sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Jesus, Mesmo em Sua Humilhação Como Homem, Superior aos Anjos

 A Razão de Sua Humilhação

"O Mundo foi Sujeito ao Homem, Não a Anjos"


"Pois, não foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vír, sobre o qual estamos falando; antes, alguém, em certo lugar, deu pleno testemunho, dizendo (Salmo 8:5): que é o homem para que dele te lembres? Ou o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, por um pouco, menor do que os anjos, de glória e de honra o coroaste, e o constituiste sobre as obras de tuas mãos. Todas as coisas sujeitaste

debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas. Vemos, todavia, aquele (Jesus), [...] coroado de glória e de honra." (Hebreus 2:5-9)


Como Filho de Deus, Cristo é maior do que os anjos. Como Filho do Homem, Jesus também é maior do que os anjos. Ele foi, de fato, como homem, feito um pouco menor do que os anjos, contudo, porque o mundo que haveria de vir foi sujeito ao homem, assunto que o Espírito de Cristo falou por meio dos profetas, o Filho do Homem ocupava um lugar de honra e domínio que excedia grandemente os anjos. Não somente a divindade, mas também a humanidade de Cristo provará quão infinitamente superior é a nova dispensação em comparação àquilo que foi dado por meio da ministração de anjos.

"Pois não foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vir", o mundo para o qual o Salmo 8 aponta, o Reino do Messias, o reino dos céus sobre a terra. O salmo não fala diretamente do Messias, mas do homem e seu destino. Esse salmo, contudo, é aplicado mais legitimamente ao Messias, porque nele, o salmo e o homem encontram o cumprimento do que foi prometido.

O salmista menciona primeiramente a pequenez do homem e o fato surpreendente de Deus ter atentado para ele. "O que é o homem, que dele te lembres? Ou o filho do homem, que o visites?" Depois, passa a mostrar quão elevada é a posição que o homem ocupa; sua natureza é um pouco menos do que divina. "Fizeste-o um pouco menor que os anjos; de glória e de honra o coroaste". Foi dado ao homem um domínio universal.

"e o constituíste sobre as obras de tuas mãos. Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés". A Epístola aos Hebreus aponta como essa promessa, apesar de ainda não ter-se cumprido em relação ao homem, foi cumprida em Jesus. "Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas. Vemos, todavia, Jesus, [...] coroado de glória e de honra". O que era verdadeiro a respeito do homem em promessa, vemos cumprido em Jesus; o que vemos em Jesus será verdadeiro em relação ao homem.

Que pensamentos maravilhosos encontramos nesse salmo!

Quão glorioso é o destino do homem! Criado à imagem de Deus, o homem deveria manifestar a semelhança com Deus também neste aspecto: como rei, ele deveria governar sobre tudo. Todo o mundo que haveria de vir foi-lhe sujeito. O homem recebeu de Deus uma vida, uma natureza, um espírito capazes de participar da própria vida e Espírito de Deus. A vontade do homem e sua santidade foram criadas capazes de serem semelhantes a Deus e de ter comunhão com ele, a ponto do homem poder assentar-se no trono de Deus e compartilhar com ele o dominio sobre toda a criação. Que bendito destino!

Vemos esse destino gloriosamente cumprido em Jesus! Foi pelo fato de homem ter sido criado com uma natureza capaz de alcançar esse destino que o Filho de Deus pode tornar-se homem, e não contar como indigno de Sua glória divina o fato de tornar esse destino uma realidade. Ele veio e mostrou o que a vida do homem deveria ser, mostrou que humildade e sujeição a Deus são o caminho seguro para a glória e honra. Ele veio e glorificou uma vida de humilhação como uma escola de treinamento para a exaltação à direita de Deus. Cumprindo o destino do homem nele mesmo como Filho do Homem, Jesus, como Filho de Deus, também o cumpriu para nós.

Quão gloriosa e verdadeiramente será ainda cumprido o destino do homem! Jesus, o Filho do Homem, veio como o segundo Adão. Ele tem conosco uma relação tão próxima, tão real, tão intima como tinha Adão com Deus. Tão completa como foi a transmissão da natureza pecaminosa de Adão para nós assim será uma nova natureza concedida por meio de Jesus, por meio de Sua própria natureza. Como Filho de Deus, Criador e sustentador de todas as coisas, no qual tudo subsiste, Jesus tem o poder divino de viver em nós com tudo o que esse poder foi nele. Sua humanidade é a revelação do que podemos ser; sua divindade é a garantia de que podemos ser.

"Não vemos todas as coisas sujeitas ao homem, todavia", - e isso basta - "vemos Jesus coroado de glória e honra".

Foi por meio de sua união conosco em nossa vida na carne, pelo fato de ter-se identificado com nossa natureza, Jesus foi capaz de reivindicar, realizar e tomar posse da glória que Deus prometeu ao homem. Pelo fato de recebermos sua natureza e identificar-nos com ele nesta vida na terra e no céu, aquilo que ele realizou para nós pode tornar-se nosso de fato. Desde

o inicio de nosso estudo da Epístola aos Hebreus, apossemo-nos da verdade que o que Cristo fez por nós, como nosso líder, nosso sacerdote, nosso redentor, não é algo exterior.

Tudo o que Deus opera na natureza, no céu ou na terra, nas estrelas ou nas árvores, ele o faz desde o interior, por meio de leis que permeiam toda a sua existência. Tudo o que Adão

realizou em nós começa no interior, por meio de um poder que governa nossa vida íntima. Tudo o que Cristo faz para nós, seja como Filho de Deus ou como Filho do Homem, é também uma obra realizada em nosso interior. Quando sabemos que ele é um conosco e nós um com ele, assim como fomos com Adão, então saberemos quão verdadeiramente nosso destino

será cumprido nele. Sua unidade conosco é a garantia; nossa unidade com ele é o poder de nossa redenção.

1. Seu destino como homem é assentar-se com Jesus em seu trono. Viva como alguém que se prepara para isso. Cultive um espírito de realeza. Habite nele, e ele habitará em você.

2. "O mundo foi sujeito ao homem". Quão terrível é a ruína do pecado, que sujeitou o homem ao mundo. O rei do mundo tornou-se seu escravo exatamente no momento em que surgiu para dominar o mundo. Cristo nos ensina a vencer o mundo negando-o; ele nos ensina a mantê-lo em sujeição não fazendo parte dele. É somente no caminho da humilhação e da autonegação que o destino do homem pode ser cumprido.

3. A Epístola aos Hebreus mostra-nos duas coisas como inseparavelmente conectadas em Jesus: o lugar de glória onde ele agora está; o caminho de humilhação que o levou até esse lugar. Possa sua ocupação ser seguir Cristo em Sua humilhação; e ele fará de Sua ocupação conduzi-lo à Sua glória.

4. Estude esta epístola com o objetivo de ver a conexão íntima, entre esses dois aspectos. Deus sujeita todas as coisas no céu ao espírito que está sujeito a Ele na terra. A alma que, na humilhação

da terra, faz de Deus o seu tudo está pronta e adequada para os céus quando Deus for manifestado em glória como tudo em todos.

(comentários de hebreus por Andrew Murray)


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