domingo, 21 de setembro de 2025

Que mais tenho eu

 Que mais tenho eu...? 


"Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra" (Salmo 73:25). 


Apesar de ser necessário contemplar toda a vida de Abraão para compor a plenitude dessa sublime comunhão, acredito que tudo se consumou naquele incidente, o chamado para oferecer o seu filho Isaque. Apenas pense no que aquilo realmente representou no que dizia respeito a Abraão. Naquele momento Abraão deve ter se perguntado: 'Não foi Deus o havia conduzido para fora de Ur? Deus não lhe havia prometido um filho? Então, será que Ele deixou de cumprir Sua promessa?' Deus não havia atrelado toda a vida de Abraão àquela promessa e àquele filho? Se Isaque não mais existisse, então sua fé seria vã e nada mais lhe restaria. Deus teria falhado com ele, e sua vida teria sido um fracasso. 


Então: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas… oferece-o” (Gênesis 22:2). Não podemos exagerar na seriedade da crise na qual Abraão entrou. Foi algo tremendo para ele! Deve ter levantado questionamentos de que tipo de Deus era Deus, ou quem era esse Deus a quem ele tinha dado sua vida, e tantas outras perguntas e insinuações. Todo o seu direcionamento, consagração, longos anos de espera e dores de parto, sua obediência fiel - tudo, como um sopro, parecia estar perdido. Sobreviver a isso, e mais ainda, passar por isso em triunfo, é explicar o que amizade representa para Deus. Sim, esse é o sentido da amizade. 


Finalmente, foi provado que Abraão estava ligado a muito mais do que Isaque, porque estava ligado a Deus. ‘Muito bem’, disse Abraão. ‘Tudo parecia centrado em Isaque, mas se Isaque for, ainda tenho a Deus’. 


Com o que nossa vida está ligada? Coisas? Trabalho? O que será? Seremos provados para saber se é o Senhor que tem nossos corações. Se Ele tiver, não iremos lutar pelos nossos próprios caminhos, objetivos, interesses e ideais, mesmo na obra de Deus. É o Senhor que precisa ter a preeminência sobre todas as coisas, e sobre nós. Isaque personificava essa posição de Abraão. 


Oh, cuidem para que seu coração seja assim para com o seu Senhor! Se for, terão a base para prosseguir para esse fim glorioso: ‘Meu amigo, meu amigo’. 


Será que isso é algo que vale a pena? Certamente que sim, pois finalmente o Senhor nos dirá: ‘Entre, meu amigo’. 


-- extratos selecionados do texto de T. Austin-Sparks (Amizade com Deus).


O Tecelão (tradução livre)

 


Minha vida não passa de uma trama

Entre meu Deus e eu. 


Não posso escolher as cores

Que Ele tece constantemente. 


Muitas vezes Ele tece tristeza;

E eu, em tolo orgulho,

Esqueço que Ele vê o lado certo,

E eu, apenas o avesso.



Somente quando o tear estiver em silêncio

E as lançadeiras deixarem de voar,

Deus desenrolará a tela

E revelará a razão de tudo. 


 

Os fios escuros são tão necessários

Nas mãos habilidosas do tecelão,

Quanto os fios de ouro e prata

No padrão que Ele planejou. 


 

Ele sabe, Ele ama, Ele se importa;

Nada esta verdade pode ofuscar. 


Ele dá o melhor àqueles

Que deixam a escolha para Ele. 


-- Grant Colfax Tullar (1869-1950)



"Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas." 


-- Salomão (Provérbios 3:5,6)


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

LIÇÕES DE ZACARIAS

 

“Então, perguntou Zacarias ao anjo: Como saberei isto? Pois eu sou velho, e minha mulher, avançada em dias. Respondeu-lhe o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para falar-te e trazer-te estas boas-novas. Todavia, ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas venham a realizar-se; porquanto não acreditaste nas minhas palavras, as quais, a seu tempo, se cumprirão” (Lucas 1:18-20).


Não devemos viver em busca do bom, de algo a mais, de mais luz, mas devemos ambicionar estar com o Senhor pelo Seu pleno, completo e final propósito. O nosso perigo é olhar para o que é muito bom e que tem uma bênção do Senhor, e nos acomodarmos ali. O Senhor nos mostra, pela Sua Palavra, que tem algo mais por vir, e nunca foi do feitio do Senhor conduzir Seu povo a se acomodar com menos do que o Seu pleno propósito.


