segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Além das circunstâncias

 *"Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras, mesmo falhando a colheita de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral, nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação." (Habacuque 3:17-18)*


Vivemos tempos desafiadores. Em meio a dificuldades, tribulações, e circunstâncias que fogem do nosso controle, muitas vezes somos tentados a nos perguntar: "Onde está o Senhor?" Mas o profeta Habacuque nos ensina uma profunda lição de fé. Mesmo quando tudo parece desmoronar ao nosso redor — quando a figueira não dá fruto, a videira falha, e os recursos se esgotam — ainda assim somos chamados a nos alegrar em Deus, o nosso Salvador.


Esta não é uma alegria superficial, dependente das circunstâncias, mas uma alegria que nasce da confiança no caráter de Deus, em Sua fidelidade e em Suas promessas. Habacuque entendeu que, independentemente das situações adversas, Deus permanece soberano, bom e digno de confiança.


Em dias difíceis como os que enfrentamos, o chamado de Deus para nós é o mesmo. Não somos chamados a negar a dor, a tristeza ou as dificuldades, mas a colocarmos nossos olhos firmemente em Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé (Hebreus 12:2). Ele é a nossa esperança e fortaleza, mesmo nas tempestades mais intensas.


Quando enfrentamos perdas, provações e tribulações, é fácil esmorecer, mas somos encorajados a seguir o exemplo de Habacuque, que apesar das circunstâncias, escolheu confiar e se alegrar no Senhor. Que o Espírito Santo nos fortaleça para que, independentemente das situações ao nosso redor, possamos manter os olhos fixos em Cristo e nos alegrarmos Nele, pois Ele é a nossa verdadeira rocha e salvação.


Permaneçam firmes, amados irmãos, sabendo que "ainda que a figueira não floresça", o Senhor continua presente, cuidando de nós e nos sustentando a cada passo. Ele é fiel para completar a boa obra que começou em nossas vidas, até o fim.


Oremos: Senhor, nos ajude a confiar em Ti em meio às dificuldades. Que nossa fé não vacile, mas que possamos Te buscar com um coração sincero, encontrando em Ti a nossa força e alegria, independente das circunstâncias. Amém.


Conhecer o Filho de Deus

 "Eu sou o caminho a verdade e a vida."

João 11:46, diz o Senhor Jesus. 


   Claramente nos é mostrado que o caminho que Deus nos dá é Cristo, a verdade que Ele nos dá também  é Cristo e, da mesma forma, a vida que Ele nos dá é Cristo. Cristo é o nosso caminho a nossa verdade nossa vida. 


  É através de Cristo que chegamos ao pai. 


  Ele não nos dá as coisas fora de Cristo, mas  nos dá o próprio Cristo.

  Precisamos pedir que Deus abra os nossos olhos para que possamos conhecer a Seu Filho!

  A característica do cristianismo está no fato de a sua fonte, sua profundidade e suas riquezas estão envolvidas com o conhecimento do Filho de Deus. Não importa o quanto sabemos sobre métodos, doutrinas ou poder. 


  O que realmente importa é conhecer o Filho de Deus. 


Watchman Nee


A Disciplina Para o Reino

 “Se Deus não poupou o Seu próprio Filho, antes, por todos nós O entregou, porventura, não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas?” (Romanos 8:32). 


Os caminhos do Senhor não mudam. Se Deus não poupou e não podia poupar Seu próprio Filho no Seu aperfeiçoamento e qualificação para o Reino, será que poderia ser diferente com os “muitos filhos”, com os quais Ele repartirá esse Reino, tornando-os Sua noiva? Hoje, quando o Senhor vê um coração focado na plena estatura de Cristo e na satisfação final do Seu coração, desejo e propósito, a este Ele não poupará. 


Mas, o que você está buscando hoje? Existem muitíssimos filhos de Deus que, como os irmãos de José estão buscando experiências atuais de prosperidade financeira, sucesso na profissão, curas milagrosas e imediatas, relacionamentos familiares felizes e sem choques, resultados rápidos na obra do Senhor, reuniões emocionais que dão muita satisfação à alma, respostas de oração rápidas e outras coisas mais. O que o Senhor pode esperar de tais filhos? Eles acham que isso é a vida cristã normal. O Senhor precisará esperar que tais coisas de criança desapareçam, antes que Ele possa começar o processo de preparação. 


