segunda-feira, 27 de julho de 2026

O livramento do Senhor

 “Não temais; estai quietos e vede o livramento do Senhor.”

(Êxodo 14.13)


Parece-nos, muitas vezes, que Deus coloca seus filhos em profundas dificuldades, conduzindo-os a algum beco sem saída; armando situações que nenhum juízo humano admitiria, caso fosse previamente consultado. A própria nuvem os conduz para mais longe. Talvez isso lhe esteja acontecendo neste exato momento. Parece desconcertante e muito grave; mas está perfeitamente correto. O motivo é mais que suficiente para justificar Aquele que o trouxe para esse beco. Trata-se de uma plataforma para que Ele lhe apresente sua graça e poder onipotentes. Deus não somente há de livrá-lo, como também, ao fazê-lo, ensinar-lhe-á uma lição inesquecível que, mais tarde, reverter-se-á em muitos salmos e cânticos. Você jamais poderá agradecer a Deus por ter Ele agido exatamente como agiu.

F.B.Meyer


"O que a mim me concerne o Senhor levará a bom termo;
a tua misericórdia, ó Senhor, dura para sempre;
não desampares as obras das tuas mãos."
(Salmo 138:8)

Nosso Ebenézer!

 Ebenézer! Até aqui nos ajudou o Senhor.


“Tomou, então, Samuel uma pedra, e a pôs entre Mispa e Sem, e lhe chamou Ebenézer, e disse: Até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Samuel 7:12).

"Algo em que precisamos acreditar e, se necessário, talvez até lutar para acreditar é que o fim justificará o caminho, e que Deus será plenamente justificado pelo caminho no qual Ele nos conduziu.”

-- T. Austin-Sparks (O Fim Justificará o Caminho)


”Se não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado” (Sl 124:2)! Essa é a história da nossa caminhada. Nossa vida Cristã é um progresso e conquista, um constante arrastar “da pedra” para mais um pouco adiante e a sempre certeza de que “Ebenézer, até aqui nos ajudou o Senhor”. Na linguagem do apóstolo Paulo, uma eterna descoberta do "tudo posso Naquele que me fortalece” e “prossigo para o alvo” [Fp 4;13 e 3:14].

 

Muitas vezes pensamos que adversidades são o fim, mas na verdade elas nos conduzem ao novo Ebenézer, porque, ao enfrentar situações impossíveis, não poderemos confiar em nós mesmos, "e sim no Deus que ressuscita os mortos” (1Co 1:9).

 

Que possamos ser Calebes e Josués, que não se contentam em ficar do outro lado do Jordão, mas anseiam pela melhor porção da terra. Que possamos prosseguir para o alvo, na força do Senhor, e que a cada passo possamos testemunhar - Ebenézer! Ebenézer! Porque afinal de contas, jamais teremos nada em nós mesmos para nos gloriar no reino de Deus. Aprender a viver por Ele é a única forma de seguir em frente!

 

“Quando você ouve alguém pronunciar muitas palavras de humildade, percebe que não é humilde. Não realizamos essa obra por nós mesmos. Se tentarmos fazê-lo com as nossas próprias forças, seremos repreendidos por nossa falta de fé. Entenda que ESTAR MORTO é ainda mais baixo que SER HUMILDE. Para SER HUMILDE você primeiro tem que ter sido alguma coisa. Não há nada INFERIOR à MORTE, quem já ESTÁ MORTO não é NADA. NADA PODE SER INFERIOR A ISSO.”


--Madame Guyon (1648-1717)


A Importância da Experiência

 

"E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança." (Romanos 5:3,4)


Experiência com Deus é muito mais do que apenas conhecimento. Podemos ser muito bem informados e ter muito conhecimento, mas se formos carentes de experiência, nosso conhecimento será puramente técnico. Experiência é mais que conhecimento, e é muito mais que inteligência. Pessoas inteligentes podem ser capazes de fazer muitas coisas e podem até parecer bem sucedidas. Entretanto, a ausência da qualidade da experiência será demonstrada, mais cedo ou mais tarde, por meio do colapso de sua estrutura, uma vez que não havia uma base sólida ali.


