quinta-feira, 31 de agosto de 2023

NÃO ACERTE O SOL PELO SEU RELÓGIO

 

É preciso estarmos atentos quanto à poderosa influência que exercem sobre nós os conselheiros (ou mentores) espirituais, sob pena de, fascinados com a fama de algum líder popular, nos tornarmos ingenuamente condescendentes com superstições infantis ou acabarmos seguindo cegamente algum erro fatal.


Não adquira de homem nenhum a visão que você tem da verdade de Deus; adquira-a da Palavra de Deus. Não estude a Bíblia pelo sistema teológico dele, mas extraia o seu sistema da Bíblia e compare-o cuidadosamente com ela. Não devemos permitir que nosso sistema teológico modele ou seja o intérprete da verdade revelada. Ao contrário, é a Palavra de Deus que deve sugerir e moldar e colorir todos os pensamentos e opiniões e sistemas.


“Não devemos acertar o sol por nosso relógio; é o relógio que precisa ser acertado de acordo com o sol. Em outras palavras, não devemos tentar fazer com que a Palavra de Deus se encaixe em nosso credo, mas precisamos testar cada doutrina que sustentamos, cada opinião que ouvimos, cada princípio que afirmamos, a esperança que cultivamos, pelo inerrante padrão da verdade revelada”.


Isso dará uma compleição divina e própria a nossos pontos de vista. Se recebermos a luz do sol através de lentes coloridas, a luz haverá de refletir a cor dessas lentes. Dessa mesma forma, se recebermos a luz da Palavra de Deus mediante algum sistema teológico qualquer, forçosamente haverá de refletir o erro e a imperfeição que existirem naquele sistema. E dessa forma poderemos deixar de receber o ensino de Deus de forma pura e simples que Ele flui de Sua Palavra, assim como a luz flui do sol, e como o manancial brota da fonte.


A Bíblia é nossa regra de fé e nosso recurso final. Devemos testar, por meio da lei e do testemunho, toda e qualquer doutrina, e sistema e esperança quanto à eternidade. Não se deixe afastar, então, pelo ensino, pela influência ou mesmo pela alardeada piedade de algum nome conhecido. Não permita a nenhum líder humano o domínio sobre sua mente e sua consciência.


Renda-se mansamente e obedientemente à autoridade e ao ensino de Cristo, recebendo orientação humana somente quando vier com a confirmação de um “Assim diz o Senhor”. Nosso único meio de segurança nessa matéria de infinita importância, como nosso bem-estar futuro, é a pura Palavra de Deus; nosso único lugar seguro: os pés do Salvador. Assentados ali, como Seus humildes discípulos, o Espírito Santo haverá de guiar nossa mente à verdade, a própria “verdade como ela é em Jesus”, assim como ela emana de Jesus, como ela fala sobre Jesus, como ela fortalece nossa fé em Jesus e inspira nosso amor a Ele, e como ela nos prepara para ir até Ele e com Ele permanecer para sempre.

Octavius Winslow

A mensagem de Paulo às nações.

 A Mensagem

1) A lei e a carne colocadas de lado.

2) O novo homem criado em Cristo.

3) As mudanças resultantes.


"Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios"

(Efésios 3.1).


Em consequência do desígnio de Deus em remover a lei e edificar para Cristo esse novo corpo, a igreja, a graça foi aberta a todas as nações. Mas um novo servo de Deus, conhecedor do seu plano e desejoso de levá-lo a cabo, era necessário, alguém que desejasse também sofrer pela causa de Deus e para o benefício das nações. Pois os salvos desta dispensação são de peculiar valor aos olhos de Deus.


"Paulo, [...] o prisioneiro de Cristo Jesus" (Efésios 3.1).


Como o Senhor removeu a inimizade completamente, neste caso, quando Paulo, como zeloso pela lei, estava disposto a pregar Cristo aos gentios, e sofrer por causa de Israel e por causa das nações, por amor à igreja! Onde qualquer outro teria dito "o prisioneiro de Nero", Paulo diz "o prisioneiro de Cristo". Diante de todos os outros interesses, ele olha para a mão de Cristo como governante de tudo. É importante que nós façamos o mesmo! Assim diz o nosso Senhor Jesus: "Não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?" (João 18.11). Era por amor a Jesus Cristo que Paulo estava na prisão. Mas, visto pelo lado dos homens, isso mostrava a maldade tanto dos judeus como dos gentios. Paulo era odiado pelos judeus por ser o mensageiro do Altíssimo para os gentios. Ele estava detido como prisioneiro dos romanos para agradar os judeus, embora confessassem que Paulo era inocente de qualquer ofensa às leis de Roma.

Quando Jeová estava se manifestando como o Deus de Israel, o construtor do seu templo era um rei ilustre. Agora o construtor do seu melhor templo é um prisioneiro desprezado e injuriado, sob as mãos do rei de Roma e em perigo de vida. Foi realmente um tempo de mistério! Quando Coré e Datã levantaram-se contra Moisés e Arão, a terra se abriu e engoliu os insurgentes, e fogo do tabernáculo matou os rivais de Arão. Quando o rei de Israel enviou alguns de seus soldados para prender Elias, fogo do céu desceu e os eliminou. Quando os embaixadores de Davi foram tratados com indignidade, ele vingou o insulto com a guerra (2 Samuel 10). Mas agora, nem Paulo clama por vingança, nem o Salvador ergue seu braço em favor dele. É o tempo de misericórdia! Mas, quando o tempo da recompensa chegar, o injuriado Paulo será realmente um rei!

Qual foi a causa do seu aprisionamento? Foi o ódio dos judeus. Paulo foi falsamente acusado como profanador do templo. Sua vida foi perseguida, porque em Jerusalém ele se proclamou mensageiro enviado às nações, em consequência da rejeição de Israel ao Senhor Jesus.

Paulo era o "prisioneiro de Cristo Jesus" para os "gentios", ou seja, para as nações (Efésios 3.1). A missão de Paulo era exclusivamente para as nações, inclusive para a nação de Israel. Ele estava colocando em prática a palavra do nosso Senhor: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mateus 28.19).

O Cristo havia de padecer até à morte e ressuscitar, "e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém" (Lucas 24.47).

Seria demorado demais que eu apresentasse um esboço da história dos procedimentos do Senhor com as nações, tanto no passado quanto no futuro. Mas o leitor das Escrituras achará o estudo muito proveitoso.