Hoje, o Senhor está formando “Josés” para o Trono. A esses filhos Ele não poupará. Ele amou tanto a Seu Filho que não poderia poupá-Lo, a fim de que não ficasse aquém do lugar a Ele destinado pelo Pai. O amor do Senhor pelos Seus “vasos” e Sua necessidade deles para honra “para o dia de Seu poder”, O impelem a tratar sem reservas os Seus potenciais Josés. 


Precisamos entender isso: somente os filhos treinados, crescidos, maduros é que serão usados. Crianças espirituais não poderão administrar a Era Vindoura, o Reino Milenar. Está escrito: “Ai, ai, ó terra, quando o teu rei é uma criança” (Ec 10:16). Poderia Ele presentear Seu Filho com uma Noiva-Criança para se assentar no Trono com Ele? Que espécie de ajudadora, companheira e rainha ela seria? Para conseguir tais filhos crescidos, experimentados, disciplinados, maduros, treinados, plenamente preparados e altamente qualificados para aquele posto transcendente – reinar com Cristo no milênio – Deus não pode poupar Seus filhos. 


Isso é muito importante, porque precisamos entender que a adversidade não é designada para nos derrotar, mas precisamos aprender a usá-la.  Como você usa a adversidade? Naturalmente, devido aos elementos físicos e fundamentais em nossa disposição natural, nós evitamos a dor, o desconforto e o sofrimento. Às vezes gastamos horas de oração para afastar a adversidade, a grande serva. Fazemos tudo para evitar encontrá-la. Quando a encaramos, passamos um tempo dizendo a ela ou a Deus que não gostamos dela e ficamos pensando na causa de estarmos passando por aquilo. Entretanto, o sofrimento não é algo que deve ser argumentado, seria totalmente irracional fazermos isso. O sofrimento deve gerar uma utilidade. 


A tribulação é uma palavra que Deus usa com relação aos santos. A etimologia da palavra significa “debulhar, triturar”. O lavrador não debulha ervas daninhas; ele debulha o trigo dourado, para que o grão possa ser separado da palha e dos gravetos. Ele busca o grão e não um pouco de palha triturada. Não estou dizendo que a tribulação em si nos torna fortes ou nobres, e que ela em si mesma possua um poder transformador. Não! A adversidade em si mesma é neutra ou passiva; tudo depende de como nós a usamos. Um pode tomar uma atitude inativa e perder o benefício da provação; e a auto justificação tornará essa pessoa amarga e ressentida. Para as pessoas que não tem fé, sem a perspectiva do propósito de Deus, a adversidade produz toda a sorte de coisas prejudiciais e cruéis. Mas graças a Deus, existem pessoas maravilhosas que passaram por adversidades, e puderam ver por trás da máscara dessa serva. A adversidade pode te tornar mais amargo ou mais cheio de Cristo. 


Você busca o livramento ou amadurecimento (mais de Cristo em você)? Deixe que essa serva te sirva de uma forma que nenhuma outra pode. Não ore pedindo o livramento, mas que o Senhor possa te ensinar a usar essa estranha serva para edificar Cristo em você. Só assim seremos capacitados para cooperar com aqueles que estão ao nosso redor, “pois aquele que mais tem sofrido é o que mais tem para dar”. 


Alguns dizem para o Senhor: “não posso prosseguir se o Senhor não providenciar melhores condições para mim”. Tal espírito é uma recusa da graça e rejeição dos Seus sofrimentos: “A minha graça te basta”. 


O único caminho de saída da tribulação é para cima! O caminho da vitória está em ficar por cima do problema e não sair dele. Deve haver algo borbulhando dentro de nós que não é de nós mesmos, mas do próprio Senhor Jesus. Essa graça sobrenatural se manifesta na nossa fraqueza! Essa graça é suficiente, mas pode ou não ser experimentada. Isso depende de nossa reação e cooperação, no sentido de abrir mão de nós mesmos, dando lugar ao Senhor, dando espaço ao Senhor Jesus! 


Que possamos lembrar do antigo guerreiro do Velho Testamento, Calebe, um tipo dos vencedores. Ele foi um dos dois únicos que saiu do Egito, atravessou o deserto e entrou na terra prometida. Para ele, qualquer pedaço de terra não serviria, mas ansiava pelo melhor da terra: Hebrom! Um lugar que ele havia visto quando foi espiar a terra, experimentou seus frutos deliciosos, e ambicionou possuir plenamente, viver ali! Que possamos dizer: “Dá-me esta montanha!” (Js 14:12). “Não tire esse monte do caminho, dê-me a chance de dominá-lo, subjugá-lo e vencê-lo”. 


