sexta-feira, 18 de julho de 2025

Nosso Corpo Lavado

 


“Aproximemo-nos com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.” (Hebreus 10:22)


O homem pertence a dois mundos, ao visível e ao invisível. O material e o espiritual, corpo e alma, são unidos de maneira maravilhosa em sua constituição. Na queda, ambos

ficaram sob o poder do pecado e da morte; na redenção, foi provida libertação para ambos. O poder da redenção pode ser manifestado não apenas na vida interior da alma, mas também no corpo.

Na adoração do Antigo Testamento, o exterior era o mais proeminente. Tal adoração consistia em ordenanças carnais, impostas até o tempo da reforma. Essa adoração ensinava uma medida de verdade, exercia uma certa influência no coração, mas não podia tornar perfeito o adorador. Somente com o Novo Testamento a religião da vida interior, a adoração a Deus em espírito e verdade, foi revelada. No entanto, temos de ser vigilantes para que não ocorra que a busca pela vida interior nos leve a negligenciar o exterior. O poder de Cristo para salvar deve ser sentido tanto no corpo quanto no espírito.

Foi com tal perspectiva em vista que Jesus adotou uma das abluções judaicas e instituiu o batismo nas águas. Todo aquele que creu com o coração deve apresentar seu corpo para ser batizado. O batismo é um símbolo de que toda a vida física exterior, com todas as suas funções e faculdades, deveria também ser do Senhor. Em conexão a isso, João escreveu: "Há três que dão testemunho, o Espírito e a água e o sangue." O mesmo Espírito que aplica o sangue ao coração, em poder, toma posse e domínio do corpo lavado com água. Os textos em que a palavra e a água são mencionados em conjunto na Escritura (Ef 5:26; Jo 13:10; 15:3) mostram que a água é a manifestação externa daquilo que deve também governar nossa vida exterior. …

Tudo deve ser puro, não apenas no coração e na disposição, mas no corpo e na vida exterior visível.

"Quem subirá ao santo monte do Senhor? Ou quem estará no Santo Lugar? Quem tem mãos limpas e um coração puro.”...

Um coração aspergido com o sangue, um corpo lavado com água pura que remove toda sujeira - o que Deus uniu não o separe o homem…

O coração e o corpo estão profundamente unidos — um coração aspergido de má consciência requer um corpo lavado com água pura…

Todo o nosso ser, corpo alma e espírito, é um santo sacrifício sobre o altar, um sacrifício vivo para servir diante de Deus no poder do Espírito Santo.(...).


(Andrew Murray)


Sedento ou transbordante?

 


“Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. *A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo*; quando irei e me verei perante a face de Deus?” (Salmo 42:1,2).

 

“De boas palavras *transborda o meu coração*. Ao Rei consagro o que compus; a minha língua é como a pena de habilidoso escritor. Tu és o mais formoso dos filhos dos homens; nos teus lábios se extravasou a graça; por isso, Deus te abençoou para sempre” (Salmo 45:1,2).


Gostaria de compartilhar a respeito de duas experiências muito distintas da alma, que são retratadas nesses dois Salmos [Sl 42 e Sl 45]. A diferença entre elas é impressionante! Em um dos Salmos, vemos a alma “sedenta”, no outro, ela está “transbordando”. O Salmo 42 equivale ao “se alguém tem sede”, enquanto o Salmo 45 responde a “quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (João 7:37,38).  

 

Essa é uma pergunta muito pessoal que devemos fazer a nós mesmos: estou “com sede” ou “transbordando”? Qual desses dois Salmos descreve melhor a experiência da minha alma?

 

É uma verdadeira benção ter Cristo diante de nós, satisfazendo plenamente nosso coração. Sim, existe uma satisfação como aquela que o Senhor descreveu à mulher no poço em Sicar, quando disse: “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo 4:14). Saber que existe uma satisfação como essa, de natureza tão maravilhosa, e que ela pode ser nossa, deveria ser a alegria do coração provado e desapontado! Assim, em vez dos murmúrios no coração e nos lábios, passaremos a ter o coração transbordante das glórias, perfeições e do amor de Cristo enquanto andamos nesse deserto. A partir dessa experiência, nossos lábios se abrirão e ribeiros de frescor e alegria fluirão, como vemos no Salmo 45.

