quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Um Sumo Sacerdote Capaz de Socorrer

 

"Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão. Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante

aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo-sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados." (Hebreus 2:16-18)


No primeiro capítulo da epístola, o escritor citou vários textos do Antigo Testamento para nos ajudar a compreender plenamente a verdade e o significado da divindade de nosso Senhor. No capítulo que ora consideramos, o vemos da mesma maneira, vez após vez, reafirmar a humanidade de nosso Senhor, para assegurar que compreendamos plenamente tudo o que isso significa. O escritor age da mesma forma neste capítulo. Ele afirmou que, uma vez que os filhos foram participantes de carne e sangue, Jesus também igualmente disso participou. É como se as palavras fossem insuficientes para expressar essa verdade, portanto, mais uma vez, ele repete e confirma sua afirmação: "Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão". O homem pode ter sido feito menor do que os anjos, mas a honra de serem socorridos por Jesus os anjos não têm - ele "socorre a descendência de Abraão".

Como os socorre? Deus não uma criatura de outra forma, senão entrando em sua vida e transmitindo Sua própria bondade e poder por meio do Espírito, e unindo-a com ele mesmo. Foi dessa forma que Jesus socorreu o homem. Ele entrou na humanidade e tornou-se um com ela. E ele socorre e toma como Suas as almas individuais ao entrar em união pessoal e comunhão com cada uma.

"Por isso" - com o objetivo de socorrer o homem e ganhá-lo novamente para si - "convinha", foi divinamente justo e apropriado e, nessas circunstâncias, uma necessidade absoluta e, como consequência desse propósito, "convinha que em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos".

O socorrer e tomá-los para si implicava na necessidade de sua identificação com os seres humanos, e isso, mais uma vez, era impossível senão tornando-se semelhante a eles em todas as

coisas. Somente dessa forma Jesus poderia salvá-los. Foi de fato necessário que ele se tornasse "misericordioso e fiel sumo-sacerdote nas coisas referentes a Deus para fazer propiciação pelos pecados do povo".

Nesta porção da Epístola aos Hebreus, temos pela primeira vez a menção da palavra sumo sacerdote uma palavra que não é usada em nenhum outro livro do Novo Testamento a respeito do Senhor Jesus, mas é o pensamento central desta epístola. Veremos posteriormente (Hebreus 5) quão

inseparavelmente ligadas estão a filiação divina de Jesus e seu sacerdócio. Aqui somos ensinados que sua real humanidade é tão essencial para a função sacerdotal quanto sua divindade.

Uma das coisas notáveis desta epístola é o fato de desvendar tão maravilhosamente o valor do desenvolvimento pessoal na vida de nosso Senhor. Isso faz com que sua pessoa e obra sejam para sempre inseparáveis.

Considere o seguinte: a obra que Jesus deveria realizar era a propiciação pelos pecados do povo. Deus havia manifestado sua ira contra o pecado, e seu amor não podia fluir para o homem até que o pecado fosse coberto, até que fosse feito propiciação por ele e o pecado fosse removido. Cristo veio para fazer essa obra em cumprimento a tudo o que os sacrifícios do Antigo Testamento nos haviam ensinado. Ele removeu o pecado pelo sacrificio de si mesmo e obteve redenção eterna.

A epístola tratará mais adiante a respeito desse assunto. O escritor deseja enfatizar a seus leitores nesta porção que Cristo tornou-se homem, não simplesmente para morrer e fazer propiciação, mas para que, ao fazer isso, ele pudesse tornar-se um sumo sacerdote fiel e misericordioso; sua relação conosco deveria ser uma relação pessoal. Ele mesmo deveria ministrar-nos a salvação que realizou. Tudo dependeria de conquistar nossa confiança, tomar posse de nosso coração e amor e, como o líder vivo, conduzir-nos no caminho de Deus.

É isso que torna sua vida humana na terra tão preciosa para nós. Sua vida provou que ele é fiel, por isso ousamos confiar nele plenamente. Essa vida o tornou misericordioso, não precisamos temer aproximar-nos dele. Em todas as coisas, ele tornou-se semelhante a seus irmãos "para" tornar-se um

sumo sacerdote misericordioso e fiel.

"Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados". A obra do nosso Sumo Sacerdote não consiste somente em sua propiciação, nem mesmo em sua obra como nosso advogado e intercessor, que são o fruto de sua propiciação. Mas, acima de tudo, como resultado de tudo isso, sua obra consiste naquele cuidado pessoal de nossa vida espiritual que ele toma para si, naquele socorro incessante que ele pode nos dar em cada tentação.

Essa é a maior e mais abençoada parte da obra de Jesus ao aproximar-nos de Deus. Em outras palavras, como líder no caminho do sofrimento e perfeição, ele nos inspira com suas próprias habilidades e, por meio da operação poderosa de seu Espírito dentro de nós, concede-nos sua ajuda em todos os momentos que dele necessitamos. Precisamos tão somente conhecê-lo e confiar nele completamente. Conhecê-lo como nosso Sumo Sacerdote, que não somente abriu um caminho até Deus para que andássemos nele e que não somente ora no céu por nós, mas que assume a responsabilidade de manter-nos em comunhão com ele mesmo e sob a cobertura de seu poder e na experiência de sua redenção plena, de forma que a tentação jamais pode vencer-nos. Sua divindade assegura-nos sua presença infalível e incessante. Sua humanidade assegura-nos sua compreensão e compaixão. Mais sempre-presente e mais poderoso do que a tentação, seu amor infalível está sempre próximo de nós para nos dar a vitória. Ele pode fazer isso e o fará. Nosso Sumo Sacerdote é um ajudador vivo e fiel.

Podemos confiar nele. Salvação não é algo que ele nos dá à parte de si mesmo. Salvação plena nada mais é senão o próprio Jesus, inteiramente compassivo e inteiramente fiel, cuidando

de nós em nossa vida diária, dando-nos e vivendo sua vida em nós de forma mais real e plena. A habitação e presença de Jesus em nosso interior, capaz de socorrer, é o verdadeiro segredo da vida cristã. A fé nos conduzirá à experiência de que Jesus é e faz tudo o que é dito a respeito dele.

1. Que capítulo maravilhoso! Jesus coroado de glória e de honra.

Nosso lider, nosso santificador, nosso irmão, feito semelhante a nós, nosso Sumo Sacerdote fiel e misericordioso, tentado como nós somos, nosso socorro na tentação. Que precioso Salvador!

2. Nenhum membro de meu corpo é ferido sem que eu sinta dor e tente protegê-lo. Nenhuma tentação pode tocar-me sem que Jesus a sinta imediatamente e imediatamente proveja socorro. Conhecê-Lo melhor, entender pela fé sua proximidade ininterrupta e contar com sua ajuda, não é tão somente disso que necessitamos?

O conhecimento de Jesus que foi suficiente para nossa conversão não será suficiente para nossa santificação. Para o crescimento da vida espiritual, é essencial conhecer mais profundamente tudo o que Jesus é. Jesus é o pão do céu, o alimento de nossa vida espiritual; conhecê-lo melhor é a única maneira de alimentar-nos dele.

4. Aprenda a considerar cada tentação como uma oportunidade abençoada para confiar e experimentar o socorro de nosso sempre-presente Sumo Sacerdote.


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(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público)


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