quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Para que Destruísse o Diabo

 "Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida."(Hebreus 2:14-15)


Os versículos 11 a 13 do capítulo 2 de Hebreus falam da unidade de Jesus com seus irmãos do ponto de vista divino: todos vêm de Um só. Nos versículos que consideraremos neste capítulo, esse fato é colocado diante de nós sob o ponto de vista humano: "Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou".

Mencionamos anteriormente que havia mais de uma razão para o fato de Cristo ter-se tornado homem. A primeira, para que, como nosso líder, ele mesmo fosse aperfeiçoado e, dessa forma, preparasse um caminho, um modo de viver, uma natureza, uma vida, na qual pudéssemos nos achegar a Deus.

A segunda razão foi para que pudesse livrar-nos do poder da morte e do diabo. A terceira é que, em sua obra por nós e em nós, ele fosse um sumo sacerdote misericordioso nas coisas pertinentes a Deus, capaz de entender-nos e compadecer-se de nós, e estivesse pronto a suportar-nos e a socorrer-nos.

Nos versículos da Epístola aos Hebreus que estudaremos neste capítulo, é considerado o segundo desses três aspectos da encarnação de Cristo: Ele tornou-se homem para que pudesse confrontar, conquistar e destruir o poder da morte e o diabo.

"Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou".

Apesar de estarmos familiarizados com a encarnação de Jesus, tentaremos novamente compreender tudo o que ela significa.

Assim como Adão jamais poderia ter-nos transmitido sua própria natureza e ter-nos colocado sob o poder do pecado e da morte se não fosse nosso pai, da mesma forma, Cristo nunca poderia salvar-nos senão tomando sobre si a nossa natureza e realizando nela tudo o que nós precisávamos fazer caso fosse possível libertar a nós mesmos, e então transmitir-nos o fruto daquilo que ele realizou como uma natureza dentro de nós para ser o poder de uma vida nova e eterna. Como uma demanda divina, sem a qual não haveria salvação, como um ato de amor e condescendência infinitos, o Filho de Deus tornou-se participante de carne e sangue. Assim, somente ele poderia ser o segundo Adão, o Pai de uma nova raça.

"Para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo". A morte é um poder sancionado pelo próprio Deus. Quando o homem deu as costas para Deus - a fonte da vida - e voltou-se para Satanás e para o eu, ele caiu sob o poder da morte. Pela própria natureza das coisas, não poderia ser de outra maneira. O homem entregou-se a Satanás, e Satanás obteve poder sobre ele. Da mesma forma que o carcereiro mantém o prisioneiro sob a autoridade do rei, Satanás mantém o pecador sob o poder da morte enquanto nenhum ato legal de libertação for declarado. A única maneira de sairmos de debaixo do poder de Satanás e da morte foi desvestir-nos daquela natureza caída sobre a qual eles tinham poder, sair daquela vida pecaminosa morrendo para ela e, ao morrer, ser inteiramente libertado dela. Nós não tínhamos poder para realizar isso. Jesus assumiu todas as condições de nossa humanidade caída. Ele entrou em nossa morte e a suportou como a penalidade do pecado e, ao suportá-la, cumpriu a lei de Deus. Então, porque a lei havia sido a força do pecado, ele tomou do pecado e do diabo o poder de morte que ambos tinham sobre nós. Ele suportou a morte como o fim da vida da carne, reconhecendo plenamente o julgamento justo de Deus, entregando seu espírito para o Pai. A morte, como a penalidade da lei, a morte como o fim da vida natural, a morte como o poder de Satanás sobre o homem, foi destruída, e aquele que tinha o poder da morte foi destituído. E agora, o mesmo direito ou poder que a morte tem sobre Jesus ela também tem sobre aqueles que estão nele, naqueles em quem o poder de Sua vida agora opera. "Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo".

"E livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida". O poder da morte e o diabo foram destruídos tão completamente que há agora perfeita libertação daquele pavor da morte que mantém tantos sob escravidão. No Antigo Testamento, vida e imortalidade ainda não haviam sido trazidas plenamente à luz. Não é de admirar que os antigos santos frequentemente viviam e falavam como aqueles que viviam sob escravidão. Que triste o fato dos redimidos de Jesus Cristo, seus irmãos, tão frequentemente demonstrarem que conhecem muito pouco essa realidade e o poder de Sua libertação, ou do cântico de alegria: "A morte foi tragada pela vitória. Graças a Deus que nos concede a vitória por intermédio de Jesus Cristo nosso Senhor".

Meu irmão, você vive na experiência plena dessa bendita verdade? Porque você compartilha de carne e sangue, Cristo veio e também disso participou para que houvesse unidade perfeita entre ele e você. Você vive nessa unidade? Por meio de sua morte, ele destruiu o diabo para que você fosse inteiramente liberto de seu poder. Você goza dessa liberdade em sua vida? Ele liberta do pavor da morte e da escravidão dela decorrente, transformando-a na alegria da esperança da glória. É essa alegria sua porção? Devemos crer que Aquele, que agora está coroado de glória e honra, é de fato capaz de fazer tudo isso uma realidade em nós, de forma que, como aqueles que são um com ele por meio da ligação dupla do nascimento de Deus e do nascimento em carne e sangue, possamos ser seus resgatados, os seus santificados, seus irmãos amados.

Jesus entregou a si mesmo para ser inteiramente como nós e para nós, não devemos nós também entregar-nos para sermos completamente como ele e para ele?

1. "Por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte". A morte tinha seu poder por meio da lei. Não havia modo de vencê-la, senão cumprindo sua exigência completamente. Pela morte, Jesus

destruiu a morte. Esse é o caminho para nós também. Quando me entrego para a morte, quando desisto da vida pecaminosa e morro para o eu no poder da morte de Cristo, o poder de sua libertação

operará em mim.

2. "Por meio da morte para a vida". Essa é a lei da natureza presente em cada grão de trigo. Essa é a lei da vida de Cristo presente em sua ressurreição. Essa é a lei da vida de fé, para ser sentida e experimentada cada dia, como o poder da nova morte que Cristo morreu, e a nova vida que ele vive e opera em nós.

3. O primeiro capítulo da Epístola aos Hebreus revelou-nos a divindade de Cristo como o fundamento do evangelho, para que saibamos que tudo o que ele conquistou em sua humanidade foi

efetivado na realidade divina e opera em nós em poder criador divino.



(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: obra em domínio público)


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vitória

  "Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água ...