sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O Espírito de habitação

 


“Naquele dia, vós conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós.” (Jo 14:20)

“para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.” (Gálatas 3:14)


O apóstolo Paulo escreveu aos Romanos: "Vós não estais na carne mas no Espírito" (Rm 8.9). Observe as duas declarações: "na carne" e "no Espírito". O que faz a diferença? O Espírito de habitação reside exatamente onde estamos. Se Ele habita em nós, então estamos no Espírito, e se Ele não está em nós, então estamos na carne; não temos união com Cristo. Isso é claro. Mas em quem o Espírito de Cristo habita? O Novo Testamento ensina que Ele habita em cada crente - "Porque sois filhos, Deus enviou o Espírito do Seu Filho aos nossos corações, clamando Abba, Pai" (Gl 4.6). Ninguém é filho de Deus se o Espírito de Deus não habitar nele; mas se o Espírito de Deus habita nele, por causa disso ele é um filho de Deus.¹

“A razão pela qual muitos cristãos não experimentam o poder do Espírito é que lhes falta reverência para com Ele. E falta-lhes reverência porque os olhos deles não foram abertos para o solene fato da presença divina habitando em nós. O fato é incontestável, porém eles ainda não se deram conta disso. Por que alguns filhos de Deus levam uma vida vitoriosa, enquanto outros se encontram em um estado de constante derrota? A diferença não se deve à presença ou ausência do Espírito (pois Ele habita em todo filho de Deus), mas a isto: alguns sabem que Ele habita em nós, e outros, não; e, consequentemente, alguns reconhecem a autoridade de Deus sobre sua vida, enquanto outros continuam sendo seus próprios mestres. Descobrir que seu coração é a habitação de Deus será uma revolução na vida de qualquer cristão.[…]” ²


 (¹ R.B.Jones; ² W. Nee)


quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Sobre a Casa Espiritual

 


Certa vez, em uma de suas preleções, Lance Lambert disse:

"Uma ênfase de Theodore Austin-Sparks foi a preeminência do Senhor Jesus. Isso era algo... bem, você tinha que conhecer o Sr. Sparks para realmente apreciar isso. Para ele, o Senhor Jesus era o princípio e o fim de tudo. O Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o último. Ele viu tudo em Cristo. Tudo estava em Cristo. Esta foi uma tremenda ênfase em seu ministério. [...]

O Sr. Sparks diria:

*"Onde está o Senhor na vida desta pessoa? Onde está o Senhor Jesus na obra desta pessoa? Onde está o Senhor Jesus no ministério desta pessoa?"*

Ele costumava dizer:

*"Se você e eu queremos chegar diretamente ao trono de Deus, há apenas uma coisa que precisamos fazer: dar ao Senhor Jesus o lugar que o Pai lhe deu. Este é o caminho a ser preservado do erro, da transigência, da apostasia, de começar no Espírito e terminar na carne".*

Outra ênfase de Austin-Sparks era *"A Casa Espiritual de Deus".*

Ele via a igreja como a Casa Espiritual de Deus. Ele via a Igreja como a Noiva de Cristo e a Esposa do Cordeiro; como o Corpo do Senhor Jesus. Sua compreensão da igreja era impressionante. Qualquer um que ouviu o irmão Sparks expondo a igreja a partir da Palavra de Deus ficou quase, você diria, sem fôlego.

*"A Casa Espiritual de Deus é o coração da história. Este é o coração da redenção."*

Era aqui que ele costumava dizer: 

*"Há algo maior do que a salvação".*

Ohhh! As pessoas costumavam ficar tão bravas com ele! "Como ele pode dizer que há algo maior do que a salvação? Isso não é evangélico! Não é certo! Não é bíblico!" 

O Sr. Sparks sempre disse que a salvação não é um fim, é um meio para um fim. O fim do Senhor é Sua morada. O fim do Senhor é Sua Casa Espiritual. O fim do Senhor é Sua Casa no Espírito. E nossa salvação é um meio de nos colocar nisso: a Casa Espiritual de Deus.

Oh, isso não é muito precioso?

“Juntos, somos sua casa, edificados sobre os alicerces dos apóstolos e dos profetas. E a pedra angular é o próprio Cristo Jesus. Nele somos firmemente unidos, constituindo um templo santo para o Senhor. Por meio dele, vocês também estão sendo edificados como parte dessa habitação, onde Deus vive por seu Espírito.” (Efésios 2:20-22, NVT)


A Igreja, Coluna e Baluarte da Verdade

 *"Para que saibas como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade."*

(1 Timóteo 3:15).


