domingo, 29 de junho de 2025

Evangelho em poder

 > *Ele julgará com justiça aos pobres, e repreenderá com equidade aos mansos da terra.*

Isaías 11:4


> *Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.*

Mateus 11:4-5


Os dois textos, separados por séculos, apontam para o mesmo Salvador: *o Messias prometido, justo e cheio de compaixão.* 


Isaías anuncia um Rei que governará com justiça, especialmente em favor dos pobres e mansos. Não um rei que favorece os poderosos, mas Aquele que conhece os corações e vê os desprezados deste mundo. Ele não passará por alto o sofrimento dos humildes. Sua justiça não se corrompe por influência ou aparência.


Já em Mateus, vemos esse Rei — Jesus — em plena ação. As palavras proféticas ganham forma concreta em Seus atos: Ele cura, liberta, levanta os mortos e prega aos pobres. Seu reino não é estabelecido com espada, mas com compaixão, poder e verdade. Aos olhos do mundo, os pobres nada têm. Mas aos olhos do Rei, eles são herdeiros do Reino. O evangelho é anunciado a eles — não como um consolo barato, mas como a mais gloriosa das promessas: Deus os vê, os ama e os chama para si.


Esse Jesus continua o mesmo. Ele ainda se importa com os que o mundo ignora. Ele continua sendo justo juiz e Salvador cheio de graça. E Ele nos chama a reconhecê-lo em ação, como João Batista precisava reconhecer, mesmo em tempos de dúvida: “Os cegos veem... aos pobres é anunciado o evangelho.”


Que tipo de Reino estamos anunciando com nossas palavras e vidas? Um evangelho apenas de palavras ou um evangelho que manifesta o amor justo e transformador de Cristo?



_Senhor Jesus, justo e compassivo, abre nossos olhos para ver o Teu agir entre nós._

 _Ensina-nos a amar como Tu amas, a falar com verdade e a servir com justiça. Que o evangelho anunciado por nossos lábios também seja visível em nossas ações._

_Que possamos Te glorificar com tudo que somos e que temos e que aqueles que passarem por nossas vidas sejam enriquecidos pela Tua presença em nós._

  • _Sim Senhor, este é o nosso desejo, que sejamos um reflexo de Ti._


sexta-feira, 27 de junho de 2025

Tudo Pertence ao Senhor

 *O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela.*

1 Samuel 2:6


*Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.*

Romanos 14:8


Nesses dois versículos, somos conduzidos a uma verdade profunda e consoladora: tudo pertence ao Senhor, inclusive a nossa vida e a nossa morte.


Em tempos de fragilidade, de perda, de doença ou incerteza, é reconfortante saber que estamos nas mãos de um Deus soberano. Ele tem autoridade sobre a vida e a morte, e nada escapa ao Seu controle. Ele não apenas dá a vida, mas também é Aquele que, em Sua misericórdia, pode trazê-la de volta, como vemos em tantos relatos bíblicos de restauração, cura e até mesmo ressurreição.


O apóstolo Paulo, ao escrever aos Romanos, nos lembra que a nossa existência pertence a Deus. Se estamos respirando hoje, é para viver para Ele. E mesmo quando nossa jornada aqui termina, ainda assim não deixamos de ser d’Ele. Nosso pertencimento ao Senhor é eterno. Isso muda completamente nossa perspectiva de vida e morte — ambas são oportunidades para glorificar a Deus.


Essa verdade nos chama a viver com propósito e fé, não temendo a morte, nem idolatrando a vida, mas reconhecendo que em qualquer situação somos guardados e amados por Aquele que nos comprou com alto preço.


 Hoje, entregue ao Senhor o seu viver e, se for necessário, a sua dor. Descanse na certeza de que você pertence a Ele — agora e para sempre.


Oração:

Senhor, Tu és o dono da vida. Ajuda-me a viver cada dia como Teu, reconhecendo que em Ti está meu princípio, meu fim e minha eternidade. Que meu coração esteja firme na Tua soberania e paz, sabendo que sou totalmente Teu. Amém.


quinta-feira, 26 de junho de 2025

A Preeminecia da Palavra de Deus

 *Ajunta-me este povo... e as ensinarão a seus filhos.* (Dt 4:10)


*Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste..**

(2 Tm 3:14)


A história do povo de Deus sempre esteve ligada à escuta atenta e à transmissão fiel da Sua Palavra. Em Deuteronômio, vemos o Senhor convocando o povo para ouvir Suas palavras, com o objetivo de que aprendessem a temê-Lo por todos os dias da vida e ensinassem esses mandamentos aos seus filhos. Essa responsabilidade atravessa gerações.


