sexta-feira, 30 de junho de 2023

ASSIM, POIS, COMO DIZ O ESPÍRITO SANTO

 "Assim, pois, como diz o Espírito Santo".* (Hebreus 3:7)

"O Espírito Santo falou, somente ele pode esclarecer suas palavras."(...)"Para entender as palavras do Espírito Santo, é preciso que eu tenha anteriormente me entregado para ser guiado pelo Espírito, eu preciso estar vivendo no Espírito.Somente aquele que conhece hebraico pode esclarecer um texto escrito em hebraico; unicamente o Espírito de Deus, que conhece a mente de Deus, pode revelar-nos a mente divina."Considere, por exemplo, o que se diz a respeito de entrar no descanso de Deus. Todo aquele que se dispuser a estudar cuidadosamente esse assunto será capaz de formar um conceito a esse respeito.Todavia, somente o Espírito Santo pode levar-nos a conhecer verdadeiramente o descanso de Deus, a entrar nele; somente o Espírito Santo pode ensinar-nos a desfrutar desse descanso em um poder vivo." "Assim, pois, como diz o Espírito Santo; Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçai o vosso coração"."As palavras do Espírito Santo precisam do Espírito Santo para interpretá-las. E o Espírito Santo as interpreta somente naqueles em quem ele habita e governa."

Andrew Murray"

AUDIOBOOKS

 





> O MÁRTIR DAS CATACUMBAS (Autor Anônimo) Interp.: Luciana - Joinville-SC

> DAVID LIVINGSTONE (Janet Benge / Geoff Benge) Interp: Luciana - Joinville-SC

> MARY SLESSOR (Janet Benge / Geoff Benge) Interp: Luciana - Joinville-SC

> O INTERCESSOR (Norman Grubb) Interpretação: irmã Ângela - Joinville-SC

> A CRUZ E O PUNHAL (David Wilkerson) Interp: Luciana - Joinville-SC

> IVAN ( Myrna Grant) Interpretação: irmã Ângela - Joinville-SC)






quinta-feira, 29 de junho de 2023

O Avivamento Pela Palavra

 "Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia." (Hc 3:2)

Muitos esperam um grande avivamento antes da volta do Senhor. Os cristãos, principalmente os contemporâneos gostam daquilo que os eximem de qualquer responsabilidade. Esta oração de Habacuque é muito esclarecedora. O avivamento vem de tempo em tempo pela Palavra. O que precisamos é temer e ela nos avivará. Quando vier a ira de Deus somente caberá, e na medida que Ele quiser, a misericórdia.


Edward Burke


Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa

"A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome." ( Ap 3:12)

Muitos pensam que vencer é algo a ser alcançado, mas não. Já somos mais do que vencedores. O que precisamos é conservar o que temos. Nesta igreja de Filadélfia era a coroa. A advertência é: Cuidado para que ninguém tome a tua coroa, que já temos. É como a terra prometida, eles não tinham que conquistá-la, mas possuí-la. A negligência, a mornidão, a incredulidade, a desobediência, a infidelidade é que fará alguém perder a sua coroa. Por isso, deixando todo embaraço e o pecado que tão de perto nos assedia, corramos com perseverança a carreira proposta, olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da nossa fé.


Edward Burke


O MUITO FRUTO DO PENOSO TRABALHO DO SENHOR JESUS

 "Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. … E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. E dizia isto, significando de que morte havia de morrer." (Jo 12:24,32-33)

Somos, - os que crêem, o fruto deste penoso trabalho. Quanta gratidão! Por isso Ele é digno de toda honra, glória, louvor e adoração.


Edward Burke


O socorro bem presente - Amy Carmichael

 


"Sem fé, somos como janelas sujas no escuro. "   - Anônimo

O que é mais difícil: fazer vou suportar?

    Creio que suportar é muito mais difícil, e nosso Pai nos ama muito para permitir que passemos pela vida sem aprender a suportar.  Assim, quero que você acolha de bom grado as pequenas coisas difíceis, os minúsculos espinhos e perturbações que, com certeza, surgem quase todos os dias, pois eles lhe dão a chance de dizer "não" a si mesmo. Agindo dessa forma, você se tornará mais forte não só para fazer, mas também para suportar.          Aconteça o que acontecer, não  sinta pena de si mesmo. Você sabe como o nosso Senhor enfrentou a tentadora "autocomiseração". Afinal o que significa aquilo que temos de suportar em comparação com o que nosso Senhor suportou por nós?
     Eu sei que cada um de vocês necessita de auxílio continua se estão em guerra ininterrupta. Tenho palavras magníficas para transmitir-lhes. Elas se encontram no primeiro Versículo do Salmo 46: "socorro bem presente."
     Nossa amoroso, Deus não está apenas presente, mas encontra-se mais perto do que se pode imaginar -  tão perto que um sussuro pode alcançá-lo. Você conhece a história do homem que possuía um temperamento impetuoso e não tinha tempo para parar e orar pedindo auxílio.     Ele tinha por hábito enviar uma curta oração telegráfica - "Tua gentileza, Senhor! - e a gentileza vinha.
    Você precisa de coragem? " Tua coragem, Senhor!"  Paciência? "Tua paciência,Senhor." Amor?  "Teu amor, Senhor!" Uma Mente tranquila?  "Tua tranquilidade, Senhor!"
    Vamos, cada vez mais, colocar em prática essa forma rápida e simples de orar?
    Se o fizermos, nosso socorro bem presente não nos decepcionará. "Pois tu, Senhor, nunca falhaste para com aqueles que te buscam."
    "Porque assim o Senhor me disse, tendo forte a mão sobre mim" ( Isaías 8,11).  Por vezes, essa mão firme vem por intermédio da percepção profunda de uma simples palavra. Para mim, veio por intermédio da palavra "confiança", a qual encontrei no dicionário,  que significa depender, confiar, acreditar.
    "Confiei em tua misericórdia (acreditei em tua misericórdia)",  que nos amou com amor eterno,  que perdoa e purifica e nunca se cansará de nós.  "O que confia no senhor (depende do Senhor), a misericórdia o assistirá" ( Salmo 32,10). Não é da vontade dele que saibamos que Ele quer que confiemos não só em sua misericórdia, mas também seu próprio ser?
    " O Senhor é minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia,  nele fui socorrido; por isso meu coração exulta, e com o meu cântico o louvarei" (Salmo 28, 7).  
                                       
     "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações." Salmo 46 1.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Distrações e tentações

 

Madame Guyon (1648–1717)

“Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:15,16).

Como lidamos com aquelas coisas que nos distraem, que nos afastam da parte mais profunda do nosso ser? Se for o pecado (ou até mesmo uma questão de sermos distraído por algumas circunstâncias ao nosso redor), o que fazer?
Devemos instantaneamente nos voltar para o nosso espírito.
Uma vez que nos afastamos de Deus, precisamos voltar para Ele o mais rápido possível. Ali, mais uma vez com Ele, devemos aceitar as consequências que nos forem impostas, para nosso aprendizado.
Mas um fato é muito importante, e devemos nos acautelar a esse respeito: Não devemos ficar aflitos porque nossa mente vagou para longe de Deus. Guarde a si mesmo de ficar ansioso pelas suas próprias faltas. Primeiramente, essa angústia apenas desperta a alma, nos distraindo na direção das coisas exteriores. Em segundo lugar, essa angústia brota de uma raiz secreta do orgulho. O que você experimenta é, de fato, o amor-próprio. Colocando em outras palavras, você está magoado e transtornado por ver quem de fato é. 
Se o Senhor for misericordioso para te conceder o verdadeiro espírito de Sua humildade, você não se surpreenderá com as suas falhas, derrotas nem mesmo sua natureza.
Quanto mais claramente você vislumbrar seu verdadeiro eu, mais claramente verá quão miserável é sua natureza; entregando ainda mais todo o seu ser para Deus. Vendo sua necessidade desesperada dEle, você se aprofundará ainda mais em um relacionamento íntimo com o Senhor.
Esse é o caminho que devemos trilhar, assim como o Senhor nos ensina: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho” (Sl 32:8).

terça-feira, 27 de junho de 2023

Andando com Deus e sendo transformados de glória em glória na sua própria imagem



"Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si...Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara. Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus...E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito."
(Gn 5:24; Hb 11:5; 2 Co 3:18)

*Santificação é glorificação iniciada. Glorificação é Santificação consumada.*

O Pai da glória (Ef 1:17) nos deu o Seu Filho amado - o Senhor da glória, (Tg 2:1) - para por meio dele chegarmos à
 glória (Hb 2:10).