Deus graciosamente se agradou de designar Sua igreja como a grande conservadora de Sua verdade, e Sua verdade como o meio especial de santificação para Sua igreja; há uma relação estreita e bela entre as duas. A igreja pode ser comparada à lâmpada de ouro que contém o óleo sagrado, que, por sua vez, alimenta a chama de sua luz e santidade. A igreja deve guardar com olhar zeloso e vigilante a pureza da verdade, enquanto a verdade deve embelezar e santificar a arca que a preserva. Assim, há uma relação estreita e uma influência recíproca entre a igreja de Cristo e a verdade de Deus.


Cada crente em Jesus é ele próprio um sujeito e, portanto, uma testemunha da verdade; ele foi vivificado, chamado, renovado e parcialmente santificado pela instrumentalidade da verdade revelada de Deus: "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade." "Por causa da verdade que habita em nós." "Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor." Aqui se revela uma das verdades mais solenes e tocantes que tocam o caráter e a responsabilidade individual de um filho de Deus. Ele é um sujeito da verdade, é um repositório da verdade e é uma testemunha da verdade; sim, ele é a única testemunha viva da verdade que Deus tem na Terra. O mundo em que ele vive é um mundo escuro, poluído, que blasfema contra Deus, nega a Cristo e despreza a verdade. Os santos que foram chamados para fora dele de acordo com o Seu propósito e amor eternos, e pela Sua graça soberana, distintiva e gratuita, são as únicas luzes e o único sal em meio a esta escuridão e corrupção moral. Aqui e ali, uma luz cintila, irradiando a esfera sombria em que se move; aqui e ali, um ponto verdejante aparece, aliviando a desolação árida e estéril que a cerca. Estes são os santos do Altíssimo, as testemunhas do caráter divino, do poder onipotente e da santa tendência da bendita verdade de Deus. Que os santos de Deus, então, ponderem solenemente este fato comovente: embora a palavra escrita e o Espírito que a acompanha sejam testemunhas de Deus no mundo, eles são a única exemplificação viva do poder da verdade e, como tal, são fervorosamente exortados a serem "irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo". Que eles sejam cuidadosos em manter boas obras e, assim, andem em toda a santidade da verdade que professam; que se certifiquem de que, por nenhuma negligência de conduta, por nenhuma falta de integridade, por nenhuma conformidade com o mundo, sim, por nenhuma inconsistência, manchem as santas doutrinas que abertamente defendem e amam; mas que demonstrem que, com a verdade em seus julgamentos, possuem graça no coração e santidade irrepreensível na vida.

(Octavius Winslow)


Cristo, nosso suficiente Salvador

 


“Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.”(Salmo 110:4)


Melquisedeque aparece nas Escrituras como rei de Salém (paz) e sacerdote do Deus Altíssimo (Gn 14:18). 

Seu nome significa rei de justiça. Ele abençoou Abraão e trouxe pão e vinho, apontando para Cristo, nosso Rei da Justiça e da Paz, que Se ofereceu em sacrifício perfeito e eterno.

Em Cristo temos não apenas perdão, mas também justiça diante de Deus e paz verdadeira. Ele é o sacerdote eterno, que vive sempre para interceder por nós (Hb 7:25).

Não precisamos buscar justiça em nós mesmos nem paz no mundo; temos ambas em Cristo. E Ele nunca deixará de interceder por nós!

Cristo não apenas morreu por nós, mas vive para interceder. Sua obra não terminou na cruz; continua no céu, diante do Pai, em favor daqueles que se aproximam de Deus por meio dEle.(cf.Hb 7:25)

Isso significa que nossa salvação é completa e segura, não depende de méritos próprios, mas da intercessão contínua de Cristo.

O acesso a Deus não é por rituais, religiões ou esforços humanos, mas somente por Jesus, o caminho vivo e novo (Hb 10:19-20).

Quando nos sentimos fracos ou acusados, devemos lembrar: Cristo está intercedendo agora por nós. 

Ele é o nosso Advogado junto ao Pai (1 João 2:1).

Glória a Deus por nosso suficiente Salvador!


segunda-feira, 27 de outubro de 2025

A Raiz de Amargura

 


“Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus; e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.”

(Hebreus 12:15)


Há algo mais sutil e destrutivo na vida espiritual do que o pecado visível: é a raiz de amargura. Ela não começa como um ato, mas como um sentimento silencioso que se aloja no coração, uma pequena ferida que não foi levada à cruz. A amargura é o veneno da alma que nasce quando olhamos mais para os homens do que para Deus, quando retemos algo do velho homem em vez de entregá-lo totalmente ao Senhor.