 

( C. A. Coates [ Sedento ou transbordante ] ).


O que significa ser um cristão

 


Em Atos 11:26c está escrito: “Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.”

A primeira vez que os seguidores de Jesus foram chamados de "cristãos" ocorreu na cidade de Antioquia, conforme registrado em Atos 11:26. Esse termo surgiu quando a mensagem de Jesus se espalhou para além da comunidade judaica original, atraindo tanto judeus quanto gentios….”O fato de os discípulos terem recebido tal apelido, um termo de desprezo, indica que eles devem ter dado um forte testemunho do Senhor, um testemunho que os fazia distintos e especiais aos olhos dos incrédulos.” (W.Lee)

Charles Hodge, um dos grandes teólogos reformados do século XIX, achou a resposta nesse texto: "É ser constrangido por um senso de amor de nosso Divino Senhor, de tal modo que lhe consagramos nossa vida."

“A história espiritual de cada cristão poderia ser escrita em duas frases: “Tu em mim” e “Eu em Ti”. Na consideração de Deus, Cristo e o cristão se tornam um de tal maneira que Cristo está tanto no céu como na terra, e o cristão está tanto na terra como no céu. O Cristo no céu é parte invisível do cristão. O cristão na terra é a parte visível de Cristo.”
(Ruth Paxon)

Ser um cristão é ter Cristo como a vida da nossa mente, coração e vontade, para que Ele seja Aquele que pensa através de nossa mente, ame através de nosso coração e queira através de nossa vontade. É ter Cristo preenchendo nossas vidas numa medida sempre crescente, até que não tenhamos vida a parte d’Ele.
Ruth Paxon

quarta-feira, 16 de julho de 2025

O Divino Ajudador

 Mt 12:18-20: "Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos gentios. […] Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida (‘pavio’) que fumega, até que faça vencedor o juízo.”


Meu irmão, minha irmã, desejo iniciar essa breve meditação nesta manhã com uma nota de encorajamento a todos os amados: O Senhor conhece cada situação que envolve Seus filhos e tem absoluto controle sobre tudo; ”ao Seu dispor estão todas as coisas” (Sl 119:91). 

Jesus não despreza ou abandona aqueles que estão em dificuldades, mesmo que a situação pareça desesperadora. Ele se aproxima com misericórdia e busca trazer restauração e esperança, em vez de julgamento e destruição. 

O "pavio que fumega" representa uma situação frágil, uma fé hesitante, ou uma pessoa que está passando por dificuldades e precisa de amparo. A imagem do pavio que ainda fumega, mesmo com pouca luz, indica que ainda há esperança e potencial para restaurar a chama. 

Um irmão já disse que os judeus costumavam fazer flautas de cana. Quando uma cana rachava, eles a quebravam. Além disso, faziam tochas de mechas de linho, que queimavam óleo. Quando o óleo acabava, a mecha fumegava e eles a apagavam. Alguns dentre o povo do Senhor são como cana rachada, a qual não pode mais emitir notas musicais; outros são como mechas que fumegam, que não podem mais produzir luz. Contudo o Senhor não quebrará os que são como a cana rachada nem apagará os que são como a mecha fumegante.

Irmãos, Deus pode mudar o nosso pranto em dança, tirar a nossa veste de lamento e nos vestir de alegria, para que O louvemos e não nos calemos. (cf. Salmo 30:11-12)

“Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará.” (Sl 37:5, ver vv. 3-7a). 

“Algum de vocês, pais, já ouviu seu filho acordar com pânico ou medo e gritar o nome da mãe na escuridão? Não foi esse um apelo mais poderoso do que todas as palavras? E pode ter certeza de que a alma que clama a Deus, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, embora não tenha "outras palavras além do clamor", jamais clamará em vão.”

“Para aqueles que não passaram por nenhuma agonia, Jesus diz: “Não tenho nada para vocês; fiquem firmes, endireitem os ombros. Eu vim para o homem que sabe que tem um fardo maior do que pode suportar, que sabe que existem forças que ele não pode tocar; farei tudo por ele se ele Me permitir. Deixe apenas que o homem conceda que precisa, e Eu farei por ele.”

"Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”(1Pe 5:6-7)

Quão poderosa é a oração perseverante! É a força mais poderosa que o homem pode empunhar. “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos”* (Tiago 5.16).

Que o homem de oração continue a orar. Suas orações, se guiadas pela Palavra, são aceitas por Deus por meio de Jesus Cristo e fazem parte do processo designado para efetuar os propósitos de Deus para a realização daquilo que ele pede. E embora poderosos inimigos possam provocar conflito e agitação nesse mundo invisível, todos os recursos do céu, até o maior príncipe diante do trono de Deus, serão postos em movimento para cumprir as promessas de Jeová. 

Ele “Não esmagará a cana quebrada, nem apagará o pavio que fumega, até que faça vencedor o juízo.”

Amém! Amém! 


terça-feira, 15 de julho de 2025

O Legado de Calebe



“Porém o meu servo Calebe, visto que _*nele houve outro espírito*_, e perseverou em seguir-me, eu o farei entrar à terra que espiou, e a sua descendência a possuirá.” (Nm 14:24)


A vida de Calebe é um encorajamento para todos os crentes.  Sua vida nos ensina que, independentemente das adversidades, a confiança no Senhor e a obediência à Sua vontade são alicerces firmes para aqueles que O servem.

Em Números, a obediência é o tema central da travessia do deserto. Deus guia o povo por meio da nuvem, estabelece leis, separa líderes e revela Sua vontade. No entanto, o povo frequentemente reage com murmuração, incredulidade e rebelião. Como consequência, a geração que saiu do Egito com mão forte não entra em Canaã — exceto Josué e Calebe, homens de outro espírito. Essa desobediência é relembrada em Hebreus como um alerta direto aos crentes: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hb 3:15). O autor usa o fracasso da geração do deserto como advertência solene: a incredulidade pode nos privar da herança prometida.

Mas, Calebe é um exemplo de coragem e firmeza. Em meio a um povo incrédulo e amedrontado, ele se destacou por confiar plenamente em Deus. Enquanto outros viram gigantes, Calebe viu oportunidade. Seu espírito diferente o fez herdar promessas que muitos perderam por causa da dúvida.

A fidelidade de Calebe foi notada pelo próprio Senhor. “Ele perseverou em seguir-Me”, diz Deus. Fidelidade não é ausência de medo, mas a escolha de confiar mesmo diante do impossível. Deus honra quem O segue de todo o coração.

Mesmo sendo minoria, Calebe e Josué foram como luzes em meio às trevas da incredulidade. Embora o povo não os ouvisse de imediato, sua firme posição diante de Deus foi registrada e serviu de exemplo para gerações. Um justo pode não mudar todos ao redor, mas permanece como um farol que aponta para a verdade.

Ter “outro espírito” não é apenas ser diferente, mas ser separado — consagrado para Deus. Calebe não se contaminou com a murmuração. Ele manteve seus olhos em Deus, seus pés firmes na promessa, e seu coração totalmente rendido. A consagração verdadeira atrai a presença e o favor de Deus.

              


segunda-feira, 14 de julho de 2025

Divina Provisão

 


“...Eles não têm mais vinho.” (João 2:3)


"A alegria começa a brotar quando você chega ao ponto onde nada mais pode fazer... Quando você chegar a esse ponto, o Senhor começará a te mostrar o que Ele pode fazer, e Ele não fará isso até você chegar ali". [...] Pense naqueles homens levando água em vez de vinho ao mestre-sala. Mas Maria havia dito: “Fazei tudo o que ele vos disser”, e a hesitação deles foi substituída pela fé que operou quando conduziram ao mestre-sala aquele vinho que ainda era água. A transformação aconteceu no caminho... e quando chegaram ao mestre-sala, lá estava o melhor vinho. Aquele foi um verdadeiro desafio de fé!

Que possamos compreender a implicação desse evento de Caná. Vejamos a relação entre a fé e a plenitude de Deus em Cristo para nós - aquilo que Cristo é em plenitude, vida, alegria, glória. Estamos na mesma situação daquelas bodas, quando tudo se desmoronou, pois o vinho acabou; nós estamos nesse estado por natureza.

