domingo, 17 de maio de 2026

Levantou-se grande temporal

 “Levantou-se grande temporal”. (Mc 4:37)


Algumas das tempestades da vida vêm de repente: uma grande dor, um desapontamento amargo, uma derrota esmagadora. Outras vêm devagar: aparecem nos recortes do horizonte, pequenas como a mão de um homem; mas a aflição que parecia tão insignificante se espalha até cobrir o céu, e nos confunde. Contudo, é na tempestade que Deus nos prepara para o Seu serviço.


Quando Deus quer um carvalho, Ele o planta num lugar onde as tormentas o fustigarão e onde as chuvas baterão contra ele, e é no meio da batalha contra os elementos que o carvalho ganha suas fibras rijas e se torna o rei da floresta.


Quando Deus quer aperfeiçoar um homem, Ele o coloca em alguma tempestade. A história dos grandes homens é sempre de rudezas e asperezas. Nenhum homem se faz, enquanto não tiver passado pelas ondas da tormenta e encontrado a resposta da sua oração: “Ó Deus, toma-me, quebranta-me, faze-me”. Certo francês pintou um quadro de grandeza incontestável: ali figuram oradores, filósofos, mártires, pessoas que se destacaram em alguma fase da vida.


O fato notável a respeito do quadro é o seguinte: cada homem que se destaca por sua habilidade, destacou-se primeiro por seu sofrimento. No primeiro plano está o homem a quem foi negada a entrada na terra prometida — Moisés. A seu lado está outro, tateando em seu caminho — o cego Homero.


Ali está Milton, cego e de coração partido. Depois vem a figura de um que se ergue entre os demais. E qual a Sua característica? Seu rosto está desfigurado, mais do que o de qualquer outro. O artista poderia ter escrito debaixo de sua obra-prima: “Frutos da Tormenta”. As belezas da natureza surgem após as chuvas. A beleza da montanha nasce na tempestade.


E os heróis da vida são os que foram açoitados pela tormenta e marcados pela batalha. Todos nos já estivemos na tempestade e em meio aos açoites dos ventos. Quais foram as consequências? Ficamos feridos, cansados e abatidos no vale? Ou nos erguemos aos picos de uma vida mais rica, mais profunda, mais estável? Nós nos tornamos mais ternos e compassivos para com os feridos da tormenta e marcados da batalha?


– Selecionado –


Só pode consolar 

Quem simpatiza. 

Só simpatiza 

Quem também sofreu. 

Por isso nos consola o 

Homem de dores, 

Pois nossas dores 

Padeceu. 

E na fornalha da aflição 

Deus nos prepara 

Pra levarmos também 

Consolação.


Mananciais no Deserto


sábado, 16 de maio de 2026

Morra eu com os filisteus

 “...Morra eu com os filisteus...(Juízes 16:30ª)


 “Morra eu com os filisteus”. Estas foram as últimas palavras de Sansão. É muito instrutivo considerarmos os relatos bíblicos sobre Sansão e o que o levou a tomar esta resolução estando naquela condição. Convido-vos à reflexão sobre alguns aspectos relacionados a Sansão e o que poderemos retirar como lições aplicativas a nós. Consideraremos então: a) A vocação e o ministério de Sansão b) A fraqueza de Sansão c) A morte de Sansão e sua vitória definitiva