A experiência é algo que nunca poderemos herdar, nem pode ser transferido de uma pessoa para outra; precisa ser adquirida. É, portanto, posse e propriedade do indivíduo que a possui, algo muito pessoal. Se fosse possível ao Pai conduzir Seu próprio Filho, o Senhor Jesus, ao fim designado e determinado por Ele de qualquer outra maneira, certamente Ele o faria. Mas o único caminho foi por meio da experiência: ”…embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu" (Hb 5:8); Ele foi ”aperfeiçoado por meio de sofrimentos" (Hb 2:10). Até Jesus Cristo (digo isso em certo sentido) precisou adquirir Sua experiência. Ele precisou atingir a plenitude dela para ser aperfeiçoado, tornado pleno, por meio do caminho da experiência.


O Espírito Santo não substitui a experiência, mesmo considerando tudo o que o dom do Espírito representa para o provimento, capacitação, instrução e fortalecimento do povo de Deus. Muitas vezes pedimos que o Espírito Santo faça certas coisas por nós que Ele nunca fará, em vez disso, Ele nos conduzirá à experiência. Essa é a única maneira dEle responder às nossas orações, dando-nos experiências. Pedimos algo ao Senhor e obtemos a resposta por intermédio das experiências pelas quais Ele nos conduz. Não era isso que desejávamos, é claro, queríamos que o Senhor fizesse algo instantaneamente, como que concedendo um dom, num ato soberano. Entretanto, isso teria sido algo meramente objetivo, concedido, enquanto Ele deseja tornar a resposta parte de nossa constituição e, dessa forma, responde à oração com alguma experiência. 'Perseverança (produz) experiência' e, se não houver experiência, qual será o seu benefício?


Portanto, a experiência tem ainda mais importância do que a libertação da tribulação. 'Tribulação produz experiência'. Quantas vezes perguntamos ao Senhor por que Ele permitiu que algo nos acontecesse, ou por que Ele não fez isso ou aquilo. Por que Ele não impediu Adão de pecar? Por que Ele não interveio no mundo, antes que acontecessem tantas coisas que tiveram resultados terríveis? A necessidade da experiência é parte dessa resposta.


-- T. Austin-Sparks (A importância e Valor da Experiência)


chuvas de bênção

 Farei descer a chuva a seu tempo, serão chuvas de bênção. (Ez

34.26.)

Como está o tempo esta manhã em sua vida? É tempo de sequidão? Então é o tempo oportuno para chuvas. 

Tempo de ar pesado e nuvens negras? É o tempo para chuvas. 

Veja que a palavra está no plural: "Farei descer... chuvas de bênção" — Deus manda todo tipo de

bênçãos. As bênçãos de Deus vêm todas juntas, como os elos numa corrente de ouro. 

Aquele que dá a graça da conversão dá também a graça do consolo. Ele enviará "chuvas de bênção", 

"Ó planta crestada, olhe para cima e abra as suas folhas e flores à chuva do céu." —

Spurgeon


Senhor, minha alma Te deseja muito,

Numa terra sedenta,

Onde faltam as águas.

Eu não tenho recursos

Pra exigência da hora.

Ó senhor, minha fonte,

Satisfaz-me.

És poderoso e todo-suficiente

Ó Jeová El Shaddai,

Deus que nutre e sustenta

Qual criança de colo

Eu me deixo em Teus braços.

Ó Senhor, minha fonte,

Satisfaz-me.

Tu prometeste carregar meu fardo;

A Teus pés o deponho.

Olha o que me concerne.

Quero agora, em silêncio,

Contemplar o Deus vivo.

Ó Senhor, minha fonte,

Satisfaz-me.

Senhor, Tu podes mudar o meu espinho em flor; e eu quero que o meu espinho seja uma flor.