A amargura não pertence ao novo homem em Cristo; ela é uma semente do velho Adão. Por isso, ela não pode ser tratada com conselhos ou boas intenções — precisa ser julgada na cruz. Toda vez que deixamos de perdoar, toda vez que retemos algo no coração, abrimos espaço para essa raiz crescer. E quando ela cresce, obscurece o discernimento espiritual, rouba a comunhão e endurece o coração contra a voz do Espírito.

O amargurado perde o frescor da graça. Ele fala das coisas de Deus, mas sem vida; serve, mas sem unção; ora, mas sem luz. Pois a graça só flui onde o coração está limpo, livre e submisso. Por isso o Senhor trabalha em nós por meio de situações, pessoas e circunstâncias que tocam o mais profundo do nosso ser — não para nos ferir, mas para arrancar toda raiz que não vem de Cristo.

O remédio para a amargura é a cruz interior. Não é esquecer, mas morrer. Só quando morremos para nós mesmos, o Espírito Santo pode produzir o perdão verdadeiro — aquele que nasce não do esforço humano, mas da própria vida do Cordeiro em nós. Na cruz, o Senhor Jesus não apenas perdoou os que O feriram, Ele amou-os. E é essa mesma vida que agora habita em nós, chamando-nos a viver o mesmo.

Oh, como precisamos deixar o Espírito sondar o mais íntimo do nosso coração! Talvez ainda haja raízes escondidas, pequenas, quase imperceptíveis — uma lembrança, uma dor, uma ofensa não tratada. Mas o Senhor deseja um terreno puro, onde nada do velho homem tenha direito de permanecer. Deixemos, então, que o machado da cruz chegue à raiz — não apenas aos galhos visíveis, mas ao âmago daquilo que o Espírito revelar. Pois somente assim a vida de Cristo poderá fluir livremente em nós, como um rio de paz, e o coração voltará a ser terra fértil onde o amor de Deus floresce sem impedimento.* 

É da vontade do Senhor erradicar toda raiz pecaminosa do meio do Seu povo.

 “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.” (Mt 15:13)


Oremos:

“Pai celestial, Tu és o Lavrador divino. Plantaste uma "videira verdadeira", Seu Filho amado. Arranque todas as plantas rivais cultivadas não por Ti. Livra-nos de toda raiz de amargura do nosso coração que tem contaminado e enfraquecido a muitos dos teus filhos.

Faça isso por misericórdia e graça. Que o Senhor Jesus Cristo prevaleça e reine sobre nossos corações para tua glória. Amém.”


(* Fragmento baseado em escritos de W. Nee e T. Austin Sparks - ‘Hebreus’)


sábado, 25 de outubro de 2025

O perigo das riquezas


Saber gerir apropriadamente o patrimônio terreno é uma habilidade rara para os habitantes deste planeta. De modo geral, as pessoas são escravas do dinheiro. Poucas são aquelas que conseguem governar com sabedoria a fortuna, grande ou pequena, que se encontra sob seu encargo. A maioria, quando tem alguma riqueza, ou a esbanja num consumismo descomedido, ou a acumula cada vez mais no seu pão-durismo. Nestes casos, o dinheiro é como a água do mar; quanto mais uma pessoa bebe, mais sede sente.

Além de ser injusta a origem da riqueza, como ensina Jesus, segundo Paulo, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.

Ele não está dizendo que o dinheiro é a causa de todos os problemas, mas que o amor ao dinheiro é o radical maligno que desvirtua os relacionamentos humanos. Por trás dos desacertos pessoais e das encrencas sociais, a miúdo, topamos com os ardis desse amor

avarento. Samuel Chadwick disse: o amor ao dinheiro é para a igreja um mal maior do que a soma de todos os outros males do mundo.

A história eclesiástica tem sido maculada com as tintas violentas da cobiça. Vemos com frequência o governo das igrejas sofrendo com a influência desastrosa desse amor ao dinheiro. Por trás de muitos discursos devotos podemos perceber a dissimulação

dos desejos que ambicionam as recompensas monetárias. Porém, como dizia Roger L'Estrange, aquele que serve a Deus por dinheiro servirá ao diabo por salário melhor.

O dinheiro não é uma ferramenta passiva. Ele é uma coisa que ganha poder de um personagem e obtém domínio sobre as pessoas. No tronco do dinheiro existe um troco emocional que o eleva à condição de dominador. Se alguma pessoa serve a alguém por causa do dinheiro, o seu serviço acaba se tornando dependente deste déspota.