Timóteo é o exemplo vivo de alguém que foi alcançado por essa fidelidade intergeracional. Desde pequeno, foi instruído nas Sagradas Escrituras. E agora, como discípulo e servo do Senhor, é exortado por Paulo a permanecer — não apenas a lembrar, mas a continuar firme — naquilo que aprendeu.


A Palavra de Deus não é apenas conhecimento para ser guardado, mas vida que deve ser vivida e ensinada com temor e reverência. O temor do Senhor não é pavor, mas profundo respeito, obediência e reverência diante da Sua santidade e majestade.


A fé que salva, mencionada por Paulo, não vem de um simples acúmulo de informações religiosas, mas da escuta contínua e da resposta obediente ao que Deus fala. A Escritura nos torna sábios não só para o presente, mas para a eternidade.


Hoje, somos chamados a dois compromissos:


1. Permanecer na Palavra com fé e firmeza.



2. Transmitir com fidelidade o que temos aprendido, especialmente às novas gerações.




🪔 Que nossos lares sejam lugares onde a Palavra de Deus é conhecida, temida, amada e ensinada. E que, como Timóteo, nossos filhos e discípulos possam dizer que desde a meninice conhecem as Escrituras — não apenas por ouvi-las, mas por vê-las vividas em nós.


Confia no Senhor de todo o teu coração

  *Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas.* (Provérbios 3:5-6)


*Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras.* (João 21:18)


Há um tempo em nossa jornada com Deus em que ainda pensamos que temos o controle. Tomamos decisões baseados em nosso entendimento, escolhemos os caminhos que nos parecem mais seguros ou convenientes. Mas à medida que amadurecemos na fé, o Senhor nos chama a um lugar mais profundo de rendição — um lugar onde não mais dirigimos os rumos da nossa vida, mas somos conduzidos pela mão de Deus, mesmo que isso nos leve por caminhos que não desejaríamos naturalmente trilhar.


Foi isso que Jesus disse a Pedro. Quando jovem, ele fazia seus próprios planos. Mas, ao envelhecer — espiritualmente e fisicamente — ele seria guiado por Outro. A maturidade espiritual nos leva inevitavelmente ao lugar de entrega total, onde até aquilo que não entendemos ou não desejamos passa a fazer parte do plano soberano de Deus para nos moldar e glorificar Seu nome através de nós.


Provérbios nos exorta a confiar no Senhor de todo o coração, não apenas em partes. Confiar quando entendemos é fácil; o desafio é seguir confiando quando não faz sentido, quando o caminho parece incerto, quando a vontade de Deus nos leva para onde não queríamos ir. Porém, é justamente aí que o Senhor endireita as nossas veredas.


Pedro foi levado a um fim que ele jamais escolheria — o martírio — mas foi esse caminho que glorificou a Deus em sua vida. Ele aprendeu a confiar plenamente, mesmo quando era levado por uma estrada difícil. E o mesmo chamado ecoa para nós hoje: *sermos conduzidos, não por nossa vontade, mas pela do Pai.*


A Bondade do Senhor

 *O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras.*

Salmo 145.9


*Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.*

Romanos 8.21


Vivemos em um mundo marcado pela dor, pela injustiça e pela corrupção. A criação geme — como nos lembra o apóstolo Paulo — ansiando por redenção. Mas mesmo em meio ao caos, uma verdade permanece inabalável: *o Senhor é bom para todos.*


O salmista nos conduz a contemplar essa bondade divina que se estende a toda a criação. Nada escapa aos olhos misericordiosos de Deus. Seus cuidados se manifestam na provisão diária, na graça comum derramada sobre justos e injustos, e principalmente na esperança eterna que Ele oferece por meio de Cristo.


Em Romanos 8, somos lembrados de que essa bondade não é apenas momentânea, mas redentora. Deus não deixará a criação cativa para sempre. Ele prometeu liberdade — não uma liberdade ilusória, mas a liberdade gloriosa dos filhos de Deus. A mesma mão que formou os céus e a terra, e que sustenta todas as coisas com misericórdia, também está conduzindo tudo para um fim glorioso: a restauração plena em Cristo.


Por isso, mesmo em meio às lutas, podemos descansar. Sabemos que há um propósito, uma direção, uma promessa. A bondade do Senhor nos cerca hoje e nos impulsiona à esperança do amanhã. 

Que nossos olhos estejam fixos nessa verdade e nossos corações firmes nessa esperança.



Faze-te ao mar alto

"...Faze-te ao mar alto." (Lc 5.4)


 Quão alto Ele não diz. No entanto, quanto mais nos desligarmos da praia, quanto maior for a nossa necessidade e quanto maior o alcance que temos das nossas possibilidades, mais longe iremos em alto mar. Os peixes eram encontrados em alto mar, não no raso. 