*O Pai entregou o Seu amado Filho à morte para tê-Lo de volta em cada um de nós  pela sua ressurreição.*(Jo 12:24)

Glória pois a Ele, eternamente. Amém.(Rm 11:36)

A Esperança Gloriosa da Nossa Vocação

 


"Para saberdes qual é a esperança do seu chamamento" (Ef 1.18).

A oração de Paulo pela igreja de Éfeso (1:15-19; 3:14-19) e de Colossos (1:9-12) denota o desejo do coração do Senhor para nós. O glorioso Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, deseja que tenhamos o espírito de sabedoria para que vejamos claramente e realmente compreendamos quem é Cristo e tudo o que Ele fez por nós. Ele deseja que nossos corações sejam inundados de luz, a fim de que possamos conhecer a esperança para a qual Ele nos chamou, as riquezas da gloriosa herança que Ele nos prometeu em Cristo. Ele deseja que  compreendamos como é incrivelmente grande o seu poder sobre nós que temos Nele crido. Para isso, Deus está nos chamando. Somos exortados, consolados e admoestados, para vivermos de modo digno de Deus, que nos chama para o seu reino e glória. (cf. 1Ts 2:12)
Quantos cristãos pensam a respeito do céu como o lugar onde Jesus está, como o lugar onde possuem uma propriedade e para onde tem a esperança de ir quando morrerem. Não pensam, contudo, em um céu como uma vida, nem na presença de Deus como uma experiência para cada momento de nosso caminhar diário. Quantos de nós pensamos de Jesus como o bendito Ser em quem estamos por imputação, mas desconhecemos que ele nos elevou e também a nossa vida para o céu e, por meio do Espírito Santo, traz o céu até nós.*
*O chamamento celestial destina-se à vida celestial ascendente.*
Amados, isso é o que Deus nos ordena buscar acima de todas as coisas - o Seu reino e a Sua justiça (Mateus 6.33). “Quem dá a Deus a posição central em sua vida, gozará do Seu cuidado onipotente e eterno.”¹ Ó, que nossos olhos estejam fixados nas coisas do alto, nas que são eternas. (Cl 3:1-3; 2Co 4:18)
²“Como uma esperança e como um prêmio podem ser perdidos por conduta imprópria! Assim foi com Israel. Deus lhes deu a esperança de boa terra e de abundância, prometida a seus pais; mas por suas frequentes provocações, eles foram mortos no deserto e nunca entraram na promessa (Hebreus 3 e 4; 1 Coríntios 10).
O apóstolo, nesta epístola (Efésios), ora pelos crentes, para que eles possam saber qual é a esperança do seu chamamento. Ele fala disso, também, aos crentes colossenses, como algo armazenado em lugar elevado e olhando adiante, para outro tempo que não este, até o "Dia de Cristo", ainda por vir. Através do esquecimento desta ordem de Deus, a maioria dos cristãos está fazendo da salvação a sua esperança, ao invés de uma posse já existente. E, deste modo, sem perceber o que Deus estabeleceria diante deles como o grande propósito de vida, eles estão adotando o mundo como seu prêmio.”²
O apóstolo Paulo expressou em Filipenses capítulo três, versículos onze a catorze o seu anseio que era chegar triunfalmente ao seu destino final e poder receber o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Esse chamamento para o alto visa 'o mais pleno desfrute e ganho de Cristo no tempo presente’ e o desfrute final e máximo de Cristo no reino milenar como uma recompensa ou prêmio pela vitória da corrida neotestamentária’. (1 Coríntios 9:24-26 ; 2 Timóteo 4:7-8)
O irmão Sparks observou seguramente que em Filipenses 3:11 não se tratava da salvação - o que era fato já consumado pela graça de Deus em Cristo -, mas a glória de Deus que estava envolvida nessa carreira cristã. Disse ele: "Isso não tem nada a ver com a salvação. O Senhor anseia por ver em nós essa determinação de que, pela Sua graça, não aceitaremos nada menos do que o mais elevado e pleno dentro daquilo que Deus deseja para nós, e no que diz respeito ao valor e utilidade que devemos ter para Ele… Temos uma herança, da qual falamos ao longo desta carta, mas Deus tem uma herança. A herança de Deus não é encontrada meramente nas almas salvas. A herança de Deus é encontrada naqueles que foram para a plenitude de Cristo. Qual é a herança de Deus nos santos? É que eles fornecem para Ele o fundamento da exibição universal de Sua plenitude.”³
“O cristão, dotado de vida em Cristo, deve buscar crescer tanto em graça como em conhecimento. O Altíssimo faria de seus filhos pessoas inteligentes. Não é de Deus que alguns digam: "Eu somente me interesso por saber o tanto que é necessário para obter minha salvação; não preciso de mais nada". Isto está muito abaixo da meta que os filhos de Deus deveriam almejar. A glória de Deus não representa nada para nós? Não desejamos um lugar no reino milenar do Salvador? ”²

Notas: (*A.Murray; ¹R.Shedd; ²Robert Govett; ³T.A.Sparks)

Um Chamado ao Progresso Espiritual



*Cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.* (Ef 4:15)

Disse o irmão Spurgeon: “Muitos cristãos permanecem raquíticos e subdesenvolvidos nas coisas espirituais, apresentando a mesma aparência ano após ano. Nenhum crescimento é manifestado neles. Eles existem, mas não crescem “em tudo naquele que é a cabeça”. Porventura devemos nos contentar em estar na “folha verde”, quando podemos avançar para a “espiga” e, eventualmente, amadurecer para o “grão cheio na espiga” (Mc 4:28)? Deveríamos ficar satisfeitos em crer em Cristo, e dizer “eu estou seguro”, sem querer saber, por nossa própria experiência, mais da plenitude que nEle se encontra? Não deve ser assim; devemos buscar, como bons comerciantes no mercado celestial, ser enriquecidos no conhecimento de Jesus. É muito bom manter os vinhedos de outros, mas não devemos negligenciar o nosso próprio crescimento e amadurecimento espiritual. Por que deveria ser sempre tempo de inverno em nosso coração? Devemos ter o nosso tempo de semente, é verdade, mas, ó, por um tempo de primavera; sim, uma temporada de verão, que dará a promessa de uma colheita antecipada. Se quisermos amadurecer na graça, devemos viver perto de Jesus, em Sua presença, sendo amadurecidos pelos raios solares de Seus sorrisos. Devemos manter doce comunhão com Ele. Devemos deixar a distante visão de Seu rosto e nos aproximar, como fez João, e reclinar nossa cabeça em Seu peito (Jo 13:23); então, nos encontraremos avançando em santidade, em amor, em fé, em esperança, sim, em todo dom precioso. Da mesma forma como o sol nasce primeiro no topo das montanhas, dourando-as com sua luz e apresentando uma das vistas mais encantadoras aos olhos do viajante, assim também é uma das contemplações mais prazerosas do mundo perceber o brilho da luz do Espírito na fronte de algum santo que se elevou em estatura espiritual, tal como Saul, acima de seus companheiros (1Sm 9:2), até que, como os poderosos Alpes cobertos de neve, ele primeiro reflita os raios do Sol da Justiça (Ml 4:2) entre os escolhidos, e então exiba bem alto o brilho de seu resplendor, para que todos possam ver, e vendo, glorifiquem seu Pai que está nos céus.”
(C. H. Spurgeon)

Glórias ao Senhor!

