terça-feira, 24 de outubro de 2023

Alimento Sólido para os Perfeitos


"Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança.

Mas o alimento sólido é para os perfeitos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal." (Hebreus 5:13-14)


No texto da epístola que usamos para nosso estudo neste capítulo, temos o contraste entre os dois estágios na vida cristã.

Anteriormente, falamos a respeito do primeiro. O segundo estágio é o da idade adulta - refere-se ao homem plenamente desenvolvido, maduro, o homem perfeito. Esse estágio não vem com o passar dos anos, como ocorre com a vida natural, mas depende do crente render-se de todo coração para que tudo seja para Deus. É o coração perfeito que faz o homem perfeito.

Os vinte anos que são necessários para que uma criança torne-se adulta não são a regra no reino dos céus. Há, de fato, uma maturidade mais desenvolvida e uma maturação que vêm com a experiência do passar do tempo. Contudo, até mesmo um cristão jovem, que tenha pouco tempo na fé, pode ser aquele adulto, ou perfeito, do qual a Epístola aos Hebreus fala, tendo um coração sedento pelas verdades espirituais mais profundas que a epístola nos ensinará, e com uma vontade que, de fato, rompeu com o pecado e considera tudo como refugo para ganhar o conhecimento completo de Cristo Jesus.

O contraste é expresso em duas palavras. A criança “não tem experiência da palavra de justiça". Ela não se rendeu à disciplina que a palavra exige e concede; na luta pela obediência prática, ela não experimentou o que a palavra pode fazer para perscrutar e limpar, para fortalecer e abençoar. Sua vida religiosa tem sido, assim como a de uma criança, o prazer de ser alimentada. Ela não tem qualquer experiência real da palavra de justiça.

Com o homem perfeito, um adulto, ocorre exatamente o oposto. Esse homem, "pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal". Assim como na natureza, o uso dos membros de nosso corpo, o exercício intenso de cada sentido e órgão, é uma das condições mais seguras para um crescimento saudável.

Assim ocorre também com os cristãos. Quando as faculdades espirituais que Deus nos deu são usadas para o que ele as destinou e nossos sentidos espirituais são mantidos por meio de exercício pleno, então passamos do estágio de uma infância frágil para a maturidade. O exercício das faculdades espirituais refere-se em especial àquilo para o que fomos salvos - uma vida de obediência e santidade; é "para discernir entre o bem e o mal". Os olhos são exercitados para ver e conhecer o caminho de Deus e Aquele que nos conduz nesse caminho; os ouvidos, para ouvir a voz de Deus; a consciência, para rejeitar tudo o que não é agradável a Deus ou mesmo duvidoso; a vontade é

exercitada para escolher e fazer somente Sua vontade.

É de extrema importância que entendamos isso muito bem.

A capacidade para entrar nas verdades mais profundas que nos serão reveladas não depende de talento ou de estudo, de sagacidade ou de dom natural, mas da ternura com a qual a alma tem-se exercitado em sua vida diária para discernir bem e mal. A redenção em Cristo serve para nos salvar do pecado e trazer-nos de volta à obediência perfeita e para a comunhão desimpedida com Deus. O ensinamento espiritual da Epístola aos Hebreus será apreciado quando o desejo de não pecar tornar-se mais intenso, quando a aceitação de Jesus como um libertador do pecado que habita em nosso interior se tornar mais plena e quando a rendição à operação de Deus para obrar sua vontade em nós tornar-se mais completa. A marca distintiva do homem perfeito é uma sensibilidade santa ao menor dos pecados; essa sensibilidade é fruto de um uso fiel e do exercício pleno dos sentidos enquanto haja luz, essa é a faculdade ou o órgão espiritual empregado para discernir a verdade espiritual. Nas coisas referentes a Deus, uma consciência sensível e uma vontade rendida são muito mais valiosas do que um intelecto elevado.

Assim são os perfeitos. Essa palavra tem o mesmo significado da palavra empregada em relação a Jesus alguns versículos antes. Sua perfeição veio por meio da obediência. A nossa perfeição não vem de outra forma senão por meio do exercício das faculdades espirituais para discernir o bem e o mal. Em suas tentações, Jesus foi exercitado para discernir entre o bem e o mal. No deserto e no jardim, ele teve de jejuar, vigiar e orar para que desejos legítimos de sua natureza humana não o

conduzissem a pecar; dessa forma, ele foi aperfeiçoado. E isto é perfeição cristã: a comunhão com Cristo em sua obediência, por meio do Espírito que habita em nosso interior.

O alimento sólido é para os perfeitos. No que consiste esse alimento? O contexto não deixa qualquer dúvida quanto a resposta: trata-se do conhecimento de Cristo como Melquisedeque, que será exposto a seguir na epístola. Conhecer Cristo como Arão, crer em seu sacrifício na terra e no perdão por meio do seu sangue são frequentemente as únicas verdades que os cristãos que estão satisfeitos em permanecer crianças simplesmente, completamente indolentes, preguiçosos e parados, sem qualquer avanço na vida cristã conhecem. Mas o alimento sólido dos adultos é o conhecimento de Cristo como Melquisedeque em seu sacerdócio celestial, operando em nós no poder de uma vida eterna, como um Salvador capaz de salvar-nos completamente, como o ministro do santuário, Aquele que abriu o acesso ao Santo dos Santos e nos leva para lá habitar, como o Mediador da nova aliança, que de fato cumpre sua promessa e escreve a lei de Deus em um poder vivo em nosso coração. O ensinamento da palavra está aberto e é de graça para todos, mas somente aqueles que se entregaram para se tornarem perfeitos sentem a necessidade e têm fome disso; somente eles são capazes de receber e de assimilar isso porque somente eles, de fato, se determinaram a descansar satisfeitos em nada menos do que tudo aquilo que Cristo pode fazer por eles e consideram tudo como refugo para possuir essa pérola de grande valor. Todo o ensinamento exterior e o conhecimento das palavras dos profetas e de Cristo devem dar lugar para o falar interior de Cristo na alma por meio do Espírito Santo. São as almas que rompem a casca e estão famintas por se alimentarem da semente, a própria vida de Deus em Cristo, que se tornarão perfeitas em Cristo Jesus.

1. Os cristãos hebreus são reprovados porque não são perfeitos.

Não lhes é dada a possibilidade de escolher se serão cristãos notáveis. Deus espera que todo filho Seu seja tão notável na graça e na abundância naquilo que está ao seu dispor em Cristo.

2. "Até que todos cheguemos à perfeição, à medida da estatura da plenitude de Cristo". Esse pensamento deve ser nosso objetivo.

O motivo e o poder para buscá-lo temos em nosso Senhor Jesus.

3. Possamos satisfazer-nos com nada menos do que viver completamente para Cristo. Ele é digno!



(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público) 


FONTE: https://library.mibckerala.org/lms_frame/eBook/The%20Holiest%20of%20All%20-%20Andrew%20Murray.pdf

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