 

Assim acontece conosco; as nossas necessidades devem ser resolvidas nas coisas profundas de Deus. Devemos lançar-nos ao mar alto da Sua Palavra, e o Espírito Santo pode abri-la ao nosso entendimento. E Ele pode esclarecê-la de maneira tão cristalina que as mesmas palavras que aprendemos no passado passarão a ter muito mais sentido, e a primeira impressão que nos causaram ficará apagada em nossa mente. 

 

Penetremos no mistério da expiação! Penetremos até que o precioso sangue de Cristo nos seja iluminado de tal forma pelo Espírito, que se torne um bálsamo poderoso e alimento e remédio para a nossa alma e 

corpo. 

 

Aprofundemo-nos nos mistérios da vontade do Pai! Até que aprendamos em sua infinita exatidão e bondade, e em seu amplo e completo cuidado e provisão para nós. 

 

Conheçamos os mistérios do Espírito Santo! Até que Ele Se torne para nós um oceano maravilhoso e inesgotável, no qual podemos mergulhar e lavar as nossas dores. 

 

Sim, vamos até as profundezas do Espírito Santo — até onde Ele Se torne para nós uma resposta maravilhosa de oração, e provemos na experiência como Ele nos dirige com cuidado, como está atento às 

nossas necessidades, e como a Sua mão, de maneira extraordinária, está controlando o que nos acontece. 

 

Penetremos nos caminhos dos propósitos de Deus e do Seu reino por vir! Até que a vinda do Senhor Jesus e Seu reino milenar se abram para nós; até que para além dessas coisas abram-se para nós os séculos dos séculos, de modo que os olhos da mente se ofusquem ante a claridade, e o coração vibre com as inexprimíveis antecipações do gozo no Senhor Jesus e da glória que lhe será revelada. 

 

Todas estas riquezas o Senhor Jesus ordena que conheçamos. Ele nos criou e criou também os mistérios. Ele colocou em nós o anseio e a capacidade de penetrar nesses mistérios insondáveis. 

 

As águas profundas do Espírito Santo são sempre acessíveis, porque estão sempre vindo. Por que não clamamos para sermos 

novamente imersos nessas águas de vida? As águas, na visão de Ezequiel, primeiro vieram como um filete de sob as portas do templo. Então o homem com o cordel de medir mediu-as, e eram águas que davam pelos artelhos. Depois mediu outra vez, e eram águas que davam até os joelhos. E novamente mediu, e eram águas até os lombos. 

 

Depois se tornaram águas para nadar — um rio que não se podia atravessar (ver Ez 47). Até onde já entramos neste rio de vida? O Espírito Santo quer que nos anulemos completamente nele. Não apenas até os 

artelhos, até os joelhos, até os lombos, mas até estarmos cobertos totalmente. Nós, escondidos da vista, e mergulhados nesta corrente vivificante. Desprendamo-nos das praias e vamos ao mar alto. Nunca nos esqueçamos de que o Homem com o cordel de medir está conosco hoje. 


— J. G. M. —


sábado, 21 de junho de 2025

Persevere firme com Deus

 Sucedeu depois da morte de Moisés, servo do Senhor, que este falou a Josué, filho de Num, servidor de Moisés, dizendo: Moisés, meu servo, é morto; dispõe-te agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. (Js 1.1, 2) 

 

A tristeza entrou em seu lar deixando ali um vazio. Seu primeiro impulso agora é desistir de tudo e sentar-se em desespero entre os destroços de suas esperanças. Mas você não se atreve. Está no campo de batalha, e a crise está às portas. Fraquejar um momento seria pôr em perigo algum interesse santo. Outras vidas seriam prejudicadas por uma demora sua, interesses santos ficariam prejudicados se você cruzasse os braços. E você não pode parar, nem para sofrer um pouco a Sua própria dor. 

 

Um general relatou uma história dramática vivida por ele no tempo da guerra. Seu filho era tenente de bateria. Processava-se um assalto. O pai comandava sua divisão num ataque; enquanto avançava no campo, seus olhos de repente caíram sobre um tenente morto, bem à sua frente. De um relance percebeu que era seu filho. O impulso do coração de pai era parar junto do morto querido e dar vazão à dor, mas o dever do momento ordenava que ele prosseguisse no ataque; assim, roubando às pressas um beijo, aos lábios mortos, avançou rápido, liderando seu grupo no assalto. 

 

O choro inconsolável à beira de um túmulo não poderá restituir-nos aquele que amamos, nem tampouco bênção alguma virá dessa tristeza. A dor faz cicatrizes profundas; ela grava seus registros indelevelmente no coração dos que a sofrem. Na verdade, nós nunca nos recuperamos inteiramente de nossas grandes dores; nunca somos os mesmos depois que passamos por elas. 

