domingo, 9 de agosto de 2026

Eu é que fiz isto

 “Eu é que fiz isto”. (1 Rs 12.24)


Meu filho, eu hoje tenho uma mensagem para você; quero segredá-la ao seu ouvido, para que ela possa dissipar as nuvens escuras que surjam na sua vida e amaciar os lugares ásperos que você tenha de atravessar.


É breve, apenas cinco palavras, mas deixe-a penetrar no íntimo de sua alma e use-a como travesseiro onde reclinar a fronte cansada: EU é que fiz isto. Você já tinha pensado antes, que tudo o que lhe concerne também concerne a mim? “Pois aquele que toca em você, toca na menina dos meus olhos” (Zc 2.8).


Você é muito precioso aos meus olhos (Is 43.4). Portanto, educá-lo é o meu maior prazer. Quero que você entenda que, quando as tentações o assaltam e o inimigo vem como um rio, fui eu quem o permitiu; que a sua fraqueza precisa da minha força, e que a sua segurança está em me deixar combater em seu lugar.


Você está em circunstâncias difíceis, cercado de pessoas que não o compreendem, que não consultam o seu gosto, e o deixam de lado? Eu é que fiz isto. Eu sou o Deus das circunstâncias. Você não veio a este lugar por acaso; é exatamente o lugar que Deus tinha em mente para você.


Você não Me pediu para torná-lo humilde? Veja, então, que eu o coloquei exatamente na escola em que essa lição é aprendida; seu ambiente, seus companheiros, só estão servindo para a operação da minha vontade.


Você está em dificuldades financeiras? Está difícil fazer o dinheiro dar? Eu é que fiz isto, pois Eu sou o que toma conta da sua bolsa, e quero que busque os seus recursos em Mim e dependa de Mim. Meus suprimentos são inesgotáveis (Fp 4.19). Eu quero levá-lo a provar as minhas promessas.


Que não seja dito de você: “Nem por isso crestes no Senhor vosso Deus” (Dt 1.32). Você está passando pelo vale da dor? Eu é que fiz isto.


Eu sou o “homem de dores e que sabe o que é padecer”. Deixei que os recursos do consolo terreno o desapontassem a fim de que, voltando-se para Mim, você encontrasse a eterna consolação (2 Ts 2.16,17).


Você aspirou fazer um grande trabalho para Mim, e em vez disso foi deixado de parte, num leito de dor e fraqueza? Eu é que fiz isso. Eu não conseguia a sua atenção nos seus dias atarefados e queria ensinar-lhe algumas lições mais profundas.


Alguns dos Meus maiores obreiros são pessoas afastadas do serviço ativo, a fim de que possam aprender a manejar a arma da oração. Coloco hoje na sua mão este vaso de bálsamo santo.


Use-o livremente, meu filho. Toda circunstância que se levantar, cada palavra que o ferir, cada interrupção que o queira impacientar, cada revelação da sua fraqueza seja ungida com ele. O ferrão desaparecerá quando você aprender a ver-Me em todas as coisas.


— Laura A. B. Snouw —


Porque não tinham raiz

 “Quando o sol nasceu, elas se queimaram; e, porque não tinham raiz, secaram.” (Mateus 13:6)


O verdadeiro problema não era o sol, mas a falta de raízes. Na vida espiritual, as raízes representam aquela parte da vida que tem uma história secreta com o Senhor. Aqueles que vivem suas vidas apenas diante dos homens carecem dessa história secreta. Posso lhe fazer uma pergunta direta? Que proporção da sua vida é vivida em segredo? Alguma parte dela está escondida dos olhos dos homens? Sua vida de oração se limita às orações que você profere em reuniões de oração? Seu conhecimento da Palavra de Deus se limita ao que você prega? Todas as suas experiências espirituais íntimas são compartilhadas com outras pessoas? Se sim, então você carece de raízes.


