Sede do Deus vivo
*A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?*
(Salmo 42.2)
A sede expressa pelo salmista não é por alívio circunstancial, mas pela própria presença do Deus vivo. Trata-se de um anseio que nenhuma experiência terrena consegue saciar.
Essa pergunta — quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? — revela o coração do verdadeiro adorador: alguém que compreende que a vida só encontra pleno sentido diante do Senhor.
O apóstolo Paulo nos lembra que, enquanto habitamos neste corpo, caminhamos numa tensão santa: vivemos ainda “ausentes do Senhor”, não porque Ele esteja distante, mas porque nossa comunhão plena ainda não foi consumada.
*Por isso, andamos por fé, e não por vista* (2 Co 5.6-7).
A fé sustenta essa sede, ensinando-nos a perseverar mesmo quando os olhos não veem e as circunstâncias não confirmam as promessas.
A leitura de Marcos 1.1-8 nos conduz ao início do evangelho, onde João Batista surge como voz que clama no deserto, chamando o povo ao arrependimento e à preparação do caminho do Senhor.
A verdadeira sede de Deus sempre produz arrependimento, humildade e expectativa. João não aponta para si, mas para o Cristo que vem depois, mais poderoso, aquele que batiza com o Espírito Santo. Toda alma sedenta aprende a diminuir para que Cristo seja exaltado.
Não é sem significado que, em 21 de janeiro de 1525, os anabatistas fundaram sua primeira congregação, desejosos de permanecer firmados unicamente na Palavra de Deus, mesmo sob perseguição. A declaração de Michael Sattler ecoa esse mesmo anseio: permanecer no fundamento das Escrituras, selado pelo sangue de Cristo. A sede de Deus sempre conduziu o povo fiel a uma obediência que custa caro, mas que glorifica ao Senhor.
Que o nosso coração, hoje, continue inquieto enquanto não repousar plenamente na presença de Deus.
Que andemos por fé, sustentados pela Palavra, preparados em arrependimento e firmes no fundamento eterno, até o dia em que entraremos, enfim, e nos apresentaremos ante a face do Deus vivo.
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