 

No entanto, na dor que foi devidamente aceita e suportada com ânimo, há uma influência humanizadora e fertilizadora. Aliás, são pobres os que nunca sofreram e não trazem marca de sofrimento. O gozo que nos está proposto deveria brilhar sobre as nossas dores, como o sol brilha através das nuvens, dando-lhes glória. Deus estabeleceu as coisas de tal forma que, prosseguindo no dever, encontraremos a mais rica e verdadeira consolação. Se nos sentamos para acalentar as nossas dores, a escuridão cresce à nossa volta e penetra em nosso coração, e nossa força muda-se em fraqueza. Mas se voltarmos as costas à sombra e tomarmos as tarefas e deveres a que Deus nos chama, a luz novamente voltará e ficaremos mais fortes.


— J. R. Miller —


SUPERANDO AS DISTRAÇÕES

 




“Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”. (Mateus 6:6)


Entre os inimigos da devoção, nenhum é tão nocivo como as distrações. Tudo o que excita a curiosidade, espalha os pensamentos, inquieta o coração, absorve os interesses ou desloca o foco de nossa vida do reino de Deus dentro de nós para o mundo ao redor de nós, é uma distração; e o mundo está cheio dela.


Nossa civilização baseada na ciência tem nos dado muitos benefícios, porém ela tem multiplicado nossas distrações e assim tem nos ocupado mais do que tem nos dado…O remédio para as distrações é o mesmo agora como era nos tempos primitivos e simples, a saber, oração, meditação e cultivação da vida interior.


O salmista disse: “Aquietai-vos e sabei”, e Cristo nos chama a entrar no nosso quarto, fechar a porta e orar ao Pai. Isto ainda funciona… As distrações devem ser conquistadas ou elas nos conquistarão.


Portanto, cultivemos a simplicidade; desejemos menos coisas; andemos no Espírito; enchamos nossas mentes com a Palavra de Deus e nossos corações com louvor. Neste caminho podemos viver em paz até em um mundo distraído como este. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”.


Senhor, é certamente duro e difícil afastar as distrações de uma civilização progressivamente baseada na ciência. Ajuda-me a cultivar a simplicidade, a ser satisfeito com menos coisas e a encontrar a paz interior que Tu podes dar numa vida de oração e meditação. Amém!


A W Tozer


quinta-feira, 19 de junho de 2025

Comentário Sobre Esdras por Harry Ironside

 Há sete livros do Antigo Testamento intimamente ligados entre si: três históricos, três proféticos e um histórico e profético. Refiro-me a Esdras, Neemias e Ester no primeiro grupo, Ageu, Zacarias e Malaquias no segundo; e Daniel, sozinho, como o terceiro.¹ Todos têm a ver, em grande parte, com uma obra especial de Deus, subsequente ao fim dos setenta anos de cativeiro previstos por Jeremias, nos quais a terra da Palestina recuperaria seus anos sabáticos perdidos (Jeremias 25:11-14 2 Crônicas 36:21 Daniel 9:2 ; ; ). Durante esse período de desolação, seu povo esteve em cativeiro primeiro ao rei da Babilônia e, após sua queda, ao rei da Pérsia. Babilônia era a fonte da idolatria, e em sua falsa adoração, inspirada por demônios, foram encontrados em germe todos os ensinamentos malignos que a engenhosidade satânica já criou para afastar os homens descrentes da revelação dada por Deus em Sua santa Palavra.


Foi para curar o povo de Judá de seu amor profundamente enraizado pela idolatria que Jeová os entregou para servir aos caldeus, "aquela nação amarga e impetuosa". Habitando no meio dos pagãos, cercados por todos os lados pelas detestáveis criações da mente humana energizada por espíritos malignos, eles aprenderam plenamente a loucura e a miséria de abandonar "o Guia da sua mocidade" pelos "muitos deuses e muitos senhores" das nações. Suas experiências neste reduto de corrupção pagã os curaram eficazmente da adoração de imagens e resultaram em um reavivamento gracioso sob a boa mão de Deus, que deu à Sua Palavra um lugar de importância em suas almas que antes não ocupava. Infelizmente, esta obra abençoada do Espírito de Deus logo perdeu seu poder e degenerou em uma mera bibliolatria intelectual fria, na qual a letra da Palavra era tenazmente apegada, enquanto o espírito era completamente ignorado. Tão devotados eram os sucessores farisaicos dos "homens da grande sinagoga" (como Esdras e seus companheiros foram posteriormente chamados) ao estudo das escrituras sagradas, que chegavam a contar as palavras e letras da lei, enquanto um grande corpo de literatura expositiva era produzido, a maior parte pedante e imaginativa ao extremo, mas toda testemunhando a veneração em que as Escrituras eram tidas. No entanto, quando Aquele que é Ele mesmo o Espírito de todo o Antigo Testamento, e sobre quem Moisés e todos os profetas escreveram, apareceu no meio deles, Ele não foi discernido pela fé e foi rejeitado e crucificado pelos descendentes do próprio remanescente cujo zelo por Deus é elogiado no livro de Esdras. Embora Ele tenha vindo em cumprimento dos próprios escritos que eles liam todos os sábados em público, e frequentemente em particular, como o Menino de Belém-Efrata, a Luz da Galileia das nações e o humilde Príncipe da Paz montado em um jumento, eles cumpriram outras profecias ao rejeitá-Lo e desprezar Suas reivindicações.