Há uma nuvem sobre nós, um senso de necessidade, de vazio. Estamos conscientes de que não estamos chegando a lugar algum; tudo parece estar desmoronando, num estado de suspense. Precisa acontecer uma mudança. Precisamos de vida no lugar da morte, plenitude no lugar do vazio, alegria no lugar do desespero, glória no lugar da vergonha. Esse banquete de casamento é simplesmente uma fotografia do nosso estado; aquelas talhas, antes da palavra do Senhor Jesus, representam nossa condição.

Quando vemos o que Ele é! Ele é a plenitude de Deus para nosso vazio, a alegria de Deus para nossa tristeza, a vida de Deus para nossa morte, a esperança de Deus para nosso desespero! Não me refiro a algo que Jesus nos dará, mas a Ele mesmo - SUA PESSOA!

Mas existe um elo para obter tudo isso em Cristo, e é a obediência da fé. A fé deve se levantar e agir tomando Cristo, apropriando-se de Cristo, submetendo toda nossa vida a Cristo.

“Fazei tudo o que ele vos disser”; faça de Cristo o Mestre-sala. Quando o Senhor Jesus é o Mestre, tudo está sujeito à Ele. Essa é a questão. O problema é que muitas vezes ainda achamos que podemos conduzir as coisas do nosso jeito, de acordo com nossos próprios pensamentos.

Esses homens podem ter parado e pensado: 'vamos nos envolver em um grande problema se levarmos essa água ao mestre-sala'. Podemos argumentar com o Senhor e com Seus caminhos, pensando: 'Não vejo propósito nisso. Não vejo como isso funcionará'. Não nos sujeitamos a Cristo.

Mas precisaremos ser conduzidos ao lugar onde nossas vontades, nossos gostos, nossas preferências, nossas simpatias e antipatias, tudo que provém de nós mesmos deve ser deixado de lado para que Ele possa ser SENHOR, e quando Ele for o Senhor e nós formos colocados debaixo do impacto da Sua Cruz, o resultado será essa plenitude, alegria, glória e vida. Cristo é o tudo. Ele é tudo, Ele pode ser tudo para nós, mudando as coisas como Ele mudou ali em Caná a partir daquilo que não era tornando naquilo que deveriam ser. Ele transformou água em vinho, Ele também pode mudar nossa situação.


 

[T.Austin-Sparks]


O Deus que é poderoso para fazer

 


“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Efésios 3:20,21). 


Esse trecho marca uma longa passagem que compõe o todo dos três primeiros capítulos da carta aos Efésios. Ali está demonstrado um dos mais maravilhosos, gloriosos e abençoados prospectos do propósito Divino de graça em Cristo Jesus. Até aqui nada havia sido dito sobre fazer, pelo menos no que diz respeito aos filhos de Deus. 

Tudo estava relacionado ao pensamento de Deus - o que Ele planejou, o que Ele tornou possível e realizo. Penso que Efésios 3:20 não foi escrito para trazer um pouco de conforto para nossa fé ao longo da nossa caminhada, nos lembrando de que Deus é capaz, mas que esse verso é uma solene declaração do fato de que o que foi expresso e demonstrado nos primeiros três capítulos dessa carta deve ser feito; não sendo algo apenas a ser pensado, mas para ser realizado, expresso, feito.

 

Àquele que é capaz de fazer… É o fazer que se torna o clímax e o cumprimento de toda a revelação, e ainda assim não é o nosso fazer. “Àquele que é poderoso para fazer…” 

Pedimos, pensamos - isso é tudo o que podemos fazer. Ele é poderoso para fazer, louvado seja Seu Nome! 

Um de nossos intelectuais modernos disse, em um tipo de frase com mordacidade espirituosa, que o problema da Cristandade não é que ela tenha sido testada e achada em falta, mas que ela foi achada difícil e jamais tentada. Isso parece muito inteligente, muito agradável, mas não é verdadeiro. 

Alguns de nós tentamos, tentamos arduamente e com todo o nosso coração. O que esse intelectual estava certo em dizer foi que é difícil, e é muito difícil para nós.

 

Quanto mais tentamos, menos sucesso temos. Não conseguimos. 

Ele é capaz de realizar. Essa é a mensagem do Senhor relacionada a cada fração da revelação Divina que foi entregue a nós. 

Não importa quão impossível possa parecer, e o quanto já tenhamos tentado e falhado, a palavra do Senhor vem de forma nova para nós, para não tentarmos novamente, mas darmos uma nova olhada para Ele. 

