instante de cada dia pelo resto da nossa vida? Precisamos do Seu perdão, pois ferimos o coração do nosso Pai com os nossos pecados (Um exemplo: Ezequiel 6:9 - observe "Eu fui ferido"! ), incluindo o pecado da falta de perdão , um pecado que Deus não pode ignorar, pois Ele é santo. Portanto, para que nossa oração seja eficaz, precisamos lidar com o nosso pecado.²

Amados irmãos, por favor, não escondam seus pecados (incluindo a falta de perdão), mas sim os tratem com severidade. A falta de perdão é o principal problema em quase todas as congregações evangélicas e precisa ser combatida com rigor.¹


(¹ Bruce Hurt; ² J.C. Ryle)

PAI NOSSO

 


“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que está nos céus, santificado seja o teu nome;” (Mt 6:9)


Joachim Jeremias , um respeitado estudioso alemão do Novo Testamento, escreveu que a palavra aramaica "Abba" foi provavelmente a palavra que Jesus usou aqui quando pronunciou as palavras escritas em grego em Mateus 6:9 . E a partir dessa premissa, Jeremias argumenta que...

“Na Oração do Senhor, Jesus autoriza seus discípulos a repetirem a palavra "Aba" depois dele. Ele lhes dá participação em sua filiação e os capacita, como seus discípulos, a falar com seu Pai celestial de maneira tão familiar e confiante quanto uma criança falaria com seu pai.”¹ 

Um Pai! Há música nessa palavra, mas não para uma criança sem pai — para ela, está repleta de memórias dolorosas. Aqueles que nunca perderam um pai dificilmente podem saber quão preciosa é a relação paterna. Um pai que é verdadeiramente pai é muito querido! Não nos lembramos de como subíamos em seu colo? Não nos recordamos dos beijos que deixamos em suas faces? Não nos lembramos hoje, com gratidão, das repreensões de sua sabedoria e dos gentis encorajamentos de seu afeto? Devemos tudo a ele! Quem poderá dizer o quanto devemos aos nossos pais terrenos, e quando eles nos são tirados, lamentamos sua perda e sentimos que uma grande lacuna se abre em nosso círculo familiar? Ouçam, então, estas palavras: "Pai Nosso, que estás nos céus". Considerem a graça contida no Senhor em nos acolher na relação de filhos e em nos dar, com essa relação, a natureza e o espírito de filhos, de modo que digamos: "Aba, Pai". Você já se deitou na cama com os membros doloridos e clamou: "Pai, tenha piedade do teu filho"? Você já olhou para a morte de frente e, ao pensar que estava prestes a partir, clamou: "Meu Pai, ajuda-me; sustenta-me com a tua mão bondosa e conduz-me através da correnteza da morte"? É em momentos como esses que percebemos a glória da paternidade de Deus e, em nossa fragilidade, aprendemos a nos agarrar à força divina e a nos apegar ao amor divino.² 

"Pai" é o nome cristão para Deus. (J. I. Packer) 

REFLEXÃO:

“A verdade de Deus como seu Pai fundamenta sua vida com o Pai, assim como sua vida de oração?”


[ ¹ Joachim Jeremias, “A Oração do Senhor”; ² Uma Reflexão de C.H. Spurgeon ]


sexta-feira, 1 de maio de 2026

A comunhão do ramo da Videira

 "A vida do ramo é uma vida de íntima comunhão. O que o ramo tem de fazer? PERMANECER.

… Dedique tempo a ficar a sós com Cristo. Nada que há no céu ou na  terra pode livrá-lo dessa necessidade, se você deseja ser um cristão feliz e santo.

Se você não está disposto a sacrificar tempo para ficar a sós com Ele, a dedicar ao Senhor um tempo diariamente para Ele agir em você e a manter o vínculo de união entre você e Deus, Ele não poderá lhe conceder a benção da Sua comunhão ininterrupta.

Jesus Cristo pede que você viva em estreita comunhão com Ele.

Que todo coração diga: ‘Ó Cristo, esse é o meu desejo, essa é a minha escolha.’ E Ele, com prazer, lhe concederá.”

(Andrew Murray)


Oração por permanência no Senhor

 Ó Salvador, quão inefável é o Teu amor! "Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado não o posso atingir" Sl.139:6.

 Rendo-me ao Teu amor, orando, que dia a dia, descortines diante de mim parte dos preciosos mistérios desse conhecimento. Assim, encorajarás e fortalecerás Teu discípulo para fazer aquilo que o seu coração realmente almeja: permanecer em Ti, para sempre, somente e completamente.

Andrew Murray


A incapacidade de frutificação da alma

 “Embora a vida da alma possua uma força tremenda, não pode realizar a obra de dar fruto. 

Todas as energias geradas na alma, inclusive os talentos, os dons, o conhecimento e a sabedoria, são incapazes de levar o crente a produzir fruto espiritual.

Se o Senhor Jesus teve de morrer para produzir fruto, seus discípulos também têm de morrer, a fim de frutificar. 