São aqueles cristãos que têm uma história com Deus no lugar secreto que triunfam sobrevivem às provações ardentes do caminho. Se um dia nos depararmos com a opção de renunciar à nossa fé ou perder a vida, qual escolheremos? Não é naquele dia que a questão será resolvida; é agora. Se naquele dia falharmos com Ele, será porque não lançamos nossas raízes suficientemente profundas hoje.


Watchman Nee - The Joyful Heart - Daily Meditations (tradução livre)


Na mesma noite lhe apareceu o Senhor

 “Na mesma noite lhe apareceu o Senhor”. (Gn 26.24)


 Ele apareceu a Isaque naquela mesma noite, a noite em que fora a Berseba. Será que essa revelação foi um acaso? Será que a ocasião foi acidental? Será que poderia ter acontecido igualmente em outra noite qualquer? Se pensamos que sim, estamos inteiramente enganados. Por que terá isto acontecido na noite em que Isaque chegou a Berseba? 

 

Porque essa foi a noite em que ele alcançou descanso. Em sua antiga localidade ele tinha estado perturbado. Tinha havido ali uma série de querelas mesquinhas quanto a posse de uns simples poços. Não há nada que perturbe tanto como pequenos aborrecimentos, principalmente se vem uma série deles. Isaque sentiu isso. Mesmo depois de passada a luta, o lugar guardava uma associação desagradável. 

 

Ele resolveu sair dali. Buscou mudança de ambiente. Armou suas tendas longe do lugar das antigas lutas. E naquela mesma noite veio a revelação. Deus falou, quando não havia tempestade interior. Ele não podia falar enquanto a mente estivesse preocupada; precisamos estar quietos para ouvir Sua voz. Só em quietude de espírito Isaque pôde 

perceber o bulir suave das vestes do Senhor ao passar. Aquela noite de quietude foi luminosa para ele. 

 

Será que já consideramos bem as palavras: "Aquietai-vos, e sabei"? Nas horas de perturbação não podemos ouvir a resposta às nossas orações. Quantas vezes nos parece que a resposta vem muito depois! O nosso coração não obtém a resposta no momento em que clama, isto é, na hora da tempestade, durante a prova de fogo, enquanto dura a tormenta interior. Mas quando cessa o pranto, cai o silêncio e a 

nossa mão desiste de bater contra a porta de ferro; quando o interesse por outras vidas abranda a tragédia da nossa, então surge a tão demorada resposta. 

 

Devemos descansar, se queremos obter o desejo do nosso coração. Deixemos de tantas preocupações pessoais: nas tribulações de todos, esqueçamos a nossa própria aflição. Nessa mesma noite o Senhor 

nos aparecerá. Sobre as águas que se abaixam, brilhará o arco-íris, e no silêncio ouviremos a música do alto. 


— George Matheson —


Oração e Fé

 “Tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebereis, e tê-lo-eis.” (Marcos 11:24)


Nós, cristãos, muitas vezes temos um conceito errado de fé. O Senhor diz que aquele que crê que recebeu, receberá, enquanto nós sustentamos que aquele que crê que receberá, o terá.


Permitam-me compartilhar algo da minha própria experiência. A oração pode ser dividida em duas partes. A primeira é orar sem nenhuma promessa até que a promessa seja feita. Todas as orações começam assim. A segunda é orar a partir do momento em que a promessa é feita até que ela se concretize e a promessa seja cumprida. Fé não é apenas dizer que Deus o ouvirá; é chegar ao ponto em que, porque Deus prometeu, você pode afirmar com sinceridade que Ele já ouviu sua oração. Portanto, podemos dizer que a primeira parte é orar da ausência de fé para a fé; a segunda parte é orar da fé para a posse efetiva.


Watchman Nee - The Joyful Heart - Daily Meditations (tradução livre)


Em tudo fomos atribulados

  “Em tudo fomos atribulados”. (2 Co 7.5)


Por que teria Deus de guiar-nos assim, e permitir que a pressão seja tão dura e constante? Bem, em primeiro lugar, isso mostra muito melhor a Sua força e graça suficiente, do que se estivéssemos isentos de pressão e prova.