( G. F. Paranaguá)

O Pão da Vida

 *"Comereis o vosso pão a fartar, e habitareis seguros na vossa terra.”*

(Levítico 26:5)


*“O pão de Deus é Aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.”*

(João 6:33)


Deus prometeu ao Seu povo que eles comeriam o pão a fartar e habitariam seguros. Essa promessa de provisão e segurança física simboliza algo muito mais profundo: *a suficiência espiritual encontrada em Cristo, o verdadeiro Pão que veio do céu.*


Em Lucas 19, vemos Jesus entrando em Jericó e se encontrando com Zaqueu. 

Aquele homem rico, mas espiritualmente vazio, buscava apenas “ver quem era Jesus”. Porém, ao recebê-Lo em sua casa, encontrou o Pão da Vida — e sua alma finalmente se saciou. 

A presença de Cristo transformou a escassez interior de Zaqueu em abundância de graça, levando-o ao arrependimento e a uma nova maneira de viver.


Assim também conosco. Podemos ter a mesa farta, mas o coração vazio, se Cristo não for o nosso alimento diário. Só Ele sacia a fome da alma, preenche o vazio do coração e nos dá verdadeira segurança, não em bens ou circunstâncias, mas em Sua presença constante.


Quando o Senhor é o nosso Pão, não vivemos de migalhas espirituais. Ele nos convida a comer d’Ele — Sua Palavra, Sua vontade, Sua comunhão — e então habitaremos seguros, mesmo em tempos incertos.


*Oração:*

Senhor, Tu és o Pão da Vida. 

Ensina-me a me alimentar de Ti a cada dia, a encontrar em Ti a satisfação e a segurança que o mundo não pode oferecer. Que minha comunhão contigo seja o sustento da minha alma. Amém.


Há esperança quanto ao teu futuro.

 *“Há esperança quanto ao teu futuro, diz o Senhor.”* (Jeremias 31:17)


*“Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.”*

 (Efésios 2:7)


Leitura bíblica: Lucas 18


A esperança é uma das maiores forças que sustentam o coração humano — e quando essa esperança está firmada em Deus, ela nunca é vã. Em Jeremias, o Senhor falava a um povo que havia perdido quase tudo: a terra, a liberdade, o templo. 

Ainda assim, Ele declara: *"Há esperança quanto ao teu futuro.”* Essa é a voz da graça divina que atravessa os séculos, reafirmando que Deus nunca termina uma história com derrota quando o coração confia nEle.


Em Efésios, Paulo amplia essa promessa, mostrando que a esperança do cristão vai além do presente. 

Deus deseja revelar, *“nos séculos vindouros”*, as riquezas da Sua graça. Ou seja, o que experimentamos hoje é apenas o início daquilo que Ele preparou para nós em Cristo. 

*Nossa história, por mais dolorosa ou limitada que pareça, está sendo escrita com tinta de eternidade.*


Na leitura de Lucas 18, vemos pessoas se aproximando de Jesus com fé perseverante — como o cego de Jericó que clamava: *“Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”* Ainda que muitos o mandassem calar, ele não desistiu. E porque não desistiu, foi ouvido e curado. Assim é a esperança cristã: não se cala, não se cansa, não desiste de crer que Deus ainda tem algo bom reservado.


Mesmo quando o futuro parece incerto, a Palavra nos lembra que há esperança — não baseada em circunstâncias, mas em Cristo. 

O Deus que começou a boa obra é o mesmo que a completará, revelando, dia após dia, as riquezas da Sua graça.


Oração:

Senhor, obrigada porque em Ti há sempre esperança. Quando tudo parece escuro, Tu ainda estás escrevendo a história. Ajuda-me a esperar com fé e a confiar no Teu tempo, lembrando que as Tuas promessas não falham e que o Teu amor é eterno. 

Amém.


quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Deus não esquece dos Seus redimidos

 


*“Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.”*

Isaías 49:15


*"Deus é amor.”*

1 João 4:8


📖 Leitura bíblica: Lucas 17


Há momentos na vida em que podemos sentir o peso do abandono, a ausência do consolo humano ou a frieza das circunstâncias. Nesses dias, é comum que o coração se pergunte: _Será que Deus se lembra de mim?_

Mas o Senhor, em Sua infinita ternura, responde com esta promessa: *"Ainda que uma mãe se esquecesse do filho que amamenta, Eu não me esquecerei de ti.”*


Deus compara Seu amor ao amor de uma mãe — o mais profundo e instintivo que conhecemos — e ainda assim o coloca acima dele. 