O REINO DE DEUS - Salvação - Vida - Edificação

 


*“A salvação destina-se à vida; e a vida à edificação.”*

Irmãos e irmãs, esperamos que o Senhor desembainhe Sua espada de dois gumes e faça a divisão necessária do que é alma, espírito e corpo para que possamos responder aos anseios do Espírito Santo.(Hb 4:12).
Rogamos ao bendito Senhor que prevaleça sobre tudo pelo Seu Espírito para a glória de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. Amém!

Cremos que isso é uma necessidade urgente para o povo do Senhor neste tempo do fim. Cremos que já estamos quase no limiar do reino milenar. O Senhor Jesus Cristo, o Rei dos reis, o Senhor dos senhores está voltando para inaugurar e estabelecer o Seu reino de justiça e paz neste universo desorganizado e poluído pelo pecado e por Satanás. E para esse reinado o Senhor contará com Sua Esposa gloriosa e seus santos cooperadores, seus companheiros, que estarão com Ele apascentando as nações com cetro de ferro.(Gn 49:10; Hb 1:8; 2:26-27; 12:5; 19:15) O Senhor está convocando seus santos vencedores para reinar com Ele neste milênio que está à porta. (Rm 5:17) Isso já pode ser um antegozo para Seus santos no Espírito. (Rm 8)  
Estamos anelantes, irmãos, que o Senhor opere isto em nós? Esta divisão tão necessária pela Sua Palavra? “O tempo da graça é a oportunidade de buscar a "glória" que está próxima à mão.”¹
Isto é absolutamente necessário, “porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” (Rm 8:5-8)
Nada do que é natural, que foi corrompido pelo pecado, poderá resistir e prevalecer no reino espiritual, nas regiões celestiais em Cristo. O Senhor faz tudo novo de acordo com Sua santa e soberana vontade  (2 Co 5:17). O Rei Santo exige caráter santo dos Seus santos para o Seu reino de santidade, justiça e glória.
*O nascimento do alto é absolutamente imprescindível para a visão e admissão no Reino bendito de Deus*
"A isto, respondeu  Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, *não pode ver o reino de Deus*. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito *não pode entrar no reino de Deus*."
(João 3:3,5)
Amados, vejamos aqui algo com muita atenção. Vemos no versículo três que o Senhor Jesus mencionou o verbo ‘ver’ e no verso cinco o verbo ‘entrar’ ao referir-se ao ‘novo nascimento’, ou o ‘nascimento do alto’, ou ‘de cima’. Certamente estamos tocando aqui em algo delicado, mas necessário. Talvez você ainda não tenha ouvido ou lido sobre o que devemos tocar aqui. Recomendo-lhe que não julguem nada antes do tempo até que o Senhor traga luz esclarecendo essa questão, caso haja algo obscuro ainda. ‘Ver’ e ‘entrar’ são duas coisas distintas. Não são sinônimas. Precisamos de iluminação espiritual para vermos isso. (Salmo 36:9)
Talvez você pressupõe ser a mesma coisa ‘ver’ e ‘entrar’. Mas não é. Todo aquele que nasceu de novo pode ter visto o reino, mas nem todo aquele que nasceu de novo pode ter entrado neste reino. Isso parece ser algo desconexo? Vamos esclarecer este ponto. Vamos tomar um exemplo do Antigo Testamento para ajudar os irmãos e irmãs nesta questão.
Moisés ‘viu’ a terra de Canaã, mas ele não pôde ‘entrar’ em Canaã e usufruir das riquezas de Canaã naquele momento e naquele contexto. Aquilo que você apenas viu, você não pode tocar, não pode desfrutar. Contanto que você tome posse de algo, ‘entre em algo’, você poderá desfrutar daquele algo. Entenderam a diferença irmãos? Mais um exemplo a seguir. Quando o Senhor lança luz espiritual temos ‘visão celestial’, mas não quer dizer que estamos sendo governados por essa visão, a menos que haja obediência à ela. Estaremos apenas contemplando-a. Faço uma pergunta neste ponto: É possível sermos apenas ‘visionários’ da visão celestial e não respondermos a ela positivamente? Sim, é! Ora, se o apóstolo Paulo disse ao rei Agripa: “não fui desobediente à visão celestial” (At 26:19), é porque existe tal possibilidade. Como já disse um amado irmão: “A visão celestial é muito importante, mas ela não fará tudo em nós. Devemos ser obedientes à visão celestial”.²
Aliás, porventura não parece ser essa falta de visão ou revelação espiritual a causa da tragédia espiritual dentre muitos daqueles que professam ser cristãos em nossa geração? Creio que sim! “Não havendo visão celestial, o povo fica confuso - sem freio, sem restrição, desgovernado, descontrolado, sem rumo -; porém o que guarda a lei, ele é bem-aventurado.” (Pv 29:18 - tradução alternativa)
“A solene advertência é dada aqui, de que é possível estar em Cristo e ter recebido o chamado celestial para a plenitude de Cristo, e ainda assim perder tudo para o qual fomos chamados.”³ Não me refiro aqui sobre a questão de perda de salvação, mas a perda da herança espiritual em relação à plenitude do reino milenar. Exemplo: Lembre-se das dez virgens? Eram todas elas crentes no Senhor, não eram? Mas cinco eram prudentes e cinco néscias. Todas elas adormeceram. Não entrarei nos pormenores visto que os irmãos (as) já conhecem a parábola. “Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas.(Mt 25:6-7)
O que podemos extrair desse texto como lição para o momento? “O caráter com que descemos à sepultura, quando morremos, é o mesmo caráter com que reapareceremos na ressurreição.”**
Por falta de tempo e espaço precisamos resumir o que dissemos acima de modo bem sintetizado para concluirmos.
Recordando o que dissemos acima não podemos pressupor que ‘ver’ seja sinônimo de ‘entrar’. A propósito, o ‘ver’ alude à 'visão espiritual’, o ‘entrar’ à ‘posse espiritual’.
São termos distintos, mas encontram-se inexoravelmente inter-relacionados e devem convergir para a mesma realidade e propósito: Cristo e Sua plenitude. Porque, “Deus é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da Sua glória na face de Jesus Cristo.” ( 2 Co 4:6)
Nessa questão precisamos conhecer o que é ‘conhecer’ segundo o verso supradito. Daremos o seguinte exemplo extraído do livro da exposição da epístola aos Efésios do irmão Robert Govett. Citando o verso dezessete do capítulo um, podemos compreender a proposição em questão. "No pleno conhecimento dele"(Ef 1:17)
“Há, na fé cristã, dois grandes campos de conhecimento.
1. Aquele conhecimento de Deus que é exigido para sair do mundo e de suas trevas e entrar na igreja de Cristo. O homem ouve e crê na mensagem de Deus concernente ao perdão de pecados. Ele a recebe e é batizado. Então, passa da "geração má", ou do
mundo, para dentro da igreja de Cristo.
2. Mas, em seguida, começa o segundo grau de ensino, ou o pleno conhecimento, apropriado ao crente. Após o dom de Deus ser recebido, o crente deve avançar de modo inteligente, desejoso de receber a aprovação de Cristo e de entrar no seu reino, que é o prêmio colocado diante dele.” (...) Vejam, amados: “A justificação, ou a obra de Cristo, está ligada à vida eterna e à sua herança eterna. A santificação, ou a obra do Espírito Santo dentro de nós, está conectada com o reino milenar e com a recompensa de sua herança.(R.Govett)
“O Espírito Santo está escrevendo uma biografia espiritual de Jesus Cristo, gravada na vida e experiência espiritual dos crentes. Tudo que foi verdadeiro na vida do Senhor Jesus, com exceção da Sua deidade, será escrito na nossa experiência espiritual.”³
Que o Senhor receba toda honra e toda glória que lhe são devidas.