Baseado diversos extratos de textos de T.Austin-Sparks, Phil Jr e J. W. Foullette.


sábado, 28 de setembro de 2024

O trono de Deus

 “Se Deus não poupou o Seu próprio Filho, antes, por todos nós O entregou, porventura, não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas?” (Romanos 8:32). 


Os caminhos do Senhor não mudam. Se Deus não poupou e não podia poupar Seu próprio Filho no Seu aperfeiçoamento e qualificação para o Reino, será que poderia ser diferente com os “muitos filhos”, com os quais Ele repartirá esse Reino, tornando-os Sua noiva? Hoje, quando o Senhor vê um coração focado na plena estatura de Cristo e na satisfação final do Seu coração, desejo e propósito, a este Ele não poupará. 


Mas, o que você está buscando hoje? Existem muitíssimos filhos de Deus que, como os irmãos de José estão buscando experiências atuais de prosperidade financeira, sucesso na profissão, curas milagrosas e imediatas, relacionamentos familiares felizes e sem choques, resultados rápidos na obra do Senhor, reuniões emocionais que dão muita satisfação à alma, respostas de oração rápidas e outras coisas mais. O que o Senhor pode esperar de tais filhos? Eles acham que isso é a vida cristã normal. O Senhor precisará esperar que tais coisas de criança desapareçam, antes que Ele possa começar o processo de preparação. 


Hoje, o Senhor está formando “Josés” para o Trono. A esses filhos Ele não poupará. Ele amou tanto a Seu Filho que não poderia poupá-Lo, a fim de que não ficasse aquém do lugar a Ele destinado pelo Pai. O amor do Senhor pelos Seus “vasos” e Sua necessidade deles para honra “para o dia de Seu poder”, O impelem a tratar sem reservas os Seus potenciais Josés. 


Precisamos entender isso: somente os filhos treinados, crescidos, maduros é que serão usados. Crianças espirituais não poderão administrar a Era Vindoura, o Reino Milenar. Está escrito: “Ai, ai, ó terra, quando o teu rei é uma criança” (Ec 10:16). Poderia Ele presentear Seu Filho com uma Noiva-Criança para se assentar no Trono com Ele? Que espécie de ajudadora, companheira e rainha ela seria? Para conseguir tais filhos crescidos, experimentados, disciplinados, maduros, treinados, plenamente preparados e altamente qualificados para aquele posto transcendente – reinar com Cristo no milênio – Deus não pode poupar Seus filhos. 


Isso é muito importante, porque precisamos entender que a adversidade não é designada para nos derrotar, mas precisamos aprender a usá-la.  Como você usa a adversidade? Naturalmente, devido aos elementos físicos e fundamentais em nossa disposição natural, nós evitamos a dor, o desconforto e o sofrimento. Às vezes gastamos horas de oração para afastar a adversidade, a grande serva. Fazemos tudo para evitar encontrá-la. Quando a encaramos, passamos um tempo dizendo a ela ou a Deus que não gostamos dela e ficamos pensando na causa de estarmos passando por aquilo. Entretanto, o sofrimento não é algo que deve ser argumentado, seria totalmente irracional fazermos isso. O sofrimento deve gerar uma utilidade. 


A tribulação é uma palavra que Deus usa com relação aos santos. A etimologia da palavra significa “debulhar, triturar”. O lavrador não debulha ervas daninhas; ele debulha o trigo dourado, para que o grão possa ser separado da palha e dos gravetos. Ele busca o grão e não um pouco de palha triturada. Não estou dizendo que a tribulação em si nos torna fortes ou nobres, e que ela em si mesma possua um poder transformador. Não! A adversidade em si mesma é neutra ou passiva; tudo depende de como nós a usamos. Um pode tomar uma atitude inativa e perder o benefício da provação; e a auto justificação tornará essa pessoa amarga e ressentida. Para as pessoas que não tem fé, sem a perspectiva do propósito de Deus, a adversidade produz toda a sorte de coisas prejudiciais e cruéis. Mas graças a Deus, existem pessoas maravilhosas que passaram por adversidades, e puderam ver por trás da máscara dessa serva. A adversidade pode te tornar mais amargo ou mais cheio de Cristo. 


Você busca o livramento ou amadurecimento (mais de Cristo em você)? Deixe que essa serva te sirva de uma forma que nenhuma outra pode. Não ore pedindo o livramento, mas que o Senhor possa te ensinar a usar essa estranha serva para edificar Cristo em você. Só assim seremos capacitados para cooperar com aqueles que estão ao nosso redor, “pois aquele que mais tem sofrido é o que mais tem para dar”. 