Apenas mencionarei que a expressão "as nações" em Apocalipse tem o mesmo significado dado aqui, até mesmo quando fala sobre o estado eterno dos salvos (Apocalipse 21.24, 26; 22.2).

Esta carta de Paulo é seu manifesto, não somente aos efésios, nem somente para a Ásia, mas para as muitas nações do mundo inteiro. Cristo pretendia que a epístola iluminasse os lugares e tempos distantes daqueles visitados por Paulo. Era uma mensagem para eles, para seu benefício e sua salvação, de modo tão real quanto a lei era contra eles e contrária a eles.

Os crentes referidos aqui foram outrora "das nações”. Haviam saído delas pela fé e pelo batismo, e agora estavam “em Cristo". Aqui Paulo fala àqueles que lerem sua epístola sobre o objetivo de sua missão para o mundo. Ele pregava as nações a fim de ganhar homens do mundo para Cristo. "Porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gálatas 3.27-28).

Um apóstolo especial era necessário para levar aos gentios as boas novas relativas a Cristo. Aos primeiros doze foi ordenado que fossem às nações e fizessem discípulos de todas elas. Contudo, lemos que debaixo da perseguição de Saulo, quando a assembleia de Jerusalém foi dissolvida, "todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões de Judeia e Samaria" (Atos 8.1). Quando Pedro é, por fim, especialmente comissionado para pregar a Cornélio, vemos que ele é objeto de reprovação de seus irmãos, que são descritos como "os da circuncisão". Pedro primeiramente se recusa a obedecer à visão do lençol baixado do céu, porque ele nunca havia transgredido as leis mosaicas quanto às refeições.

Deus, então, em sua graça, levantou Paulo para transmitir esta mensagem, que é tão preciosa para nós. Nenhum outro apóstolo senão ele teve a ousadia de experimentar o ódio que surgiu devido a essa missão para as nações, e ao ensino para os gentios acerca da aceitação deles por Deus, tendo total liberdade da lei de Moisés.

A missão de Paulo foi, de fato, para benefício das nações. Ele proclamou em sua plenitude a liberdade dos que estão em Cristo.

O objeto da missão de Paulo, como ele mesmo diz, são as nações. Israel é agora considerado somente uma entre as nações; sua posição distintiva foi outrora perdida por causa do pecado. "Na tua descendência, serão abençoadas todas as nações da terra. Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar" (Atos 3.25-26).

Esta é parte do último discurso de Pedro a Israel. "Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti" (Gálatas 3.8, ARC). "As nações", então, incluem todo o mundo.

Esse evangelho está em vigor somente enquanto Cristo está no céu. Quando Ele retornar, será para Jerusalém e seu templo, e a supremacia de Israel sobre os gentios será declarada e estabelecida, como vimos em Isaías. Porém, agora os crentes de todas as nações, sendo aceitos em Cristo, ocupam uma única e mesma posição diante de Deus.

A resistência voluntária de Paulo quanto a seus esforços pelas nações evidenciou seu forte senso da profunda importância de sua mensagem, e somos extremamente devedores a ele. De fato, aquele que está em Cristo está colocado em uma posição muito mais elevada do que Israel, agora, na era vindoura, e para sempre.


(fragmentos do livro: "comentários aos Efésios" por Robert Govett)


Salvação do espírito e da alma

 Como vemos, depois da *SALVAÇÃO DO ESPÍRITO*, que é a salvação eterna, temos que compreender o que é a *SALVAÇÃO DA ALMA*. 


E a salvação da alma se relaciona com a nossa conduta, com as nossas obras; tem a ver com o Reino de Deus, com o Reino dos Céus, com o Milênio. 


Nossos atos hoje, nossos sofrimentos e adversidades decidem a nossa participação no Reino.


A salvação do espírito tem a ver com a *VIDA ETERNA*, enquanto que a salvação da alma é a *POSSE DO REINO*. 


O espírito é salvo mediante o que o Senhor Jesus realizou por nós na cruz do Calvário, e a alma é salva por aquilo que estamos fazendo, pela vida que estamos vivendo, por vivermos uma vida de cruz. 


O espírito é salvo por tudo que o Senhor Jesus fez por nós dando Sua vida, e a nossa alma é salva porque temos que negar a nós mesmos e seguir o Senhor. Você compreende? Essa é a salvação da alma! 


Luiz Fontes


quarta-feira, 30 de agosto de 2023

O SENHOR ESTAVA COM...

 O Senhor estava com…


1. José, que é um tipo de Cristo
• quando José foi vendido por seus irmãos, “Deus era com ele” (At 7.9)
• o Sᴇɴʜᴏʀ estava com ele na casa de Potifar (Gn 39.2)
• e seu dono viu que o Sᴇɴʜᴏʀ estava com ele (v. 3)
• o Sᴇɴʜᴏʀ estava com ele também na prisão (v. 21)
• e o carcereiro-mor entendeu isso também (v. 23)


2. Samuel (1Sm 3.19)

3. Davi, que é um tipo de Cristo
• um servo de Saul deu testemunho disso (1Sm 16.18)
• Saul temia a Davi por essa razão (18.12)
• além da prudência de Davi, “o Sᴇɴʜᴏʀ era com ele” (v. 14)
• Saul tramou contra Davi por essa razão (v. 28)
• Benaia reconheceu isso (1Rs 1.37)

4. Finéias, sacerdote (1Cr 9.20)

5. Salomão (2Cr 1.1)

6. Jeosafá, rei (2Cr 17.3)

7. Cristo
• Nicodemos reconheceu isso por causa dos sinais que Cristo fazia (Jo 3.2)
• Pedro dá testemunho disso (At 10.38)
• “Deus estava em Cristo reconciliando Consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2Co 5.19)


Bem aventurados aqueles que tem o Senhor como salvação e forte arrimo!


(Compartilhado por Francisco Nunes)

Quietude de alma

 Um dos fatores essênciais ao nosso crescimento na comunhão com DEUS é aprender a aquietar-nos e esperar Nele.

Muitos de nós somos dominados pela "síndrome da pressa ". Acredito que uma das ordenanças bíblicas mais difíceis de se acatar seja: "AQUIETAI-VOS E SABEI QUE EU SOU DEUS".

Texto extraído do livro "O maior privilégio da vida", de DeVern Fromke.

Busquemos tempos de solitude na comunhão com Deus com quietude de alma e coração para andarmos e vivemos em oração incessante.

Amém!

A Cruz é o início e o fim da vida ressurreta

 “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24).