O amor humano, por mais intenso, é limitado; o amor de Deus é eterno, fiel e inalterável.

Ele não apenas tem amor — Ele é o próprio amor (1 Jo 4:8). 

Por isso, tudo o que faz flui dessa essência: disciplina, cuidado, consolo, perdão, restauração.


No capítulo 17 de Lucas, Jesus fala sobre fé, gratidão e vigilância. Ele ensina que o servo fiel deve sempre fazer o que lhe cabe, confiando que Deus é justo e bom. 

Ao curar os dez leprosos, apenas um volta para agradecer — e é a esse que o Senhor declara: *"A tua fé te salvou.”*

O amor de Deus não apenas nos alcança; ele nos convida a responder com fé e gratidão.


Assim, mesmo quando a vida nos parece dura, lembremo-nos: _não estamos esquecidos._ Deus nos vê, nos sustenta e trabalha silenciosamente em nosso favor.

Se o amor humano pode falhar, o amor de Deus nunca falha.



Descanse hoje nessa verdade: *você está gravado nas palmas das mãos do Deus que é amor.*


Amparo divino na aflição do Seu povo

 *“Assim diz o Senhor: Como eu trouxe sobre este povo todo este grande mal, assim eu trarei sobre ele todo o bem que lhes tenho declarado.”*

— Jeremias 32:42


*“A nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação.”*

— 2 Coríntios 1:7


Leitura bíblica: Lucas 16


Deus é fiel tanto em Suas advertências quanto em Suas promessas. Ele não falha em cumprir o que diz — seja no juízo, seja na restauração. Em Jeremias 32, o povo de Judá enfrentava o resultado de sua desobediência. Jerusalém estava sitiada, o futuro parecia desmoronar, mas Deus, em Sua infinita graça, declarou: *“Assim como Eu trouxe o mal, também trarei todo o bem que prometi.”*


Essa declaração revela o coração de um Deus imutável, justo e bom. Ele não age por impulso, mas por propósito. 

O mesmo Senhor que permite as provas, é o que planeja o consolo e a restauração.


Paulo ecoa essa verdade aos coríntios: *“Nossa esperança é firme.”* Ele sabia que o sofrimento faz parte do caminho, mas também sabia que o consolo é tão certo quanto a dor é real. 

A fidelidade de Deus não oscila com as circunstâncias.


Em Lucas 16, Jesus conta parábolas as quais  contrastam o uso fiel e infiel daquilo que Deus nos confia. 

Tanto o administrador infiel quanto o rico e Lázaro revelam um princípio: _nossa resposta às circunstâncias presentes mostra onde está o nosso coração e a quem realmente servimos._


Aquele que confia apenas 

nas riquezas, nas aparências ou no conforto passageiro, perde de vista o consolo eterno. Mas aquele que deposita sua esperança no Senhor, mesmo em meio à aflição, experimentará o cumprimento fiel de Suas promessas.


 O sofrimento é temporário, mas o consolo de Deus é eterno.

Aqueles que hoje participam das aflições, também participarão da consolação que vem do alto. 

A fidelidade do Senhor é nossa âncora; mesmo quando as águas se agitam, nossa esperança permanece firme n’Ele.


Oremos:

Senhor, obrigado porque Tu és fiel em todas as Tuas palavras. Ensina-nos a esperar em Ti, com fé e paciência, mesmo nas aflições. Que possamos ser fiéis com o que nos confias, lembrando que o verdadeiro consolo vem de Ti. Que nossa esperança permaneça firme, pois Tu cumprirás todo o bem que prometeste. Amém.


Chamamento Divino

 *Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o Senhor.*

Gênesis 12:4


*“Deus chamou, não somente dentre os judeus, mas também dentre os gentios.”*

(Romanos 9:24 – Pickering)



Quando o Senhor chamou Abrão, Ele o convidou a sair do conhecido para o desconhecido — um chamado que exigia fé, obediência e confiança absoluta. Abrão não sabia para onde iria, mas sabia em quem cria. Sua obediência silenciosa ecoa até hoje como exemplo para todos os que ouvem a voz de Deus e escolhem segui-Lo, mesmo sem ver o caminho inteiro diante de si.


