Um Céu Aberto
“Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.” (João 1:51)
Aqui vemos a prerrogativa essencial, que é demandada antes mesmo de adentrarmos nos limiares da Escola de Cristo, que é marcado pelas seguintes palavras: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!”, diretamente ligadas às palavras finais do Senhor: “os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. Temos uma figura completa do pano de fundo nessa sentença.
Quando Jacó, por meio de sua astúcia, furtou a primogenitura de seu irmão e precisou fugir para salvar sua vida, ele viu uma verdade muito grandiosa, embora ainda obscurecida em um tipo ou figura. Essa verdade Jacó ainda não fora capaz compreender. De fato, Jacó não poderia ter compreendido o significado daquilo que viu naquela ocasião, a saber, a Casa de Deus, Betel. Naquele lugar o céu e terra se encontravam - Deus e o homem. Ali temos o grande elo, o lugar onde Deus fala e Se faz conhecido, onde os Seus propósitos são revelados. Por que Jacó não compreendeu a visão? Ele estava em engano.
Vamos vê-lo seguir por vinte anos debaixo de disciplina, e, finalmente encontrará o impacto do céu sobre sua vida terrena e natural, o impacto do Espírito sobre sua carne no Vau de Jaboque. Essa vida carnal e natural de Jacó será esmagada, aniquilada, amortecida, e levará uma marca pelo resto de seus dias, indicando que permanece debaixo da condenação de Deus. Então, o Jacó julgado, esmagado, ferido, aniquilado pode retornar e derramar sua libação em Betel, permanecendo ali. O seu dolo fora retirado. Ele agora não mais se chamava Jacó, mas Israel, em quem, falando em tipo e figura, não há mais dolo. A obra não estava concluída, mas uma crise aconteceu.
Quando o Senhor Jesus fez essa referência a Natanael ele estava dizendo, resumidamente, o seguinte: devemos chegar ao ponto onde a nossa vida natural foi reduzida, quebrada e aniquilada para chegar ao lugar do céu aberto, onde a glória de Deus repousa, desce e se comunica conosco, então experimentamos o significado de Betel. Estar em Betel equivale a entrar nEle, ou seja, permanecer no Senhor como Betel, a Casa de Deus, usufruindo ali de todo benefício do Céu e de Deus. Você não poderá entrar nesta Escola até que esta experiência tenha lhe acontecido, e é necessário que o Senhor nos diga isso logo na soleira da porta: ‘Eis aí, um verdadeiro israelita, em quem não há mais Jacó, você verá o céu aberto!’ Remeter à vida de Jacó é, afinal de contas, apenas outra maneira de falar da vida do ego em sua totalidade. Jacó estava na linhagem eleita. Ele tinha um conhecimento histórico a respeito de Deus, mas sua transição da vida natural para a espiritual se deu por meio de disciplina e crise….
A Cruz abre os céus para nós, mas é o Espírito Santo Quem nos introduz no benefício disso, exatamente como os céus foram abertos para o Senhor em seu batismo no Jordão que representou, tipológica e simbolicamente, Sua morte, sepultamento e ressurreição. Ao chegar na nova esfera da ressurreição, os céus se abriram para Ele. O Espírito, então, O iluminou e nEle repousou. Esse Espírito se tornou, por assim dizer, o canal de comunicação, possibilitando tudo aquilo que envolve o céu aberto no sentido de comunicação, comunhão e relacionamento. Essa é a era do Espírito Santo, fazendo com que todos os valores de Cristo sejam tornados reais em nós. “Vereis”; e, graças a Deus, o que era um prospecto para Natanael é o nosso presente.
Essa era já teve início. Nós estamos na era do Espírito Santo, do céu aberto.
— T. Austin-Sparks - 1888-1971 (A Escola de Cristo, Cap 6)
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