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O Senhor confirmará o Seu povo

   *A sua congregação será confirmada diante de Mim.* (Jr 30.20) Deus não apenas reúne um povo; Ele o confirma diante de Si. A promessa feita por meio de Jeremias revela um Deus que estabelece, sustenta e legitima a Sua congregação.  Não se trata de uma reunião circunstancial, mas de um ajuntamento que existe porque foi chamado, aprovado e firmado pelo próprio Senhor.  A segurança da congregação não está em sua força numérica, organização ou tradição, mas no olhar de Deus que a reconhece como Sua. Paulo, em Efésios, aprofunda essa verdade ao afirmar que somos *edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo Jesus Cristo a principal pedra da esquina*. O fundamento da Igreja não é uma ideia, nem um movimento humano, mas uma Pessoa viva. Cristo é a pedra angular — aquela que sustenta, alinha e dá sentido a toda a construção. Fora dEle, tudo se desalinha; nEle, tudo encontra coesão e propósito. As leituras dos Evangelhos nos conduzem ao batismo de Jesus...

O reinado perpétuo do Senhor

  *O Senhor reinará eterna e perpetuamente* (Êxodo 15.18). Essa declaração nasce do cântico de Moisés após a travessia do mar. O povo havia experimentado, de forma concreta, o poder soberano de Deus: Ele vence inimigos, abre caminhos onde não há saída e manifesta Seu domínio sobre a história. O reinado do Senhor não é circunstancial nem limitado por tempos ou gerações — Ele reina para sempre. Séculos depois, o anjo anuncia a Maria que Jesus *reinará eternamente na casa de Jacó, e o Seu reino não terá fim* (Lucas 1.33).  O que em Êxodo é proclamado como verdade eterna, nos Evangelhos começa a ser revelado em carne e história.  O Deus que reina eternamente agora se aproxima em Seu Filho, inaugurando um Reino que não se sustenta pela força humana, mas pela obediência, pela justiça e pela graça. Os textos da leitura bíblica nos conduzem ao início do ministério público de Jesus, no ano 26 d.C., quando Ele se apresenta para ser batizado. Ali, o Rei eterno se coloca na fila dos ...

Louvai ao Senhor

  *Os que congregou das terras do oriente e do ocidente, do norte e do sul: louvem ao Senhor pela sua bondade* (Sl 107.3,8). O Salmo 107 nos apresenta um Deus que ajunta. Ele busca os dispersos, os cansados da caminhada, os que se perderam em diferentes direções da vida. Do oriente ao ocidente, do norte ao sul, o Senhor chama e reúne um povo para si.  A resposta adequada a essa obra graciosa não é o silêncio, mas o louvor — louvor pela bondade e pelas maravilhas que Ele realiza em favor dos filhos dos homens. Paulo, em Efésios 2, nos lembra de onde fomos tirados. Estávamos sem Cristo, sem esperança e sem Deus no mundo. Longe das promessas, alheios à vida de Deus. Não era apenas distância geográfica, mas espiritual. Contudo, o apóstolo anuncia a virada gloriosa do evangelho: *Mas agora, em Cristo Jesus…*. Essas palavras marcam a intervenção soberana da graça.  Pelo sangue de Cristo, os que estavam longe foram aproximados. O que estava separado foi reconciliado; o que estav...

Sede do Deus vivo

   *A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?* (Salmo 42.2) A sede expressa pelo salmista não é por alívio circunstancial, mas pela própria presença do Deus vivo. Trata-se de um anseio que nenhuma experiência terrena consegue saciar.  Essa pergunta — quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? — revela o coração do verdadeiro adorador: alguém que compreende que a vida só encontra pleno sentido diante do Senhor. O apóstolo Paulo nos lembra que, enquanto habitamos neste corpo, caminhamos numa tensão santa: vivemos ainda “ausentes do Senhor”, não porque Ele esteja distante, mas porque nossa comunhão plena ainda não foi consumada.  *Por isso, andamos por fé, e não por vista* (2 Co 5.6-7).  A fé sustenta essa sede, ensinando-nos a perseverar mesmo quando os olhos não veem e as circunstâncias não confirmam as promessas. A leitura de Marcos 1.1-8 nos conduz ao início do evangelho, onde João Batista su...

Fé que vai além do discurso

  Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a Deus (Eclesiastes 5.7) Vivemos cercados por palavras. Muitas vozes, muitos discursos, muitas interpretações. A advertência do sábio é clara: *a abundância de palavras facilmente se torna vaidade*.  O Senhor nos chama a algo mais profundo — ao temor de Deus, que _silencia o coração, ordena os pensamentos e nos livra da superficialidade espiritual._ O apóstolo Pedro nos lembra que a nossa fé não se sustenta em narrativas bem elaboradas ou em experiências fabricadas: *Porque não vos fizemos saber o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas astuciosamente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade* (2 Pedro 1.16) A verdade do evangelho não é construída pela imaginação humana; ela é revelada por Deus. Cristo foi manifestado na história, visto em Sua glória, e Sua Palavra permanece firme.  Onde há verdade revelada, não há espaço para vaidade espiritual. E...

Lealdade silenciosa em Cristo

  Não o notei a princípio. Desci para o desjejum no hotel, tudo estava limpo e a mesa do bufê repleta. A geladeira e o balcão de louças estavam bem abastecidos. Tudo perfeito. Então eu o vi. Um homem humilde limpava uma mesa, organizava outra. Não chamou atenção para si mesmo, mas quanto mais eu o olhava, mais me surpreendia. Ele trabalhava com agilidade, observando tudo e repondo antes que alguém precisasse de algo. Como veterano neste serviço, notei sua atenção constante aos detalhes. Tudo estava perfeito porque ele trabalhava com afinco, mesmo que poucos o notassem. Observando esse homem trabalhar meticulosamente, lembrei-me das palavras de Paulo aos tessalonicenses: “Tenham como objetivo uma vida tranquila, ocupando-se com seus próprios assuntos e trabalhando com suas próprias mãos […] Assim, os que são de fora respeitarão seu modo de viver” (1 Tessalonicenses 4:11-12). Paulo entendia como um trabalhador leal poderia ganhar o respeito dos outros ao oferecer um silencioso testem...

Perseverar no Senhor: um chamado diário de vigilância

  *Nunca tal nos aconteça que nos rebelemos contra o Senhor, ou que hoje deixemos de seguir o Senhor (Js 22.29).* Essa declaração nasce do temor santo de um povo que sabia que o maior perigo não vinha de fora, mas do coração que se afasta silenciosamente. Rebelar-se contra o Senhor nem sempre é um ato explícito; muitas vezes começa quando deixamos de segui-Lo hoje, adiando a obediência, relaxando a vigilância, permitindo que outras vozes ocupem o lugar da Palavra. Paulo ecoa esse mesmo princípio ao exortar Timóteo: *Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina” (1 Tm 4.16).* Antes de cuidarmos do que fazemos ou ensinamos, somos chamados a cuidar de quem somos diante de Deus.  Vida e doutrina caminham juntas.  Uma fé viva se expressa tanto na verdade que professamos quanto na forma como vivemos. Perseverar nessas coisas não é opcional; é o caminho que preserva nossa própria vida espiritual e edifica aqueles que nos ouvem. A leitura de Lucas 2:8-20 nos apresenta os pastores — home...