(¹Robert Govett; ² Romeu Bornelli; ³T.A.Sparks; *W.Lee; **Thomas Chalmers)

DIREÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

 

David Wilkerson (1931-2011)

Autor do livro: A Cruz e o Punhal

O propósito de Deus para os seus filhos é que nos rendamos ao domínio e governo do Espírito Santo: “Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito” (Gálatas 5:25). Em outras palavras: “Se ele vive em ti, deixe que te direcione!”

Os primeiros cristãos não andavam em confusão, pois eram conduzidos pelo Espírito. Eles consultavam o Espírito Santo e ele os dirigia. Andar no Espírito significa clareza de propósito e decisões não nebulosas.

Vemos vários exemplos de pessoas conduzidas pelo Espírito no Novo Testamento. Um bom exemplo é Pedro: “Enquanto Pedro ainda estava pensando na visão, o Espírito lhe disse...” (Atos 10:19). Em outra passagem lemos: “O Espírito me disse que não hesitasse em ir com eles” (Atos 11:12). O Espírito Santo dava direção e Pedro ouvia.

Existem diversos benefícios em andar no Espírito Santo. Um benefício para aqueles que pedem: ele te dará direção, avisos ou o que você precisar. “Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade” (João 16:13). Jesus não está falando apenas sobre profecia e eventos futuros aqui, está falando sobre a sua vida. O Espírito Santo te guiará em assuntos práticos da sua vida.

Andar no Espírito também significa nunca ser surpreendido pelas forças demoníacas, mesmo que Satanás tente te intimidar. Paulo lutou contra tal assédio com o poder do Espírito: “Então Paulo... cheio do Espírito Santo” confrontou o espírito do mal e derrubou os poderes das trevas (veja Atos 13:9-11). Existem momentos nos quais você tem que se posicionar no poder do Espírito Santo e dizer: “Chega! Eu te ordeno que vá, em nome de Jesus!”

Porém, a forma mais elevada de andar no Espírito é permitir que ele te ensine as coisas mais profundas e ocultas de Deus. Espere na sua presença e deixe que o Espírito Santo te mostre o coração do Senhor. Quando fizer isto, a direção virá sem que você sequer peça.

Determine em seu coração buscá-lo hoje e você aprenderá a reconhecer a sua voz. Comece adorando, cantando, confiando em Deus – e ele te libertará.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

O ESPÍRITO DE HABITAÇÃO

"Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita." (Romanos 8:11) 

O Espírito de Ressurreição – Rm 8.11

A vivificação do corpo mortal nos conduz naturalmente a pensar Nele como o Espírito de Ressurreição: "o Espírito Daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos". Ele é o Espírito do Poder de Ressurreição e pode realizar isso, que é o penhor da redenção plena do corpo. Essa vivificação são as primícias; a futura plena redenção do corpo é a colheita.

O Espírito de Vitória - Rm 8.13

Em Romanos 8.11 podemos ver como o Espírito anula os feitos do corpo vivificando-o. Aqui é visto como Ele neutraliza as atividades do pecado: "Por meio do Espírito mortifiqueis os feitos do corpo”. Aqui nós vemos como Ele controla este corpo que achamos impossível de ser controlado. Ele nos capacita a mortificar os feitos do corpo.

Ele põe fim aos maus hábitos do corpo. Ele faz isso!

Aleluia! Não pense que é você quem faz isso. Na verdade você pode cooperar através do Espírito, mas Ele concede o poder que capacita você a fazer isso, quando sob o impulso da vida de pecado em seus membros, o corpo procura afirmar a si mesmo, e a usar os seus próprios membros para seu próprio prazer.


O Espírito de Obediência - Rm 8.14


Esta vida no Espírito e por meio Dele, tem uma relação vital com o nosso futuro. "Pois tantos quantos são guiados pelo Espírito de Deus, esses (e esses somente) são filhos

de Deus". Eles somente e todos eles, são filhos de Deus.

Aqui começa a passagem da filiação e a palavra aqui usada é "filhos" (ruios) e não "filhinhos" (teknos). No Novo Testamento as palavras filhos e filhinhos são diferentes e o Espírito Santo tem muito cuidado quando usa essas duas palavras. Os filhinhos sugerem reinado em natureza. Somos filhinhos (teknos) de Deus por natureza; Deus é nosso Pai, e Dele extraímos a vida e o ser. Por outro lado, o termo "filhos" (ruios) indica escalão, caráter, semelhança, privilégio. "Tantos quantos O receberam, deu-lhes o poder se serem feitos filhos (teknos) de Deus”, mas “tantos quantos são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos (ruios) de Deus". Nascer do Espírito nos torna “filhinhos” de Deus, mas ser guiados pelo Espírito de Deus nos torna "filhos".


O Espírito de Esperança - Rm 8.15


"Recebemos o Espírito de Adoção", isto é, o Espírito de Esperança, pois estamos aguardando a adoção; mas o Espírito Santo já nos trouxe uma forte esperança dela. O terror se foi, e o amor de Deus-Pai inunda os nossos corações e clamamos "Aba, Pai". É um grito forte de alegria não reprimida, quando você reconhece a consciência da filiação. A adoção é algo que estamos esperando, mas o Espírito nós já possuímos. O coração de “filhos” nós já temos, mas a adoção de filhos nós ainda aguardamos.


O Espírito de Segurança - Rm 8.15


Clamamos “Aba, Pai,” por causa do testemunho do Espírito com o nosso espírito que somos filhinhos de Deus.

Existem dois espíritos: o seu espírito e o Espírito de Deus.

Ele une o testemunho Dele com o seu, e Se une com seu espírito para testemunhar e testificar. Ele acrescenta Seu testemunho ao nosso para que reinemos; não somos mais escravos. Não que já sejamos "filhos", porque isso é um pouco prematuro, mas somos "filhinhos" avançando em direção ao estado de plena filiação. Ainda não temos direito de nos chamar assim, pois é prerrogativa do Pai nos proclamar como filhos (ruios), e Ele há de fazer isso no dia da redenção do corpo.


O Espírito de Simpatia - Rm 8.26a


Para nos ajudar em nossas fraquezas. Ele toma parte no

nosso desamparo. Não estamos sozinhos em nossa fraqueza, pois Ele tomou a nossa causa, e Se une às nossas fraquezas.


O Espírito de Oração - Rm 8.26b


Ele "intercede por nós segundo a vontade de Deus".


(R.B.JONES)


ESTUDO DA EPÍSTOLA AOS ROMANOS - PARTE 04

O EVANGELHO PARA O CRENTE (Continuação)

Da Carne Para O Espírito - Rm 8

Chegamos ao nosso último capítulo de Romanos. É o último do que é chamado de “O Evangelho Para o Crente", é um dos maiores capítulos da Bíblia. É um final tremendo, eloquente e tocante. Ele apresenta a colocação da pedra de arremate na obra da redenção. Claramente é um capítulo de finalizações. Quando comparado com os outros três já considerados, ele nos dá o lado positivo da salvação experimental. Os capítulos precedentes falam do livramento "do"; este fala do livramento "para". Uma distinção importante. O crente plenamente equipado não há de negligenciar Romanos 8. O capítulo 6 é muito importante, mas não devemos nos limitar a ele. Sem o capítulo 8 o capítulo 6 é impossível. O positivo sempre deve ser acrescentado ao negativo. A potência da habitação

do Divino Espírito deve ser acrescentada ao nosso morrer com Cristo, e o nosso morrer com Cristo à nossa submissão a Deus.

*No capítulo 5 nós somos libertados da morte

No capítulo 6 nós somos libertados do pecado

No capítulo 7 nós somos libertados da lei

No capítulo 8 nós experimentamos a libertação por meio do Espírito com vistas à glória.


A Esperança da Glória

Aqui entramos em contato com a dinâmica Divina da vida e experiência cristã e essa dinâmica está no Espírito Santo.

Ele usa como seu meio principal "a esperança da glória".