Como resultado desse erro estupendo, em um dia que ainda está por vir e agora, sem dúvida, muito próximo, a massa dos judeus irá afundar em uma forma mais baixa de idolatria do que nunca, quando eles receberem e reconhecerem o Anticristo do futuro como o Messias de Israel e ministro de “um deus que seus pais não conheceram”, a Besta Romana que será adorada pelos judeus apóstatas e pela cristandade como “o deus das forças” (Daniel 11:36 até o fim;Apocalipse 13:0 ).


Essa perversão da Palavra de Deus e a insensibilidade à obra do Espírito são extremamente solenes e podem muito bem ter voz para os santos de Deus neste último fim da presente dispensação de Sua graça, que foram amplamente libertos das abominações romanas e das concepções protestantes errôneas das Escrituras, e trazidos novamente a reconhecer com simplicidade a liderança de Cristo, a presidência do Espírito Santo na Igreja e a autoridade da Palavra escrita sobre as consciências de todos os que invocam o nome do Senhor. Aqui também há grave perigo de se apegar à letra, enquanto se perde de vista a tremenda importância de andar no Espírito em comunhão viva e realizada com o Senhor Jesus Cristo, a cujo nome incomparável Deus reuniria todos os Seus. Já se instalou um declínio de caráter nada desprezível, e contra aqueles que buscam se apegar à Palavra e não negar o único Nome, o mundo, a carne e o diabo se uniram para tornar impotente o testemunho do fracasso da Igreja em geral e da unidade duradoura do corpo de Cristo.


Portanto, não pode ser outra coisa senão salutar recapitular, em espírito de oração, alguns dos tratos de Deus com um remanescente antigo, para que possamos aprender de novo a Sua mente para o Seu povo hoje. Nesse espírito, voltamo-nos para o relato de Esdras, o escriba, uma porção da Sagrada Escritura de caráter intensamente prático e repleta de ensinamentos sugestivos para os crentes de todas as épocas.


Os primeiros dois versículos e meio do capítulo um são citados do final de 2 Crônicas, sugerindo assim que Esdras foi, talvez, o instrumento escolhido para completar o registro anterior, e que Deus não teria concluído sem uma promessa de restauração.


Mas estes primeiros versículos de Esdras não são realmente o início da obra de Deus da qual ele trata. O verdadeiro ponto de partida será encontrado no capítulo 9 de Daniel. Lá encontramos um homem de Deus ajoelhado diante da palavra de Deus — uma visão encantadora e que sempre prenuncia bênçãos vindouras. Há três capítulos nesta série de livros que são, em grande medida, do mesmo caráter, a saber, o capítulo 9 de Esdras, o de Neemias e o de Daniel. Em todos os três, igualmente, temos homens, cada um cujo coração está sob o poder da verdade para o seu tempo, no lugar da confissão diante de Deus. Tal atitude de alma convém a todos os que reconhecem, em qualquer grau, a crescente apostasia e o crescimento do espírito de insubmissão às Sagradas Escrituras, agora tão prevalente.


No caso de Daniel, "ele entendeu pelos livros" que os setenta anos de aflição estavam quase no fim. Ele era um estudante de profecia e, ao se debruçar sobre as mensagens sérias de Jeremias, reconheceu que o tempo para o cumprimento da Palavra quanto à restauração se aproximava. Qual é o resultado? Isso o leva a se ajoelhar. Ele não era um mero estudante intelectual da Bíblia como tantos hoje. As Escrituras tinham poder sobre sua alma e o levaram à oração e à confissão. Ele fez da libertação iminente uma questão de súplica fervorosa, juntamente com um autojulgamento que era o resultado de estar na presença plena de Deus. Ele confessou seu próprio pecado e o pecado de seu povo. Não houve críticas severas aos outros enquanto se congratulava por sua própria fidelidade. Ele havia sido fiel, sem dúvida, mas não reivindica nada por isso. Ele confessa o fracasso da nação à qual pertence e reconhece o pecado deles como seu. "Nós pecamos" é o seu clamor, não "eles pecaram".


