"Ainda: No princípio, Senhor, lançaste os fundamentos da terra, e os céus são obra das tuas mãos;
eles perecerão; tu, porém, permaneces; sim, todos eles
envelhecerão qual veste; também qual manto os enrolarás e, como vestes, serão igualmente mudados; tu, porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim."
Hebreus 1:10-12 (Salmo 102: 26 e 27)
Vinde e ouvi mais uma vez o que a mensagem divina tem a nos dizer a respeito da glória do Filho em quem o Pai nos fala. Vinde e vede quão verdadeiramente ele é um com Deus e como ele compartilha de toda a glória de Deus. Quanto mais profundamente entendermos a verdadeira divindade de nosso
Senhor Jesus Cristo, sua perfeita unidade com Deus, mais confiantes estaremos de que ele, em um poder divino, nos fará participantes de sua obra, de sua vida, de sua habitação.
Nesses versículos, Cristo nos é apresentado como o Criador, a quem todos devem sua existência. Ele é apresentado como aquele que é eterno e imutável, de quem, quando todo o resto envelhecer e perecer, se poderá dizer: "Tu permaneces; tu és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim". No livro do profeta Isaías, Deus refere-se a si mesmo com as seguintes palavras: "Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga?" Nesta porção da Epístola aos Hebreus, vemos o Filho como o Criador Todo-Poderoso, o Eterno, o Imutável, de modo que saibamos quem é aquele por meio de quem Deus nos fala e para quem ele confiou a obra de nossa salvação.
As palavras de Hebreus 1:10 a 12 foram retiradas do Salmo 102. O leitor comum desconhece que essas palavras referem-se ao Messias e ao Filho. Mas o ensinamento do Espírito Santo capacitou o escritor da epístola a ver como a redenção é realizada unicamente por meio do Filho e como, portanto, os seguintes versículos apontam para o Filho como Redentor: "a edificação de Sião e o aparecimento do Filho em sua glória" (v.16), "o Senhor, do alto do seu santuário, desde os céus,
baixou vistas à terra, para ouvir do gemido dos cativos e a libertação dos condenados à morte" (vv. 19, 20). O que segue, então, também se refere a ele: "lançaste os fundamentos da terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permaneces". Deus é o Todo-Poderoso e eterno. Esses são os atributos daquele a quem foi confiada a nossa salvação.
Ouça, irmão! Cristo, o seu Redentor, é o Todo-Poderoso!
Deus sabia que nenhum outro senão seu Filho poderia satisfazer sua necessidade. Você, porventura, também viu que o extraordinário poder do Filho foi reivindicado e destinado para sua vida diária? Você já pensou nele como aquele que chama as coisas que não são como se fossem e cria o que de
outra forma não poderia ser criado?
Cristo, o seu Redentor, é o Eterno e o Imutável - você já o ouviu dizer: "Eu, Jeová, não mudo, por isso não sois consumidos"? Você já aprendeu a confiar nele como aquele que, a cada momento, é para você tudo o que ele é capaz de ser e que, sem variação ou sombra de mudança, manterá Sua vida em seu interior por meio de um poder que jamais acaba?
O, que você possa entender que Deus viu a necessidade de lhe falar por meio de nenhum outro, senão daquele que poderia alcançar o coração e enchê-lo com o poder de sua palavra eterna. O Filho todo-poderoso, por meio de quem Deus criou todas as coisas, que mantém e enche todas as coisas pela palavra de seu poder, esse é aquele que manterá e encherá sua vida e seu ser por meio do poder de Sua divindade. Seu Criador é o seu Redentor!
