A Raiz de Amargura

 


“Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus; e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.”

(Hebreus 12:15)


Há algo mais sutil e destrutivo na vida espiritual do que o pecado visível: é a raiz de amargura. Ela não começa como um ato, mas como um sentimento silencioso que se aloja no coração, uma pequena ferida que não foi levada à cruz. A amargura é o veneno da alma que nasce quando olhamos mais para os homens do que para Deus, quando retemos algo do velho homem em vez de entregá-lo totalmente ao Senhor.

A amargura não pertence ao novo homem em Cristo; ela é uma semente do velho Adão. Por isso, ela não pode ser tratada com conselhos ou boas intenções — precisa ser julgada na cruz. Toda vez que deixamos de perdoar, toda vez que retemos algo no coração, abrimos espaço para essa raiz crescer. E quando ela cresce, obscurece o discernimento espiritual, rouba a comunhão e endurece o coração contra a voz do Espírito.

O amargurado perde o frescor da graça. Ele fala das coisas de Deus, mas sem vida; serve, mas sem unção; ora, mas sem luz. Pois a graça só flui onde o coração está limpo, livre e submisso. Por isso o Senhor trabalha em nós por meio de situações, pessoas e circunstâncias que tocam o mais profundo do nosso ser — não para nos ferir, mas para arrancar toda raiz que não vem de Cristo.

O remédio para a amargura é a cruz interior. Não é esquecer, mas morrer. Só quando morremos para nós mesmos, o Espírito Santo pode produzir o perdão verdadeiro — aquele que nasce não do esforço humano, mas da própria vida do Cordeiro em nós. Na cruz, o Senhor Jesus não apenas perdoou os que O feriram, Ele amou-os. E é essa mesma vida que agora habita em nós, chamando-nos a viver o mesmo.

Oh, como precisamos deixar o Espírito sondar o mais íntimo do nosso coração! Talvez ainda haja raízes escondidas, pequenas, quase imperceptíveis — uma lembrança, uma dor, uma ofensa não tratada. Mas o Senhor deseja um terreno puro, onde nada do velho homem tenha direito de permanecer. Deixemos, então, que o machado da cruz chegue à raiz — não apenas aos galhos visíveis, mas ao âmago daquilo que o Espírito revelar. Pois somente assim a vida de Cristo poderá fluir livremente em nós, como um rio de paz, e o coração voltará a ser terra fértil onde o amor de Deus floresce sem impedimento.* 

É da vontade do Senhor erradicar toda raiz pecaminosa do meio do Seu povo.

 “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.” (Mt 15:13)


Oremos:

“Pai celestial, Tu és o Lavrador divino. Plantaste uma "videira verdadeira", Seu Filho amado. Arranque todas as plantas rivais cultivadas não por Ti. Livra-nos de toda raiz de amargura do nosso coração que tem contaminado e enfraquecido a muitos dos teus filhos.

Faça isso por misericórdia e graça. Que o Senhor Jesus Cristo prevaleça e reine sobre nossos corações para tua glória. Amém.”


(* Fragmento baseado em escritos de W. Nee e T. Austin Sparks - ‘Hebreus’)


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