E qual é o feliz resultado de tudo isso? Encontramo-lo no início de Esdras. “No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor proferida por Jeremias, o Senhor despertou o espírito de Ciro, rei da Pérsia” (v. 1). Assim, Deus começou a ouvir e a responder à oração de Seu servo, em cumprimento à Sua própria palavra dada por meio de Jeremias.


As pessoas frequentemente se confundem quanto à relação entre oração e o propósito de Deus. Se Deus aconselhou, não o fará acontecer, quer oremos ou não? A resposta é que a oração faz parte do propósito de Deus que Ele desejou que agisse quando Seu povo orasse; e uma das primeiras evidências de que Ele está prestes a realizar algo específico é que o espírito de oração e súplica é derramado sobre Seu povo em relação àquela obra específica. Aqui, Ele move o coração de um rei em seu palácio para cumprir Sua palavra, depois que Daniel a tornou um assunto de oração.


Ciro emite um decreto dizendo: “O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem dentre vós, de todo o seu povo, há? Que o seu Deus seja com ele, e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do Senhor Deus de Israel (Ele é o Deus), que está em Jerusalém. E todo aquele que permanecer em qualquer lugar onde peregrinar, que os homens do seu lugar o ajudem com prata, e com ouro, e com bens, e com animais, além da oferta voluntária para a casa de Deus, que está em Jerusalém” (versículos 2-4).


No início desta proclamação, vemos quão evidentemente Ciro foi inspirado pelo Senhor no próprio título dado a Jeová. Ele é o "Deus do céu". Este é o nome pelo qual Ele é amplamente conhecido na série de livros indicada acima. Foi um título que Ele assumiu quando Seu trono foi removido da terra e Ele entregou Seu povo nas mãos dos gentios. Ele foi e "retornou ao Seu lugar", como diz Oséias. Ele abandonou o templo em Jerusalém, dissolveu a teocracia e se tornou "o Deus do céu". Assim Ele ainda é para Seu antigo povo, e assim permanecerá até que retorne a Jerusalém para estabelecer Seu trono novamente como "o Senhor de toda a terra".


É igualmente digno de nota que Ciro não emite nenhuma ordem para que alguém retorne a Jerusalém. Não deve haver nada de legal nesse movimento. Deve ser o resultado da graça operando na alma. Então o rei dá permissão, e todos os que têm coração para isso estão livres para subir ao lugar onde antigamente o Senhor havia estabelecido Seu nome.


Para a natureza, havia pouca coisa que atraísse alguém a Jerusalém. Ela jazia como um monte queimado e em ruínas no meio de uma terra desolada. Mas para a fé, havia uma atração que a natureza não conseguia compreender. Era a cidade de Deus, o lugar do Nome — o único lugar na Terra para o qual um povo grato poderia, segundo as Escrituras, trazer suas oferendas e onde os culpados poderiam trazer um sacrifício pelo pecado.


Para os crentes de hoje, não existe um lugar tão sagrado nesta cena; "Nem em Jerusalém, nem neste monte" é o nosso local de adoração. Mas nosso Senhor disse: "Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio". Onde Ele é reconhecido como único Cabeça e Senhor, e Seus remidos são reunidos a Si mesmo, é o que corresponde ao lugar onde Ele estabeleceu Seu nome na antiguidade. Assim reunidos, Ele conduz Seus santos ao santuário celestial, e ali atrai seus corações para oferecerem o sacrifício de louvor e ação de graças. Retornar a essa simplicidade, como era no princípio, pode muito bem ser o desejo de nossos corações. Desde a luz crescente da Reforma, tem havido tais agitações de coração e consciência entre os filhos de Deus: anseios por mais da simplicidade dos primeiros dias, com uma maior apreciação de Cristo, uma separação do profano e do profano.




Seria um erro grave tornar as cenas de Esdras típicas de qualquer movimento da cristandade. Ao contrário, elas contêm lições sugestivas com as quais os santos podem se beneficiar quando qualquer obra especial de reaproximação a Cristo no poder do Espírito estiver em andamento. E esta é uma das primeiras e mais importantes lições. Tal movimento deve ser obra da graça. Não pode ser algo legal, ou todo o seu frescor e poder se perdem. Daí a insensatez de tentar forçar as pessoas a uma posição para a qual a graça não as atrai.


É costume em alguns setores criticar os sistemas humanos e impor o abandono deles à consciência das pessoas como uma questão de dever. Por esse meio, muitos assumem uma posição exterior de separação, mesmo que não sejam realmente atraídos por Cristo. Segue-se que tais pessoas provavelmente serão duras e legalistas em seus caminhos e palavras, e pouco saberão daquela comoção de coração e atração pelo próprio Senhor que retratamos aqui em Esdras. O versículo 5 nos diz que alguns dos chefes dos pais de Judá e Benjamim, juntamente com sacerdotes e levitas, e "todos aqueles cujo espírito Deus havia despertado", se levantaram "para subir a edificar a casa do Senhor, que está em Jerusalém". Isso era muito precioso para Deus. A voluntariedade era uma bela evidência da graça operando em suas almas.