O tesouro está “em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”. Além do mais, isto faz-nos mais conscientes da nossa dependência dele. Deus está constantemente procurando ensinar-nos a nossa dependência, e procurando conter-nos inteiramente em sua mão e confiados ao seu cuidado.


Era o lugar que Jesus ocupava e quer que nós ocupemos; firmados, não em nossa própria força, mas com a mão sempre na sua, e com tal confiança nele que não ousemos dar sequer um passo sozinhos.


E esses caminhos de Deus para nós ensinam-nos confiança. Não há maneira de aprendermos a ter fé, senão pelas provações. Elas são a escola da fé, e é muito melhor aprendermos a confiar em Deus do que a gozar a vida.


A lição da fé, uma vez aprendida, é uma aquisição eterna, bem como um eterno tesouro; e sem a confiança, até mesmo riquezas nos deixarão pobres. 


— Days of Heaven upon Earth —


“Sim, meu Senhor, quanta lição preciosa. Faze-me atento, faze-me aprender”.


Promessas Vazias do Homem

 

“Quando andarem dizendo: paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina  

destruição”. (1 Tessalonicenses 5:3)


Por toda a vida, ouvimos as contínuas promessas de paz e progresso feitas por educadores, legisladores e cientistas, mas até agora todos falharam em cumprir qualquer uma delas. 


Talvez seja irônico pensar que homens pecadores, ainda que não possam cumprir suas promessas, sempre sejam capazes de cumprir suas ameaças!


Bem, a verdadeira paz é um dom de Deus e hoje só é encontrada na mente de crianças inocentes e no coração de cristãos esperançosos. Somente Jesus poderia dizer: “Deixe-vos a paz, a minha paz vos dou… Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27).


Certamente os “grandes” deste mundo, no fim das contas, subestimam a sabedoria do cristão. Quando chegar o Dia do Senhor, o cristão poderá se colocar como Abraão, acima da planície em chamas e assistir à fumaça subir das cidades que se esqueceram de Deus. O Cristão lançará um olhar furtivo sobre o Calvário e saberá que esse julgamento é findo!


“Obrigado, Senhor, por Teu Espírito que dá a nossa alma um tipo de “paz que excede todo entendimento”. (Filipenses 4:7). Somente tu podes prover esse tipo de paz, em um mundo dominado por guerra e conflito”. 


Dia a dia com Tozer


domingo, 2 de agosto de 2026

A MESA DO SENHOR - DA PÁSCOA ÀS BODAS DO CORDEIRO

 


"Porque todas quantas promessas há de Deus têm nele o sim; por isso, também por meio dele, o Amém."

(2 Coríntios 1:20)


Poucas verdades revelam tão claramente a unidade das Escrituras quanto a mesa do Senhor.


Quando o pão é partido e o cálice é compartilhado, não estamos apenas recordando a última ceia. Toda a história da redenção parece reunir-se naquele momento. As figuras do Antigo Testamento encontram seu cumprimento, e as promessas do Novo apontam para sua consumação. Tudo converge para Cristo.


A primeira grande sombra é a Páscoa.


Naquela noite, Israel foi salvo porque o sangue do cordeiro estava sobre as portas. O juízo passou, a escravidão terminou e uma nova caminhada começou. Séculos depois, sentado à mesa pascal com Seus discípulos, Jesus revelou que o verdadeiro Cordeiro estava ali. Seu sangue inauguraria a nova aliança, libertando Seu povo de uma escravidão muito mais profunda do que a do Egito.


Mas a Escritura também nos apresenta outra cena.


Depois da vitória de Abraão, Melquisedeque saiu ao seu encontro trazendo pão e vinho. Não veio para condenar o patriarca, nem para impor um novo fardo, mas para fortalecê-lo e abençoá-lo. Mais tarde, a carta aos Hebreus revela que esse sacerdote apontava para Cristo, nosso eterno Sumo Sacerdote. Hoje, Ele continua exercendo esse sacerdócio em favor do Seu povo, vivendo para interceder por nós e sustentando-nos em nossa peregrinação até o fim.


O deserto nos oferece outra imagem.