Alguns dizem para o Senhor: “não posso prosseguir se o Senhor não providenciar melhores condições para mim”. Tal espírito é uma recusa da graça e rejeição dos Seus sofrimentos: “A minha graça te basta”. 


O único caminho de saída da tribulação é para cima! O caminho da vitória está em ficar por cima do problema e não sair dele. Deve haver algo borbulhando dentro de nós que não é de nós mesmos, mas do próprio Senhor Jesus. Essa graça sobrenatural se manifesta na nossa fraqueza! Essa graça é suficiente, mas pode ou não ser experimentada. Isso depende de nossa reação e cooperação, no sentido de abrir mão de nós mesmos, dando lugar ao Senhor, dando espaço ao Senhor Jesus! 


Que possamos lembrar do antigo guerreiro do Velho Testamento, Calebe, um tipo dos vencedores. Ele foi um dos dois únicos que saiu do Egito, atravessou o deserto e entrou na terra prometida. Para ele, qualquer pedaço de terra não serviria, mas ansiava pelo melhor da terra: Hebrom! Um lugar que ele havia visto quando foi espiar a terra, experimentou seus frutos deliciosos, e ambicionou possuir plenamente, viver ali! Que possamos dizer: “Dá-me esta montanha!” (Js 14:12). “Não tire esse monte do caminho, dê-me a chance de dominá-lo, subjugá-lo e vencê-lo”. 


Baseado diversos extratos de textos de T.Austin-Sparks, Phil Jr e J. W. Foullette.


Novas todas as coisas

 “Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém alegria, e para o seu povo regozijo” (Isaías 65:18). 


A palavra hebraica para “crio” neste versículo significa “trago à existência”. 


Veja o que Isaías está dizendo: Deus está criando não só um novo mundo, mas também um povo especial. Ele está trazendo à existência uma noiva, que não apenas foi apartada deste mundo, mas aprendeu a regozijar-se em meio ao sofrimento. 


O fato é que os nossos sofrimentos presentes se constituem numa escola de adoração. Dentre todas as maneiras pelas quais estamos aprendendo a louvar a Jesus, especialmente os nossos sofrimentos são treinamentos para aquele glorioso dia. Que quer dizer isto para os cristãos que vivem em constantes preocupações e medo? Esses que vivem como se Deus estivesse morto, como podem eles repentinamente saber como enfrentar a provação por meio do louvor? 


A maneira como reagimos diante da tribulação presente é muito importante. Israel perdeu a esperança quando esteve na sua hora de grande sofrimento. Eles decidiram que não podiam aguentar mais, então simplesmente sentaram-se no pó. Cá estava o povo de Deus, com promessas sólidas como rocha; no entanto, sentaram-se ali com uma corrente ao redor do pescoço. 


Igualmente hoje, alguns cristãos desistem neste ponto. Eles não abandonam a fé, porém deixam de seguir a Jesus de todo coração, pensando: “Não aguento viver sob tanta pressão. Parece que quanto mais me aproximo de Cristo, mais sofro”. Perguntam-se como Paulo podia dizer: “Me regozijo nos meus sofrimentos” (Cl 1:23-24). 


Eis aqui exatamente o o motivo pelo qual Paulo podia fazer tal afirmação: ele havia sido arrebatado ao céu, e viu a glória que nos aguarda. Graças à sua visão, Paulo pôde abraçar suas lutas e aflições nesta vida, aprendendo a louvar a Deus em cada experiência difícil. Ele estava determinado a aprender a ter alegria de coração não importando a situação, e começou a praticar o louvor em preparação para o mundo por vir. 


“Se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8:17-18). 


À luz da glória que espera Paulo, o que é a provação em comparação à ela? 


Igualmente, o Senhor quer que desviemos os olhos do sofrimento presente e os fixemos no que virá, e isso mudará tudo. Um minuto dentro da nossa nova habitação, diz Paulo, e não nos recordaremos do que veio antes. A ideia dele é começar a louvar agora, regozijando-nos pelo gozo que nos espera. 


“Portanto, ofereçamos sempre, por ele (Jesus), a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13:15). 


Extrato do texto “Nem todo o Sofrimento é uma Prova”, de David Wilkerson.


Ser guiados pelo Senhor

 “Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do SENHOR que, hoje, vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver” (Ex 14:13). 


“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra” (Sl.46:10). 