Esse chamado, que começou com um homem, expandiu-se pela graça até alcançar todos os povos. Como nos lembra Paulo, Deus chamou não apenas os judeus, mas também os gentios. Isso significa que o mesmo Deus que falou a Abrão também nos chama hoje — para sairmos de nossa zona de conforto espiritual e andarmos pela fé, confiando em Sua direção.


Em Lucas 15, Jesus revela o coração de Deus por meio das parábolas da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho pródigo. Ele é o Deus que chama, busca e encontra. Se Abrão respondeu ao chamado saindo de sua terra, o filho pródigo respondeu voltando ao lar. Ambos caminharam em direção à voz do Pai — um em obediência, o outro em arrependimento, mas ambos guiados pela graça.


A vida cristã é marcada por esse mesmo movimento: *ouvir, confiar e seguir.*

Quando o Senhor nos chama — seja para deixar algo, servir de uma nova forma ou voltar ao primeiro amor — nossa resposta deve ser como a de Abrão: “Assim partiu Abrão, como o Senhor lhe tinha dito.”



 Oração:

Senhor, ajuda-me a reconhecer Tua voz e a responder com fé e prontidão. Que eu não hesite quando me chamares, mas siga Teus passos, confiando que onde quer que me leves, Tua graça me sustentará. Amém.


O domínio total do Senhor

 Leituras: Zacarias 9:10; Mateus 4:8-10


> *O Seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra.* (Zc 9:10)


*Tudo isto te darei, se prostrado me adorares. Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás...* (Mt 4:9-10)


Desde o princípio, o inimigo tenta usurpar o lugar do verdadeiro Rei. Em Mateus 4, ele ousa oferecer a Jesus aquilo que jamais lhe pertenceu: os reinos do mundo e a glória deles. Mas o Filho de Deus não veio para conquistar pela sedução, pela ostentação ou pela força humana. *Ele veio para reinar pelo caminho da cruz.*


Enquanto Satanás promete glória imediata, o Pai promete domínio eterno — um Reino que não se conquista com poder terreno, mas com obediência e rendição total à vontade de Deus. Zacarias havia profetizado séculos antes: viria um Rei humilde, montado num jumento, cuja paz se estenderia até os confins da terra (Zc 9:9-10). Esse é o Reino de Cristo — não edificado por espada, mas por amor; não imposto, mas revelado em corações transformados.


Jesus rejeitou o atalho da adoração falsa para estabelecer o Reino legítimo do Pai. Ele venceu onde Adão caiu, porque preferiu a vontade de Deus à glória dos homens. E agora, nós — Seu povo — somos chamados a viver sob esse mesmo senhorio.

Quantas vezes o inimigo ainda tenta nos oferecer “reinos” — poder, status, reconhecimento, facilidade — em troca da nossa lealdade espiritual? Mas o verdadeiro discípulo aprende a dizer:

*“Vai-te, Satanás. Só ao Senhor teu Deus adorarás.”*


O Reino de Cristo já está se estendendo, de mar a mar, até os confins da terra — e também até as profundezas do nosso coração. Cada vez que escolhemos obedecer ao Senhor em vez de buscar a glória própria, Seu domínio cresce em nós.


🕊️ Oração:

Senhor Jesus, obrigado porque Teu Reino não é deste mundo, mas já governa sobre ele. Ajuda-nos a rejeitar toda sedução do inimigo e a viver sob o Teu domínio, com coração humilde e obediente. 

Reina em nós, Senhor, e estende Teu governo até as extremidades da terra. Amém.


quarta-feira, 15 de outubro de 2025

O ministério de oração da igreja.

 A não ser que estejamos em sujeição à autoridade de Deus, nós não podemos por em prática a oração com autoridade. 


Nós sabemos que a criação foi originalmente colocada sob o controle do homem. Por que então, hoje, a criação não ouve ao comando do homem? Porque o homem tem falhado no ouvir a palavra de Deus. Por que o leão matou o homem de Deus? Porque ele tinha sido desobediente ao comando de Deus (veja 1 Kings 13:20-25). Por outro lado, por que os leões não causaram dano a Daniel quando ele foi condenado à cova dos leões? Porque ele era inocente perante Deus e não tinha causado nenhum dano ao rei. Assim, Deus enviou Seu anjo para fechar as bocas dos leões (Daniel 6:22). Assim também, a víbora não pôde danificar a mão de Paulo, o servo de Deus (Atos 28:3-6), mas vermes comeram o orgulhoso Herodes (Atos 12:23). Se estamos sujeitos à autoridade de Deus, nós seremos temidos pelos demônios, os quais também estarão em sujeição a nossa autoridade.