1. A VOCAÇÃO E O MINISTÉRIO DE SANSÃO

Ninguém que já leu a Bíblia concernente a vida de Sansão, poderá negar que ele foi um instrumento escolhido por Deus e separado para o cumprimento do propósito divino em libertar o Seu povo Israel do jugo dos filisteus. Sansão foi separado por Deus para exercer o seu ministério como juiz e defensor do povo Israel contra os filisteus. Ele foi alvo deste chamamento divino para este propósito antes mesmo de nascer. “Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus”. (Jz 13:5) Como foi no caso de Sansão concernente ao seu chamamento, também o é em relação aos filhos de Deus. Eles foram separados por Deus antes mesmos de nascerem e chamados pela sua graça para o supremo propósito Dele. “Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim...”(Gl 1:15-16ª) Podemos ver algo muito precioso neste texto. a) A vocação cristã legítima é de procedência de Deus somente. Ele é quem separa e chama os seus para o Seu propósito eterno. Notem; não foi quando Paulo quis, mas quando “aprouve a Deus”. “Deus escolheu-nos para seu amor e agora nos ama por causa de sua escolha”, dizia John Trapp. b) O propósito desta separação e vocação é soberano: “revelar o Seu Filho”, não para mim, diz Paulo, mas em mim. O supremo propósito do Pai celestial é que “Seu Filho seja tudo e em todos”(cf..Colossenses 3:11). Outro texto das Escrituras que nos esclarece este ponto está registrado em Romanos 8:28-30. Ali lemos: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”. Este é o supremo propósito de Deus. E o Senhor está levando à efeito este desígnio soberano. As obras de suas mãos Ele não renunciará. Um outro aspecto importante relacionado ao ministério de Sansão diz respeito ao fato de onde consistia a sua força. Havia um pacto estabelecido pelo Senhor. Enquanto este pacto era mantido, Sansão tinha êxito, subjugava seus adversários e mantinha a vitória para o seu povo. É sumamente importante esta observação: A suficiência de Sansão não provinha dele próprio, mas provinha de outra Fonte, a saber; do SENHOR. “Desceu, pois, Sansão com seu pai e com sua mãe a Timnate; e, chegando às vinhas de Timnate eis que um filho de leão, rugindo, lhe saiu ao encontro. Então o Espírito do SENHOR se apossou dele tão poderosamente que despedaçou o leão, como quem despedaça um cabrito, sem ter nada na sua mão; porém nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito”. (Jz 14:5-6) Tanto nesta passagem como em outros versos (ex: v.19 ; 15:14 ...) vemos que a força de Sansão provinha do Espírito do SENHOR. De igual modo, “ os crentes por si mesmos não possuem vida, poder e vigor espiritual. Tudo o que possuem em sua vida espiritual, procede de Cristo”, dizia J.C.Ryle . “ Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus”. (2 Co 3:5) Por isso, Agostinho de Hipona disse acertadamente: “Toda a nossa suficiência sem a suficiência de Deus é apenas deficiência”. Como podemos observar, o êxito de Sansão em seu ministério dependia tão somente da manutenção do pacto estabelecido pelo Senhor, sendo a observância daquele pacto sinal de sujeição e fé no Senhor. “Agora, pois, guarda-te de beber vinho, ou bebida forte, ou comer coisa imunda. Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre; e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus”. (Jz 13:4-5) Os crentes do mesmo modo, foram chamados a permanecerem no Senhor, de onde provém toda a graça para suas necessidades e êxito em seus empreendimentos. Jesus disse: “Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. (Jo 15:4-5) Observem irmãos, as condições de alta produtividade sugeridas por uma relação vital e contínua com Cristo: “Permanecei em mim”. Notem também o verso 5; Ele não diz: “vós podeis fazer um pouco”, mas nada. Assim como Sansão deveria depender continuamente do SENHOR mantendo o pacto estabelecido por Ele, os cristãos devem em tudo depender do SENHOR Jesus Cristo, pois à parte Dele, nada podemos fazer. Por isso as obras dos cristãos estão sendo reveladas pelo fogo, portanto, se elas têm origem em Cristo permanecerão, se não , estas obras se queimarão. “ E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo”. ( 1 Co 3:12-15) Sansão deveria manter o pacto em sujeição ao SENHOR até ao fim, porém veremos adiante a quebra deste pacto que resultou em separação do SENHOR, perdas, sofrimentos e humilhações a Sansão .