Houve alguns, talvez a maioria, que não subiram, e não nos cabe julgá-los quanto a isso; pois não podemos dizer quais obstáculos naturais podem ter havido. Mas o livro de Ester testemunha que Deus não teve o mesmo prazer naqueles que permaneceram como no grupo que "por amor do Nome" ascendeu a Jerusalém. Ele continuou a vigiá-los, mas não lhes vinculou Seu nome abertamente como fez com os demais.


Não havia inimizade nem espírito de julgamento entre as duas classes. Os que permaneceram ajudaram seus irmãos, que subiram “com vasos de prata, com ouro, com bens, com animais e com coisas preciosas, além de tudo o que foi oferecido voluntariamente” (v. 6).


A ação de Ciro, para a qual nossa atenção se dirige a seguir, ao separar os vasos que outrora pertenceram ao templo de Jeová do tesouro dos reis dedicados às divindades pagãs, é extremamente sugestiva, lembrando-nos da palavra do Senhor em 2 Timóteo sobre a separação entre vasos para honra e vasos para desonra. O que era de e para Deus deve ser expurgado da mistura. E isso permanece válido até hoje.


Os vasos separados são todos numerados e entregues a Sesbazar, geralmente chamado de Zorobabel (um estrangeiro em Babel), o príncipe de Judá. É digno de nota que este príncipe da linhagem de Davi não reivindica honrarias em virtude de sua ilustre descendência. Foi um dia de fraqueza e de pequenas coisas. Zorobabel, portanto, assume seu lugar como alguém cuja fé outros podem seguir, mas ele não reivindica nada – como filho e herdeiro de Davi.


Isto pode falar aos corações daqueles que hoje se preocupam com a falta de dons de sinais e que desejam algo grandioso que os olhos possam ver. O tempo para grandes coisas acabou, a dispensação está se encerrando em fracasso por parte do homem quanto a tudo o que lhe foi confiado. Convém àqueles que realmente "têm entendimento dos tempos" deixar de lado a pretensão e, com simplicidade, acompanhar os humildes. "Guiará os mansos em juízo; aos mansos ensinará o seu caminho.”



ESDRAS 1:1-11 Pelo irmão Harry Ironside (Comentário).

Cristo, o Salvador compassivo bem presente!

 




"Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio". (Salmos 46:1,11)


Foi George Müller quem disse: “Sou um velho irmão, que conheço o Senhor há quarenta e quatro anos, e digo, para seu encorajamento, que Deus nunca falhou para comigo. Nas maiores dificuldades, nas provas mais difíceis, na maior pobreza e necessidade, Ele nunca me falhou. Por Sua Graça aprendi a confiar n`Ele, e Ele tem sempre vindo em meu socorro. Tenho prazer em falar bem do Seu Nome.”

“Confiamos em Deus quando a providência parece correr frontalmente contra as promessas”. (Thomas Watson)

*“Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.”* (Hb 13:8)

Ele nos capacita a receber cura ao tornar-se a nossa capacidade de crer. Ele nos dará a fé para confiar nele, se a quisermos receber. Não precisamos fazer grandes esforços para encontrá-Lo, pois Ele desce até nós, até nosso estado de incapacidade, e se torna

nossa fé e nossa cura. Na verdade, “Não há dia em que o Senhor Jesus não esteja com Seus santos. Sempre teremos Sua companhia”.

Certa vez, um chinês tentou mostrar a diferença entre Cristo, Confúcio e Buda. Disse ele:

“— Eu estava no fundo de um abismo, meio atolado na lama, e gritava por socorro. Olhando para cima, vi um venerando ancião, de cabelos brancos, que me fitava. No seu rosto, viam-se os traços de um caráter puro e santo.

“— Meu filho, disse ele, este lugar é pavoroso.

“— Eu sei, respondí. Caí aqui. Será que o senhor não pode ajudar-me a sair?

“— Filho, replicou o velho, sou Confúcio. Se você tivesse lido meus livros e obedecido os ensinamentos deles, nunca iria parar aí.

“— Sim, pai, disse, mas o senhor não pode ajudar-me a sair?

“Mas ele simplesmente desapareceu.

“Depois vi outra pessoa aproximando-se, e incli­nando-se para mim. Este tinha os olhos fechados e os braços cruzados. E parecia estar com o pensamento longe dali.