Ele é capaz de realizar. 

Como eu disse, tudo que podemos fazer é pedir e pensar. Esse é o nosso limite, mas Ele é capaz de fazer o que pedimos ou pensamos, e apenas Ele é capaz de fazê-lo. Ele é capaz!

 

Extratos do texto homônimo de Harry Foster.


A perda do ego

 

“Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:33). 


Existe algo no universo que é diametralmente oposto à Deus, e isso é o ego. A atividade do ego é a fonte de toda a natureza e procedimentos malignos do homem. Por outro lado, a perda do ego na alma eleva sua pureza! De fato, a pureza da alma é elevada na exata proporção da perda do ego. 


Enquanto empregarmos nossa natureza em algum caminho, as nossas faltas permanecerão. Mas depois que abandonamos o ego e seus interesses, não haverão mais erros, e tudo será pureza e inocência. 


Foi com o advento da entrada do ego na alma quando ocorreu a queda, que foi estabelecida uma diferença entre a alma humana e Deus. 


Como podem duas coisas tão diferentes serem unidas? Como pode a pureza de Deus e a impureza do homem serem trazidas à unidade? Como pode a simplicidade (ou singularidade) de Deus e a multiplicidade (ou inconstância) do homem se amalgamarem? 


Certamente isso demanda por muito mais do que nossos próprios esforços.  


O que, então, é necessário para obter essa tão desejada união? Um movimento a partir do Próprio Deus Todo-Poderoso. Só isso pode levar a termo essa união. 


Para que duas coisas se tornem uma, precisam ter naturezas similares. Por exemplo, a impureza da terra não pode ser unida à pureza do ouro. O fogo é introduzido para destruir a escória e tornar o ouro puro. É por isso que Deus envia o fogo à terra (e ele é chamado de Sua Sabedoria) para destruir tudo que é impuro em nós. Nada pode resistir ao poder daquele fogo. Ele consume tudo. Sua Sabedoria queima todas as impurezas no homem com um propósito: torná-lo preparado para a união divina. 


Madame Guyon (1648–1717)


sexta-feira, 11 de julho de 2025

A vitória pela fé

 “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho” (Hebreus 11:1,2). 


A vitória na terra da promessa foi baseada somente na fé. A primeira direção de Deus para Josué foi: “Sê forte e corajoso” (Js 1:6). Todo o livro de Josué ilustra esse princípio, especialmente o registro a respeito da batalha de Jericó. O autor do livro de Hebreus fala expressamente disso: “Pela fé, ruíram as muralhas de Jericó, depois de rodeadas por sete dias” (Hb 11:30). 


A fé deve seguir o líder. Os sacerdotes e o povo seguiram a arca; não caminharam à sua frente. Não podemos andar com Deus e continuar fazendo o que desejamos o tempo todo. Precisamos ver o caminho de Deus, e então segui-Lo. Antes de agir, precisamos de um “Assim diz o Senhor”. 


A fé pode circundar por sete dias as muralhas de Jericó, não se incomodando com as dificuldades, e ainda rodeá-las por sete vezes no sétimo dia. Isso não é ser um sonhador, mas é intensamente real. A fé, passo a passo, percorre a terra prometida, seguindo bem de perto as pegadas do líder, sem retroceder ou vacilar, até que a marcha da vitória esteja gloriosamente completa. 


Nós também precisamos aprender da paciência da fé, que espera pela sua possessão, e não desiste se isso não acontecer logo. Por sete dias os israelitas aguardaram a vitória, mas ainda assim, não vacilaram. Talvez os habitantes daquela cidade estivessem os observando dos muros e fazendo gracejos enquanto eles passavam. Eles marcharam sem se desencorajar, apesar das circunstâncias ao seu redor. 


No primeiro dia não havia sinal de vitória, nem no segundo, nem no terceiro, mas eles continuaram marchando na confiança da fé. “Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa” (Hb 10:36). “Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque, certamente, virá, não tardará” (Hc 2:3). O cumprimento da promessa poderia ser adiado, mas não tardaria. 