Se você esquecer de tudo mais, lembre-se disso: A Cruz é o início e o fim da vida ressurreta! O apóstolo Paulo disse: “para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte” (Fp 3:10). 

Algumas pessoas me perguntaram: por que, nesse texto de Filipenses, Paulo colocou a morte no final? Não estaria mais correto construir essa frase ao contrário: “Que eu possa ser conformado com Sua morte, e conhecer o Senhor no poder da Sua ressurreição, e na comunhão dos Seus sofrimentos”? Não, não tem nenhum erro ali. A ordem foi estabelecida pelo Espírito Santo!

O poder da Sua ressurreição pressupõe que houve morte, mas a própria vida de ressurreição conduz à Cruz. O Espírito Santo é o poder na vida ressurreta, e Ele está sempre nos conduzindo de volta para a Cruz, para a conformidade com a morte do Senhor.

É a própria característica da vida do Senhor expulsar tudo o que pertence à morte. O poder da ressurreição nos conduz de volta ao lugar onde a morte é constantemente vencida. Aquele lugar é exatamente a Cruz do nosso Senhor Jesus Cristo, onde a vida natural é colocada de lado.

Você precisa de Vida? Com efeito, o Senhor então diz: “Bem, vamos começar a tirar algumas coisas do caminho!”. Quando Ele conseguir tirar algumas dessas coisas da frente, então veremos a Vida! É por isso que a obra da cruz está sempre nos conduzindo à morte. Mas é importante lembrar que essa morte não nos destrói. Pelo contrário, ela abre espaço para uma maior plenitude de Vida. O Espírito Santo sempre opera em conjunto com a Cruz, para que o poder da Sua ressurreição possa crescer em nós.

Você realmente deseja vida? Raramente vi pessoas que, tendo de fato se entregado ao Senhor na busca por um crescimento em sua vida espiritual, não tenham prontamente entrado numa experiência muito amarga, atravessando um período muito difícil.

Você já passou por isso? Já se entregou para o Senhor por algo novo, passando por duras provas, experiências escuras e muito difíceis logo depois? É sempre assim! Isso não está errado!

Com efeito, o Senhor está dizendo: “Você deseja mesmo isso? Sempre existe algo a ser tirado do caminho”. 

Pode ser que você deseje esse aumento de Vida porque quer ser uma pessoa mais feliz. Essa motivação deverá sair, para que você não deseje mais as coisas para você, mas para o Senhor!

Ao passar por momentos difíceis, se o elemento dominante for o ego, você dirá: “Bem! prefiro não ter esse aumento de vida, se tiver que ser desta maneira!” Essa é a forma egoísta de ver as coisas.

Mas, podemos chegar ao ponto de dizer: “Não importa o preço, o Senhor precisa ter isso em minha vida!” Então, você chegou ao ponto de tirar o governo do Ego da sua vida. O Espírito Santo sempre toca nesse ponto, porque Ele busca vida, vida abundante, e isso só poderá ser obtido se Ele trouxer a Cruz novamente à nossa vida.

A Cruz é básica para dar vida, porque foi ali que o Senhor Jesus venceu a morte e trouxe vida aos Seus santos! Que o Senhor nos conduza à essa Vida abundante.

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Extraído do capítulo 3 do livro “The Battle for Life”, de T. Austin-Sparks

Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se! - 03

 “Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se” (Mateus 27:42).

Salvou os outros – todos os recursos em Deus e o poder de Deus para aos outros! A Si mesmo não pode salvar-se – impotência, vacuidade, sofrimento, conflito e morte para Si mesmo.

Essa foi a marca registrada da mais elevada manifestação do espírito do Cordeiro, vista nos heróis da fé, conforme o registro de Hebreus 11; e entre esses heróis da fé, que alcançaram o lugar mais elevado nesse rol de honra, estavam mulheres que foram abatidas à morte, não aceitando o livramento, a fim de que pudessem alcançar uma melhor ressureição (Hb 11:35) [as versões em português trazem “alguns” ou “uns”, sempre no masculino]. Sim, essa é a marca registrada mais elevada do espírito do Cordeiro. Subjugar reinos, obter promessas, fechar a boca dos leões, extinguir a violência do fogo, escapar ao fio da espada, tornar-se poderoso na guerra (Hb 11:34), tudo como resultado de fé num Deus Onipotente – isso é poder; mas ser torturado e não aceitar ser resgatado (v. 35) – isso é Calvário. A escolha voluntária para sofrer e morrer, ao invés de salvar a si mesmo, é algo mais elevado do que a fé para conquistar e subjugar.

Se não estamos enganados, esse é o caminho mais elevado colocado diante de todos aqueles que avançam em direção ao alvo da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus no tempo presente.

“Nova evidência de que Deus está operando poderosamente para levantar e estabelecer um povo realmente conformado à morte de Cristo veio a mim esta manhã – um assunto muito mais sério e poderoso do que a concessão de dons”, escreveu um ministro de grande experiência e em condições de ver e conhecer de forma especial a tendência da obra do Espírito.

Sim, Deus “está operando poderosamente em minha direção”, dirão muitas almas profundamente provadas, quando pensam em seu próprio caso e nos caminhos estranhos e especiais nos quais estão sendo estranhamente conduzidas, a fim de poder conhecer o caminho da cruz e entrar no espírito do Cordeiro.

Dois caminhos parecem estar claramente abertos diante da Igreja de Deus, com uma escolha para cada membro do Corpo de Cristo, que tem resultados eternos. Por um lado, há a conformidade ao Cordeiro, que já mencionamos antes, em relação a qual necessitamos de visão divina para discernir sua beleza e glória celestiais. Por outro lado, o caminho de salvar a nós mesmo, no sentido pleno de tudo o que significa seguir o Cordeiro na Terra, com a consequente perda da glória de participar do trono do Cordeiro.

“Se com Ele sofremos, com Ele reinaremos” (2 Tm.2:12).

“Se com Ele sofremos, também com Ele seremos glorificados” (Rm.8:17).

O sofrimento de Cristo foi totalmente voluntário, pois Ele disse: “Eu dou a minha vida… Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou” (Jo 10:17-18). No caminho da conformidade à Sua morte, muitos, que escolheram seguir o Cordeiro onde quer que Ele vá (Ap 14:4), encontram-se no caminho da cruz, o que poderia ser evitado, se quisessem! Eles poderiam aceitar o livramento e salvar a si mesmos, mas perderiam a superior ressureição [Hb 11:35]. Isso é, na verdade, o espírito do Cordeiro morto, suprido pela graça de Deus a pecadores redimidos. Tudo o que é da terra, nas vozes dos amigos e do mundo, e da própria vida desses, clama: “Salva a Ti mesmo e a nós”. Mas o Espírito de Cristo no interior deles os conduz no caminho do Cordeiro, pois, como Ele, não podem salvar a si mesmos.