2. A FRAQUEZA DE SANSÃO

 “ E desceu Sansão a Timnate; e, vendo em Timnate uma mulher das filhas dos filisteus, Subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timnate, das filhas dos filisteus; agora, pois, tomai-ma por mulher. Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque ela agrada aos meus olhos. Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do SENHOR; pois buscava ocasião contra os filisteus; porquanto naquele tempo os filisteus dominavam sobre Israel”. (Jz 14:1-4) É muito difícil envolver-se com algo sujo e sair-se sem as suas manchas. Alguém já disse que “O mundo é algo que suja e contamina. Dificilmente um homem pode andar aqui sem corromper suas vestes. Os homens do mundo são criaturas imundas, fuliginosas. Não podemos ter contato com eles sem que deixem sua imundície sobre nós”. Sansão envolveu-se com os filisteus. Seus olhos foram distraídos do propósito que lhe cabia observar diligentemente. Ele fora tomado de paixão pelas mulheres filistéias. Embora seus pais não aprovassem suas associações com as filhas dos filisteus, Sansão desejou tomar por mulher uma delas. “E desceu Sansão a Timnate; e, vendo em Timnate uma mulher das filhas dos filisteus, Subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timnate, das filhas dos filisteus; agora, pois, tomai-ma por mulher. Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque ela agrada aos meus olhos. Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do SENHOR; pois buscava ocasião contra os filisteus; porquanto naquele tempo os filisteus dominavam sobre Israel”. (Jz 14:1-4) “Quando nossos olhos fitam objetos pecaminosos estão fora de sua vocação e da guarda de Deus”, dizia Thomas Fuller. Da mesma forma, os jovens cristãos não deveriam desejar relacionamentos amorosos ou contrair-se matrimônio com alguém incrédulo que não teme ao Senhor, nem ter envolvimentos que comprometam sua vida de comunhão com o Senhor e os irmãos, pois lemos nas Escrituras em 2ª Corintios no capítulo 6 nos versos 14 a 18 “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso”. Embora o SENHOR em sua soberania providenciou ocasião contra os filisteus conduzindo Sansão à terra destes, o dever de Sansão era manter o pacto com Deus, não alinhando-se ou envolvendo-se com eles, nem participando de suas iguarias. Porque está escrito: “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade”. (2 Tm 2:19) Foi neste sentido que Cristo orou ao Pai, não para que tirasse os cristãos do mundo, mas para que os livrassem do mal. “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade”. (Jo 17:15-17) John Blanchard corrobora este pensamento dizendo: “Jesus não orou para que seu Pai tirasse os cristãos do mundo, mas para que tirasse o mundo dos cristãos”. Os filisteus pertenciam ao mundo pagão. O deus adorado por eles era Dagon. A idolatria prevalecia-se naquela terra. Sansão não poderia conformar-se com eles, pois era nazireu de Deus. Nazireu conforme definição do dicionário inglês HOLMAN BIBLE DICTIONARY; NASHVILLE, TENESSEE : HOLMAN BIBLE PUBLISHERS , 1991; p.1011, “é um membro de uma classe de indivíduos especialmente devotados a Deus. O termo hebraico significa consagração, devoção e separação. Duas formas tradicionais de nazireu são encontradas. Uma era baseada num voto pelo indivíduo por um período específico; outro era uma devoção por toda a vida, seguindo a experiência revelatória de um pai que anunciou o nascimento iminente de uma criança. Os sinais exteriores de um nazireu – o crescimento de cabelo, a abstenção de vinho e outras bebidas alcoólicas, a evitação do contato com os mortos – são ilustrativos de devoção a Deus”. A palavra de Deus em Tiago alerta sobre o perigo de uma amizade envolvente com um mundo que jaz no maligno. “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”. (Tg 4:4) John Brown disse “É infinitamente melhor ter o mundo inteiro como inimigo e Deus como amigo do que ter o mundo inteiro como amigo e Deus como inimigo”. E alguém também já pronunciou acertadamente: “Aquele que recebe a aprovação dos ímpios devem receber a desaprovação de Deus”. Mesmo já tendo experimentado anteriormente atos de traição de sua primeira amante filistéia (cf. Jz 14:15-17), Sansão persistiu no terrível erro em possuir aquilo que lhe era ilícito ( Dalila ), pois em Israel não era costume o povo tomar por esposas mulheres estrangeiras, pois era decreto do Senhor. “ E o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, das nações de que o SENHOR tinha falado aos filhos de Israel: Não chegareis a elas, e elas não chegarão a vós; de outra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor”. (1 Re 11:1-2) O mesmo que aconteceu com Salomão também foi com Sansão, e esses envolvimentos com mulheres estrangeiras implicaram em conseqüências desastrosas a eles por seus desvios da vontade do SENHOR. O reino de Salomão foi retirado dele pelo SENHOR e entregue posteriormente ao servo dele. (cf. 1 Re 11:9-13 ) Sansão além de perder a sua visão e ser feito escravo pelos filisteus, teve sua comunhão com Deus interrompida de onde provinha a sua força e vitória contra os seus adversários. “ Então ela (Dalila) o fez dormir sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça; e começou a afligi-lo, e retirou-se dele a sua força. E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E despertou ele do seu sono, e disse: Sairei ainda esta vez como dantes, e me sacudirei. Porque ele não sabia que já o SENHOR se tinha retirado dele. Então os filisteus pegaram nele, e arrancaram-lhe os olhos, e fizeram-no descer a Gaza, e amarraram-no com duas cadeias de bronze, e girava ele um moinho no cárcere”. (Jz 16:19-21) Para que Sansão não mais se tornasse em ameaça aos filisteus, estes vazaram-se os olhos dele, pois; que ameaça poderia ser um inimigo cego? Assim também, o inimigo do SENHOR e de nossas almas procura cegar os entendimentos dos homens para que fique obscurecida a luz do evangelho da glória de Cristo, pela qual a imagem de Deus é restaurada. “Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. (2 Co 4:3-4)