Até que chegou o momento onde a fé não mais esperaria, mas aceitou a promessa. A palavra de Deus finalmente chegou: “Gritai, porque o SENHOR vos entregou a cidade!” (Js 6:16). Então, a fé desferiu um brado que abalou o céu e a terra, marchando para a sua posição e tomando posse da vitória! 


A.B. Simpson (1843-1919)


quinta-feira, 10 de julho de 2025

A VISÃO CELESTIAL - Cristo e a Igreja



O assunto que governa tudo com Deus é uma revelação de Cristo.


Não é uma questão de nós vermos verdade cristã, mas de vermos Cristo por revelação do Espírito Santo.


Quando queremos explicar Paulo, e dar conta de sua influência por vinte séculos de história da Igreja, temos que ir para a sua “visão celestial ”. Ele viu Cristo, e vendo Cristo ele chegou a ver o significado e natureza da Igreja, como o Corpo de Cristo.


*Sejamos bastante enfáticos em afirmar que jamais podemos ver a Igreja sem que vejamos antes o Filho de Deus. Semelhantemente, não podemos verdadeiramente ver o Filho de Deus e não ver Sua Igreja.*


(Theodore Austin-Sparks)


A questão hoje é: quão próxima a vida da Igreja está do conceito divino do que é a Igreja?


O sucesso ou o fracasso da Igreja não deve ser medido pelo que vemos ou ouvimos, mediante a aparência externa. O sucesso ou fracasso da Igreja deve ser medido pela proximidade ou pela distância do conceito divino do que é a Igreja. 


Por quê? Porque a igreja não é uma invenção humana. A Igreja tem Sua origem em Deus, foi concebida no coração de Deus. 


Caso a vida da Igreja sobre a terra não se harmonize com o conceito divino do que é Igreja, podemos declarar que ela é um fracasso; não importa como se apresente aos homens, ela é um fracasso. 


Apenas quando a vida da Igreja é idêntica ao conceito divino do que é a Igreja é que o propósito de Deus é realizado. 


(Stephen Kaung)


O poder da Oração Eficaz em Cristo

 


Como disse Andrew Murray, ao permanecermos em Cristo, aprendemos a orar de forma eficaz. Ele explicou que, nessa comunhão, nossas súplicas começam a se alinhar ao propósito eterno do Pai. Isso transforma a oração: ela deixa de ser apenas um pedido e se torna um canal de poder espiritual, porque passamos a orar a partir do lugar onde Deus deseja derramar Suas respostas.

Murray também destacou que a verdadeira oração nasce do entendimento daquilo que Cristo falou e viveu. É a Palavra habitando em nós que nos ensina a orar de acordo com a vontade do Pai. Não é simplesmente apresentar desejos, mas saber que, quando estamos em Cristo, nossos pedidos se harmonizam naturalmente com o querer de Deus.

Essa é a beleza da oração que permanece: ela flui da comunhão com Cristo e, por isso, tem o poder de alcançar o coração do Pai.



_João 15:7 "Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito."_


quarta-feira, 9 de julho de 2025

MULTIDÕES APROXIMAM-SE DELE. QUANTOS O TOCAM?

  


"Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou?" (Marcos 5:31) 



Jesus tem muitos seguidores que amam Seu reino celeste; poucos, porém, que levam a Sua cruz. 


Existem muitos sedentos de consolação, mas poucos de tribulação. 


Ele encontra muitos que participam da Sua mesa, mas poucos do seu jejum. 


Todos desejam se alegrar com Ele, mas poucos almejam sofrer alguma coisa por Ele. 


Muitos acompanham Jesus até o partir do pão, mas poucos até o beber do cálice da sua paixão (Lucas 22:42). 


Muitos veneram os Seus milagres, mas poucos seguem a ignomínia da Sua cruz. 


Muitos amam a Jesus, enquanto não lhes sobrevem adversidade. Muitos O louvam e bendizem, desde que recebam alguma consolação Dele. Se porém, Jesus se oculta e os deixa, por algum tempo, eles se entregam a lamentos ou abatimento mental. 


Aqueles, porém, que amam a Jesus por amor a Jesus, e não por causa de algum conforto especial, louvam-No tanto nas tribulações e angústias, como na mais elevada consolação. 


Como é poderoso o amor puro de Jesus, sem mistura de interesse ou amor próprio. 