Ver um caminho de escape do sofrimento e, por sua própria livre escolha, decidir recusar-se a entrar por ele, por significar a salvação deles mesmos – isso é digno de reconhecimento diante de Deus, pois é o caminho mais próximo da semelhança com Aquele a respeito do Qual foi dito em tom de escárnio: “Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se”.

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Extraído do livro “A Cruz: O Caminho Para o Reino” 

(Editora dos Clássicos) – Jessie Penn-Lewis

Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se! - 02

 Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se” (Mateus 27:42).

“Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se”. Isso não significa que Ele não tivesse o poder e os recursos para salvar a Si mesmo. Pelo contrário, Ele tinha o poder, mas não iria usa-lo! Salvar os outros quando isso não custa nada a você é algo possível até para as criaturas caídas. Mas salvar os outros e recusar-se a salvar a si mesmo, quando você tem condições para fazê-lo, é divino. Ele não pode salvar a Si mesmo porque é contrário à natureza divina salvar o ego à custa da perda dos outros.

A Si mesmo não pode salvar-se. Palavras impressionantes, pronunciadas como deboche e pelos lábios de pecadores que crucificaram o seu Salvador. Mesmo na tentação do deserto (Mt 4:1), essa lei da Sua vida foi manifestada; ali Ele não se alimentou, porque não poderia alimentar a Si mesmo, mas mais tarde, alimentou os outros (Mt 14:13-21).

Ele podia utilizar todo o poder da Divindade para abençoar os outros, para alimentar os outros, para salvar os outros; mas para Si mesmo, nada! Não usou os recursos divinos para salvar a Si mesmo no momento de fome aguda, para ter uma palavra a menos de desprezo ou um golpe a menos do açoite, e ser apenas golpeado com a mão.

Assim devem ser os filhos de Deus conformados à imagem do Filho, para manifestar Seu caráter divino, como o Filho revelou a expressa imagem do Pai. “Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se” é a lei da vida de Jesus e deve ser a lei da vida de cada seguidor do Cordeiro.

Ter o poder para salvar a si mesmo e recusar-se a usá-lo, porque, se o usasse, os outros não poderiam ser salvos, é a vida de Jesus manifestada naqueles que Ele redimiu. Derramar sua vida pelos outros que o rejeitam e o julgam incorretamente, quando você não precisaria fazê-lo: isso é Calvário! Ter o poder para salvar a você mesmo e não usá-lo, por significar perda para os outros: isso é Calvário! Ser usado para libertar almas do poder de Satanás e, depois, colocar-se, como Cristo o fez, à aparente mercê da “vossa hora e o poder das trevas” (Lc 22:53): isso é verdadeiramente o Calvário!

Ó Filho de Deus, Ele salvou os outros, mas a Si mesmo não pode salvar! Este deve ser o caminho para os seguidores do Cordeiro em cada momento de tensão dolorida e tempestade. Deus te usa para libertar os outros, e talvez você esteja desejando saber por que você mesmo não é libertado das lutas por fora e temores por dentro (2 Co.7:5) que estão assediando sua própria vida. Outros vêm a você em extrema necessidade, e, com teu próprio coração partido, você é solicitado a dar do teu próprio vazio e perder aquilo que parece ser a tua própria necessidade. Você é solicitado a clamar pela vitória dos outros que estão em angústia, quando você mesmo parece estar em angústia maior.

No Calvário foi assim! Aquele, que havia libertado outros do poder de Satanás, foi entregue, como vimos, à fúria total do poder das trevas. Aquele, que havia realizado obras poderosas de Deus pelos outros, jaz em impotência e fraqueza nas mãos dos homens. Sim, isso é o Calvário. Vida, poder, bênção e libertação para os outros, e nada para você mesmo, a não ser permanecer na vontade de Deus e aceitar das mãos do Pai tudo o que for do Seu agrado permitir que chegue até você.

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Extraído do livro “A Cruz: O Caminho Para o Reino” 

(Editora dos Clássicos) – Jessie Penn-Lewis

Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se! - 01

Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se” (Mateus 27:42).

Esse foi o escárnio dirigido ao Cristo que morria, quando ficou pendurado em Sua cruz naquele “distante monte verde”.

Palavras de deboche, mas incorporando a própria essência da vida e morte do Filho de Deus, a própria essência dos tratos de Deus com o mundo – a própria essência do Calvário.

“Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito…” (Jo.3:16).

Para salvar os outros – pecadores, rebeldes, inimigos – o Pai não pôde salvar a Si mesmo de enviar, do Seu seio, o Filho do Seu amor. Para salvar os outros, o Filho não pode salvar a Si mesmo, mas tem que derramar a Sua alma na morte, e assim, ver Sua semente e dividir o despojo com os poderosos (Is 53:12). Para salvar os outros, o Espírito Santo não pode salvar a Si mesmo da angústia, à semelhança da tristeza e angústia do Filho no Getsêmani, em Sua entrada no coração dos que uma vez afundaram-se no pecado e são frequentemente obstinados e desobedientes aos clamores do Filho. [Note que a mesma palavra usada para o sofrimento do Senhor no Getsêmani é usada também em Ef 4:30: “Não entristeçais o Espírito Santo de Deus”].

“Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se”. Essa expressão engloba, em poucas palavras, toda a história do caminho do Deus-Homem na Terra; desse modo, Ele manifestou ao homem caído a expressa imagem ou caráter (conforme o grego) do Pai no céu.

“Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito… para vivermos…” (I Jo 4:9).

“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós…” (I Jo 3:16).

O caráter de Deus foi revelado em Seu Filho; a natureza divina foi manifestada Naquele que era a expressão exata do Seu ser”. Resumindo: salvar os outros é próprio de Deus, recusando-Se a salvar a Si mesmo.

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Extraído do livro “A Cruz: O Caminho Para o Reino” 

(Editora dos Clássicos) – Jessie Penn-Lewis (1861 – 1927)

AS 4 FACES DO SALVADOR NOS EVANGELHOS

 1 - O Evangelho de Mateus testifica que Ele é o Rei, o Cristo de Deus profetizado no Antigo Testamento, que traz à terra o reino dos céus. 

