"Porque todas quantas promessas há de Deus têm nele o sim; por isso, também por meio dele, o Amém."
(2 Coríntios 1:20)
Poucas verdades revelam tão claramente a unidade das Escrituras quanto a mesa do Senhor.
Quando o pão é partido e o cálice é compartilhado, não estamos apenas recordando a última ceia. Toda a história da redenção parece reunir-se naquele momento. As figuras do Antigo Testamento encontram seu cumprimento, e as promessas do Novo apontam para sua consumação. Tudo converge para Cristo.
A primeira grande sombra é a Páscoa.
Naquela noite, Israel foi salvo porque o sangue do cordeiro estava sobre as portas. O juízo passou, a escravidão terminou e uma nova caminhada começou. Séculos depois, sentado à mesa pascal com Seus discípulos, Jesus revelou que o verdadeiro Cordeiro estava ali. Seu sangue inauguraria a nova aliança, libertando Seu povo de uma escravidão muito mais profunda do que a do Egito.
Mas a Escritura também nos apresenta outra cena.
Depois da vitória de Abraão, Melquisedeque saiu ao seu encontro trazendo pão e vinho. Não veio para condenar o patriarca, nem para impor um novo fardo, mas para fortalecê-lo e abençoá-lo. Mais tarde, a carta aos Hebreus revela que esse sacerdote apontava para Cristo, nosso eterno Sumo Sacerdote. Hoje, Ele continua exercendo esse sacerdócio em favor do Seu povo, vivendo para interceder por nós e sustentando-nos em nossa peregrinação até o fim.
O deserto nos oferece outra imagem.
Todas as manhãs, Deus fazia descer o maná do céu. Era o alimento diário para um povo peregrino. Contudo, aquele pão sustentava apenas a vida natural. Jesus declarou: "Eu sou o pão da vida." A mesa do Senhor nos lembra que nossa existência espiritual não é mantida por experiências passadas, por conhecimento acumulado ou por nossa própria força, mas pelo próprio Cristo, que continua sendo o alimento da Sua Igreja.
Mas a mesa revela ainda mais.
Ela não fala apenas da nossa comunhão com Cristo; ela manifesta também a comunhão do Seu Corpo. Como escreveu o apóstolo Paulo: "Porque nós, embora muitos, somos um só pão e um só corpo; porque todos participamos do único pão." Ao participar da mesa, confessamos que pertencemos ao mesmo Senhor e fomos unidos uns aos outros pela Sua vida. Não existe verdadeira comunhão com a Cabeça sem comunhão com o Corpo.
Alguns costumes matrimoniais judaicos do período do Segundo Templo ajudam a ilustrar a linguagem utilizada por Jesus acerca do noivo e da noiva. Embora o Evangelho não dependa desses costumes para ser compreendido, eles podem lançar luz sobre a riqueza dessa imagem.
Cristo é o verdadeiro Noivo.
O cálice da nova aliança foi selado com Seu próprio sangue.
A Igreja pertence a Ele.
Hoje vivemos o tempo da preparação, aguardando fielmente o cumprimento da Sua promessa:
"Voltarei e vos receberei para mim mesmo."
Por isso, a mesa do Senhor nunca olha apenas para o passado.
Ela também aponta para o futuro.
Na última ceia, Jesus declarou que voltaria a beber do fruto da videira no Reino do Pai. A ceia da Igreja antecipa as bodas do Cordeiro. Cada vez que partimos o pão, anunciamos Sua morte até que Ele venha. A mesa é um memorial da cruz, uma proclamação do Evangelho e uma antecipação do Reino vindouro. Vivemos entre a redenção consumada e a glória que ainda será plenamente revelada.
Andrew Murray lembrava que toda verdadeira comunhão nasce da permanência em Cristo. T. Austin-Sparks insistia que todo o propósito eterno de Deus converge para Seu Filho. C. H. Mackintosh mostrava que a paz da alma repousa inteiramente sobre a obra perfeita do Cordeiro. Stephen Kaung frequentemente lembrava que Deus deseja um povo que expresse a vida de Seu Filho, e Gino Iafrancesco enfatiza que toda a economia divina encontra seu centro em Cristo e na edificação do Seu Corpo. Todos eles, cada um à sua maneira, conduzem nosso olhar para a mesma realidade: Cristo é o centro de todas as coisas.
É exatamente isso que a mesa do Senhor proclama.
O Cordeiro da Páscoa.
O Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.
O verdadeiro Pão que desceu do céu.
A Cabeça de um único Corpo.
O Noivo que selou a nova aliança com Seu sangue.
O Rei que voltará para celebrar as bodas eternas com Sua Noiva.
Tudo está n'Ele.
Tudo vem d'Ele.
Tudo conduz a Ele.
Assim, quando nos reunimos para partir o pão, não participamos apenas de uma ordenança da Igreja. Somos convidados a contemplar a grande história da redenção, cuja origem está no coração do Pai, cujo centro é o Filho e cuja consumação será o dia em que Deus reunirá todas as coisas em Cristo. A mesa nos recorda que fazemos parte desse propósito eterno: fomos chamados para participar da vida do Filho, ser edificados como Seu Corpo e preparados como Sua Noiva.
Até esse glorioso dia, continuamos anunciando Sua morte, vivendo de Sua vida, perseverando em Sua aliança e aguardando, com santa esperança, a voz do Noivo que dirá ao Seu povo:
"Vinde, benditos de meu Pai.”