Thomas a Kempis

(Tradução: D. O. M.)


terça-feira, 8 de julho de 2025

Anelo por comunhão

 1

Se este meu caminho

Leva-me à Cruz

E o que me escolheste

Para a dor conduz

Venhas compensar-me

Dando a mim, Senhor, 

Comunhão constante

Com meu Salvador. 


2

Se a alegria falta

E do mundo, a paz,

Mais prazer celeste

Sempre Tu me dás.

Mesmo estando em dores

Quero Te adorar

Com minha alma alegre

Teu louvor cantar. 


3

Se terrestres laços

Que mui doces são,

Eu os vir partidos

Pela Tua mão,

Rogo-Te que o laço

Que me prende a Ti

Torne-se mais doce

E mais forte, aqui. 


4

Se me vês sozinho,

Triste, a caminhar

Vens com Teu sorriso

Logo me alegrar.

És meu Companheiro

Na jornada aqui

Minha vida é curta,

Mas pertence a Ti. 


5

Possa eu desprendida

Deste mundo ser

Possa em cada dia

Mais por Ti viver.

Pela Tua graça

Faze-me, Senhor,

Um canal por onde

Jorre o Teu amor! 


M. E. Barber 


(Traduzido por Maria Luiza Araujo)


segunda-feira, 7 de julho de 2025

Orar é pedir, mas também ter comunhão



Entretanto, orar não é meramente fazer pedidos a Deus, embora isto seja um importante aspecto da oração, quando nada, porque nos fala de nossa total dependência dele. Mas ela é também comunhão com Deus — um intercurso pessoal com o Senhor — uma conversa com Deus, (e não apenas o ato de falar-lhe). Ficamos conhecendo melhor as pessoas conversando

com elas. Conhecemos a Deus da mesma maneira. A mais elevada consequência da oração não é ficarmos livres do mal, nem obtermos aquilo que desejamos, mas conhecermos a Deus. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3). E a oração nos revela mais de Deus, e essa é a grande descoberta da alma. Os homens ainda clamam: “Ah! se eu soubesse onde o poderia achar! então me chegaria ao seu tribunal." (Jó 23:3) 


O cristão ajoelhado sempre o “acha”, e é achado por Ele. A visão celestial do Senhor Jesus cegou os olhos de Saulo de Tarso, em sua queda, mas ele nos conta, tempos depois, que, quando se encontrava orando no templo, em Jerusalém, foi arrebatado e viu a Jesus. "E vi aquele...” Foi então que Cristo lhe deu a grande comissão de ir aos gentios. 


Uma visão é sempre um precursor de uma vocação e de uma ida. Foi assim com Isaías. "Eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo." (Is 6:1) Evidentemente, o profeta achava-se orando no santuário, quando isto se deu. Esta visão também foi um prelúdio de uma chamada ao serviço: “Ide...” Ora, não podemos receber uma visão de Deus a menos que oremos. E onde não há visão, as almas perecem.


Uma visão de Deus! O conhecido Frei Lourenço disse: “A oração é nada

mais que um senso da presença de Deus” — e isso é apenas a prática da presença de Deus.


Um amigo de Horace Bushnell estava presente certa vez quando esse homem de Deus orava. Sobreveio-lhe um maravilhoso senso da presença de Deus. Ele disse: “Quando Horace Bushnell abaixava o rosto entre as

mãos, e orava, eu não estenderia o braço no escuro, com receio de tocar em Deus.” É possível que o salmista tivesse experimentado a mesma sensação, quando clamou: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa.” (Sl 62:5) Creio que grande parte de nossos fracassos é devida ao fato de que não temos examinado a seguinte pergunta: o que é oração? É bom estar consciente de que sempre nos achamos na presença de Deus, é melhor fitá-lo em adoração. Mas melhor ainda é ter comunhão com ele, como um amigo — e isso é oração.


A oração, em seu melhor e mais elevado aspecto, revela uma alma sedenta de Deus — e de Deus somente. A verdadeira oração brota dos lábios daqueles cujas afeições estão concentradas nas coisas lá do alto.


(Extratos do livro: O Cristão de Joelhos  - A Oração que Funciona - 

Autor anônimo)


SABER E FAZER

  “... Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.” (Jo 13:12-17) O sentido original destas palavras era justamente...