 Jó recebeu o brilho do sol, depois da chuva —

mas teria sido em vão aquela chuva? Jó queria saber, e eu também quero, se o brilho do sol não teve nada a ver com a chuva. E Tu podes dizer-me — a Tua cruz pode dizer-me. 

Tu coroaste o Teu sofrimento.

Seja essa a minha coroa, Senhor. 

Eu só poderei triunfar em Ti, se

conhecer o esplendor que há na chuva. — George Matheson


A vida frutífera busca tanto as chuvas como o sol.

Já reparaste que o sofrimento

Abranda os corações?

E percebeste que na dor

Há um mundo de lições?

Procura ouvir o que Deus te fala

Nas aflições.


O propósito dos companheiros

 


“Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos” (Hebreus 3:14).

A palavra que aparece como “participantes” nesse verso ocorre 5 vezes na carta aos Hebreus: 1:9; 3:1,14; 6:4; 12:8. Em Lucas 5:7, ela é traduzida como “companheiros”, e em outras traduções, “amigos” e “parceiros. Essa ideia dos “companheiros” segue ao longo de toda a Bíblia como o supremo pensamento de Deus relacionado ao homem e sua relação com Ele. Mas qual seria o propósito dos companheiros? Tudo converge para o foco central de toda a Bíblia, a saber, o Filho de Deus. Em todas as coisas, Deus tem o Seu Filho em vista. Deus sempre mantém Sua visão focada em Um Objeto, que é o Seu Filho. Deus nunca desperdiça nada. Ele não se interessa em “coisas” pequenas. As pequenas coisas se tornam grandiosas quando se relacionam com Seu Filho. Você se considera uma pessoa pequena, sem importância? Se você estiver ligado de forma vital ao Filho, Deus te considera muito importante. 

 

Deus é um Deus de propósito. Ele está sempre se movendo em relação a tal propósito, e prosseguindo, não importando o que aconteça, sempre atuando na base do Seu Senhorio Soberano, e nenhum homem pode impedi-Lo. É por isso que Ele nos deu o Livro de Apocalipse. Antes de chegarmos ao fim, Ele já nos disse como será. Seu propósito será realizado. Ainda assim, Ele sustenta outro princípio: Ele sempre conserva o homem num lugar de responsabilidade. Seu propósito em Seu Filho deve ser realizado no homem, no grande homem corporativo, no qual Cristo deve ter a plenitude. Cristo não realizará o propósito de Deus sozinho. Será que existe algo mais grandioso do que ser um companheiro de Cristo? Que maravilha pensarmos que somos chamados para sermos companheiros do Filho de Deus, quando sabemos quem Cristo é, e tudo o que Deus propôs em relação a Ele! Isso é de fato uma grande salvação. Mas companheirismo é algo que é testado e peneirado pela adversidade. Se você tem um lote extra de testes e sofrimentos em seu relacionamento com Cristo, lembre-se de que Ele está buscando encontrar em nós companheiros bem próximos, não apenas na Sua glória, mas nos Seus sofrimentos. Unidade de vida, propósito, experiência, disciplina, morte, sepultamento, ressurreição, unção, e então finalmente, unidade com Ele em Sua glória celestial.

 

Tradução de extratos do Capítulo 1 do Livro “The On-High Calling”, de T. Austin-Sparks.


Pioneiros no caminho celestial

 


“Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra” (Hebreus 11:13).


A Bíblia se inicia com os céus: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1:1). 

A ordem não foi “a terra e os céus”; os céus vieram primeiro. A Bíblia se encerra com a santa cidade, a Nova Jerusalém, descendo de Deus dos céus (Ap 21:2). Assim como os céus estão no início e no fim, tudo que está entre esses dois relatos na Palavra de Deus, do início ao fim, é dos céus e para os céus. 

Assim como ocorre na esfera natural, é também na esfera espiritual. Os céus governam a terra, e aquilo que é terreno deve responder ao celestial. O céu é supremo: tudo deve estar à luz dos céus. Esse é um resumo da Palavra de Deus, de todo o conteúdo das Escrituras.