2 - O Evangelho de Marcos nos diz que Ele é o Servo de Deus, fiel em Seu seviço a Ele. 

3 - O Evangelho de Lucas apresenta um quadro completo de Cristo como o único homem correto e normal que já viveu na terra; como tal, Ele é o Salvador da humanidade.

4 - O Evangelho de João desvenda-O como o Filho de Deus, o próprio Deus, que é vida para o Seu povo.


(Autor Desconhecido)

Este é o meu Rei!

 A Bíblia diz que meu Rei é o Rei dos judeus, Ele é Rei de Israel, Ele é Rei da Justiça, Ele é o Rei da história, Ele é o Rei do céu, Ele é o Rei da glória, Ele é o Rei dos reis, e Ele é Senhor dos Senhores.


Esse é o meu Rei, me pergunto se você O conhece.


Meu Rei é um Rei soberano, nenhum tipo de medida pode definir seu amor ilimitado, Ele é continuamente forte, Ele é inteiramente sincero, Ele é eternamente constante, Ele é imortavelmente gracioso, Ele é imperialmente poderoso, Ele é imparcialmente misericordioso.


Você O conhece?


Ele é o maior fenômeno que jamais cruzou o horizonte deste mundo, Ele é o Filho de Deus, Ele é o salvador do pecador, Ele é a peça central da civilização, Ele é incomparável. Ele é único.


Ele é a ideia mais elevada na literatura, Ele é a mais alta personalidade em filosofia, Ele é a fundamental doutrina da verdadeira teologia, Ele é o único qualificado para ser um Salvador totalmente suficiente.


Me pergunto, se você O conhece hoje.


Ele supre força ao fraco, Ele é disponível para o tentado e o atribulado, Ele se compadece e Ele salva, Ele endireita e sustenta, Ele guarda e Ele guia, Ele cura o doente, Ele purifica os leprosos, Ele perdoa pecadores, Ele absolve devedores, Ele liberta os cativos, Ele defende o fraco, Ele abençoa as crianças, Ele serve o infortunado, Ele considera o idoso, Ele recompensa o diligente, Ele embeleza o humilde.


Me pergunto se você O conhece.


Ele é a chave do conhecimento, Ele é a fonte da sabedoria, Ele é a entrada de livramento, Ele é o caminho da paz, Ele é a rodovia da justiça, Ele é a estrada da santidade, Ele é o portão da glória.


Você O conhece?


Bem, Sua vida é inigualável, Sua bondade é ilimitada, Sua misericórdia é para sempre, Seu amor nunca muda, Sua Palavra basta, Sua graça é suficiente, Seu reino é reto, e Seu jugo é suave, e Seu fardo é leve.


Eu queria poder descrevê-Lo à você, mas Ele é indescritível, Ele é incompreensível, Ele é invencível, Ele é irresistível.


Bem, você não consegue tirá-Lo de sua mente, você não pode soltá-Lo de sua mão, você não pode viver mais do que Ele, e você não pode viver sem Ele


Bem, os fariseus não O suportaram, mas descobriram que não poderiam pará-Lo, Pilatos não pôde encontrar culpa alguma n’Ele, Herodes não pôde matá-Lo, A morte não pôde dominá-Lo, e a sepultura não pôde retê-Lo.


Sim, Esse é o meu Rei!


Esse é o meu Rei!



(Dr. S.M. Lockridge)

A ORIGEM DA BIBLIA

 “Toda a Escritura é soprada por Deus...” — 2 Timóteo 3:16

A origem da Bíblia é Deus;

foi Deus quem, pelo Seu Espírito, soprou Suas palavras de revelação primeiramente para dentro e então de dentro dos escritores das Escrituras. O que foi soprado não eram apenas palavras, mas também espírito.

O conteúdo da Bíblia é tanto extensivo como inclusivo; os dois aspectos principais desse conteúdo são verdade e vida. A verdade nos traz a revelação e o conhecimento de todas as realidades no universo, tais como a realidade de Deus, a realidade do homem, a realidade do universo, a realidade das coisas da era atual, da era vindoura e da era eterna e, em particular, a realidade do Cristo designado por Deus e da igreja escolhida por Ele. Vida é Deus vindo a nós a fim de ser nossa vida para que obtenhamos a regeneração, o crescimento, a transformação e a conformação à imagem de Cristo, que expressa Deus, para que nos tornemos a expressão de Deus.

A primeira função da Bíblia é testificar a respeito de Cristo. Cristo é o assunto e o conteúdo da Bíblia, e a Bíblia é a explicação e a expressão de Cristo. Cristo é a Palavra viva de Deus, e a Bíblia é a Sua Palavra escrita. Sem Cristo, a Palavra viva, como realidade, as palavras escritas da Bíblia são meramente doutrinas vazias e letras vãs. Sem a palavra escrita da Bíblia como Sua expressão, Cristo, a Palavra viva, seria abstrato e intangível. Portanto, devemos ler a Bíblia se desejamos conhecer Cristo.

(Witness Lee)

AGOSTINHO DE HIPONA

 

Na mesma época em que se desenrolavam na igreja grega ou oriental as controvérsias cristológicas, viveu no Ocidente aquele que seria considerado o maior dos pais da igreja – Aurélio Agostinho. Por sua genialidade, produtividade e influência, ele é considerado o equivalente latino do brilhante Orígenes. Agostinho foi o último dos grandes escritores cristãos da antiguidade e o precursor da teologia medieval, tendo também influenciado profundamente a teologia protestante do século 16. Ele deu à teologia ocidental características que a destacaram da oriental e contribuíram para o rompimento final das duas tradições.

O famoso bispo introduziu no pensamento cristão o conceito de “monergismo” (de monos = “um só” e ergon = “obra”), ou seja, que tanto na história humana como na salvação a atuação de Deus é plenamente soberana, em contraste com a posição “sinergista” aceita por vários séculos, com sua ênfase na cooperação das agências humana e divina. Essa posição de Agostinho nunca foi totalmente aceita pela sua igreja e foi rejeitada pela igreja oriental. Ainda assim, ele foi declarado um dos quatro doutores da igreja latina, ao lado de Ambrósio, Jerônimo e Gregório I.

Por causa da sua autobiografia, as Confissões, a vida de Agostinho é a mais conhecida dentre todos os pais da igreja. Ele nasceu em 354 em Tagaste, no norte da África (a moderna Argélia), não longe da grande cidade de Cartago (na atual Tunísia), e recebeu o nome de Aurelius Augustinus. Seu pai, Patrício, um funcionário público de classe média, era um pagão que só se converteu pouco antes de morrer em 372. A mãe, Mônica, era uma cristã piedosa de forte personalidade.