Aprender a ouvir o Senhor implica no meu silêncio e quietude. O Espírito Santo tem um falar suave, por isso precisamos esperar quietos pela Sua direção. Isso pode demandar tempo, porque o Senhor precisa nos esvaziar de nossas motivações egoístas, nossos planos particulares e nossos interesses pessoais. 


O Senhor nos conhece, sabe como precisamos ser treinados nessa escola. A questão é se seremos como Saul, que não conseguiu esperar, ou deixaremos Deus ter o Seu tempo, como Davi, que deixou a obra da cruz agir em sua vida e deu tempo a Deus para realizar Sua obra na vida dele. 


Davi foi perseguido, banido, mal interpretado e considerado um malfeitor, porém nada desse processo foi infrutífero. Iria ele obter o cumprimento da palavra por suas próprias mãos ou esperaria o agir de Deus? 


Se queremos viver para o Senhor, precisamos deixar Jesus ganhar espaço. Então, a aparente espera infrutífera gerará frutos. Talvez os frutos não sejam como inicialmente pensávamos, porque a vida de Jesus irá tragar a morte e nós experimentaremos a morte e ressurreição – a morte sendo absorvida pela vida: 


“Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida” (2 Co 5:4). 


Conhecer Jesus é o ápice de nossa vida – o maior tesouro que podemos ganhar – mas para tanto, precisaremos aprender a ser guiados por vales silenciosos, onde nosso ego não sobreviverá, mas a vida dEle ressurgirá! Que tenhamos nossos olhos voltados para Ele, e nosso entendimento espiritual aguçado para ver a obra invisível de Deus e ouvir Sua direção! Assim, não desanimaremos nos momentos onde as circunstâncias exteriores não nos estimulam ou encorajam. Em todo tempo manteremos o foco no Senhor e em quem Ele é! Ele é Deus, e Ele reina! Nada foge do Seu controle e TUDO coopera para o bem daqueles que O amam (Rm 8:28)!!!! 


Nesses momentos decidiremos: busco realmente a glória Dele ou a minha satisfação? Quero viver para Ele, desejo que Ele tenha espaço em mim, mesmo que isso custe muito? Desejo conhecê-Lo de forma viva e experimental? Desejo segui-Lo? Sabemos que em nós mesmos, somos todos egoístas e egocêntricos, mas Ele iniciou uma obra, e o segredo é confiar Nele para que essa obra se complete! Ele venceu e quer nos tornar vencedores por meio Dele! 


“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp 1:6). 


“Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Ts 1:24).


Servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens

 “Servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens” (Efésios 6:7). 


Notemos, a princípio, que aparentemente há pouca diferença entre ministrar à casa e ministrar ao Senhor. Muitos estão fazendo o máximo para ajudar os seus irmãos e estão labutando para salvar pecadores e administrar as questões relacionadas à igreja, mas deixem-me perguntar-lhes: vocês têm procurado atender as necessidades ao seu redor, ou tem procurado servir ao Senhor? Vocês têm em vista o seu próximo ou a Ele? 


Sejamos bem francos. Trabalhar pelo Senhor, sem dúvida, tem suas atrações para a carne. Podemos achar isso muito interessante e ficar empolgados quando multidões se juntam para ouvir-nos pregar, e quando muitas almas são salvas. Se precisarmos ficar em casa ocupados o dia inteiro com tarefas seculares, então, pensaremos: “Como a vida é sem sentido! Que bom seria se pudesse sair e servir ao Senhor! Se pelo menos fosse livre para andar por aí pregando ou até mesmo conversando com pessoas a respeito Dele!”. 


Isto, porém, não é espiritualidade; é meramente uma questão de preferência natural. Oh! se ao menos pudéssemos ver que o fato de fazermos muitas obras para Deus não implica em que estejamos, de fato, ministrando a ELE! Ele mesmo nos disse que havia uma classe de levitas, que, diligentemente, serviam no templo e assim mesmo não O serviam, mas meramente serviam à casa. Serviço ao Senhor e serviço à casa parecem ser tão semelhantes, que frequentemente é difícil diferenciar entre ambos. 


Se um israelita viesse ao templo e quisesse adorar a Deus, aqueles levitas viriam em seu auxílio e o ajudariam a oferecer a sua oferta pacífica e o seu holocausto. Eles o ajudariam a conduzir o sacrifício ao altar e lá o imolariam. Certamente aquela era uma grande obra na qual estariam envolvidos – restaurar pecadores e conduzir crentes para mais perto do Senhor! Deus levou em conta o serviço daqueles levitas, ainda assim, Ele disse que isso não era ministrar a Ele. 