Aqueles que têm esta glória diante deles são capacitados a passar por todo o morrer com Cristo para o pecado, a lei e a carne. Aqui nós somos levados ao pensamento que deu início ao capítulo: esperança, a esperança da glória, glória sem desonra, esperança baseada na força, a imutável esperança de Deus. O capítulo anterior fala da salvação através da morte com Cristo pela fé. Este capítulo trata da salvação por meio do Espírito de habitação e em esperança.

O crente aqui esquece as coisas passadas: pecados, Pecado, lei, carne etc., e avança para as que estão diante dele. Romanos 8 apresenta um homem livre do bloqueio dos tropeços, com seu rosto voltado para a luz do dia. Ele não é mais um pobre escravo, um inimigo viciado. Ele é um "filho" esperando pelo dia da adoção para a plena filiação.

Com o conhecimento do seu maravilhoso destino ele não dá qualquer atenção aos apertos, perigos e perseguições do caminho, mas a despeito das mãos e pés estarem sangrando, ele persegue seu caminho para o alvo, certo de uma coisa: aquele amor que "não o deixará ir". Ele não apenas conhece e busca alcançar a glória para si mesmo, ele sabe que significará algo para a criação inteira; ele é parte do método de Deus para a redenção da criação inteira da maldição que o pecado humano trouxe sobre ela.


O Espírito de Habitação

Leia Romanos 8.29,30 conforme o esboço do capítulo: da presciência no passado para a glória futura. Existem duas palavras ao redor das quais as duas linhas principais desse capítulo giram: Espírito e filhos. Concentremos nossa atenção na primeira, examinando qual é a obra do Espírito Santo em nossa redenção. É significativo que, com exceção de Romanos 5.5 é neste capítulo que temos a primeira referência ao Espírito Santo nesta epístola. Nesses versículos nós temos uma antecipação ao ensino do capítulo 8. É também marcante que nem uma vez no capítulo 8 Ele é chamado de "Espírito Santo". Seu nome aparece de cinco maneiras aqui: o Espírito, o Espírito da vida em Cristo Jesus, o Espírito de Deus, o Espírito de Cristo, e o Espírito Daquele que ressuscitou a Jesus dos mortos. Um ou outro desses nomes ocorre dezessete vezes neste capítulo e este número é um contraste com a ausência Dele nos capítulos anteriores. Aqui Ele é visto como o Espírito de vida, de obediência, de ressurreição, de vitória, de condução, de relação filial, de esperança, de testemunho, de certeza, de simpatia e de oração. O Espírito é tudo isso, porque Ele é o Espírito de habitação (Rm 8.9).

A obra completa da redenção deve ser realizada a partir do interior, do Espírito de habitação. Ele habita em todos os crentes, mas quão triste Ele não ser eficaz em todos.

Duas condições são necessárias para a Sua operação eficaz: (1) O reconhecimento da Sua habitação; (2) Uma entrega de tudo em Suas mãos e autoridade. Em Romanos 8.2 Ele é o Espírito de vida, que toma as coisas de Cristo e as comunica a nós. Ele ministra a nós a vida que está em Cristo Jesus; Ele a protege e alimenta. Ele é também Espírito de Liberdade que nos “livrou da lei do pecado e da morte." Ele é o Espírito de Obediência que nos livra da escravidão da carne (Rm 8.4). Agora não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. A liberdade é na base da Expiação: "Deus enviando Seu próprio Filho...

condenou o pecado na carne". Em relação com o pecado, tratando com o pecado, e não havia maneira de tratar com o pecado senão pela expiação e reconciliação. Ele Se fez

uma oferta pelo pecado, e é na base da nossa libertação da carne é que nosso andar no Espírito é possível. Nele fizemos a escolha de obediência para a justiça. A despeito dos antagonismos, quando a resistência da carne é enfrentada e resistida no poder do Espírito Santo, este heroísmo por obediência vem Dele, e assim a justiça exigida pela lei é cumprida em nós. A lei exige justiça e é tudo o que ela pode fazer; mas Deus enviou Seu Filho por nós, e Seu Espírito dentro de nós, a fim de efetuar todas as suas exigências. Nenhuma relação com a carne é permitida aqui. Não podemos seguir seus impulsos quando dependemos dos recursos do Espírito. Muitos ficariam horrorizados com a idéia de se submeterem aos impulsos carnais, mas ainda confiam nos recursos da carne; daí a falha deles. Se você tem recebido uma impressão na mente, um despertamento na emoção, algo que faz você sentir que agora posso lidar com isso", então você vai voltar a andar na carne. Não existe salvação real até você ser quebrado e conhecer seu próprio fracasso.

O Espírito da Paz (Rm 8.6). "Estar espiritualmente inclinado é paz", isto é, "a mente do Espírito" é paz. A paz vem da comunhão e dependência do Espírito Santo; é estar interessado naquilo que Lhe interessa, pois a mente do Espírito é paz. Estar sob o poder e o controle do Espírito é ser livre da inimizade com Deus que é peculiar à carne, e

estar em harmonia com Deus. Existe paz, e o fim, o resultado dela, é vida. A vida é o alvo e também o princípio.

O Vivificador do Corpo Mortal

O Espírito como o Vivificador do corpo mortal (Rm 8.11). Nosso corpo é chamado de corpo "mortal"; "Se o Espírito Daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos habita em vós... Ele vivificará os vossos corpos mortais".

Aqui temos novamente a dualidade que mencionamos no capítulo 7. Primeiro de tudo existe uma parte do nosso ser cheia de vida e outra cheia de morte. "Se Cristo está em vós o corpo está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida, por causa da justiça". O espírito interior cheio de vida; o corpo exterior cheio de morte. A justiça é a característica daquele homem interior e é por isso que ele é vida. O pecado é característica do homem exterior, o corpo; por isso ele é morte. A vida, em plenitude, chegou pelo menos a uma parte do nosso ser: a parte espiritual; "pois o espírito é vida por causa da justiça". Mas existe

uma parte do nosso ser que ainda está presa pela morte: o corpo físico, pois "o corpo está morto por causa do pecado".

Ele não está morto fisicamente, naturalmente. O mesmo corpo que vimos em Romanos 8.11 é chamado de corpo mortal. Não morto, mas mortal. Não morto fisicamente, mas caminhando para a morte, e num sentido está morto agora. Existe energia no corpo sem dúvida, mas nunca devemos permitir ao corpo manifestar a sua própria vida.

Não devemos permitir que ele tenha a sua expressão por si mesmo, porque ao fazer isso, sua vida é nada menos que morte. Ele está morto, falando paradoxalmente, porque o pecado é a sua vida, porque sua vida é o pecado e o pecado é espiritualmente morte.

Nossa condição é esta: somos seres vivos, espíritos vivos em corpos mortos. Em outras palavras, a vida no espírito é diferente da vida no corpo. A vida no espírito é vida real, mas a vida no corpo é "morte." Como pode um corpo tal responder aos movimentos e desejos do Espírito interior?

Ele não responde, não pode responder, ele é contrário e conflitante com a vida interior. Quando o Espírito no interior tem sucesso em conduzir o corpo com ele, em sua vida santa, testemunho e serviço, como isso é realizado?

Por meio da vivificação dada especialmente pelo Espírito Santo. É Ele quem nos capacita a submeter os membros do corpo como instrumentos de justiça para Deus. A parte disso nossos corpos simplesmente nos esgotariam e tornaria os movimentos espirituais impossíveis. Na verdade existem cristãos totalmente aprisionados por seus corpos.

São seus escravos. Eles obedecem aos seus corpos como uma carga pesada para eles, que a vida espiritual é quase impossível. A mais leve aproximação da doença os põe em pânico. Eles não conhecem a vivificação do corpo mortal pelo Espírito Santo.

Quão maravilhosamente independente do seu corpo era Paulo! Leia novamente 2 Coríntios 12 desse ponto de vista.