3. A MORTE DE SANSÃO COM OS FILISTEUS E SUA VITÓRIA DEFINITIVA

 “E disse Sansão: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela havia; e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara em sua vida”. (Jz 16:30) Agora Sansão estava no pó; escravizado, cego, humilhado, fraco ... Mas creio que não foi somente esta percepção de Sansão que mais o entristecia, senão a percepção do fato de que por sua inobservância do pacto com SENHOR , o nome do seu Deus agora era blasfemado por um povo que não O temia e que até mesmo imputavam a seu deus Dagon, o haver entregado a Sansão em suas mãos. Penso que Sansão então sofria maltrato, humilhações, mas não tanto quanto o de ouvir dos lábios de seus inimigos: “o nosso deus Dagon entregou você em nossas mãos, Sansão”. Mas graças a Deus, pois “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”, diz o apóstolo Paulo em Rm 11:29. Sansão estava naquela condição, mas ele não fora destruído. O SENHOR não permitiu que os filisteus o destruísse, para que o Seu propósito em libertar o Seu povo do jugo dos mesmos fosse cumprido através de Sansão. Ele era um instrumento escolhido por Deus. Embora ele estivesse naquela humilhante condição, o SENHOR o amava e não desistiu dele. Graças a Deus, o SENHOR não desiste de nós! O SENHOR odeia o pecado, mas amou o seu povo perdido, e por isso, enviou o Seu Amado Filho para salvá-los, e libertá-los do pecado. Cristo Jesus pagou o preço de todos os pecados do Seu povo, tanto da antiga aliança, como da nova aliança, com o Seu precioso sangue. “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna”. (Hb 9:14-15) Este era também o ensino característico do apóstolo Paulo concernente à justificação por graça e fé no Senhor. Ele escrevendo à igreja em Roma disse no capítulo 3 versos 24 a 26 aos Romanos o seguinte: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”. Se um homem é salvo, ele o é apenas pela graça soberana de Deus. Vejam também o que Paulo disse aos efésios no capítulo 2 versos 8 e 9: “ Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.(Ef 2:8-9) Porque Sansão era escolhido por Deus, recebeu do SENHOR a fé, através da qual fora restaurado e habilitado para cumprir o propósito que Deus havia estabelecido. “E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos”. (Hb 11:32-34) “Morra eu com os filisteus”, foram as últimas palavras de Sansão, porém denotam sua fé e a vitória definitiva contra os seus inimigos. “Então Sansão clamou ao SENHOR, e disse: Senhor DEUS, peço-te que te lembres de mim, e fortalece-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos filisteus, pelos meus dois olhos. Abraçou-se, pois, Sansão com as duas colunas do meio, em que se sustinha a casa, e arrimou-se sobre elas, com a sua mão direita numa, e com a sua esquerda na outra. E disse Sansão: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela havia; e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara em sua vida”. (Jz 16:28-30) A morte de Sansão com os filisteus foi a emancipação de sua vida vitoriosa. Notem; Sansão não diz: “morra eu para os filisteus”, e tampouco diz; “morra os filisteus para mim”, mas; “morra eu com os filisteus”. Sansão estava escravizado, mas tornou-se livre pela morte. Do mesmo modo, “o homem está escravizado a tudo aquilo que ele não pode abandonar, a menos que abandone a si mesmo”. E o modo estabelecido por Deus para este abandono é pela cruz de Cristo. “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”. (Gl 6:14) Observem irmãos; não somente “o mundo está crucificado para mim”, mas também “e eu para o mundo”, e isto pela cruz de nosso Senhor Jesus Cristo. Da mesma forma, “a vida oferece apenas duas alternativas: crucificação com Cristo, ou auto-destruição sem Ele”. “Morra eu com os filisteus” foi a decisão definitiva de Sansão para sua liberdade espiritual. “Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna”. (Jo12:25) A morte precede a vida. “ Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer”. (1Co 15:36) O novo nascimento, ou regeneração, é a vida vinda da morte com Cristo, após perdermos a nossa juntamente com Ele pela Sua morte na cruz. “Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”. (Gl 2:19-20) Um cristão anônimo disse: “Seremos controlados ou por Satanás, ou pelo eu, ou por Deus. O controle de Satanás é escravidão; o controle do eu é futilidade; o controle de Deus é vitória”. Graças a Deus o Justo sobre a cruz é o único ponto de contato entre o pecador e o poder salvador de Deus”. “Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal”. (2 Co 4:10) “Fiel é a palavra: se já morremos com ele (com Cristo), também viveremos com ele”. (2 Tm 2:11) “ Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória”. (Colossenses 3:1-4) Amém !
(L.Cândido)