No que tange a nós, se somos filhos de Deus, toda a nossa educação e nossa história está relacionada aos céus e, com isso, não me refiro ao simples fato de estarmos indo para lá. Estamos relacionados ao reino dos céus pelo do nascimento, no que diz respeito ao nosso sustento e nossa eterna vocação.


Toda a nossa educação espiritual está relacionada a aprender como as coisas são feitas nos céus, que equivale àquilo que o Senhor disse: “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6:10). Esse fragmento cobre toda a educação dos filhos de Deus, porque essa oração se inicia com: "Pai nosso, que estás nos céus". 

Essa educação, que dura toda a nossa vida e é tão profunda e drástica, envolve a conformidade com o céu. 

Toda a história dos vasos Divinamente escolhidos e tomados para o testemunho de Deus é a história de pioneiros abrindo caminho, fazendo algo que era novo até então no que diz respeito a esse mundo, fazendo novas descobertas em relação aos céus, eles foram pioneiros do caminho celestial.


T.Austin-Sparks ( "Pioneiros no caminho celestial", cap 1).


A Eterna Inimizade

 

 “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15).

Sabemos que vivemos em um universo inundado com inimizade e hostilidade. Isso vai além da humanidade, pois esse combate está nas regiões celestiais, é espiritual e está por trás de todas as coisas. Acredito que frequentemente ficamos em desvantagem e enfraquecidos por ainda nos surpreendermos com isso. Por que todas essas experiências difíceis, o estresse, pressão, antagonismo e conflito? Precisamos ter clareza, de uma vez por todas, que isso está na constituição das coisas. Até que tudo seja mudado com o novo céu e a nova terra, essa situação permanecerá assim.

 

Sei que esse não é um pensamento muito confortador e pode soar muito deprimente, mas muitas das nossas derrotas são o resultado de não estar bem claro e definido para nós que existe esse conflito espiritual nas regiões celestes. Então, que fique claro, de uma vez por todas, que vamos permanecer nesse conflito até o fim das nossas vidas. É melhor nos ajustarmos a isso e reconhecermos que ele é real. Estamos em um combate entre dois grandes sistemas espirituais, encabeçados por dois grandes líderes. De um lado está satanás com suas vastas hostes, ou, como Paulo denomina, “forças espirituais do mal”. Do outro lado está o Senhor Jesus, que também tem Seus exércitos.

 

Se nos voltarmos novamente à Palavra, veremos que todo o progresso e aumento de medida espiritual veio ao povo do Senhor por meio dessa linha de combate, e ainda é assim nos nossos dias. Mas qual é o ponto focal de todo esse conflito, esse combate? Qual é o objetivo pelo qual está se guerreando? Apenas uma coisa: VIDA. Esse é o combate pela vida. Não se enganem sobre isso. Essa é a questão na qual o inimigo está concentrando toda a sua atenção. Em todos os golpes e inúmeros esquemas para nos neutralizar e nos tirar do combate, seu objetivo é atingir aquela vida contra a qual ele investiu desde o começo. Seu sucesso depende da morte. Se, de alguma forma, ele puder trazer a morte para dentro, foi bem-sucedido.


Por outro lado, todo o triunfo do povo do Senhor está conectado à vida. Seu progresso nesse combate está relacionado em conhecer cada vez mais o Senhor no poder da Sua ressurreição. Cada novo passo de progresso espiritual vem de uma crise, caracterizada quando um novo conhecimento do poder da Sua ressurreição for o único meio para nossa salvação.

 

Baseado na tradução do texto homônimo do livro “Strong in the Day of Battle”, de T.Austin-Sparks, publicado pela Emmanuel Church.


O livramento do Senhor

  “Não temais; estai quietos e vede o livramento do Senhor.” (Êxodo 14.13) Parece-nos, muitas vezes, que Deus coloca seus filhos em profunda...