A Bíblia, além disso, revela uma próxima relação entre oração, jejum e autoridade. Oração fala do nosso desejo por Deus; enquanto jejum ilustra nossa autonegacão. O primeiro privilégio que Deus deu ao homem foi o alimento. Deus deu alimento para Adão antes de lhe dar qualquer outra coisa. De modo que jejum, significa negação do primeiro direito legal do homem. Muitos crentes jejuam sem negarem a si mesmos; por isso o jejum deles não é aceito como tal. Os fariseus por um lado jejuavam e por outro extorquiavam. Se eles tivessem realmente jejuado, eles teriam restituído o que eles tinham extorquido. Visto que oração é o desejar por Deus, e jejum, o negar a si mesmo, a fé vai ser desencadeada quando estes dois fatores são unidos. E então com fé, há autoridade de expulsar demônios. Agora, se temos desejo por Deus, mas recusamos negar a nós mesmos, nós não teremos fé e também não teremos autoridade. Porém, se tivermos ambos, um desejo por Deus e um negar a nós mesmos, imediatamente teremos posse da fé e da autoridade. Nós podemos rapidamente gerar a oração de fé e até mesmo a oração com autoridade. Tenha em mente que a oração com autoridade é a mais espiritual, bem como a mais importante das orações.


(Tradução livre de extratos do livro "The Prayer Ministry of the Church" - by Watchman Nee)


terça-feira, 14 de outubro de 2025

AS REFERÊNCIAS FARÃO TODA A DIFERENÇA!

 


Geralmente, quando se procura um emprego, as empresas pedem referência. No entanto, as pessoas se esquecem de que, ao solicitar essas referências, as empresas não querem observar apenas habilidades e capacidades, mas também a personalidade e o caráter.


Agora, imagine quando se trata da vida cristã! Lembro-me de Pedro e João, quando as pessoas se referiram a eles dizendo: “Observando a coragem de Pedro e João, e tendo notado que eram homens simples e iletrados, ficaram perplexas e reconheceram que eles haviam convivido com Jesus” (Atos 4.13). Existe melhor referência do que essa: “Esses homens estiveram com Jesus”?


Pedro e João foram usados para realizar um milagre, curando um mendigo aleijado e, em seguida, mesmo sem cultura, pois eram iletrados, eles abriram suas bocas com muito conhecimento e sabedoria. 


Qual é a referência que nosso maior inimigo, Satanás, tem de cada um de nós? Faço essa pergunta referindo-me ao momento em que alguns "seguidores de Jesus" tiveram que ouvir da boca de Satanás essas terríveis referências sobre eles: “Um dia, o espírito maligno lhes respondeu: Jesus, eu conheço, Paulo, eu sei quem é; mas vocês, quem são?" (Atos 19.15).


O diabo não é onisciente, mas através de seus demônios, diz a Bíblia, que eles "passeavam na terra" (Jó 2.2). No caso de Jesus, sem comentários sobre a visão que tinham, mas Paulo, era como cada um de nós, pecador, mas salvo pela graça. Alguém prostrado aos pés de Jesus, tanto em seus ensinamentos como na dependência. Alguém ousado na autoridade e firme em sua convicção. Uma pessoa confrontada pelo próprio diabo, como no caso da adivinhadora, mas como instrumento de Deus, expulsando os demônios que ali estavam. No entanto, aqueles homens não possuíam nenhuma autoridade ou referência que pudessem restringir Satanás ou fazê-lo recuar. Como era a vida deles com Deus? Certamente haviam negligenciado o importante ensinamento sobre como enfrentar Satanás: "Portanto, sujeitai-vos a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tiago 4.7). Em seu currículo, certamente não constava a referência "Homens submissos a Deus". Em uma tradução livre da versão inglesa feita por Luiz Cézar ("pergaminhos especiais"), podemos ler assim: "Por essa razão, estejam sujeitos a Deus, mas lutem contra o maligno, e ele fugirá de vocês". Isso mostra que envolve um confronto com autoridade, pois Deus me dá essa autoridade em Cristo Jesus. E, é claro, nunca podemos esquecer que, pelo fato de ele estar em nós e a palavra nos dizer que Jesus já o derrotou, qualquer legalidade satânica pode ser extinta em nome de Jesus. Assim, o inimigo sofre a derrota através de nossa ministração sobre ele. Isso não ocorria na vida daqueles homens, por isso foram derrotados.


