domingo, 13 de agosto de 2023

Jesus Provou a Morte por Todos os Homens

 "Vemos [...] aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos os homens." (Hebreus 2:9)


Nesses versículos, encontramos a principal razão por que foi necessário que Jesus fosse feito um pouco menor que os anjos: para que provasse a morte por todos os homens. No conselho da graça divina e no grande plano de redenção, este foi um dos principais objetivos da encarnação: ele nasceu para que pudesse morrer. O Verbo, que era Deus, fez-se carne; sem esse nascimento maravilhoso, sua morte não nos traria qualquer beneficio. Sem aquele maravilhoso nascimento, sua morte não seria de qualquer proveito para nós. O que Deus uniu não o separe o homem. Tenhamos o cuidado de não exaltar o nascimento em detrimento da morte, ou vice-versa.

O nascimento e a morte são duas partes inseparáveis de um processo por meio do qual Jesus foi aperfeiçoado como o Primogênito dos mortos e tornou-se nosso libertador e rei. O fato de Jesus ter assumido a forma de homem e ter sofrido humilhação foram necessários para sua morte por cada homem ou como representante de cada homem.

Qual o significado dessa morte? Onde reside sua eficácia?

Na Escritura, a morte de Cristo como nosso cabeça nos é apresentada em dois aspectos. O primeiro é que ele morreu por causa do pecado, levando sua maldição e sofrendo a morte como o justo julgamento de Deus pelo pecado. Sua morte abriu-nos o acesso para Deus. Ele realizou para nós O que não podemos e não precisamos fazer; a salvação está consumada, temos que unicamente aceitá-la e sobre ela repousar. O outro aspecto nos diz que ele morreu para o pecado. Sua morte foi uma prova de sua resistência ao pecado e sua tentação, de sua prontidão em dar sua vida em vez de ceder ao pecado; uma prova de que não há outra maneira de estar totalmente livre da carne e de sua ligação com o pecado senão entregando a velha vida à morte, a fim de receber mais uma vez, e diretamente de Deus, uma vida inteiramente nova. Sob esse ponto de vista, a morte de Jesus foi um ato de infinito valor moral e espiritual - sua morte foi a consumação da obra de Deus, e essa obra foi realizada no aperfeiçoamento de Jesus por meio de sofrimento.

O primeiro aspecto, a morte em nosso lugar por causa do pecado, tem seu valor devido ao segundo aspecto, que revela a verdadeira natureza e poder do pecado. No entanto, a fé na morte por causa do pecado deve levar-nos à morte para o pecado. Um aspecto é o da substituição - Cristo realizando

aquilo que não sou capaz de fazer. O outro, é o da comunhão - Cristo operando em mim o que vejo nele. O primeiro é uma obra consumada e concede-me intrepidez para confiar em Deus de uma vez e para sempre. O outro aspecto é o poder de santificação à medida que a realidade da morte e da vida da obra de Cristo opera em mim.

Ambos aspectos são encontrados na Epístola aos Hebreus em perfeita harmonia. Veja quão claramente o primeiro aspecto se sobressai neste capítulo. É "por causa do sofrimento

da morte", que ele foi coroado com glória e honra. Jesus foi feito um pouco menor do que os anjos "para que pudesse experimentar a morte por todos os homens", para que pudesse beber do cálice da morte, fruto do pecado, em favor de todos.

Alguns homens morrem sem experimentar a amargura da morte; Jesus provou em medida plena de sua amargura, como a maldição do pecado. Lemos em Hebreus 2:14 e 15 que ele se tornou homem "para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo poder da morte, estavam sujeitos à escravidão". Sua morte realizou por nós aquilo que jamais poderíamos fazer, o que não precisamos mais fazer. Em Hebreus 2:17, nos é dito que o fato de Jesus ter-se tornado homem foi para que pudesse ser um Sumo Sacerdote nas coisas referentes a Deus; para fazer reconciliação pelos pecados do povo. Todas estas expressões

- sofrimento da morte, provar a morte por todos os homens, destruir o diabo, fazer reconciliação pelos pecados do povo - referem-se à obra consumada de Cristo, o fundamento seguro e eterno sobre o qual nossa fé e esperança podem repousar.

No ensinamento que segue, a epístola nos mostrará o edifício que está assentado sobre aquele fundamento, nos mostrará esse poder e vida celestiais - a abençoada proximidade e serviço a

Deus - para os quais o Sumo Sacerdote, nosso precursor e líder, leva-nos em comunhão com ele mesmo no caminho que abriu.

Todavia, é necessário iniciar aqui e colocar profundamente as raízes de nossa fé na obra que Cristo como nosso substituto realizou no Calvário. Estudemos essas palavras atentamente e recordemo-nos delas e creiamos inteiramente nestas palavras: Cristo provou a morte por todos e esvaziou o cálice; Cristo derrotou o diabo e proveu reconciliação por causa do pecado; o diabo e o pecado foram destituídos e aniquilados completamente. Libertação completa foi alcançada. Os

sofrimentos e morte de Cristo têm um valor tão imenso e são tão preciosos aos olhos de Deus que a alma que decide nada mais ter a ver com o pecado não precisa mais temer, mas pode encontrar seu Deus com intrepidez. A morte de Cristo operou com imenso poder nos céus, na terra e no inferno. Essa obra satisfez e agradou a Deus; venceu o pecado, a morte e o inferno; essa obra redimiu e libertou a humanidade. Permita que essa morte viva em seu coração; ela também realizará ali suas obras maravilhosas. E você encontrará Jesus em seu coração, o qual, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra.

1. O primeiro Adão tomou do fruto proibido e trouxe a morte para todos. O segundo Adão provou a morte e trouxe vida para todos. Para todos os que aceitam o Senhor Jesus, o poder, a habitação, a energia de vida não são menos verdadeiros e reais do que foi o poder do pecado e da morte. "Vemos Jesus, por causa do sofrimento da morte, coroado de glória e honra".

2. Jesus provou da amargura do teu pecado e morte, ó minh'alma, para que pudesses experimentar a doçura de sua vida e amor. Ó, provai e vede que o Senhor é bom.

3. "Pela graça de Deus, provou a morte por todo homem". "Onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna".


(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público)


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