O jovem estudou em sua cidade natal e depois em Madaura e Cartago. Destacou-se na retórica latina, mas não conseguiu dominar a língua grega. Embora fosse um catecúmeno desde a infância, tinha paixão pelo teatro e somente disciplinou a sua sexualidade através da união com uma concubina (372-385), que lhe deu um filho, Adeodato, falecido por volta de 390. Desiludido com a Bíblia e fascinado pela filosofia através da leitura de uma obra do orador romano Cícero (Hortênsio), Agostinho voltou-se para o maniqueísmo, uma seita gnóstica, e depois para o ceticismo. Tornou-se professor de retórica em Tagaste e Cartago, e foi então para Roma (383) e Milão (384), sendo logo seguido por sua mãe, que estava interessada em seu progresso profissional e em seu retorno à igreja.

Em Milão, o jovem retórico recebeu a influência da filosofia neoplatônica, que o convenceu da existência do Ser transcendente imaterial e lhe deu uma nova compreensão do problema do mal como corrupção ou ausência do bem. Impressionou-se com a eloquência erudita e com a pregação alegórica do grande bispo Ambrósio (c. 339-397), considerado o maior orador sacro da antiga igreja latina.

Sua peregrinação culminou em agosto de 386 com a célebre experiência do jardim, narrada com detalhes nas Confissões. Enquanto conversava com o amigo Alípio sobre a mensagem do apóstolo Paulo, Agostinho sentiu-se tomado de profunda emoção. Afastando-se, ouviu uma criança cantar repetidamente tolle lege (“toma e lê”). Abrindo ao acaso a carta aos Romanos, leu os versos 13 e 14 do capítulo 13, convertendo-se afinal. Abandonando a carreira pública, abraçou a vida monástica e foi batizado por Ambrósio na páscoa de 387.

Ao retornar a Tagaste, após a morte de Mônica em Óstia, perto de Roma, começou a escrever contra o maniqueísmo e formou uma comunidade contemplativa. Ao fazer uma visita a Hipona, hoje na Argélia, foi ordenado sacerdote quase à força (391). Tornou-se bispo coadjutor em 395 e no ano seguinte, bispo de Hipona, cargo que exerceu até sua morte em 430. Sendo agora um líder da igreja e defrontando-se com grandes desafios, sua perspectiva transformou-se de modo decisivo. Passou a ter uma visão mais radicalmente bíblica do ser humano e da história, em contraste com o seu anterior humanismo otimista neoplatônico.

A teologia de Agostinho foi forjada e amadureceu no contexto de três grandes controvérsias nas quais se envolveu, a começar da sua luta contra os maniqueístas. Estes eram seguidores do profeta persa Mani (c. 216-276), que foi martirizado pelos romanos. Criam em duas forças eternas e iguais, o bem e o mal, em luta perpétua. Assim como os gnósticos, atribuíam o mal à matéria, criada pelo princípio do mal, e o bem ao espírito, criado pelo Deus bom. A alma ou espírito do homem era uma centelha do poder benigno que havia sido roubada pelas forças malignas e aprisionada na matéria. Quando jovem, Agostinho se sentira atraído por essa filosofia religiosa, que parecia explicar melhor que o cristianismo algumas das questões mais importantes da existência. Mais tarde, decepcionou-se com o movimento, principalmente após uma conversa com Fausto, o filósofo maniqueu mais importante.

Em sua principal obra contra o maniqueísmo, Da natureza do bem (c. 405), Agostinho argumentou que não é preciso admitir duas forças iguais e opostas no universo (dualismo) para explicar o mal. Este não é uma natureza ou substância, mas a corrupção da natureza boa criada por Deus ou uma privatio boni (ausência do bem). Ele usou dois argumentos: metafísico (toda natureza criada é inferior a Deus e passível de corrupção) e moral (o mal moral decorre do uso impróprio do livre-arbítrio). Agostinho utilizou a filosofia (no caso o neoplatonismo) contra o maniqueísmo, adaptando-a à fé cristã, algo que vinha sendo feito desde a época de Clemente de Alexandria e Orígenes, por causa do entendimento de que toda verdade é verdade de Deus, venha de onde vier. Ao mesmo tempo, discordou do neoplatonismo quanto à natureza de Deus (pessoal em contraste com o Uno impessoal) e à criação do mundo (a partir do nada ou ex nihilo em contraste com a eternidade da matéria). Com a ajuda da filosofia, Agostinho demonstrou racionalmente a superioridade do cristianismo e forneceu padrões para o pensamento cristão sobre temas como Deus, a graça, a criação, o pecado, o livre arbítrio e o mal. Empregou argumentos já conhecidos, porém de forma nova e atraente.

A segunda grande controvérsia de que Agostinho participou foi contra os donatistas. Esse cisma na igreja católica do norte da África, que resultou na formação de uma poderosa igreja rival, havia surgido após a última perseguição contra os cristãos, no início do 4° século (303-311). Os líderes iniciais do movimento, entre os quais estava um bispo chamado Donato, afirmavam que os bispos que tinham cooperado com os perseguidores romanos não eram legítimos e que os homens que eles haviam ordenado não eram sacerdotes cristãos. Os donatistas eram herdeiros da tradição rigorista ou moralista de O Pastor de Hermas e Tertuliano, e agora, na época de Agostinho, argumentavam que os bispos e sacerdotes católicos eram corruptos ou heréticos, e por isso os sacramentos que ministravam não eram válidos. Nessas alegações, apelavam inclusive aos escritos de Cipriano.

Ao lutar contra os donatistas, em obras como Sobre o batismo, Agostinho salientou duas questões: a natureza da igreja e a validade dos sacramentos. A ênfase principal dos donatistas era a pureza da igreja: esta era considerada a congregação dos santos, tanto na terra como no céu, sendo sempre um pequeno remanescente fiel. Rejeitando essa eclesiologia, Agostinho argumentou que os donatistas é que eram impuros, por destruírem a unidade da igreja e caírem no pecado do cisma. Para ele, a igreja inclui todos os tipos de pessoas, contendo em si tanto o bem como o mal (o trigo e o joio) até a separação definitiva no último dia.

