Leituras: Colossenses 1:15–20; João 1:14–18; João 14:7–11; Hebreus 1:1–3
«"Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação."
(Colossenses 1:15)»
Ao iniciar a parte central da epístola aos colossenses, Paulo conduz imediatamente nossos olhos à supremacia de Cristo. Antes de tratar da reconciliação, da Igreja ou da vida prática do cristão, ele contempla a Pessoa do Filho. Essa é a ordem do Espírito Santo. Toda verdadeira experiência espiritual começa com uma visão mais elevada de Cristo.
O homem sempre procurou alcançar Deus por seus próprios caminhos. A religião tenta aproximar-se dEle por meio de ritos e esforços. A filosofia procura compreendê-Lo pela razão. O misticismo busca experiências extraordinárias. Mas Deus escolheu revelar-Se de uma maneira completamente diferente: dando-nos Seu próprio Filho.
O Deus eterno é invisível. Nenhum homem jamais contemplou Sua essência. Ele habita em luz inacessível, infinitamente acima da compreensão humana. Ainda assim, Seu desejo nunca foi permanecer oculto. Desde a eternidade, o propósito do Pai foi tornar-Se conhecido, trazendo o homem à comunhão consigo.
Por isso, o Verbo Se fez carne.
Cristo não veio apenas transmitir ensinamentos sobre Deus. Ele veio revelar o próprio Deus. Tudo o que o Pai é manifesta-se perfeitamente no Filho. Seu amor, Sua santidade, Sua justiça, Sua misericórdia, Sua verdade e Sua graça encontram expressão plena na vida do Senhor Jesus.
João declara:
«"Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou."
(João 1:18)»
Toda a revelação divina converge para Cristo. Quem deseja conhecer o coração do Pai deve olhar para o Filho. Em cada palavra pronunciada por Jesus, ouvimos a voz de Deus. Em cada gesto de compaixão, contemplamos o amor do Pai. Em Sua obediência perfeita, vemos a santidade divina. Em Sua entrega na cruz, conhecemos a profundidade da graça.
Essa verdade alcança seu ápice quando Filipe pede:
«"Senhor, mostra-nos o Pai."»
E Jesus responde:
«"Quem me vê a mim vê o Pai."
(João 14:9)»
Poucas declarações são tão profundas quanto essa. Deus tornou-Se plenamente conhecido em Cristo. Não há revelação maior nem mais completa. Tudo quanto Deus deseja comunicar ao homem foi revelado em Seu Filho. Fora dEle, permanecem apenas sombras; nEle, encontramos a realidade.
O autor de Hebreus confirma essa mesma verdade ao afirmar que o Filho é "o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser" (Hebreus 1:3). Cristo não apenas representa Deus; Ele O manifesta perfeitamente. Nele, o invisível tornou-se visível, e o eterno entrou na história para que o homem pudesse conhecer o Pai.
T. Austin-Sparks insistia que toda a obra do Espírito Santo possui um único objetivo: revelar Cristo de maneira cada vez mais profunda ao coração dos filhos de Deus. O Espírito nunca ocupa o centro; Ele sempre dirige nosso olhar para o Filho. Quanto mais contemplamos Cristo, mais conhecemos o Pai e mais somos transformados.
Essa contemplação, porém, não é mera atividade intelectual. O propósito de Deus não é formar especialistas em doutrina, mas filhos conformados à imagem de Seu Primogênito. A revelação sempre conduz à transformação. A mesma glória que contemplamos é a glória que o Espírito deseja reproduzir em nós.
Andrew Murray escreveu que a vida cristã consiste em permitir que Cristo viva Sua própria vida em nós. Não basta admirar Sua perfeição; é necessário permanecer nEle para que Seu caráter seja formado em nosso interior. Essa é a obra silenciosa do Espírito: gravar a imagem do Filho no coração daqueles que caminham em comunhão com Ele.
Cristo não é apenas o Salvador que perdoa pecados. Ele é a imagem perfeita do Deus invisível, a Cabeça da Igreja, o centro do propósito eterno e a própria vida do Seu povo.
Quanto mais contemplamos Sua glória, mais conhecemos o Pai. E quanto mais O conhecemos, mais o Espírito nos conforma à imagem daquele que revelou perfeitamente o Deus invisível.
Senhor, nós Te bendizemos porque não permaneceste oculto em Tua majestade, mas Te revelaste plenamente em Teu amado Filho. Guarda-nos de um conhecimento apenas intelectual e conduz-nos a uma contemplação viva de Cristo. Abre os olhos do nosso coração para vermos Sua glória, Sua suficiência e Sua absoluta preeminência. Que o Teu Espírito forme em nós a imagem do Filho, para que nossa vida manifeste o caráter de Cristo e toda a glória seja dada ao Pai. Em nome de Jesus. Amém.
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