O que mais temo é que muitos de vocês saiam, ganhem pecadores para o Senhor e edifiquem crentes, sem, no entanto, ministrar ao próprio Senhor. Temos tanta disposição para atividades, que não suportamos ficar em casa; por isso corremos e corremos para nosso próprio alívio. 


Mas o que realmente queremos dizer quando falamos em servir a Deus ou servir ao templo? Eis o que a palavra diz: “Mas os sacerdotes levitas, os filhos de Zadoque que cumpriram as prescrições do meu santuário, quando os filhos de Israel se extraviaram de mim, eles se chegarão a mim, para ME SERVIREM, e estarão DIANTE DE MIM, para me oferecer a gordura e o sangue, diz o Senhor Deus” (Ez 44:15). 


Frequentemente, quão difícil consideramos chegar à Sua presença! Recuamos diante da solidão, e até mesmo quando nos separamos fisicamente para isso, nossos pensamentos ainda permanecem vagando. Muitos de nós gostamos de trabalhar entre pessoas, mas quantos de nós se achega a Deus no Santo dos santos? 


Entretanto, é somente quando nos aproximamos Dele que podemos ministrar a Ele. Entrar na presença de Deus e nos ajoelhar diante Dele por uma hora demanda todas as nossas forças. Não podemos servir a Ele à distância. Há somente um lugar onde é possível ministrar a Ele, e esse é o Lugar Santo. No átrio exterior nos aproximamos das pessoas; no Lugar Santo nos aproximamos do Senhor. 


Parece-me que hoje todos estamos querendo nos movimentar; não conseguimos permanecer quietos. Há tantas coisas demandando a nossa atenção, que estamos constantemente ocupados, não conseguimos parar por um instante sequer. Uma pessoa espiritual, entretanto, sabe como permanecer quieta, consegue permanecer diante de Deus até que Ele torne Sua vontade conhecida. Ela consegue permanecer quieta e esperar Suas direções. 


Ninguém pode realmente ministrar ao Senhor e não conhecer o significado desta expressão: “Se chegarão a mim, para me servirem“. Tampouco pode alguém ministrar a Ele sem entender esta expressão: “Estarão diante de mim, para me oferecerem“. 


Vocês não acham que todo servo deve aguardar primeiramente as ordens de seu Senhor, antes de procurar servi-lo? 


Quanto do trabalho que fizemos foi baseado numa ordem clara do Senhor? Deixem-me dizer-lhes que nada prejudica tanto os interesses do Senhor como uma “coisa boa”. Podemos pensar: “Isso não seria errado” ou “aquilo é a melhor coisa que poderia ser feita”. Assim, seguimos em frente, agindo sem parar para perguntar se isso é a vontade de Deus. 


No átrio exterior é a necessidade humana que governa. No Santo dos santos, entretanto, há uma completa reclusão. Alma nenhuma entra. Aqui, nenhum irmão ou irmã nos governa, nem nenhuma comissão determina nossas ações. No Santo dos santos temos somente uma autoridade – a do Senhor. Se Ele designa uma tarefa para mim, a realizo; se Ele nada me designa, nada faço. 


Extraído do livro “Doze Cestos Cheios – Volume II”, de Watchman Nee, publicado pela Editora Árvore da Vida (esgotado).


terça-feira, 24 de setembro de 2024

O Reino de Deus e a Sua Justiça

 “Mas buscai primeiro o seu reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). 


O que são “as demais coisas”? Se você lê os versos precedentes, as demais coisas estão relacionadas às coisas desta vida, nossa vida biológica. As demais coisas são as coisas deste mundo – o que comeremos, o que beberemos com o que nos vestiremos. Comer, beber e se vestir são as necessidades desta vida. Vivemos neste mundo, por isso precisamos comer, precisamos beber, precisamos nos vestir para poder viver. Infelizmente estas coisas podem se tornar nossa prioridade. Em outras palavras, buscamos primeiro estas coisas, e então se temos tempo ou energia, buscaremos o reino de Deus. Revertemos a prioridade que o nosso Senhor estabelece para nós. Isso é normal para as pessoas do mundo, porque elas não têm o Pai celestial. Portanto, precisam ajudar a si mesmas. Elas precisam cuidar de suas vidas para viver. Elas se preocupam, elas buscam, elas são cuidadosas sobre estas coisas porque ninguém cuidará delas. Elas têm que cuidar de si mesmas – o que comerão, o que beberão, o que vestirão. Esta é a vida delas. É por isto que elas vivem. Este é o propósito delas para a vida, nada mais. Elas são conscientes disso; elas são ansiosas por isso; elas buscam por isso; e elas dão suas vidas por isso. Isto é certo apenas para os gentios. Nosso Senhor Jesus mesmo disse: “Estas coisas os gentios procuram”. 