Deus mostrou que queria dar um novo passo em direção ao Seu Filho, quando enviou o anjo até Zacarias. Aquele que iria nascer iria “habilitar para o Senhor um povo preparado”. Será que o sistema vigente não possibilitava isso? João Batista deveria entrar em cena. Mas os meios de Deus traziam à Zacarias questionamentos, porque não se apoiavam na sua capacidade natural, na qual ele podia confiar. Zacarias analisou a palavra com base em sua capacidade pessoal (dele e de Isabel). Mas como Deus é diferente de nós!


O orgulho é também um obstáculo para Deus – e enquanto ele existir, não teremos habilidade para testemunhar, ficaremos mudos. A obra de Deus começa nEle, como aconteceu com João (Jo 1:6).


O nome João deixa isso claro “Favor de Deus”. Esse é o início de algo – feito pelo próprio Deus – o termo “Favor de Deus” traz sua essência.


Precisamos estar em linha com o pleno propósito de Deus, mesmo sem entender totalmente, e mesmo que Ele esteja muito além de nós e de nossos recursos naturais. Podemos não ver na linha natural nenhuma esperança ou prospecto que possa apoia nossa fé, mas, se Deus disse que deseja fazer algo, e se crermos Nele, então nossas bocas serão abertas e o ministério será dado.


“Precisamos nos acomodar com o fato de que as coisas mais importantes que Deus fará estarão sempre além da nossa capacidade de compreensão, de conhecimento — até mesmo nas coisas de Deus. Deus sempre visa nos levar além de nós mesmos. Ele sempre vai provar que nós, em nosso próprios recursos, não poderemos segui-Lo, que é muito para nós. Deus está fazendo demandas que não poderemos suprir. Ele nos deixa fora de nosso ambiente. Esse é o Seu caminho.”


Extratos do capítulo 1 do livro “The Spiritual Meaning of Service” de T. Austin-Sparks.


T. Austin-Sparks (1888 – 1971)


DIREÇÃO DIVINA.

 


“Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Provérbios 3:5,6).


A direção de Deus nos assuntos do homem é um fato importante na história e um grande tema da Bíblia. O homem é naturalmente míope e não pode ver sequer o amanhã. De fato, ele nem sempre vê o que está acontecendo diante de seus olhos. Como consequência, o homem não pode definir hoje, de forma sábia, o que será melhor para amanhã. Frequentemente, mesmo seus melhores planos saem do controle.


Assim, como retratado no Salmo 107, no versículo 4, ele vaga em um deserto, por ermos caminhos. Como este autor, aquele que teve a oportunidade de atravessar um deserto compreende como é fácil se perder no caminho, e a grande dificuldade que se tem de encontrá-lo novamente.


Assim é a vida humana, especialmente em relação ao seu objetivo, que é a eternidade. Nenhum dos filhos de Adão [raça humana em geral] sabe hoje, por si mesmo, qual o melhor caminho de preparação para o amanhã, ou o verdadeiro caminho para levá-lo finalmente à eternidade abençoada.


Quão importante e quão urgente é então a necessidade de direção divina. Quão confortador é para a mente do viajante estar sob os cuidados de um guia que conhece todo o país e cada curva do caminho a sua frente. Quão tolo é se atrapalhar em ordenar negócios pessoais, ao invés de se beneficiar do perfeito conhecimento e invencível poder de Deus – o Infalível. Foi o mais sábio de todos os filhos dos homens quem disse: “Confia no SENHOR de todo o teu coração…” (Pv.3:5,6).


Direção é um assunto individual. Ninguém pode andar seguramente por uma luz concedida a outro. Estas páginas não serão como um guia santo, dando direções autoritárias que os penitentes devem seguir. O objetivo é demonstrar princípios e condições que se atribuem à direção de Deus, conforme ilustrado por incidentes nas Escrituras e pela experiência, de forma que isso possa servir de ajuda a cada um na obtenção da direção que será necessária em cada tempo.


O Salmo 107, em sua concepção original, é uma previsão dos últimos dias da presente era da história humana. Isto pode ser atestado no versículo 3, que descreve o ajuntamento do povo de Israel vindo dos quatro cantos do planeta. No passado, eles foram tirados do Egito para Canaã, do oeste para o leste. Depois do cativeiro da Babilônia, alguns da nação foram trazidos de volta para a Palestina, do leste para oeste. Mas ainda não aconteceu seu ajuntamento do leste e do oeste, bem como do norte e do sul. Isso está por acontecer, como predito por Isaías (45:5,6; 49:12). Os judeus foram dirigidos por Deus no passado e novamente o serão no futuro, assim como são todos aqueles que andam humildemente com Ele.


