quarta-feira, 24 de junho de 2026

O PERIGO DO JULGAMENTO PRECIPITADO

 


Quantas excelentes amizades perdidas porque decidimos julgar antes de conversar, ou condenar sem antes perguntar. A Bíblia é sabia em tudo. Nesse caso ela especifica a situação de que se tiver algo contra o seu irmão, vá até ele e se reconcilie (Mateus 5.23,24). A questão das calúnias, difamações e falatórios têm levado pessoas a colherem dissabores na vida, provocando até doenças psicossomáticas por causa de injustiças. Nossa inclinação para juízo é sempre rápida. Isso vem desde o Éden (Gênesis 3), quando Adão rapidamente culpou Eva e ela culpou a serpente. Jesus passou várias vezes por situações em que o juízo que estabeleciam sobre ele era de condenação: foi comparado a Belzebu, condenado por curar no sábado, rejeitado ao apresentar-se como profeta de Deus e salvador do mundo. Até testemunhas falsas eles arrumaram. O nosso senso de juízo sobre as pessoas e sobre as situações acabam muitas vezes interrompendo um ciclo de amizade que trazia alegria, crescimento e bênção. Alguém certa vez escreveu que o julgamento apressado, fruto das aparências, pode levar-nos a matar o melhor amigo, sacrificar amizades, menosprezar os bons companheiros e denegrir a personalidade de um irmão.  Isso é tão real que a tendência é julgar por fatos isolados, e não é raro ao cometer injustiças, termos de nos arrepender mais tarde. 


Conta-se uma história que havia num lugar rural quatro moradores: o garimpeiro, a esposa, o filhinho e o cão. A esposa veio a falecer e o trabalho não podia parar. O garimpeiro saía e deixava na casa o cão para guardar a criança de qualquer situação adversa. Uma tarde, ao regressar de uma caçada, o garimpeiro ouviu o latido do seu cão e correu ao seu encontro. O animal estava todo sujo de sangue e imediatamente não hesitou, matou o cão, pois pensou que ele tivesse com raiva e matado o bebê, pensando ter se livrado de um grande inimigo. Correu para dentro de casa e viu o bebê dormindo tranquilamente e ao lado um lobo morto com uma mordida no pescoço, logicamente pela luta do seu cachorro para salvar o bebê. Isso ilustra bem nosso comportamento de impulsividade, pré-julgamento, e às vezes acompanhado do espírito de vingança. Um dia, o povo julgou um inocente e o condenou à morte, e você sabe muito bem quem ele é. 


Como temos lidado com as pessoas que acreditamos serem culpadas, inimigas, traidoras e até culpadas pelo estado de infelicidade que estamos passando? O próprio Cristo com sua vida deixou o modelo de como agirmos frente às injustiças: “Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se Àquele que exerce plena justiça em seu juízo” (1 Pedro 2.23). Você pode dizer: eu não sou Cristo! Então deixe-me lembrá-lo de Paulo que era como um de nós. Ele disse: “...eu tampouco julgo a mim mesmo” (1 Coríntios 4.3).  Outra questão que você precisa levar em conta quanto ao juízo que tenha a respeito das pessoas, é o alerta que a Bíblia traz: “Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mateus 7.2). Pare, pense, ore e entregue nas mãos de Deus toda e qualquer injustiça que porventura possa estar havendo contra você. Não se precipite nas conclusões. Ao mesmo tempo peça a Deus para você agir com sabedoria e sensatez, para que possa ser um instrumento de paz. Agora, se por acaso você concluir que a pessoa se tornou seu inimigo, Deus orienta o que deve fazer: “Orai pelos vossos inimigos” (Mateus 5.44). Deus nos ajude diante das situações mais diversas que têm provado nossas vidas a não sermos juízes sobre as pessoas. Que saibamos deixar nossos embates para que ele decida, porque ele é o verdadeiro Juiz

                 

 *Oração* : Senhor que eu não seja precipitado em julgar e ao mesmo tempo que eu seja um intercessor pela vida daqueles que se dizem meus inimigos. Em nome de Jesus, amém!


(Devocionais Selecionadas - Marcos Stier Calixto)


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