Mas quem somos nós? Nós que cremos no Senhor Jesus, nós que nascemos de cima fomos transportados do reino deste mundo para o reino do Filho do Seu amor. Em outras palavras, nossa cidadania está no céu. Somos um povo celestial, mas vivemos na terra. Vivemos, por assim dizer, em dois reinos. Por um lado, vivemos no reino de Deus. Como sabemos? Vocês se lembram que nosso Senhor Jesus em Sua conversa com Nicodemos disse: “Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. Aquele que é nascido do Espírito é espírito”. 


Por isso somos nascidos do Espírito. Fomos transferidos da terra para o céu. Temos uma nova vida e estamos sob um novo governo. Por um lado, pertencemos ao reino de Deus, onde nossa cidadania e nossa lealdade se encontram. Contudo, por outro lado, ainda estamos na terra. Como podemos viver sobre esta terra como filhos do reino do céu? Penso que este é um problema muito prático. Todos nós estamos envolvidos nisso, e temos que encontrar uma forma para viver como povo celestial nesta terra. Qual deve ser nossa prioridade? Como devemos viver? Devemos viver como pessoas deste mundo, buscando todas as demais coisas – comer, beber, se vestir, e segurança para esta vida, ajuntando tesouros nesta terra para estarmos seguros de que temos o suficiente? 


Extraído do livro “Meditações sobre o Reino”, de Stephen Kaung, publicado pela Editora Restauração.


segunda-feira, 23 de setembro de 2024

O Reino dos céus e o reino de Deus

 “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus” (Mateus 13:11). 


O que significa o reino dos céus? Em nossa meditação, esta é a primeira coisa que precisamos considerar. Ele é diferente do reino de Deus? Ou é a mesma coisa? Se for a mesma coisa, porque usa algo diferente? Mencionamos antes que reino em um sentido estrito, no sentido da Escritura, basicamente significa “reinado”. Em outras palavras, é o governo do Rei, não em um sentido exterior, mas mais em um sentido interior. Isto é, todos os que estão sob Seu reinado, sob Seu governo, vivem para assumir o caráter do Rei. Por isso o reino é a expressão corporativa do próprio Rei. Ele expressa Sua natureza e Seu caráter em um povo, e este povo é como Ele. Isto é o reino. Assim o reino de Deus significa aquelas pessoas que estão sob Seu governo. Eles assumem o caráter de Deus. Eles são como Deus. Deus é capaz de expressar a Si mesmo através deste povo, por isso eles são Seu reino. 


O que significa reino dos céus? Significa que o céu governa sobre estas pessoas. Estas pessoas estão debaixo do governo dos céus e o serem do céu deve ser manifesto em suas vidas. Eles vivem uma vida celestial na terra. Então eles estão no reino dos céus. Agora, o reino dos céus e o reino de Deus são paralelos neste momento, mas não todo o tempo. O reino de Deus é de eternidade a eternidade, porque mesmo no sentido mais estrito de eternidade a eternidade não há falta de pessoas ou anjos que se coloquem completamente sob o governo de Deus apesar da rebelião. Assim o reino de Deus é de eternidade a eternidade. Mas o reino dos céus é uma parte no reino de Deus, e neste período os termos são intercambiáveis, de acordo com a Palavra de Deus. Exceto para este período de tempo na eternidade, o reino de Deus é maior do que o reino dos céus. 


Colocando isso de maneira muito simples, o reino dos céus começou com a primeira vinda de nosso Senhor Jesus. Ele que estava no céu agora veio para a terra. Ele trouxe o céu para cá para estabelecer Seu reino sobre a terra. Por isso o reino dos céus começou com a primeira vinda de nosso Senhor Jesus, e terminará com Sua segunda vinda, quando Ele virá e estabelecerá Seu reino sobre a terra. O reino milenar é o reino dos céus em manifestação. Assim para torná-lo simples apenas guarde em mente que o reino dos céus é esta seção no reino de Deus que começa com a primeira vinda de Cristo e termina com Sua segunda vinda. 