Do versículo 4 em diante, o profeta volta a contar as experiências pelas quais Israel está sendo e ainda será conduzido, a fim de os levar a este alegre ajuntamento. Apesar de aprendermos que a direção de Deus já está à nossa disposição, e irá continuar assim até que os homens de fé sejam conduzidos para o propósito do Senhor para eles. Não há necessidade de vagar sem rumo pela vida, como perdido em um deserto. Deus vai nos guiar, se nos deixarmos conduzir por Ele.


Trecho traduzido do livro “Divine Guidance” (Direção Divina) de G. H. Lang.(1874-1958)


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

O Servo Compassivo

 

"Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios. Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega..." (Isaías 42:1-3). 


Seguindo seu chamado, Cristo não quebrará a cana quebrada, nem apagará o pavio fumegante... e não só não quebrará nem apagará, mas ainda tratará com carinho aqueles com quem Ele lida. 


Ele é um médico bom em todas as doenças, em especial ao rejuntar as partes de um coração quebrado. Ele morreu para que pudesse curar nossas almas com emplastro de Seu próprio sangue, e nos salvar por tal morte - da qual fomos os próprios causadores - dos nossos próprios pecados.  


E Ele não teria esse mesmo coração no céu? “Saulo, Saulo, por que me persegues?”, exclamou o Cabeça no céu, quando Seu pé era pisado na terra (Atos 9.4). Sua subida aos céus não o fez esquecer de Sua própria carne. Ainda que esteja liberta do martírio, todavia, não está da compaixão para conosco.  


O leão da tribo de Judá só vai estraçalhar aqueles que não querem que Ele os governe (Lucas 19.14). Ele não mostrará Sua força contra aqueles que se prostram humildemente diante dEle. 


-- Richard Sibbes (1577-1635) - extrato selecionado do livro "O Caniço Ferido" p. 14.


O coração que busca.

 "Não me surpreende que você tenha uma forte ambição de avançar em sua vida espiritual e de se encontrar entre aqueles que tem uma reputação de serem pessoas espirituais... mas seu alvo deve ser morrer para todas essas ambições, deixe-se humilhar. 

Aprenda a aceitar a obscuridade e aprenda a ser desconsiderado, enquanto mantém seus olhos focados apenas em Deus... Renuncie ao seu orgulho e se entregue àquilo que agrada a Deus. 

Fale pouco e faça muito - sem se perguntar se alguém pode ter notado.... Deus te ensinará mais do que um cristão maduro poderia fazer. 

Ele te ensinará mais do que qualquer livro do mundo poderia... 

Que conforto, liberdade, força e crescimento brotam, quando o amor-próprio não mais permanece entre nós e Deus". 


François Fénelon (extratos selecionados do livro "The Seeking Heart").


Esperando em Deus

 

"Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu meu clamor" (Salmo 40:1 - ACF). 


A palavra traduzida nesse Salmo como paciência é derivada de uma palavra do Latim para sofrimento. Ela sugere a ideia de estar debaixo da limitação de algum poder do qual gostaríamos muito de ser liberados. Inicialmente no submetemos contra a nossa vontade e então a experiência então nos ensina que é vão resistir. A partir daí aprendemos que suportar pacientemente é o caminho mais sábio. 


Esperar em Deus, no entanto, não é apenas uma consequência da nossa submissão, por termos sido compelidos a isso, mas acontece porque consentimos em nos entregar nas mãos do nosso bendito Pai, em amor e alegria. 


A paciência se torna nossa mais elevada bênção e nossa mais gloriosa graça, pois ela honra a Deus, e dá a Ele tempo para estabelecer Seus caminhos para nós. Esperar pacientemente no Senhor é a mais elevada expressão de nossa fé em Sua bondade e fidelidade, trazendo descanso perfeito à alma na certeza de que Deus está realizando Sua obra. É uma amostra de que demos nosso pleno consentimento a Deus para tratar conosco da maneira e no tempo que Ele considerar melhor. Verdadeira paciência é perder nossa vontade própria na perfeita vontade de Deus. 


-- Andrew Murray (1828-1917).


O SENHOR REINA!

  “Reina o SENHOR. Regozije-se a terra…” (Salmo 97:1) Há uma verdade capaz de aquietar o coração em qualquer circunstância: o Senhor reina. ...