segunda-feira, 9 de outubro de 2023

O Sacerdote Constituído por Deus

“Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão. Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse: tu és meu Filho, eu hoje te gerei; como em outro lugar também diz: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." (Hebreus 5:4-6)


O ofício do sacerdote tem dois aspectos: a relação com Deus e a relação com os homens. Todo sacerdote é apontado a favor dos homens em relação a coisas concernentes a Deus. No capítulo anterior, vimos a grande característica do relacionamento do sacerdote com os homens - ele mesmo deve ser um homem como eles e um com eles, possuindo um coração cheio de ternura e compaixão para com os mais fracos. A Epístola aos Hebreus agora continua dizendo que o principal requisito do sacerdote em sua relação com Deus é que ele deve ser constituído por Deus. Ele não deve tomar essa honra para si mesmo, mas deve ser chamado por Deus. Tudo isso é verdadeiro a respeito de Jesus.

A verdade que Jesus foi constituído por Deus para ser Sumo Sacerdote não foi importante somente para convencer os hebreus do direito divino e supremo do cristianismo. Essa verdade é de igual importância para nós, para nos revelar aquilo que constitui a verdadeira glória e poder de nossa religião.

Nossa fé precisa ser alimentada e fortalecida, e isso somente pode acontecer à medida que entramos mais profundamente na natureza da redenção e sua origem divina.

"Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus". Contra Deus pecamos, foi por ter-nos separado dele que caímos no poder da morte. Precisamos de Deus; é para ele e para seu amor que o caminho dever ser aberto. É somente Deus quem pode dizer-nos que caminho é esse, e somente ele é capaz de abri-lo para nós, pois tudo vem de Deus. A segurança e suficiência do evangelho, bem como de nossa fé em Cristo, residem neste fato: tudo vem de Deus.

Cristo foi chamado por Deus para ser Sumo Sacerdote. O próprio Deus que nos criou, contra quem pecamos, concede-nos seu Filho como nosso Redentor.

"Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse: tu és meu Filho, eu hoje te gerei; como em outro lugar também diz: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque". Aqui não temos meramente o fato de que Cristo foi chamado por Deus para ser sumo sacerdote, mas temos de prestar especial atenção à base sobre a qual ele foi chamado. As duas passagens citadas nos ensinam que foi como Filho de Deus que Cristo foi constituído Sumo Sacerdote. Isso mostra-nos a verdadeira natureza e caráter do sacerdócio.

Revela-nos que o sacerdócio tem suas raízes na filiação: a obra do sacerdote é revelar e transmitir a bendita vida de filiação.

Como Filho, somente Cristo era herdeiro de tudo o que Deus possuía. Toda a vida do Pai estava nele. Deus não poderia ter união ou comunhão com um ser criado senão por meio de seu Filho amado, ou na medida em que a vida, espírito e imagem do Filho fossem vistos nesse Ser. Portanto, nenhum outro poderia ser nosso Sumo Sacerdote senão o Filho de Deus. Para que nossa salvação não fosse algo meramente legal - exterior e, eu diria, artificial - mas um novo entrar na própria vida de Deus, com a restauração da natureza divina que perdemos no Paraíso, somente o Filho de Deus poderia transmitir-nos essa salvação. O Filho tinha essa vida de Deus para dar; ele foi capaz de concedê-la; ele somente poderia dar essa vida, levando-nos para uma comunhão viva consigo mesmo. O sacerdócio de Cristo é o canal apontado por Deus por meio do qual o Filho bendito para sempre nos torna participante dele e, com ele, de toda a vida e glória que ele possui do Pai e no Pai.

E esta é agora a nossa confiança e segurança: foi o pai quem apontou o Filho Sumo Sacerdote. É o amor de Deus, contra quem pecamos, que deu o Filho. Foi Deus, por meio de sua vontade e poder, que ordenou e operou a grande salvação. É no próprio Deus que a nossa salvação tem sua origem, vida e poder. É Deus quem se aproxima para nos transmitir a si mesmo em seu Filho.

Cristo não glorificou a si mesmo para se tornar sumo sacerdote, foi Deus quem lhe concedeu essa glória. Considere sobre o significado disso! Deus considera uma honra para seu Filho ser sacerdote de pobres pecadores. Jesus abriu mão de sua glória eterna por amor dessa nova glória, que ele agora considera sua maior glória - a honra de conduzir homens culpados até Deus. Cada clamor de um penitente por misericórdia, cada oração de uma alma redimida por mais graça e para chegar mais perto de Deus, ele considera sua mais elevada honra, as evidências de uma glória que ele recebeu de seu Pai acima da glória da filiação, ou melhor, o abrir da plenitude da glória que sua filiação contém.

Ó, alma, que estás em dúvida e atribulada, não serás agora capaz de crer que Jesus considera sua mais elevada glória fazer sua obra em todo aquele que esteja necessitado e que se volta para ele? O Filho de Deus em sua glória considera seu sacerdócio sua mais elevada glória, o poder de tornar-nos participantes, como irmãos, com ele, da vida e do amor do Pai.

Permita que Jesus agora se torne sua confiança. Esteja certo de que nada agrada mais a Jesus do que fazer sua obra. Faça o que Deus fez: glorifique-o como seu Sumo Sacerdote e, à medida que você aprende a dar as costas para si mesmo e para toda e qualquer ajuda humana, confie no Filho de Deus, ele lhe provará que grande Sumo Sacerdote ele é. Ele, como Filho, lhe conduzirá para a vida e o amor do Pai.

1. Poderia Deus ter-nos concedido graça mais maravilhosa do que seu próprio Filho como nosso Sumo Sacerdote? Poderia ter-nos dado um terreno de fé e esperança mais seguro do que o fato do Filho ser sacerdote? Tendo esse glorioso fato em vista, não confiaremos nele e lhe daremos toda a honra que Deus lhe deu?

2. É necessário que ocupemos e exerçamos nossa fé de apropriar-nos desta bendita verdade - Jesus é o Filho eterno, apontado pelo Pai como nosso sacerdote para levar-nos à presença de Deus e

manter-nos ali. Ele próprio estava tão rodeado de fraquezas e tentado com toda sorte de tentações que nenhuma ignorância ou fraqueza de nossa parte pode cansá-lo ou impedi-lo de realizar sua bendita obra se tão somente confiarmos nele. Ó, adoremos e honremos a Jesus. Confiemos nele. Permitamos que nossa fé reivindique tudo o que ele é capaz e deseja fazer - nosso Sumo Sacerdote constituído por Deus.

3. A fé abre o coração - por meio da fé, esse Ser divino permeia o coração e habita nele. Ele não poderá aproximá-lo de Deus se

não puder aproximar seu coração. Ele não pode aproximar seu coração se seu coração não for sua habitação. Ele não poderá habitar em seu coração se você não crer. Ó, considere Jesus até que todo o seu coração se transforme em fé nele e naquilo que ele é em você.



(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público)


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