“— Filho, disse ele, feche os olhos, cruze os braços, e não pense mais em si mesmo. Assuma uma atitude de perfeito repouso. Não pense em nada que possa perturbá-lo. Fique bem quieto, de modo que nada possa movê-lo. Aí, filho, você se encontrará

numa deliciosa condição de repouso, como eu me encontro.

“— Sim, pai, respondi, farei isso assim que estiver aí em cima. Será que o senhor não pode ajudar-me a sair?

“Mas Buda também desapareceu.

“— Eu estava começando a desesperar-me, quan­do vi outra Figura lá no alto, uma Pessoa diferente das outras duas. Era muito simples, e tinha aparência igual à nossa, mas seu rosto trazia as marcas do sofrimento. Então gritei:

“— Pai, podes socorrer-me?

“— Filho, disse ele, qual é o problema?

“ Mas antes que eu respondesse, já estava embaixo, na lama, ao meu lado. Passou os braços em torno de mim, e me ergueu. Depois me deu alimento e descan­so. Pensei que, quando estivesse bom, ele iria dizer-me: “Olha, não faça mais isso” ; mas não. O que disse foi:

“— Daqui por diante, vamos caminhar sempre juntos.

“— E até hoje estamos caminhando juntos.”

É isso que Jesus Cristo faz. Ele desce até nós, e vem até onde estamos. Ele passa a ser a nossa fé, em nosso coração, e a partir daí seguimos juntos até que a luz e a glória da ressurreição e da era futura nasçam sobre nós.

Que Deus nos ajude a recebê-lo plenamente para glória do seu nome. Amém!


Nada vos será impossível

 Nada vos será impossível. (Mt 17.20) 


Para aqueles que estão realmente dispostos a apoiar-se no poder do Senhor para guiá-los e dar-lhes vitória, é possível viver a vida crendo totalmente em Suas promessas. 

 

É possível lançarmos diariamente o nosso cuidado sobre Ele, e gozar profunda paz. 

 

É possível purificarmos os pensamentos e as imaginações do nosso coração, num sentido mais profundo. 

 

É possível vermos a vontade de Deus em todas as coisas, e recebê-la, não gemendo, mas cantando. 

 

É possível, se nos refugiarmos no poder divino, ficarmos mais fortes a cada passo. 

É possível descobrirmos que, aquilo que antes nos perturbava em nosso propósito de sermos pacientes, puros, humildes, fornece-nos agora uma oportunidade de experimentarmos que o pecado não tem domínio sobre vós. Isto temos por meio dAquele que nos amou, o qual opera em 

nós a submissão à Sua vontade e uma consciência verdadeira da Sua presença e poder. 

 

Essas possibilidades nos são fornecidas pela graça divina, e porque são obra dEle, quando as experimentamos, somos levados a nos curvar humildemente a Seus pés e aprendermos a aspirar por mais. 

 

De fato, não podemos ficar satisfeitos com menos do que andar com Deus — cada dia, cada hora, cada momento; em Cristo, pelo poder do Espírito Santo. — H. C. G. Moule

 

Podemos ter de Deus tudo quanto queremos — Cristo nos põe na mão a chave do tesouro e nos manda que tiremos tudo o que quisermos. Se fosse concedido a alguém acesso aos cofres de um banco e lhe dissessem para tirar dali tudo quanto quisesse, e ele saísse com apenas um cruzeiro, quem seria o culpado de sua pobreza? De quem é a culpa se os filhos de Deus vivem, geralmente, com porções tão pequenas das riquezas gratuitas de Deus?


 — McLaren —


SUSTENTADOS PELA GRAÇA

 


“Quando sou fraco, então, é que sou forte.”

(2 Co 12:10)


Este paradoxo está na essência da verdadeira experiência cristã. Dei-me conta disto durante uma provação pessoal, na qual, como Paulo, com seu espinho na carne, recebi como resposta um ‘não’ à minha oração em busca de socorro.


Ocorreu-me, então, a imagem de um barco que não podia atravessar um canal profundo por causa de uma pedra na correnteza, que se sobressaia há quase um metro e meio do leito do rio.


Em minha provação eu vinha pedindo ao Senhor que removesse a pedra. Neste momento, surgiu uma pergunta dentro de mim: Seria melhor que a pedra de um metro e meio fosse removida do caminho ou que Ele elevasse um metro e meio o nível das águas?


A resposta ao clamor de Paulo foi: ‘A minha graça te basta.’ (v.9). Sem dúvida, seria melhor que o nível das águas subisse!


Meu problema se foi, pois viver a fé cristã não é remover pedras, mas navegar por águas profundas!”


Watchman Nee (1903-1972)


SABER E FAZER

  “... Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.” (Jo 13:12-17) O sentido original destas palavras era justamente...