"Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que desde o princípio tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação." (Hebreus 3:14-15)
No capítulo anterior, foram-nos apresentados os dois aspectos da unidade do Senhor Jesus com seu povo. No aspecto divino, eles são um, pois "tanto o que santifica como os que são santificados todos vêm de um só", de Deus. Por essa razão, ele os chama irmãos. No aspecto humano, eles são um porque Jesus tornou-se homem e tomou sobre si a nossa natureza.
"Visto, pois, que os filhos têm participação de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou". Nesse versículo, temos a mesma palavra que é empregada em Hebreus 3:14.
Da mesma forma que Cristo tornou-se participante de carne e sangue, nós nos tornamos participantes de Cristo. Ao participar conosco de carne e sangue, Cristo entrou em perfeita comunhão conosco em tudo o que éramos; nossa vida e nossa morte tornaram-se Suas. Quando nos tornamos participantes de Cristo, entramos em comunhão perfeita com ele em tudo o que ele foi e é; sua morte e vida tornam-se nossas.
"Nos tornamos participantes de Cristo"! Que mistério tremendo! Que precioso tesouro! Que maravilhosa bênção! O objetivo da Epístola aos Hebreus é mostrar-nos o que há em
Cristo, do qual nos tornamos participantes, e o que ele pode fazer por nós. Mas aqui, no início, entre palavras necessárias de repreensão contra dar lugar à negligência ou à incredulidade, os crentes são lembrados de sua porção e daquilo que possuem: eles "tornaram-se participantes de Cristo". Quando ouvimos o ensinamento da Escritura de que Cristo é nosso Sumo Sacerdote, sempre corremos o perigo de considerá-lo como uma pessoa fora de nós, e de considerarmos sua obra como algo que é realizado a nosso favor exteriormente no céu.
Estas preciosas palavras nos lembram que nossa salvação consiste no fato de termos Jesus, em ser uma vida com ele, em tê-lo como nosso. Cristo nada pode fazer por nós senão no papel de um salvador interior, ele mesmo sendo nossa vida, habitando e agindo pessoalmente em nós. Cristo identificou-se plena e eternamente com o homem e sua natureza quando tornou-se participante de carne e sangue de forma que ele e o homem tornaram-se inseparáveis, unidos em uma vida. Da mesma forma, quando nos tornamos participantes de Cristo, certamente nos tornamos indissoluvelmente identificados com ele. Uma vez que Cristo tornou-se participante de carne e sangue, ele é conhecido, e o será por toda a eternidade, mesmo sobre o trono, como o Filho do Homem. Igualmente nós, quando nos tornamos verdadeiramente participantes de Cristo, seremos conhecidos, mesmo agora e por toda a eternidade, como um com Cristo no trono de glória. Ó, que possamos conhecer-nos como Deus nos conhece - participantes de Cristo!
Deus deseja uma só coisa. Ao estabelecer seu Filho unigênito como o único caminho de acesso possível até ele, Deus não pode ter prazer ou comunhão com nada onde a semelhança de seu Filho não possa ser vista. Não podemos receber o favor de Deus ou sermos causa de seu prazer além daquilo que ele vê de Cristo em nós. Deus nos chamou para a comunhão de seu Filho e nos tornou participantes de tudo o que há em Cristo - a filiação, e o amor, e o Espírito do Pai -, vivamos, pois, de forma digna de nosso privilégio, vivamos como pessoas que são e se tornaram participantes de Cristo! Quão imensuráveis são as riquezas de Sua graça!
E como podemos ter plena certeza de que isso é verdade, e sempre regozijar-nos no conhecimento abençoado de tudo o que isso implica? Exatamente como mencionamos anteriormente, quando nossa bendita relação com Cristo foi demonstrada sob outro aspecto, ou seja, nós somos sua casa, "se guardarmos firme até o fim a ousadia e a exultação da esperança". Assim, temos a resposta mais uma vez: "nos tornamos participantes de Cristo "se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que desde o princípio tivemos".
A confiança que desde o princípio tivemos deve ser guardada firmemente. Não devemos, como muitos pensam, começar com fé e continuar com obras. Não! A confiança com a qual iniciamos deve ser mantida firmemente até ao fim.
Devemos ser capazes de ver que, nos tornarmos participantes de Cristo inclui tudo. Assim como no princípio, também da mesma forma e em todo o caminho até ao fim, podemos receber de Cristo somente por meio da fé e segundo a nossa fé.
Nossas obras de nada servirão se não recebermos o poder de Cristo unicamente por meio da fé. Deus nada opera senão por meio de Cristo, e é na mesma medida em que vivemos pela fé nas riquezas que são nossas em Cristo que Deus pode operar em nós tudo o que nele há para nós. É por meio dessa fé que Deus pode operar todas as nossas obras para nós e em nós.
"Pois nos temos tornado"- observe que não diz "nos tornaremos", mas, nos temos tornado, nos tornamos "participantes de Cristo se, de fato, guardarmos firmes, até ao fim". Nossa perseverança será o selo de nossa participação de Cristo. A fé que, em nossa conversão, possibilitou-nos saber instantaneamente que temos Cristo, essa fé cresce mais clara, mais brilhante e mais poderosamente eficaz abrindo os tesouros de Cristo à medida que a guardamos firme até ao fim. Uma fé perseverante é a testemunha de que temos Cristo, porque, por meio dela, Cristo exerce seu poder de guardar e aperfeiçoar.
Irmão, você deseja desfrutar da plena segurança e plena experiência de ser participante de Cristo? Isso somente pode ser encontrado em uma comunhão viva e diária com Cristo.
Cristo é uma pessoa viva, ele somente pode ser conhecido e somente podemos desfrutar de sua pessoa por meio de um relacionamento vivo e pessoal com ele. Cristo é meu líder, devo apegar-me a ele, devo seguir sua condução. Cristo é meu Sumo Sacerdote, devo permitir que ele me leve até a presença de Deus. Cristo é o Filho do Deus vivo, nossa vida, devo viver sua vida. Eu sou sua casa, somente posso conhecê-lo como Filho em sua casa à medida que me entrego para ser sua habitação.
Mas, somente por meio da fé, teremos tudo isso e nos tornaremos participantes de Cristo "se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que desde o princípio tivemos".
Inicie cada dia e enfrente cada dificuldade com a renovação da confiança que você colocou em Jesus quando veio até ele pela primeira vez: com uma glória que brilha para o dia perfeito, você conhecerá que bênção ilimitada é ser participante de Cristo.
1. Quando Cristo tornou-se participante da natureza humana, ele o fez tão completamente que todos podiam ver e reconhecer.
Eu tornei-me participante de Cristo. Que eu possa identificar-me de tal forma com ele que toda minha vida seja marcada por isso.
Assim, todos poderão ver e saber que eu sou um participante de Jesus Cristo.
2. Como Cristo tornou-se participante de nossa natureza?
Ele abandonou sua própria condição de vida, abandonou tudo e
entrou em nossa condição de vida. Como eu me torno participante
de Cristo? Saindo de minha condição de vida, abandonando tudo, entregando-me completamente para pertencer a Jesus e viver sua vida.
3. "se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que desde o princípio tivemos". Cristo manteve até ao fim sua entrega para ser Homem, mesmo até a morte. Possamos manter nossa entrega para Cristo, viver uma vida com Cristo, a qualquer custo.
4. Somos participantes de Cristo, de sua vida, de suas capacidades como homem, de sua mansidão e humildade de coração, participantes de um Cristo vivo, o qual viverá sua vida em mim.
(Por Andrew Murray - fragmento de "The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews": em domínio público - tradução livre)
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