Amados, assim é a nossa vida diante do mundo. Que tipo de referência estamos construindo a partir das nossas palavras, ações, realizações e comportamento? Que as pessoas testemunhem nossas ações e ouçam nossas palavras, reconhecendo em nós o reflexo da presença de Jesus em nossas vidas.

Essa postura não apenas terá um impacto significativo perante as pessoas, mas, acima de tudo, perante o Pai celestial e nosso adversário, que busca derrotar-nos e difamar o nome de Jesus e cada um de nós. Devemos cuidar diligentemente para levar uma vida séria, responsável e gloriosa, mantendo uma comunhão diária com Deus, a fim de que possamos receber o testemunho dos outros de nossa dedicação e comprometimento: esses homens estiveram com Jesus!


Oração: Querido Pai celestial, que as pessoas sempre encontrem em mim uma referência de que não apenas sou teu filho, mas também vivo para te honrar e obedecer de maneira fiel e em intimidade contigo.


(Devocionais de Avivamento - Marcos Stier Calixto)


Ouça a Voz de Deus

 


"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz... " (Apocalipse 2:11)


Você pode ler a mesma passagem das escrituras em diferentes ocasiões, e ela falará a você de maneiras totalmente diferentes. Ao filósofo grego Heráclito é atribuída esta frase: "Você nunca pisa no mesmo rio duas vezes." E você nunca lê o mesmo versículo bíblico da mesma maneira, duas vezes. Isto testifica a autoria celestial das Escrituras. A iluminação do autor é baseada no íntimo e ilimitado conhecimento que Ele tem de você e de suas circunstâncias, desejos, temores, passado, personalidade, e de seu destino. Porém, cabe a você investir tempo para ouvir e cultivar sua sensibilidade ao que Ele está dizendo. 


Conta-se a estória de um treinador de música, contratado para trabalhar com cantores de ópera, os quais não podiam alcançar certas notas musicais, apesar delas caírem dentro do alcance vocal deles. Era um mistério musical. O treinador fez extensivo teste de suas cordas vocais, mas ele não pôde encontrar nenhuma razão que justificasse o fato deles não poderem atingir aquelas notas. Então, por um impulso, ele resolveu testar a audição deles. Assim descobriu, que aqueles cantores de ópera não podiam cantar a nota que eles não podiam ouvir. O problema não estava no cantar. O problema estava no ouvir. "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz." Até que você ouça a voz de Deus, você não poderá cantar a canção de Deus. Por que? Porque você está fora de sintonia. Isto é o que nos leva a estar preso em estilo de vida pecaminoso e em negativos ciclos e padrões destrutivos. Porém, quando você abre a Bíblia e verdadeiramente ouve a voz de Deus - Sua amável voz, Sua voz de afirmação, Sua voz cheia de graça, Sua convincente voz, Sua voz de autoridade, Sua poderosa voz - sua vida começará a se harmonizar com o Espírito Santo.


(Tradução livre - Word for Today - Bob & Debby Gass)


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

O MINISTÉRIO DE ORAÇÃO DA IGREJA

 




O verdadeiro ministério de oração da Igreja consiste nisto: *Deus revela à Sua Igreja aquilo que Ele mesmo deseja realizar por meio dela.*

A Igreja não foi colocada no mundo para exercer uma vontade própria, nem para buscar seus próprios interesses espirituais; ela existe na terra para ser o instrumento através do qual a vontade eterna de Deus se cumpre no tempo.

A oração, portanto, não é o meio pelo qual tentamos mover Deus à nossa vontade, mas, o processo pelo qual Deus move a Sua Igreja à vontade d’Ele.

A oração não é a voz do homem tentando alcançar o céu, mas, a voz do céu ecoando no coração dos que aprenderam a ouvir. (...)

Em toda reunião de oração, a mente de Deus deve ser o centro e o governo.

Não oramos a partir do impulso das nossas carências, mas a partir da revelação dos Seus propósitos.

O alvo supremo da oração coletiva não é satisfazer necessidades humanas, mas, cooperar com o desígnio divino — dar voz, na terra, ao propósito de Deus no céu.

Por isso, a verdadeira oração corporativa não gira em torno de listas de pedidos, porém, de um discernimento espiritual que busca o que está no coração de Deus.

Somente em raras exceções o povo de Deus é convocado a unir-se em batalha por causas específicas — e, mesmo então, a luta é travada sob a direção do Espírito, e não sob o impulso da carne.

“A oração é o respirar do Corpo em harmonia com a mente de Cristo.”

(Autor desconhecido)


SABER E FAZER

  “... Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.” (Jo 13:12-17) O sentido original destas palavras era justamente...