Uma das grandes causas de fraqueza e apostasia na vida cristã é o poder das circunstâncias. Frequentemente dizemos que as tentações que nos sobrevêm na posição que ocupamos, em nossa luta pela vida, que o comportamento daqueles que nos rodeiam nos afastam de Deus e são a causa de cairmos em pecado. Se tão somente crêssemos que nosso Redentor é o nosso Criador! Ele nos conhece, é ele quem determina a nossa porção; nada vem a nós senão por meio de Suas mãos. Ele tem o poder para fazer de nossas circunstâncias, independente do quão difíceis sejam, uma disciplina celestial, algo para o nosso benefício e uma bênção. Deus incluiu todas essas coisas no
plano de vida que tem para nós como nosso Redentor. Se, de fato, crêssemos nesse fato, receberíamos com grande alegria cada acontecimento em nossa vida, os receberíamos com a adoração de uma fé que louva. O meu Criador, que ordena todas as coisas, é o meu Redentor, aquele que a tudo abençoa.
Permita-me mais uma vez instar meu leitor a observar cuidadosamente a lição que o capítulo 1 da epistola nos ensina e o objetivo que tem em vista. Não pense, como eu o fiz durante muito tempo, que, pelo fato de acreditarmos firmemente na divindade de nosso salvador, esse capítulo e os textos que comprovam sua veracidade não têm uma mensagem especial para nossa vida espiritual e que podemos, portanto, passar rapidamente ao que a epístola tem a nos ensinar mais adiante.
Não! Devemos lembrar que esse é o capítulo fundamental. A divindade de Cristo é a rocha sobre a qual descansamos. Por causa de sua divindade ele realizou uma purificação verdadeira do pecado e o eliminou; por causa de sua divindade ele pode verdadeiramente transmitir-nos a vida divina e mantê-la em nós; por causa de sua divindade ele pode entrar no mais intimo de nosso ser e ali habitar. Se abrirmos nosso coração e lhe dermos tempo para que receba a verdade plenamente, então veremos que tudo o que devemos aprender da pessoa e obra de Cristo tem seu valor e poder no fato de que ele é Deus. Nosso Criador, de quem obtivemos nossa vida, somente ele pode entrar em nós e conceder-nos nova vida; é ele quem fará isso agora. Bendito seja o seu nome. Como Deus, ele é o fundamento oculto de tudo o que existe, e tem o poder para entrar em tudo e a tudo encher consigo mesmo. Cada parte de sua obra tem a natureza e o poder de uma obra divina. Se tão somente pudéssemos crer que Cristo, o Filho de Deus, é Jeová, o Eterno, o Criador, como ele poderia fazer de nossa vida interior uma evidência de seu extraordinário poder!
Paulo disse: "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor". Possa essa ser nossa atitude. O mais importante na vida cristã, a única coisa necessária, é o conhecimento de Cristo.
Não a apreensão intelectual da verdade, mas o conhecimento em nosso coração, um conhecimento vivo e experimental que procede da fé e da comunhão com ele, do amor e da obediência.
Que possamos apossar-nos disso!
1. Não podemos perscrutar Deus. Em todos os seus pensamentos acerca dele, em todos os seus esforços em conhecê-lo como revelado em Cristo, lembre-se de que o verdadeiro conhecimento de Deus está além da compreensão e da razão. Como a luz se revela aos olhos abertos, que foram criados para isso, Deus revela-se ao coração que o deseja. O ensinamento de anjos e profetas, das palavras e verdades bíblicas apontam para uma única coisa: permita que Deus, em Cristo, fale em seu coração. Então, você o conhecerá. Prostre-se em reverente adoração e adore Cristo. "Que todos os seus santos o adorem". É adoração, não estudo, que nos preparará para conhecer Cristo.
2. "Todos eles perecerão"; todos envelhecerão, assim são os seres criados - ainda que criados por Deus - com toda a experiência que adquiriram - ainda que essa experiência tenha vindo de Deus.
"Tu permaneces"; tu és o mesmo, essa é nossa segurança e alegria.
Cristo, meu Redentor, é o Imutável, para nos preparar e nos apontar para aquele falar interior do Espírito Santo no coração, o único falar que é vida e poder. Esse é o verdadeiro falar de Deus em seu Filho. Ele é sempre e em cada momento o mesmo, meu senhor e minha vida.
(Andrew Murray)
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