O REMANESCENTE GUARDADO PELA GRAÇA

 


(Da restauração até a era da Igreja)


Após o exílio, Deus trouxe de volta um povo pequeno, fraco e dependente. A restauração nunca começou pela força humana, mas pela misericórdia divina.


Então, no Novo Testamento, Paulo amplia esse entendimento:


> “Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça.”

(Romanos 11:5)


O verdadeiro povo de Deus não é preservado por mérito próprio, mas pela graça que sustenta os que pertencem ao Senhor.


E aqui a carta da Epístola de Judas ganha um brilho especial.


Judas escreve para um tempo de corrupção espiritual, infiltração, engano e esfriamento. Porém, logo na abertura, ele fala aos:


> “Chamados, santificados em Deus Pai e guardados por Jesus Cristo.”

(Judas 1)


Essa palavra “guardados” atravessa toda a Escritura.


Guardados nos dias de Elias.


Guardados em Ezequiel.


Guardados no meio da Igreja.


Judas então mostra como o remanescente vive:


> “Edificando-vos... orando no Espírito Santo... guardando-vos no amor de Deus...”

(Judas 20–21)


Não é um povo forte em aparência, mas um povo sustentado interiormente por Deus.


O REMANESCENTE PRESERVADO NO MEIO DO JUÍZO

 

(Da queda de Israel até o exílio)


Desde os dias antigos, Deus sempre preservou um povo para Si no meio da corrupção da nação. Quando Israel se desviava, o Senhor não anulava Seu propósito — Ele guardava um remanescente.


Nos dias de Elias, enquanto quase toda a nação se inclinava a Baal, Deus declarou:


> “Também conservei em Israel sete mil; todos os joelhos que não se dobraram a Baal...”

(1 Reis 19:18)


Depois, no Livro de Isaías, surge novamente a promessa:


> “Um remanescente voltará...”

(Isaías 10:21)


No Livro de Ezequiel. 

Jerusalém estava perto do colapso espiritual e do juízo de Deus. Mas mesmo ali, no meio da disciplina, Deus separa os que gemiam pelas abominações da cidade.


> “Marca com um sinal a testa dos homens que suspiram e gemem...”

(Ezequiel 9:4)


O remanescente não são uma elite religiosa super espiritual — são os que mantém o coração sensível diante de Deus.


Mesmo espalhados entre as nações, seriam preservados para futura restauração.


Seja grato

“Tudo isso é para o bem de vocês, para que a graça, que está alcançando um número cada

vez maior de pessoas, faça que transbordem as ações de graças para a glória de Deus”.

(2Coríntios 4.15)

Meça as dádivas de Deus. Conte as bênçãos. Faça uma lista dos atos de bondade do Senhor.

Agrupe suas razões para ser grato e as declare. “Alegrem-se sempre. Orem continuamente.

Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo

Jesus” (1 Ts 5.16-18). Atente à totalidade desses mandamentos: alegrem-se sempre, orem

continuamente, deem graças em todas as circunstâncias. 

Ouvi a história de uma mulher que, quando era criança, teve roubada sua bicicleta novinha

em folha. Ela chamou o pai para dar as más notícias. Ele imaginou que a filha estivesse

chateada, mas ela não estava chorando. Pelo contrário, aparentemente se sentia honrada.

“Pai”, ela se gabou, “de todas as bicicletas que podiam ter levado, levaram exatamente

a minha!”. 

Muito de nossa felicidade depende de como enxergamos as circunstâncias negativas.

Vamos aprender a olhar para a metade cheia do copo ou passar a vida reclamando pela

metade vazia?

“Pai amado, muito obrigado porque, mesmo em meio às dificuldades, sabemos que a tua

graça está em ação. Queremos ser sempre gratos por todas as dádivas que nos concedes”.

Amém.

Bom dia! - Leituras diárias com Max Lucado


Luminárias do mundo

 


 “Vocês são a luz do mundo. Uma cidade construída sobre um monte não pode ser escondida.” – Mateus 5:14.