Aqui temos um homem com um espinho na carne, perseguido por todos os lados, quebrado como um vaso, vivendo sempre nas divisas da morte. Ele deveria ter realmente morrido, e mesmo assim viveu uma vida e exerceu um ministério tal que até mesmo os homens mais robustos teriam sucumbido. Qual era o seu segredo? Ele sabia como ter o Espírito vivificando seu corpo mortal. Ele O conhecia, não apenas como a vida do seu espírito, mas

também como a vida do seu corpo. O Senhor dará isso a você se Ele puder confiar em você. Ele não pode confiar isso a todos, mas aqueles nos quais Ele confia, Ele permite que tenham esta experiência maravilhosa. Numa medida todos nós podemos conhecer a vivificação do corpo mortal pelo Espírito Santo.

O Espírito de Ressurreição – Rm 8.11

A vivificação do corpo mortal nos conduz naturalmente a pensar Nele como o Espírito de Ressurreição: "o Espírito Daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos". Ele é o

Espírito do Poder de Ressurreição e pode realizar isso, que é o penhor da redenção plena do corpo. Essa vivificação são as primícias; a futura plena redenção do corpo é a

colheita.

O Espírito de Vitória - Rm 8.13

Em Romanos 8.11 podemos ver como o Espírito anula os feitos do corpo vivificando-o. Aqui é visto como Ele neutraliza as atividades do pecado: "Por meio do Espírito mortifiqueis os feitos do corpo”. Aqui nós vemos como Ele controla este corpo que achamos impossível de ser controlado. Ele nos capacita a mortificar os feitos do corpo.

Ele põe fim aos maus hábitos do corpo. Ele faz isso!

Aleluia! Não pense que é você quem faz isso. Na verdade você pode cooperar através do Espírito, mas Ele concede o poder que capacita você a fazer isso, quando sob o impulso da vida de pecado em seus membros, o corpo procura afirmar a si mesmo, e a usar os seus próprios membros para seu próprio prazer.

O Espírito de Obediência - Rm 8.14

Esta vida no Espírito e por meio Dele, tem uma relação vital com o nosso futuro. "Pois tantos quantos são guiados pelo Espírito de Deus, esses (e esses somente) são filhos

de Deus". Eles somente e todos eles, são filhos de Deus.

Aqui começa a passagem da filiação e a palavra aqui usada é "filhos" (ruios) e não "filhinhos" (teknos). No Novo Testamento as palavras filhos e filhinhos são diferentes e o Espírito Santo tem muito cuidado quando usa essas duas palavras. Os filhinhos sugerem reinado em natureza. Somos filhinhos (teknos) de Deus por natureza; Deus é nosso Pai, e Dele extraímos a vida e o ser. Por outro lado, o termo "filhos" (ruios) indica escalão, caráter, semelhança, privilégio. "Tantos quantos O receberam, deu-lhes o poder se serem feitos filhos (teknos) de Deus”, mas “tantos quantos são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos (ruios) de Deus". Nascer do Espírito nos torna “filhinhos” de Deus, mas ser guiados pelo Espírito de Deus nos torna "filhos".

O Espírito de Esperança - Rm 8.15

"Recebemos o Espírito de Adoção", isto é, o Espírito de Esperança, pois estamos aguardando a adoção; mas o Espírito Santo já nos trouxe uma forte esperança dela. O terror se foi, e o amor de Deus-Pai inunda os nossos corações e clamamos "Aba, Pai". É um grito forte de alegria não reprimida, quando você reconhece a consciência da filiação. A adoção é algo que estamos esperando, mas o Espírito nós já possuímos. O coração de “filhos” nós já temos, mas a adoção de filhos nós ainda aguardamos.

O Espírito de Segurança - Rm 8.15

Clamamos “Aba, Pai,” por causa do testemunho do Espírito com o nosso espírito que somos filhinhos de Deus.

Existem dois espíritos: o seu espírito e o Espírito de Deus.

Ele une o testemunho Dele com o seu, e Se une com seu espírito para testemunhar e testificar. Ele acrescenta Seu testemunho ao nosso para que reinemos; não somos mais escravos. Não que já sejamos "filhos", porque isso é um pouco prematuro, mas somos "filhinhos" avançando em direção ao estado de plena filiação. Ainda não temos direito de nos chamar assim, pois é prerrogativa do Pai nos proclamar como filhos (ruios), e Ele há de fazer isso no dia da redenção do corpo.

O Espírito de Simpatia - Rm 8.26a

Para nos ajudar em nossas fraquezas. Ele toma parte no

nosso desamparo. Não estamos sozinhos em nossa fraqueza, pois Ele tomou a nossa causa, e Se une às nossas fraquezas.

O Espírito de Oração - Rm 8.26b

Ele "intercede por nós segundo a vontade de Deus".


R.B.JONES


ESTUDO DA EPÍSTOLA AOS ROMANOS - PARTE 03

O EVANGELHO PARA O CRENTE

(Nota preliminar do Editor: Amados, esse assunto de Romanos 7 - no que diz respeito à Lei - é bastante complexo. A consideração do irmão R.B.Jones é bastante esclarecedora, porém, precisamos ser flexíveis e estar abertos também para considerarmos essa questão do ponto de vista abrangente, ou seja, também dos outros irmãos que já tocaram nessa verdade, para aprendermos e retermos o que for bom, segundo a verdade em Jesus. Precisamos do bendito Espírito para nos desvendar nossos olhos. Que o Senhor traga a sua luz e a sua verdade para estarmos firmados na Palavra viva e eficaz, crescendo em tudo nele, nosso Cabeça. Deus vos abençoe!)

Da Lei Para a Graça - Rm 7

O capítulo 7 de Romanos é bem difícil e sabemos ele que tem sido motivo de discussão e contenda durante muito tempo. Precisamos de um coração humilde de criança enquanto o estudamos. Oremos para que o Senhor nos livre da mente tendenciosa e preconceituosa. Se tivermos certeza de que sabemos tudo sobre ele e que nenhuma teoria pode estar certa além da nossa, não extrairemos nada dele. O que vou dizer é simplesmente aquilo que

entendo ser o significado do capítulo. Não haverá dogmatismo; em meu coração não existe qualquer sentimento de finalidade, mas sim uma mente aberta para receber qualquer correção, se aquilo que declaro não estiver de acordo com a mente de Deus conforme ela é manifestada aqui em Sua Palavra.

Vejamos primeiro a estrutura do capítulo: os três primeiros versículos são impessoais; nos versículos 4 a 6 temos o primeiro pronome pessoal no plural; do versículo 7 até o final encontramos o pronome "Eu" no singular. Isso pode indicar as divisões do capítulo, se acrescentarmos que a última é dividida em duas. Os versículos divisores são: 4, 7, 14. Em cada um deles encontramos um novo início. A primeira divisão, versículos 1 a 3 parece estar falando da nossa libertação da Lei por meio da morte. A segunda vai dos versículos 4 ao 6 e mostra o resultado real da lei sobre o coração não regenerado. A terceira vai do versículo 7 ao final e parece tratar com a dupla natureza do crente e o conflito inevitável entre elas. Parece que Paulo deu início ao assunto no capítulo 6.14 onde ele diz "não estais debaixo da lei". Não estamos? A resposta está no capítulo 7.1-3. Por que não estamos debaixo da lei? A resposta é dada do capítulo 7.4 até ao fim. No meio dessa longa passagem existe uma digressão (7-13) onde Paulo justifica a lei, após uma reflexão admissível sobre ela.

Por que então não estamos debaixo da lei? Primeiro por causa da incapacidade da lei de produzir santidade (Rm 7.4-6); segundo porque um estado de "nenhuma condenação” é uma condição essencial para a vida e o crescimento espiritual (Rm 7.14 ao fim).