O Senhor considera o poder da alma como sendo de nenhum valor para Deus, no que diz respeito à produção de frutos.

O maior perigo que corremos, no serviço cristão, é depender de nós mesmos. É operar com a força da nossa alma: dos dons, talentos, conhecimento, eloquência ou inteligência.

Temos de entregar à morte tudo o que diz respeito à nossa vida natural para que jamais possamos nos apoiar nela.”

(Watchman Nee)


terça-feira, 28 de abril de 2026

Vontade Não Mais Dividida

 


O que Deus requer de nós é uma vontade que não esteja mais dividida entre ele e qualquer outra criatura. Uma vontade dócil nas mãos dele, que não busque nem rejeite qualquer outra coisa, que deseje sem reservas tudo que ele deseja e que nunca deseje, sob nenhum pretexto, algo que ele não deseje. Quando temos essa disposição, tudo vai bem. Até as distrações triviais se transformam em boas obras. 


Felizes os que se entregam a Deus! Eles são libertados de suas paixões, da reprovação alheia, da malícia, da tirania das palavras, do insensível e infame escárnio, do infortúnio que o mundo distribui junto com a riqueza, da infidelidade e inconstância dos amigos, das astuciosas armadilhas do Inimigo, da própria fraqueza, da miséria e brevidade da vida, dos horrores de uma morte profana, do remorso por prazeres pecaminosos e, por fim, da eterna condenação de Deus. 


Que insensatez ter medo de se entregar totalmente a Deus! Significa ficar com medo de ser muito feliz. É ter medo de amar a vontade de Deus em todas as coisas. É temer ter coragem para enfrentar as inevitáveis dificuldades, do conforto existente no amor de Deus, do desprendimento das paixões que nos tornam miseráveis. 


Ai daquelas almas fracas e tímidas que estão divididas entre Deus e o mundo! Elas querem e não querem. Estão divididas entre a paixão e o remorso. Temem o julgamento de Deus e das pessoas. Têm horror ao mal e vergonha do bem. Sofrem com as virtudes sem experimentar seu agradável conforto. Oh, quão miseráveis são! Ah, se tivessem um pouco de coragem para desprezar a conversa vã, a zombaria insensível e a crítica temerária! Que paz desfrutariam nos braços de Deus! 


François Fénelon


segunda-feira, 27 de abril de 2026

EU SEI que Meu Redentor VIVE!

 



“Eu sei que meu Redentor vive” é uma meditação baseada na vida de Jó, a respeito da necessidade de conhecermos o Senhor em nossa experiência de vida.


“Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim” (Jó 19:25,26).

No Antigo Testamento, os homens conheciam Deus por meio de suas experiências. Isso aconteceu com Abraão, Isaque, Jacó, José… que durante suas vidas puderam experimentar Deus e conhecer Seus caminhos.

Logo no início do livro, podemos perceber que Jó ainda não entendia a ressurreição dos mortos, considerando suas respostas quando interpelado pelos seus amigos (Jó 4:14 ; 7:9). Mas durante as provações, ele pôde ter um relance da ressurreição.

Ele ousadamente afirmou que veria o seu Redentor, o Senhor no seu corpo e pele, na sua carne. Essa revelação foi fruto das profundezas, de provas e conflitos espirituais. É tremendo entender como o Senhor nos revela a Si mesmo. Esse princípio não muda. No Novo Testamento temos o apóstolo Paulo descrevendo o caminho que ele trilhava para experimentar a “vida de ressurreição”, a “vida em Cristo”: “para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte” (Fp 3:11) – o apóstolo descreve a experiência de Jó em suas próprias palavras.

Para O conhecer, o poder da Sua ressurreição, preciso ter comunhão com Seus sofrimentos e abrir mão da minha vida, considerando-me morto com Cristo… ou “não sou eu mais quem vive, mas Cristo vive em mim”.

Para que Cristo possa viver, precisamos estar nEle e nosso eu precisa estar crucificado com Cristo.

Além de vislumbrar a ressurreição por meio de um Redentor, Jó ainda viu um juízo:

“Se disserdes: Como o perseguiremos? E: A causa deste mal se acha nele, temei, pois, a espada, porque tais acusações merecem o seu furor, para saberdes que há um juízo” (Jó 19:28,29).

Grandes revelações: temos um Redentor! Um dia O veremos e iremos prestar contas diante dEle.

Que tudo o que passamos em nossos dias, pressões, aflições, tribulações, possam cooperar para que experimentemos esse poder de ressurreição, essa vida substituída – Cristo em nós! E essa vida vai nos capacitar à viver de forma digna desse chamado, trazendo honra e glória ao Pai.

“Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Rm 5:10)


PERDÃO: A suave marca dos filhos de Deus

  “... o pão nosso de cada dia nos dai hoje; e, assim como perdoamos aqueles que nos ofendem, que nós também recebamos a graça do perdão. ”...