Todas as manhãs, Deus fazia descer o maná do céu. Era o alimento diário para um povo peregrino. Contudo, aquele pão sustentava apenas a vida natural. Jesus declarou: "Eu sou o pão da vida." A mesa do Senhor nos lembra que nossa existência espiritual não é mantida por experiências passadas, por conhecimento acumulado ou por nossa própria força, mas pelo próprio Cristo, que continua sendo o alimento da Sua Igreja.


Mas a mesa revela ainda mais.


Ela não fala apenas da nossa comunhão com Cristo; ela manifesta também a comunhão do Seu Corpo. Como escreveu o apóstolo Paulo: "Porque nós, embora muitos, somos um só pão e um só corpo; porque todos participamos do único pão." Ao participar da mesa, confessamos que pertencemos ao mesmo Senhor e fomos unidos uns aos outros pela Sua vida. Não existe verdadeira comunhão com a Cabeça sem comunhão com o Corpo.


Alguns costumes matrimoniais judaicos do período do Segundo Templo ajudam a ilustrar a linguagem utilizada por Jesus acerca do noivo e da noiva. Embora o Evangelho não dependa desses costumes para ser compreendido, eles podem lançar luz sobre a riqueza dessa imagem.


Cristo é o verdadeiro Noivo.


O cálice da nova aliança foi selado com Seu próprio sangue.


A Igreja pertence a Ele.


Hoje vivemos o tempo da preparação, aguardando fielmente o cumprimento da Sua promessa:


"Voltarei e vos receberei para mim mesmo."


Por isso, a mesa do Senhor nunca olha apenas para o passado.


Ela também aponta para o futuro.


Na última ceia, Jesus declarou que voltaria a beber do fruto da videira no Reino do Pai. A ceia da Igreja antecipa as bodas do Cordeiro. Cada vez que partimos o pão, anunciamos Sua morte até que Ele venha. A mesa é um memorial da cruz, uma proclamação do Evangelho e uma antecipação do Reino vindouro. Vivemos entre a redenção consumada e a glória que ainda será plenamente revelada.


Andrew Murray lembrava que toda verdadeira comunhão nasce da permanência em Cristo. T. Austin-Sparks insistia que todo o propósito eterno de Deus converge para Seu Filho. C. H. Mackintosh mostrava que a paz da alma repousa inteiramente sobre a obra perfeita do Cordeiro. Stephen Kaung frequentemente lembrava que Deus deseja um povo que expresse a vida de Seu Filho, e Gino Iafrancesco enfatiza que toda a economia divina encontra seu centro em Cristo e na edificação do Seu Corpo. Todos eles, cada um à sua maneira, conduzem nosso olhar para a mesma realidade: Cristo é o centro de todas as coisas.


É exatamente isso que a mesa do Senhor proclama.


O Cordeiro da Páscoa.


O Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.


O verdadeiro Pão que desceu do céu.


A Cabeça de um único Corpo.


O Noivo que selou a nova aliança com Seu sangue.


O Rei que voltará para celebrar as bodas eternas com Sua Noiva.


Tudo está n'Ele.


Tudo vem d'Ele.


Tudo conduz a Ele.


Assim, quando nos reunimos para partir o pão, não participamos apenas de uma ordenança da Igreja. Somos convidados a contemplar a grande história da redenção, cuja origem está no coração do Pai, cujo centro é o Filho e cuja consumação será o dia em que Deus reunirá todas as coisas em Cristo. A mesa nos recorda que fazemos parte desse propósito eterno: fomos chamados para participar da vida do Filho, ser edificados como Seu Corpo e preparados como Sua Noiva.


Até esse glorioso dia, continuamos anunciando Sua morte, vivendo de Sua vida, perseverando em Sua aliança e aguardando, com santa esperança, a voz do Noivo que dirá ao Seu povo:


"Vinde, benditos de meu Pai.”


Eu é que fiz isto

  “Eu é que fiz isto”. (1 Rs 12.24) Meu filho, eu hoje tenho uma mensagem para você; quero segredá-la ao seu ouvido, para que ela possa diss...