A contenda principal sobre este capítulo surge da questão se esta passagem de autobiografia espiritual descreve o homem não regenerado ou o regenerado. Como um princípio geral, lembre-se que não é o costume da Escritura dar muito tempo ou espaço à experiência não regenerada. É difícil ver o quanto tal coisa poderia ser útil, principalmente uma discussão longa como esta. Seja qual for a interpretação aceita para este capítulo, não posso senão sentir que a finalização da discussão deve ser encontrada no primeiro versículo do capítulo 8: "Portanto, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus", e é uma infelicidade que estas palavras tenham sido separadas do capítulo 7. O argumento parece ser seguido a fim de alcançar a conclusão manifestada neste versículo, de que não existe agora, neste mesmo tempo presente, a despeito do conflito que prossegue, a despeito do dualismo em nosso ser, agora não há condenação para os que estão em Cristo! Existe uma necessidade de vigilância constante por parte do crente regenerado, pois são constantes os esforços irrepreensíveis do pecado residente querendo se manifestar; mas a despeito de tudo isso, há a realidade do novo homem. Parece que embora a condenação fosse inevitável, Paulo aqui discute todas as questões da situação a fim de chegar ao significado da verdade, estabelecê-la de forma clara, final e enfaticamente de uma vez por todas: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus".

Em Cristo Jesus

Os que estão em consideração aqui são aqueles que estão "em Cristo Jesus". Se estes são os que se acham na conclusão do argumento, então sinto que eles devem ser os

sujeitos do próprio argumento. Parece-me que o propósito de Paulo é mostrar que a despeito do dualismo da natureza e vida do crente, ele não é privado do favor gracioso e da paz em Cristo. De qualquer forma o capitulo 7 continua com o assunto geral do capitulo 6, isto é, a morte do crente com Cristo. Este é o centro, mas o capitulo 7 introduz uma nova aplicação ao assunto. A morte com Cristo em Romanos 6 é "morte para o pecado", mas a morte com Cristo em Romanos 7 é "morte para a lei". É a mesma morte. Morrer com Cristo significa morrer tanto para o pecado quanto para a lei.

No final do capitulo 6 encontramos a nota importante sobre o "fruto": "Que fruto vocês tinham naquelas coisas das quais vos envergonhais agora?". "Fruto para a santificação". Deus procura fruto para a santidade, e produzir tal fruto é um dos propósitos da nossa união com Cristo em Sua morte e em Sua vida. Quando chegamos ao capitulo 7 está claro que o pensamento da frutificação está na mente de Paulo. Ele fala do fracasso da lei em produzir fruto na vida humana, e visto que a lei falhou, levanta-se a necessidade de que deveríamos morrer para a lei e sermos unidos a Outro, por meio do Qual este fruto pudesse ser produzido. Esta é uma das razões porque precisamos sair de debaixo da lei, do seu fracasso, da sua incapacidade, estando ela fraca através da carne, para cumprir suas

próprias exigências, isto é, de produzir fruto para a santidade.

O fato óbvio de que o domínio da lei termina com a morte dos seus súditos é ilustrado em Romanos 8.1-3. A morte encerra todas as contas, desfaz todo elo e toda obrigação.

Não vamos parar para contemplar a ilustração, mas prosseguiremos perguntando: "Por que devemos morrer para a lei?" Existe algo errado com a lei? Nada! Entretanto ela falhou em produzir santidade nos seus súditos. Nunca houve a intenção de que a lei produzi-la. Deus sabia que ela não poderia fazer isso quando a deu. Se você quer saber por que ela foi dada, e a quem foi dada, leia 1 Tm 1.8-10. Ela foi enviada não para tornar os homens bons, mas para controlar o mal deles.

O Que Significa "na Carne"?

"Porque, quando vivíamos segundo a carne, as paixões pecaminosas postas em realce pela lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarem para a morte" (Rm 7.5).

Essa é uma declaração chocante: a lei não apenas era incapaz de produzir santidade, mas ela pôs em movimento o princípio do pecado. A lei não criou o pecado, mas deu energia a ele. Esse é o efeito inegável de restrição externa de qualquer espécie sobre a natureza pecaminosa. Neste versículo há uma referência ao período específico "quando

estávamos na carne". Foi então que a lei veio e deu uma nova energia ao pecado adormecido dentro de nós. A que tempo ele se refere? A sentença é de vital importância. Se

entendermos isso, poderemos entender muito mais. "Vós não estais na carne nas no Espírito" (Rm 8.9). Observe as duas declarações: "na carne" e "no Espírito". O que faz a diferença? O Espírito de habitação reside exatamente onde estamos. Se Ele habita em nós, então estamos no Espírito, e se Ele não está em nós, então estamos na carne; não temos união com Cristo. Isso é claro. Mas em quem o Espírito de Cristo habita? O Novo Testamento ensina que Ele habita em cada crente - "Porque sois filhos, Deus enviou o Espírito do Seu Filho aos nossos corações, clamando Abba, Pai" (Gl 4.6). Ninguém é filho de Deus se o Espírito de Deus não habitar nele; mas se o Espírito de Deus habita nele, por causa disso ele é um filho de Deus.

Andando "Segundo a Carne"

Desse modo, não podemos dizer que qualquer filho de Deus esteja "na carne". A expressão não é segundo a Escritura. Mas é possível um crente que não está "na carne", "andar segundo a carne", e isso é algo totalmente diferente. A distinção é importante. Paulo se refere à condição antes da regeneração quando diz: "Quando estávamos na carne" (Rm 7.5). Mas no versículo seguinte temos uma declaração diferente: "Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, para que pudéssemos servir em novidade de espírito e não na velhice da letra" (Rm 7.6). Não falo de forma dogmática, mas me parece que ele se refere àquilo que foi ensinado em Romanos 6.2-4: "Tendo morrido", morrido para o pecado, o pecado que nos prende, estamos libertados da lei. Não podemos ser libertados da lei se não formos libertados do pecado. A libertação da lei é o resultado da libertação do pecado. "Para que pudéssemos servir em novidade de espírito e não na velhice da letra" (Rm 7.6). Não é como no versículo seis "novidade de vida" e sim em "novidade de serviço". A novidade de vida vem através do morrer para o pecado e a novidade de serviço através do morrer para a lei. O fruto para a santidade depende do serviço a Deus. A lei despertou o pecado ao invés da santidade, mas não devemos concluir que ela não serviu a um propósito necessário. Ela com certeza manifestou a extrema pecaminosidade do pecado. "O pecado, para revelar-se como pecado, por meio de uma

coisa boa, causou-me a morte, a fim de que, pelo mandamento, se mostrasse sobremaneira maligno" (Rm 7.13). O pecado é desse modo estigmatizado como um maligno inimigo de Deus e um oponente implacável daquilo que é santo, justo e bom. Que coisa terrível deve ser o pecado, para que pudesse me matar através do conhecimento daquilo que é bom! Esta é sem dúvida a parte mais difícil de Romanos 7.

A segunda divisão começa em Romanos 7.14 e é introduzida pela seguinte declaração: (1) A lei é espiritual;

(2) Eu sou carnal. Esse Eu tem sido mencionado desde o versículo 7, mas do versículo 14 em diante o Eu tem um sentido diferente. Em Romanos 7.7-14 o Eu representa o

Paulo total antes da regeneração, mas na passagem que começa com o versículo 14 o Eu é usado com três sentidos diferentes. Isso é uma indicação de que chegamos ao estado da regeneração. Naquele que não nasceu de novo só existe um Eu, mas nos que foram regenerados existem três aspectos do Eu: (1) 0 Eu é usado como na divisão anterior, se referindo ao ser total de Paulo; (2) É usado para a nova personalidade de Paulo, o novo homem em Cristo, distinto da natureza corrupta do pecado que ainda se apega a uma

parte do ser de Paulo; (3) O terceiro Eu descreve exatamente aquela natureza corrupta distinta de Paulo como novo homem em Cristo. (1) Eu, o ser total de Paulo;

(2) Eu, o novo homem em Cristo; (3) Eu, a carne, que ainda se apega ao novo homem (Paulo).

