sábado, 9 de setembro de 2023

Ouvir a Voz de Deus

 Não Falhar em Entrar no Descanso de Deus

Ouvir a Voz de Deus


"Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto, onde os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras por quarenta anos. Por isso, me

indignei com essa geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos.

Assim, jurei na minha ira, não entrarão no meu descanso." (Hebreus 3:7-11)


O escritor da Epístola aos Hebreus tem uma impressão tão profunda a respeito da condição degradada e perigosa na qual os hebreus se encontravam que, havendo mencionado o nome de Moisés, ele faz uma longa digressão para adverti-los a não serem como seus pais e se endurecerem contra Aquele que é muito superior a Moisés. Ele cita uma passagem do Salmo 95 onde Deus fala de Israel no deserto, que endureceu seu coração contra ele a tal ponto que Deus jurou que não entrariam em seu descanso. As palavras citadas apontam primeiramente para o grande privilégio do povo de Deus - ouvir a Sua voz; depois, para seu grande perigo - endurecer o coração para a voz de Deus. Essas palavras de advertência não são proferidas para o judeu descrente, mas para os hebreus cristãos. Os cristãos de hoje também precisam dessas palavras. Prestemos dobrada atenção a estas palavras: "Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração".

Quando Deus falou para Israel, Seu primeiro pedido foi um coração que não endurecesse, mas que, em mansidão e suavidade, em ternura e doçura, se voltasse para a sua voz.

Muito mais hoje Deus nos pedirá isso, considerando que agora ele nos fala em seu Filho! Da mesma forma como o solo deve ser partido pelo arado e amolecido pela chuva, assim um espírito quebrantado e terno é o primeiro requisito para receber bênção da palavra de Deus ou tornar-se verdadeiramente participante da graça de Deus. No livro de Isaías, nos é dito: "Mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha Palavra". Quando existe essa disposição, e o coração sedento verdadeiramente aguarda o ensino divino, e o ouvido circuncidado abre-se para recebê-lo, a voz de Deus trará vida e bênção genuínas, e será o poder de uma comunhão viva com Deus. Onde isso faltar, a palavra permanece infrutífera e nós retrocedemos independente de quanto nossa mente e lábios estejam cheios da verdade bíblica.

"Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração".

Não é difícil enumerar o que endurece os corações. A semente semeada à beira do caminho não pôde penetrar no solo porque foi pisada pelos que por ali passavam. Quando o mundo, com seus negócios e interesses, tem passagem livre em nós, o coração perde sua ternura e brandura. Quando colocamos demasiada confiança no intelecto e não somos

suficientemente cuidadosos em receber cada palavra como vinda de Deus em nosso coração, quando não permitimos que cada palavra influencie a vida e os afetos do coração, o coração se fecha para a voz viva de Deus. A mente se satisfaz com pensamentos bonitos e sentimentos agradáveis, mas o coração não ouve a Deus. Quando estamos secretamente satisfeitos com nossa religião, nossa sã doutrina e vida cristã, inconsciente,

mas seguramente, o coração fica endurecido. Quando nossa vida não procura acompanhar nosso conhecimento e temos mais prazer em ouvir e conhecer do que em obedecer e fazer, perdemos completamente a mansidão para a qual é dada a promessa. Entre todas as formas aprazíveis de piedade, o coração torna-se muito duro para discernir a voz do Espírito.

Acima de tudo, quando permitimos que a incredulidade, que anda pela vista e olha sob a luz deste mundo para si mesma e para tudo o que a rodeia, quando essa incredulidade encontra um caminho em nós e a alma não busca com a fé como de uma criança viver no invisível, como revelado na Palavra de Deus, o coração fica tão endurecido que a palavra de Deus jamais pode penetrar nele. Sim, esse pensamento é indescritivelmente

grave e solene. Alguém cuja mente está ocupada com a verdade religiosa, cujos sentimentos são às vezes agitados e movidos pela voz e palavras dos homens e cuja vida é aparentemente entregue a obras religiosas pode estar com o coração fechado para o relacionamento humilde, direto com Deus e pode desconhecer todas as bênçãos que a palavra viva pode trazer.

"Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração".

Possam todos os que procuram as bênçãos contidas nesta epistola ter o cuidado de não estudá-la simplesmente como um tratado inspirado a respeito das coisas divinas. Possa esta epistola ser uma mensagem pessoal, a voz de Deus falando-nos em seu Filho. Que sob um sentimento do mistério espiritual que há em toda verdade divina, e a impotência da mente humana de apreender corretamente as coisas espirituais, possamos abrir nosso coração em grande mansidão e doçura para esperar em Deus. A religião como um todo e a salvação como um todo consistem no estado do coração. Deus nada pode fazer para nós no sentido de transmitir as bênçãos da redenção, senão como ele o faz: no coração. Nosso conhecimento das palavras de Deus de nada servirá se nosso coração não estiver aberto para recebê-lo a fim de que ele mesmo cumpra suas palavras em nós. Seja nosso primeiro cuidado ter um coração manso e humilde, que espera nele. Deus fala em seu Filho, para o coração e no coração. A voz e o Filho de Deus devem ser recebidos no coração. A voz e a palavra de alguém têm peso para nós na mesma medida que estimamos aquele que nos fala. Quando entendermos a glória e a majestade de Deus, sua santidade e perfeição, seu amor e ternura, estaremos prontos para sacrificar tudo a fim de ouvir o que ele fala e de receber o que ele dá. Abdicaremos de todo o mundo ao nosso redor, de todo o mundo dentro de nós, para estar em silêncio e ouvir a voz do Ser divino falando-nos no Filho de seu amor.

1. Salvação será encontrada em Deus falando comigo em seu

Filho e em meu coração abrindo-se para ouvir sua voz. Seu falar não é somente para conceder salvação como um meio para um fim, para algo diferente e mais elevado. Não. Seu falar dá e é salvação, a revelação de si mesmo para minha alma. Possa minha vida estar inteiramente ocupada em ouvir atentamente com um espírito manso e terno.

2. O Senhor abriu o coração de Lídia para ouvir atentamente o que estava sendo falado. Necessitamos disso. O próprio Deus atrairá nosso coração, o separará e o abrirá para que ouça atentamente. Roguemos sinceramente que ele realize essa obra.

3. Nada é maior impedimento para ouvir a voz de Deus do que abrir o coração demasiadamente para outras vozes. Um coração demasiadamente interessado nas notícias, na literatura, na sociedade deste mundo não pode ouvir a voz divina. É necessário quietude, concentração, retirar-se para dar a Deus a atenção que ele requer.



(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público)

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vitória

  "Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água ...