quinta-feira, 12 de outubro de 2023

O Sumo Sacerdote Salva Os Que Lhe Obedecem

 "embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem." (Hebreus 5:8-9)


A morte de Jesus tem seu valor e eficácia na obediência, tanto na nossa quanto na Sua obediência. O grande objetivo de Deus em relação ao sofrimento do Senhor foi a obediência.

Obediência foi a raiz e o poder de sua perfeição e glória.

Obediência é a verdadeira causa eficiente de nossa salvação eterna. No que concerne a nós, a necessidade de obediência não é menos absoluta. Para Deus e para Cristo, nossa restauração

à obediência foi o grande objetivo da redenção. Obediência é o único caminho para a união com Deus, na qual reside nossa felicidade. Somente por meio da obediência Deus pode revelar sua vida e poder dentro de nós. Novamente repito que a morte de Jesus tem seu valor e eficácia em nada mais senão na obediência, tanto na nossa como na do Senhor. Ele aprendeu a obediência, e tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna, para todos os que lhe obedecem. Nossa obediência é tão indispensável quanto a dele. Assim como o Senhor não poderia realizar a salvação sem obediência, também nós não podemos desfrutar dessa salvação senão por meio da obediência. A obediência é a própria essência da salvação.

Tentemos entender essa questão. Deus é a bênção do ser humano. Quando Deus é tudo para alguém, quando essa pessoa, em humildade e dependência, permite que Deus

opere tudo, e quando tudo retorna para ele em ações de graça e serviço, nada pode impedir que a plenitude do amor e do gozo de Deus entre e encha essa alma. Essa pessoa deve fazer uma coisa somente: levar seu desejo ou vontade até Deus e conceder-lhe plena liberdade para agir. E nada, nem no céu nem sobre a terra, poderá impedir que a luz e o gozo de Deus encha aquela alma. A vontade de Deus é o centro vivo ao redor do qual se concentram todas as perfeições divinas, é a energia viva por meio da qual todas elas realizam sua obra. A vontade de Deus é a vida do universo; as coisas que existem são como são porque essa é a vontade de Deus; sua vontade é a energia

viva que mantém o universo. Um homem não pode ter mais de Deus além daquilo que possui da vontade de Deus nele operando. Aquele que deseja encontrar Deus deve buscá-lo em Sua vontade; a união com a vontade de Deus é a união com o próprio Deus. Portanto, essa foi a razão por que o Senhor Jesus disse que havia vindo para uma coisa - fazer a vontade de seu Pai. Somente isso poderia realizar nossa salvação. O pecado afastou-nos da vontade de Deus. Ao fazer a vontade de Deus, Jesus destruiria o poder do pecado. Ele deveria provar no que consistem o serviço de Deus e a verdadeira bênção. Deus deveria construir nele uma nova natureza para ser transmitida, um novo modo de viver para ser seguido; Ele deveria mostrar que fazer a vontade de Deus a qualquer custo é bênção e glória eterna. Foi pelo fato de Jesus ter sido obediente até a morte que Deus o exaltou sobremaneira. Foi essa capacidade, sua obediência que o tornou digno e adequado para assentar-se

com Deus no trono do céu. União com a vontade de Deus é união com o próprio Deus, e deve trazer glória para Deus; não pode ser de outra forma.

E isso é tão verdadeiro a nosso respeito como foi com o Senhor. Devemos temer pelo fato de haver tantos cristãos que procuram salvação e não entendem no que consiste a salvação, ou seja, ser salvo de sua própria vontade e ser restaurado para fazer somente a vontade de Deus. Eles buscam Cristo e confiam nele, mas esse não é o Cristo verdadeiro, senão um Cristo que eles mesmos criaram em sua imaginação. O verdadeiro Cristo é a vontade de Deus encarnada, a obediência encarnada, que opera em nós aquilo que Deus fez nele. Cristo veio como o Filho, para transmitir-nos a mesma vida e capacidade que o vitalizou na terra. Cristo veio para ser um Sumo Sacerdote, para levar-nos até Deus naquele mesmo caminho de obediência e auto sacrificio por meio dos quais ele achegou-se a Deus. Como Filho e Sacerdote, Cristo é nosso líder e precursor; é somente quando o seguimos em seu caminho na terra que podemos ter a expectativa de compartilhar de sua glória no céu. Ele aprendeu a obediência e tornou-se o Autor da salvação eterna, para todos os que lhe obedecem.

Atentemos para que nenhuma visão equivocada ou parcial a respeito da salvação pela fé nos afastem da verdade. Há alguns que pensam que salvação pela fé é tudo e que obediência não é tão essencial. Esse é um terrível equívoco. Na verdade, em nossa justificação, não há qualquer pensamento em

relação à obediência no passado. Deus justificou os ímpios.

Todavia, arrependimento é um retorno à obediência. E, sem arrependimento, não pode haver fé verdadeira. Justificação e fé, por meio da qual somos justificados, somente existem por causa da obediência, são um meio para alcançar um fim.

Elas apontam Cristo e para a salvação que será encontrada na união com ele. Ele não tem qualquer salvação para oferecer senão para aqueles que lhe obedecem. Obediência, assim como a aceitação da vontade e vida de Jesus, é nossa única possibilidade de salvação. Essa é a razão por que tantas pessoas se queixam que não conseguem encontrar nem desfrutar de uma salvação plena. Nós a procuramos de forma errada. O próprio Jesus disse que o Pai nos daria o Espírito Santo, ou seja, salvação como foi aperfeiçoada em Cristo no céu, para aqueles que lhe obedecem. Para os tais, ele se manifestaria, com os tais ele e o Pai fariam habitação. A salvação de Cristo foi realizada inteiramente por meio da obediência; obediência é a própria essência e natureza da salvação; não é possível obter salvação nem dela desfrutar senão por meio da obediência.

Cristo, que foi aperfeiçoado por meio da obediência, é o Autor da salvação unicamente para os que lhe obedecem.

Concede-nos Deus que a obediência de Jesus juntamente com a humildade em que está enraizada seja vista em nós e seja a beleza que coroa seu caráter, o verdadeiro poder de sua redenção, o elo de união e semelhança entre ele e seus seguidores, a verdadeira e real salvação, na salvação que ele

concede àqueles que lhe obedecem.

1. Salvação para obediência. Tiremos nossos olhos e desejo daquele pensamento que concebe salvação como felicidade, e coloquemos nossos olhos sobre a realidade da salvação: a obediência. Cristo providenciará que uma salvação plena chegue até os que são obedientes.

2. Que nenhum pensamento a respeito de nossa pecaminosidade e incapacidade seja um impedimento secreto de nossa entrega à completa obediência. Somos feitos participantes de Cristo, dele mesmo, com a própria vida e espírito de obediência que o constituem Salvador. O Filho de Deus não veio somente para ensinar e para exigir, mas para dar e operar obediência. Podemos

reivindicar fé nesse Senhor Jesus e receberemos a graça para obedecer, receberemos ele mesmo.

3. Jesus aprendeu e exercitou a obediência pessoalmente; Jesus a transmite pessoalmente por meio da comunhão com ele; a obediência torna-se uma ligação pessoal com ele para aqueles que lhe obedecem.



(Por Andrew Murray - fragmento de "The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews": em domínio público - tradução livre)


FONTE: https://library.mibckerala.org/lms_frame/eBook/The%20Holiest%20of%20All%20-%20Andrew%20Murray.pdf


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