Não Mais "na Carne"

Paulo, o novo homem, não está mais na carne, mas "a carne" ainda está "em Paulo." "Eu sou carnal, vendido sob o pecado" (Rm 7.14). O "Eu" aqui é simplesmente aquela

carne, os resíduos do passado; ele não está de modo algum se referindo a si mesmo em Cristo. O contraste nesse versículo é entre a lei e a velha natureza. A lei é espiritual; a velha natureza, a carne, o velho "Eu" é carnal, vendido sob o pecado. É verdade que o homem regenerado algumas vezes pode ser carnal, onde Paulo diz: "Vós sois carnais'

(1 Coríntios 3); mas o carnal ali é diferente do carnal aqui.

A referência é ao seu desenvolvimento ou falta em 1 Coríntios 3; aqui a referência é à natureza, a qualidade.

"Eu sou carnal" se refere não a ele mesmo como um novo homem, mas à carne, a velha parte dele que ainda se apega a ele. Nós fomos "libertados do pecado" (Rm 6.18); não existe carnalidade no novo homem. Também está escrito: "Te livrou da lei do pecado e da morte" (Rm 8.2).

Paulo faz uma declaração com relação à sua atual condição e não à antiga: "a lei é espiritual, mas eu sou carnal"; ele não diz "fui", mas "sou". É assim que ele descreve aquela parte dele que é "carne", em sua natureza o dedicado escravo do pecado, vendido como um escravo no mercado, uma verdadeira criatura do pecado. Isso é a carne! A lei é espiritual, mas eu sou carnal. Eles são diretamente opostos. A carne é inimizade contra Deus, mas a lei é espiritual. Esta é a linguagem, não de um homem ímpio, nem de um cristão carnal, mas a linguagem de um cristão espiritual se referindo, naturalmente, não ao novo homem em Cristo, mas à carne, a outra natureza ainda em existência. O conflito no crente é entre aquilo que já é redimido e aquilo que permanece sem ser redimido, e que, na verdade, não pode ser redimido: a carne.

Quando somos regenerados pelo Espirito Santo, a mudança realizada opera no coração, na vontade e no espírito, mas não traz nenhuma mudança na carne. A carne ainda é a mesma. Romanos declara que existe um conflito contínuo: "Aquilo que eu não quero" (7.15). Existem cinco maneiras em que o pronome "Eu" é usado neste versículo; na verdade três, sendo que dois são repetidos: "Aquilo que Eu (a carne) faço, Eu (o novo homem) não

aprovo; pois aquilo que o Eu (o novo homem) desejo, isso Eu (Paulo como um todo) não faço; mas aquilo que Eu (o novo homem) odeio, isso Eu (a carne) faço". Não podemos dar o mesmo significado para o pronome cada vez que usado; isso é impossível. Manifestamente existe uma dualidade no crente redimido. É um quadro da triste desunião no ser do crente, enquanto ele aguarda, às vezes gemendo, mas sempre se regozijando, pela redenção do

seu corpo, quando esta dualidade deixará de existir.

Novamente no versículo 15 "aquilo que eu faço, não aprovo” - “eu não conheço” (R.V.), provavelmente “eu não sanciono, não aprovo, não reconheço, não admito". Eu, o

Novo Homem, não reconheço de modo nenhum, aquilo que não é meu, porque é contrário ao meu propósito e escolha.

Este é o ponto crucial de tudo. Paulo não está se lamentando como se numa situação sem esperança, e sua vida fosse fútil. Ele está a caminho de Romanos 8.1 e está

salientando a dualidade, resultante, naturalmente, de um triste aleijão, mas sempre com aquele alvo em vista. A carne está lá, e ela bloqueia e aflige seriamente, porém ela

não tem o controle, pois não reconheço aquilo que a carne faz como sendo meu próprio ato, quando minha escolha é contra ela. Por favor, não pense que Paulo está falando de vícios e crimes que sua "carne" estava fazendo; de modo nenhum. Ele era um homem de ideais sublimes, mas "aquilo que a carne é e faz involuntariamente, eu não aprovo." O novo homem não reconheceria isso como seu.

Quando chegamos ao Senhor para salvação, os pecados que confessamos são nossos próprios; mas depois de chegar a Ele, de morrermos para o pecado com Ele, de buscarmos um caminho de santidade, e quando o novo homem não rejeita em todos os sentidos se envolver com a carne e se associa a ela, então a carne pode agir involuntariamente, quando se torna uma questão de negá-la ativamente. Isso é absolutamente essencial. Entre o novo homem e a carne há a separação da Cruz de Cristo. Deus libertou o novo homem. A carne é a carne, e, "em mim, isto é, em minha carne, não habita bem algum". Estas operações "involuntárias" da "carne" se tornam mais claramente reconhecidas pelo "novo homem" na medida em que ele está sendo "renovado em conhecimento segundo a imagem Daquele que o criou" (Col 3.10). Ele não pode "recusar" aquilo que ele não pode discernir, mas enquanto anda na luz (Ef 5.13) de Deus, ele é responsável por "mortificar" os "feitos do corpo" (Rm 8.13) pelo Espírito, continuamente (veja Gl 5.16-26).


"Não Mais Eu"

O versículo 17 é uma conclusão ousada. Visto que este é o ponto, "se então eu faço aquilo que não aprovo ... não sou mais eu quem faço isso (leia isso com a maior simplicidade) mas o pecado que habita em mim”. Não sou mais eu! Paulo, você tem certeza que "o pecado habita" em você? Não existe homem debaixo do céu a respeito do qual tal declaração não seja verdadeira. Paulo distingue claramente o novo homem do pecado residente. Sua vontade total é contra qualquer das ações involuntárias da "carne". Não é ele quem faz isso por sua escolha deliberada.

João diz claramente que aquele que é nascido de Deus não pode pecar. Não sei se existe lugar para esse versículo em sua doutrina ou não, mas ele é bíblico. Ao mesmo 

tempo, enquanto você encontra lugar para ele em sua doutrina, você deve achar lugar também para esse: "Se dissermos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos".  Quando surge um conflito de teorias, é porque  uma escola deixa de fora um versículo e a outra escola deixa outro. Para termos uma doutrina bíblica, devemos achar lugar para todos os versículos que tenham algo a dizer sobre o assunto. O "novo homem" não pode fazer

nada além de se deleitar na lei de Deus - se pudesse ele precisaria de salvação e eu não conheço nenhuma salvação para o novo homem em Cristo.

Paulo diz: "tenho prazer na lei de Deus, segundo o homem interior", mas existe o outro lado: "Eu encontro outra lei nos meus membros ... a lei do pecado que está nos meus membros”. Aqui temos duas inclinações: a do homem interior e a do pecado; em outras palavras, a inclinação do corpo, ou, o pecado nos meus membros. O pecado está em toda parte do corpo: em seus membros, em suas faculdades, em seus órgãos; o pecado penetrando todo o mecanismo do seu ser. Por toda parte ele está pronto para despertar apetites e desejos ilegítimos. É muito claro para mim que Paulo não esperava livramento dessa dualidade e

conflito até que fosse revestido com um novo corpo. Toda a dificuldade, ele esclarece, está centralizada no corpo do pecado (isso fica claro pela palavra grega "katargeo" traduzida por "destruir" em Romanos 6.6). O léxico diz que o seu significado é: "deixar sem emprego; tornar estéril, vazio, inútil;" isto é, os "feitos do corpo" são feitos inoperantes por meio do considerar contínuo do fato que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo". Veja Romanos 6.11,12: "Não reine o pecado em vosso corpo mortal" (Conybeare).

Não se esqueça que ele estava se regozijando na esperança também. Não tema estes paradoxos, pois neles temos a verdade plena. Permanecendo na graça e regozijando na esperança da glória de Deus, e ainda assim gemendo em si mesmo, e aguardando ser revestido da sua "casa não feita com mãos". Ele tinha uma vontade redimida, coração e mente, numa certa medida, mas ele queria um corpo redimido. E você não quer? Essa esperança pela consumação era tão exultante que enquanto pensava nela ele irrompeu com um forte "Aleluia"! "Dou graças a Deus por meio de Jesus Cristo nosso Senhor".


Vitória

  "Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água ...