Quanto aos sacramentos, ele insistiu que o batismo e a Eucaristia transmitem a graça de Deus ex opere operato, ou seja, “em virtude do próprio ato”, independentemente da condição moral e espiritual do oficiante. Os sacramentos provêm de Cristo e o seu poder e eficácia baseiam-se na santidade de Cristo, que não pode ser corrompida por ministros indignos “assim como a luz do sol não é corrompida ao brilhar através de um esgoto”. Portanto, um sacramento é válido mesmo quando ministrado por um sacerdote imoral ou herético, contanto que tenha uma ordenação válida e esteja em comunhão com a igreja. Ele é mero instrumento da graça de Cristo.

Sem dúvida, a controvérsia mais importante na qual se envolveu Agostinho, e aquela que trouxe consequências mais profundas para sua teologia, foi a que ele manteve contra o pelagianismo. Pelágio era um monge britânico que nasceu em meados do século 4°. Por volta de 405 ele foi para Roma e depois seguiu para o norte de África, mas não chegou a se encontrar com Agostinho. Foi então para a Palestina e escreveu dois livros sobre o pecado, o livre-arbítrio e a graça: Da natureza e Do livre-arbítrio. Embora criticado fortemente por Agostinho e seu amigo Jerônimo (†420), comentarista bíblico e tradutor da Vulgata Latina, ele foi inocentado por um sínodo reunido na Palestina em 415. Todavia, foi condenado como herege pelo bispo de Roma (417-418) e pelo Concílio de Éfeso (431). Pelágio era um cristão moralista que achava que a crença numa tendência natural para o pecado era um desestímulo para que os cristãos vivessem vidas virtuosas.

Pelágio foi acusado de três heresias. Primeiro, negou o pecado original no sentido de culpa herdada, no que era acompanhado por muitos cristãos orientais. Dizia que as pessoas pecam porque nascem num mundo corrompido e são influenciadas pelos maus exemplos ao seu redor, mas que elas não têm uma tendência natural para pecar. Se elas pecam é porque decidem fazê-lo deliberadamente. Em segundo lugar, ele negou que a graça sobrenatural de Deus seja essencial para a salvação. Tudo de que os cristãos precisam é a iluminação dada pela Palavra de Deus e por sua própria consciência. Finalmente, afirmou a possibilidade, pelo menos teórica, de se viver uma vida sem pecado mediante o uso correto do livre-arbítrio. Todo ser humano se encontra na situação de Adão antes da queda, podendo optar por viver em perfeita obediência à lei de Deus.

Reagindo contra os ensinos de Pelágio, Agostinho desenvolveu a sua própria soteriologia, que parte de duas convicções centrais: a total corrupção dos seres humanos após a queda e a absoluta soberania de Deus. Suas principais obras antipelagianas foram: Do Espírito e da letra (412), Da natureza e da graça (415), Da graça de Cristo e do pecado original (418), Da graça e do livre arbítrio (427) e Da predestinação dos santos (429). Ele também tratou dessas questões em outras obras, tais como o Enchiridion (421) e A cidade de Deus (c. 413-427).

Apelando a ensinos do apóstolo Paulo, como Romanos 5.12-21, Agostinho afirmou que todos os seres humanos, inclusive os filhos dos cristãos, nascem culpados e totalmente corrompidos por causa do pecado de Adão e da natureza pecaminosa herdada dele, estando sujeitos à condenação eterna. Eles fazem parte de uma “massa de perdição”. Essa situação só é desfeita pelo batismo (o sacramento da regeneração), pelo arrependimento e pela graça sacramental. A vida cristã virtuosa é inteiramente uma obra da graça de Deus e de modo algum um produto do esforço humano ou do livre-arbítrio, sem a graça capacitadora. Por causa da corrupção herdada, o ser humano não tem liberdade para não pecar (non posse non peccare).

Para Agostinho, o livre-arbítrio era simplesmente fazer o que se deseja fazer, agir de acordo com a própria natureza, não incluindo a capacidade da escolha contrária, como era sustentado por Pelágio e seus seguidores. Assim, as pessoas são livres para pecar, mas não para não pecar: pecar é tudo o que elas querem fazer sem a graça interveniente de Deus.

Portanto, a graça soberana de Deus é absolutamente necessária para qualquer decisão ou ação positiva do ser humano caído. As criaturas humanas estão de tal modo corrompidas que, se Deus não lhes concedesse o dom da fé, nem sequer se voltariam para ele. Se fosse possível alcançar a retidão somente pela natureza e pelo livre-arbítrio, sem a graça sobrenatural, Cristo teria morrido em vão. Deus determina ou predestina de modo soberano tudo o que acontece.

Em sua última obra, Da predestinação dos santos, Agostinho afirmou que Deus escolhe alguns indivíduos do meio da massa humana de perdição para receberem a dádiva da fé, e deixa os outros em sua merecida perdição. É aquilo que mais tarde seria descrito como “eleição incondicional” e “graça irresistível”. Agostinho não explicou satisfatoriamente certas questões difíceis levantas pela sua soteriologia (Deus é o autor do mal? Como conciliar a soberania de Deus e a responsabilidade humana? Por que Deus não salva a todos?), deixando-as na esfera dos mistérios. Para ele, a verdade fundamental é o fato de que Deus é a causa suprema de todas as coisas e não há nada no universo que esteja fora do seu controle ou que possa frustrar a sua vontade.

Além da doutrina da igreja e dos sacramentos e da doutrina da graça, outra contribuição fundamental do bispo de Hipona foi sua exposição da doutrina trinitária no valioso tratado De Trinitate (Sobre a Trindade). Partindo do fundamento lançado pelos pais capadócios, cuja teologia conheceu por meio de Hilário de Poitiers, Agostinho deu mais ênfase à unidade da essência divina do que à diversidade de pessoas. Enquanto os capadócios partem da diversidade de pessoas para ir em direção à unidade, ele usa o processo inverso. Prefere falar em relações ao invés de pessoas (a unidade divina acima da diversidade). Ao explicar a procedência do Espírito Santo, diz que ele é o vínculo de amor entre o Pai e o Filho, o que deu origem ao debate medieval sobre a cláusula Filioque (“e do Filho”), presente no Credo Niceno.

Agostinho argumentou que todas as coisas, pelo fato de terem sido criadas pelo Deus triúno, levam a marca da Trindade. Assim sendo, deu uma contribuição inovadora ao introduzir o “modelo psicológico” da Trindade. Comparou a unidade de Deus com a unidade do ser humano e equiparou a Trindade a três faculdades internas da alma ou aspectos da personalidade humana: a memória, o entendimento e a vontade. Uma de suas últimas obras foi Retractationes ou Revisões (426-427), nas quais arrolou seus escritos, corrigindo-se e defendendo-se em alguns pontos. Outros temas da teologia de Agostinho foram o conhecimento como iluminação da mente pelo Verbo de Deus; a existência e o ser de Deus; a criação, a natureza do tempo e a escatologia. Curiosamente, ele nunca explorou a fundo o campo da cristologia.