A igreja de Jesus aparece nas Escrituras como três figuras complementares: cidade, família e edifício. No texto inicial, Jesus nos ensina que sua igreja é estabelecida como uma cidade sobre um monte, não para ser escondida, mas para ser vista por todos. Sua igreja é composta de luzes,  “para que vocês sejam irrepreensíveis e puros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como astros no universo” (Filipenses 2:14).


A igreja também é simbolizada por um candelabro. O candelabro não tem luz própria; sua luz vem do Senhor. No tabernáculo e no templo, o candelabro tinha uma lâmpada em cada um de seus sete braços, abastecida com óleo. O óleo é o Espírito Santo, e as lâmpadas são o espírito do homem: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, que penetra todo o seu ser” (Provérbios 20:27). Essas sete lâmpadas também representam os homens aos quais o Espírito concede dons para que a igreja tenha plena luz.


Os sacerdotes cuidavam do candelabro, regando-o com óleo e aparando os pavios para que permanecesse limpo e não produzisse fumaça. Deus faz o mesmo por nós. Este é o cuidado do Senhor para com a sua igreja, para que ela seja cheia do Espírito e brilhe diante dos homens, sem qualquer impureza: “Não vos embriagueis com vinho, que leva à devassidão, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando ao Senhor de todo o coração” (Efésios 5:18-19).


Este é o testemunho do Senhor para a Sua igreja. Mas por que isso não acontece? Por que a Sua igreja não brilha como uma cidade construída sobre um monte? Por que as pessoas passam por ela sem notá-la? Porque o problema reside em cada lar individual, e é por isso que ele não pode brilhar como uma cidade: "Nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-se no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa" (Mateus 5:15).


Se cada casa brilhar como uma lâmpada, toda a cidade será iluminada. A igreja é uma cidade de luz, mas não terá luz se não houver luz em cada casa. O testemunho das boas obras começa em nossos lares e se estende a toda a igreja. Não haverá glória de Deus se nossas boas obras não forem conhecidas primeiro em nossos lares. Haverá grande escuridão na cidade se não manifestarmos a Sua luz em nossos lares: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5:16).


Que o Senhor nos purifique e nos encha com o Seu Espírito para que Ele seja glorificado.


por Águas Vivas


Serei para Israel como orvalho

 “Serei para Israel como orvalho”. (Os 14:5)


O orvalho é uma fonte de refrigério. É a provisão da natureza para a renovação da face da terra. Ele cai de noite, e sem ele a vegetação morreria. É esse grande valor do orvalho que é tantas vezes reconhecido nas Escrituras. Ele é usado como símbolo de refrigério espiritual.


Como a natureza é banhada pelo orvalho, assim o Senhor também renova o Seu povo. Em Tito 3.5, o mesmo pensamento de refrigério espiritual está ligado ao Espírito Santo — a “renovação do Espírito Santo”. Muitos cristãos não reconhecem a importância do orvalho celeste em suas vidas, e como resultado, falta-lhes frescor e vitalidade. Têm o espírito desfalecido, por falta de orvalho. Meu irmão, você reconhece a loucura que seria um operário passar o dia trabalhando, sem comer.


Mas reconhece também a loucura que é um crente querer servir a Deus, sem comer do maná celeste? Não basta recebermos alimento de quando em quando. Precisamos receber cada dia a renovação do Espírito Santo. Nós bem sabemos quando estamos cheios de vigor espiritual, e quando nos sentimos exaustos e desgastados.


A quietude e a absorção são as atitudes propícias para recebermos o orvalho. À noite, quando a vegetação repousa, os poros das plantas estão abertos para receber o banho refrescante e revigorador; assim, na quietude aos pés do Senhor, vem-nos o orvalho espiritual. Coloquemo-nos quietos diante dele.


A pressa impede que recebamos o orvalho. Esperemos diante de Deus, até estarmos impregnados da Sua presença: então entraremos no serviço do Rei, na certeza de que temos o vigor de Jesus Cristo. 


– Dr. Pardington –


O orvalho não cai enquanto há calor ou vento. A temperatura precisa baixar e o vento cessar, e o ar precisa estar fresco e calmo — de uma completa quietude, por assim dizer — para que possa produzir suas invisíveis partículas de umidade para orvalhar a erva e a flor. Assim também, a graça de Deus não pode trazer refrigério ao homem, enquanto ele não estiver naquele necessário ponto quieto. 


Ó Bom Pastor minha alma refrigera. Quero estar quieto a Seus pés.


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