domingo, 23 de agosto de 2026

Como morrendo, e eis que vivemos

 Como morrendo, e eis que vivemos. (2 Co 6.9.) 

 No verão passado tínhamos um canteiro de margaridas, na 

chácara, que atravessava o jardim. Foram plantadas com atraso, mas 

como floresceram! Quando as do meio já estavam com sementes, dos 

lados havia ainda florinhas recém-abertas. Chegaram as primeiras 

geadas, e um dia encontrei aquela radiosa beleza completamente 

queimada. Exclamei: "Ah, o frio foi demasiado para elas. Pobrezinhas, 

pereceram"; e dei-lhes adeus. 

 Eu não gostava de olhar para aquele canteiro, pois ele me parecia 

um cemitério de flores. Mas há umas quatro semanas, um de meus 

jardineiros chamou a minha atenção: por toda a extensão daquele 

canteiro havia margaridas brotando em grande abundância. Olhei, e, para 

cada planta que eu julgara destruída pelo inverno, havia cinqüenta 

plantas novas, plantadas pelo mesmo inverno. O que haviam feito 

aquelas geadas e ventos impertinentes? 

 Tomaram minhas flores, deram-lhes um golpe mortal, derrubaramnas ao solo, pisaram-nas com seus tacões de gelo e, terminado o 

trabalho, disseram: "Aí está o seu fim." Mas na primavera havia, para 

cada raiz, cinqüenta testemunhas para se levantarem e dizerem: "Pela 

morte vivemos." 

 E como é no domínio das flores, assim é no reino de Deus. Pela 

morte veio a vida eterna. Pela crucificação e o túmulo vieram o trono e o 

palácio do Deus eterno. Pela ruína veio a vitória. 

 Não tenha medo do sofrimento. Não tenha medo de ser 

derrubado. É através de sermos abatidos mas não destruídos, é através de sermos despedaçados e os pedaços feitos em pó, que nos tornamos 

homens valorosos, em que um vale por mil. Mas o homem que cede à 

aparência das coisas e vai com o mundo, tem um florescimento rápido, 

uma prosperidade momentânea, e então o seu fim, que é fim para 

sempre. — Beecher


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