"a qual casa somos nós, se guardarmos firme até o fim a ousadia e a exultação da esperança."(Hebreus 3:6)
Entre os hebreus, muitos haviam retrocedido na fé e estavam em perigo de desviar-se do caminho. Eles haviam dado lugar à indolência, à preguiça, à negligência e haviam perdido a alegria e confiança da fé que haviam tido primeiramente. O escritor está prestes a emitir uma nota de séria advertência (Hb 3:7- 4:13), a chamá-los a tomar cuidado com aquele perverso coração de incredulidade, que se aparta do Deus vivo. Ele usa as palavras "a qual casa somos nós, se guardarmos firme até o fim a ousadia e a exultação da esperança" como transição para o assunto que tratará a seguir.
"Guardando firme até o fim". Firmeza, perseverança, é de fato a grande necessidade da vida cristã. Não há questão que ocupe mais profundamente o ministro zeloso do evangelho em nossos dias, assim como antigamente, do que a razão por que tantos convertidos esfriam e se desviam, e o que pode ser feito para que tenhamos cristãos que permaneçam firmes e sejam vitoriosos. Quão frequentemente ocorre, tanto em tempos após avivamentos e campanhas especiais quanto na obra comum e normal da igreja, que aqueles que correram bem durante determinado período de tempo tornaram-se tão enredados nos negócios ou nos prazeres desta vida, na literatura, ou na política, ou nas amizades do mundo, que perderam toda a vida e poder de sua confissão. Falta-lhes "guardar firme até o fim"; eles perdem a graça coroadora da perseverança.
As palavras da Epístola aos Hebreus que ora consideramos ensinam-nos a causa que leva alguém a desviar-se da fé e a origem da falta de poder para permanecer firme mesmo entre aqueles que se esforçam por obter essa firmeza. Essas palavras nos mostram ao mesmo tempo o segredo da restauração, bem como da força para resistir até o fim. "A qual casa somos nós", diz o escritor, "se guardarmos firme até o fim a ousadia e a exultação da esperança". Ou, como ele expressa alguns versículos adiante (v.14) "se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos". Uma ousadia e confiança que nos fazem abundar em esperança, que nos fazem nos gloriar na esperança da glória de Deus, e também gloriar-nos na tribulação, é isso que nos faz fortes para resistir e vencer. Nada pode nos tornar vencedores senão o espírito ousado e alegre que, dia a dia, gloria-se na esperança do que Deus fará.
É nesse aspecto que muitos fracassam. Quando essas pessoas primeiramente encontraram paz, elas aprenderam que haviam sido salvas pela fé. Elas compreenderam que perdão, aceitação, paz e vida vem somente pela fé. Mas elas não entenderam que é pela fé somente que podemos nos manter firmes; que precisamos sempre caminhar por fé; que devemos sempre e continuamente viver pela fé; e que cada dia e cada hora nada pode nos ajudar senão uma fé clara, definida, habitual no poder e no obrar de Deus como a única possibilidade de crescimento e progresso. Elas procuravam apegar-se firmemente na luz, na bênção e na alegria que encontraram; no entanto, desconheciam que precisavam apegar-se firmemente até o fim em sua ousadia de fé, na exultação da esperança que, desde o princípio, tiveram. Mesmo quando aprendiam alguma coisa a respeito da necessidade da fé e da esperança, elas desconheciam quão indispensáveis eram a ousadia de fé e a exultação da esperança. Ninguém é capaz de vencer se não tiver o espírito do vencedor. Os poderes do pecado e de Satanás, do mundo e da carne são tão grandes que somente aquele que é ousado e exulta na esperança do que Deus fará terá forças para resisti-los. E somente pode ser ousado para encarar o inimigo aquele que aprendeu a ser ousado com Deus e a exultar nele. É quando a fé se torna uma alegria, e a esperança é uma exultação em Deus que podemos ser mais do que vencedores. Essa é uma das lições mais importantes que o cristão deve aprender.
Veremos posteriormente como toda a Epístola aos Hebreus foi escrita para nos ensinar que ousadia é a única raiz de firmeza e perseverança e, portanto, a verdadeira força da vida cristã. Veremos também que seu único objetivo é mostrar que temos na obra e pessoa e glória de nosso Senhor Jesus Cristo abundantes motivos para sermos ousados.
"a qual casa somos nós, se guardarmos firme até o fim a ousadia e a exultação da esperança". Você estaria disposto a conhecer a bênção de tudo o que isto significa - "a qual casa somos nós, Cristo como Filho é fiel em sua casa"? Eis a porta aberta. Apesar de todos os inimigos ao seu redor, entregue-se ousadamente para Jesus Cristo como pertencendo somente a ele seja seu coração uma casa para Sua habitação. Exulte na esperança de tudo o que ele prometeu aperfeiçoar em você. "Apega-te firmemente até o fim à confiança que desde o princípio tivestes". Esse princípio mencionado no versiculo não foi quando você declarou ser nada e Cristo, tudo? Não foi naquela ocasião que você simplesmente entregou-se para o Seu imenso poder salvador? Apegue-se firmemente a esse princípio com uma confiança ainda maior. A cada momento, o Senhor Jesus guardará e protegerá Sua casa e manterá Sua obra dentro dessa casa. Clame ousadamente e aguarde confiadamente que Cristo, o Filho, será fiel sobre Sua casa assim como Moisés, o servo, também foi sobre sua casa. E quando surgir a dificuldade de como manter sempre essa ousadia e expectação da esperança, lembre-se da resposta que encontramos na epístola: "Considere atentamente Jesus, que foi fiel". Sim, simplesmente considere Jesus! Quão fiel, mesmo até a morte, ele foi a Deus em tudo o que Deus lhe havia confiado para fazer por nós. Permita que isso seja para nós a garantia de que ele, que ainda é o mesmo Senhor, não será menos fiel em todo o abençoado serviço que pode realizar agora em nós, "se guardarmos firme até o fim a ousadia e a exultação da esperança".
1. Fé é a mãe da esperança. Frequentemente uma filha pode ser auxílio e força para sua mãe. Assim, à medida que nossa esperança olha para o futuro e gloria-se nele, nossa fé crescerá na ousadia que a tudo pode vencer.
2. Apegue-se firmemente ao que esta passagem da Epístola aos Hebreus menciona: a fidelidade de Jesus e a ousadia ou confiança de nossa fé. A fidelidade dele é nossa segurança.
3. A exultação de nossa esperança. Alegria não é um luxo ou um mero acessório na vida cristã. É o sinal que, de fato, estamos vivendo no maravilhoso amor de Deus e que esse amor nos satisfaz.
"O Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo".
4. Cristo é fiel como Filho sobre Sua casa: quão confiadamente posso confiar nele para cuidar e governar sobre essa casa!
(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público)
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