Sua obra-prima foi A cidade de Deus, na qual fez uma grande síntese do pensamento cristão. Começou com uma apologia contra alegações de que, em última análise, o cristianismo havia sido responsável pelo saque de Roma pelos visigodos no ano 410. O livro acabou se tornando uma grande interpretação da história romana e cristã, analisada teológica e escatologicamente através dos complexos destinos terrenos de duas “cidades” criadas por amores conflitantes (amor próprio e amor a Deus). Segundo ele, o reino de Deus não se identificava com nenhuma civilização humana e não seria afetado pelo declínio do Império Romano. Ironicamente, Agostinho morreu quando a África romana sucumbia diante dos vândalos que cercavam Hipona. A civilização romana clássica estava desmoronando, mas havia surgido uma nova cultura cristã, que alcançaria seu maior esplendor na Idade Média.

Fonte: Revista Fé Para Hoje N.40 (Artigo 3)


Providência Divina



"pois quantas forem as promessas feitas por Deus, tantas têm em Cristo o "sim". Por isso, por meio dele, o "Amém" é pronunciado por nós para a glória de Deus." 

(II Co 1:20, NVI)



Quanto esse verso nos diz das riquezas de Cristo!

Contemplemos juntamente, ó crente, quão grande salvação o Senhor nos tem provido. Quem éramos? Quem somos? O que havemos de ser?

Em Adão éramos completamente arruinados, desgraçados, perdidos, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. (Ef 2:12)

 "Mas, agora, em Cristo Jesus, fomos aproximados pelo Seu sangue, porque ele é a nossa paz…" (Ef 2:13-14) Agora nossa condição no Senhor é: ‘chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo’ (Jd 1:1).

Por que Deus nos libertou do mundo, da carne e do diabo? Amados, o Senhor nos resgatou para alcançarmos a Sua glória, para sermos transformados de glória em glória na sua própria imagem. Isso mesmo, para sermos semelhantes a Ele! (2 Co 3:18).

"...Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo  como ele é." (1 Jo 3:2) 

Esta é nossa esperança? Então "a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro."(1 Jo 3:3)

Podemos nós encontrarmos alguma pureza no mundo, em nós mesmos ou em qualquer outra coisa? Não! Só em Cristo, o Santo dos Santos. Ele é o "Varão aprovado, a vara de medir de Deus". Sendo assim, quanta necessidade temos nós do trabalhar da cruz e do Espírito Santo para nos moldar a essa imagem santa! (ver 2 Co 4:10-11)

Que seguimos avante, irmãos e irmãs, olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da fé. Deus, que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? (Rm 8:32)

Em Cristo, ó alma ansiosa, estão as grandes e preciosas promessas repletas da graça abundante que nos vem do Pai via o Espírito Santo. Quantas sublimes promessas recebemos por Aquele que por nós morreu no Calvário e ressuscitou! Todas tendo o selo de sua aprovação - o sim e o amém!

(L.C.)

"E se ele é a fonte das misericórdias, nunca nos faltará misericórdia. Nem calor nem seca poderão pôr fim àquele rio, "cujas correntes alegram a cidade de Deus."

 (Lettie Cowman) 

Os rios do Seu amor não tem margem nem fundo. Do Senhor vem toda a nossa provisão, material e espiritual, temporal e eterna. Nele encontramos a Fonte que nunca seca; mananciais e ribeiros que jamais se estancarão; Sim,"graça para cada pecado, direção para cada canto e uma âncora para cada tempestade." 

(L.C. / Phillip Yancey ) 

Segundo a Sua providência soberana e graciosa, o Senhor trabalha para que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito: Cristo.

(Romanos 8.28,29) 


“Deus sempre estará comigo,

Como hoje já está;   

Cuidará das minhas dores, 

Todas eliminará;

Toda crise Ele suporta,

Todo temporal se vai;

 É meu Deus, o meu Deus.”

(Refrão de um louvor)


" Segue ao pé do bom Pastor

Cada dia.

Nele tens todo o sustento,

Tudo de que necessitas

Na jornada: Cada dia." 

(N. L. Zinzendorf)


“O SENHOR é o meu Pastor: nada me faltará.” (Sl 23:1) 


                     Amém! 


Suficiência divina na nossa fraqueza

"Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo." (2 Coríntios 12.9) 

"Toda a incapacidade do homem é superada pela capacidade de Deus"; creiamos, somente. (G. C. Morgan) 

Quando em sofrimento, medo, aflição, expectativa, desamparo, tristeza, desânimo, perplexidade…, clamemos em nosso coração: "A Tua salvação espero, ó Sᴇɴʜᴏʀ." 

(Gn 49.18) 

Em todo o tempo, jamais devemos nos esquecer disto: "... Perto está o Senhor", (Filipenses 4.5b);

 Podemos recorrer a Ele sempre. "É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel."

(Salmo 121.4) 

A Sua doce voz de amor é sempre viva e eficaz: "não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel." (Isaías 41.10) 

"Crente, pense muito sobre o Céu. Este pensamento o ajudará a prosseguir e esquecer a dificuldade do caminho. Este vale de lágrimas é apenas o caminho para a pátria mais excelente. Este mundo de miséria é apenas um degrau para o mundo de felicidade" 

(Charles Spurgeon)

Oh! Senhor Jesus! Que bálsamo neste deserto encontramos em Ti!

*Tu estás nos consolando ao dizer: Percorre a estrada! Eu te levarei! Eu te carregarei até o fim, e mesmo no final, Eu te levarei* (Agostinho).

"Agora, pois, ó SENHOR, a palavra que disseste acerca de teu servo e acerca da sua casa, seja estabelecida para sempre; e faze como falaste."

(1 Crônicas 17.23) 

Com tua mão me guia, Senhor Jesus! Até que ao fim esteja na Tua luz! Não posso andar sozinho sem Teu poder, mas firme em Tua graça hei de vencer! (Julie von Hausmann) 

"... dize à minha alma: Eu sou a tua salvação." (Salmos 35.3) 

(...) "Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei."(Isaías 46.4) 

                      

 Amém!


Vitória

  "Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água ...