Extraído do livro “Meditações sobre o Reino”, de Stephen Kaung, publicado pela Editora Restauração.


domingo, 22 de setembro de 2024

ESPERAR E CONFIAR

 


“Por isso, não abandonem a confiança que vocês têm.” (Hebreus 10.35)


Não abra mão da sua confiança em Deus! Tudo que está escrito tem o seu cumprimento. O apóstolo Paulo expressou sua preocupação em 2 Coríntios 11.3: “O que receio e quero evitar é que, como Eva foi enganada pela astúcia da serpente, assim a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sincera e pura devoção que vocês têm por Cristo”. Nós cremos na Palavra de Deus, mas não cremos mais em tudo que está escrito nela. Não temos paciência para esperar por Deus, apesar da paciência ser o termômetro de nossa fé. A Palavra de Deus não muda, mesmo que o tempo tenha passado e você ainda não tenha experimentado a promessa de Deus na sua vida. Nós mudamos muito, somos inconstantes, mas Deus não mudará.


Quando as promessas de Deus não se realizam em nossa vida no tempo que esperamos, usamos de diversos “jeitinhos” para resolver as situações. Abraão fez isso. Ele e Sara, que já tinham idade avançada, receberam de Deus a promessa maravilhosa do nascimento de um filho. Passaram-se dois, três anos, e nada aconteceu. Para eles, a promessa de Deus não estava funcionando. Resolveram então convidar uma serviçal para resolver a questão, e com ela Abraão teve um filho. Não troque a sua fé por estratégias próprias. Quando Deus não realiza as suas promessas dentro do tempo que você espera, não se sinta decepcionado! Quando as coisas não acontecem no tempo que esperamos, tendemos a não crer mais em Deus e afirmamos que ele não interfere em nada mesmo. Mas, quando usamos de “jeitinhos” em nossa vida espiritual, fazemos Deus de mentiroso para resolver os nossos próprios problemas.


Durante a peregrinação do povo de Israel, Moisés subiu ao monte para orar e demorou para retornar. O povo, sentindo-se abandonado, reuniu-se com Arão e construiu um bezerro de ouro para adorar. Muitas vezes criamos em nossa vida bezerros de ouro para tentar resolver a nossa impaciência e falta de fé. Pensamos: “Não deu certo com Deus, então eu mesmo vou resolver”. Porque confiamos tão facilmente em homens imperfeitos, mas duvidamos do poder de Deus? Persevere na fé e seja paciente. Deus pode todas as coisas, ele só não pode mudar!


– Ernesto Kraft –

(Obra Missionária Chamada da Meia-Noite)


VENDO O RESULTADO DE NOSSAS PROVAÇÕES

 


“Então, respondeu Jó ao SENHOR: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia”  (Jó 42:1-3)


Não é necessário somente passarmos por muitas provações durante muitos dias; é igualmente essencial que haja um resultado claro em nossa vida. Precisamos passar pelas provações e chegar a um fim. A Bíblia deixa muito claro que, ao tratar com uma vida, Deus não a liberará até que obtenha um resultado. Ao tratar com Jó, Ele permitiu que todos os seus bois e jumentas morressem, mas isso não levou Jó ao alvo de Deus. Depois disso, as ovelhas e os pastores foram todos consumidos pelo fogo e Jó ainda não havia sido tratado, nem mesmo o foi quando todos os seus filhos e filhas morreram. Ele nem mesmo emergira de suas provações quando foi coberto “de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça.” Mas chegou o dia em que seus lábios silenciaram-se expressando sua sujeição a Deus, e as provações de Jó resultaram num final triunfante. Tiago, em sua epístola, refere-se a isso como “o fim que o Senhor lhe deu”. Aqui vemos que a questão não é o número de provações, mas o fato de o Senhor alcançar o Seu fim por meio delas.


Há aqui um fato sério que devemos ter em mente: não passaremos por provações que não tenham limites. Há a possibilidade de serem desperdiçados tempo e sofrimento enquanto Deus busca alcançar o Seu objetivo em nossa vida…


Jó não apenas passou por muitas provações, mas chegou o dia em que passou a existir uma nova atuação de Deus em sua vida, e tal atividade divina operou uma mudança fundamental no homem. O objetivo de Deus em todos os Seus tratamentos para conosco não é meramente dispensar Sua vida a nós para suprir as urgências do momento. Ele quer-nos reconstituir por meio da Sua vida que habita em nós.


É essa mudança fundamental que ansiamos ver em todos os que receberam a vida divina. Temos esperança que dia após dia, mediante o Espírito de Deus que habita interiormente, esteja ocorrendo uma transformação incessante, de forma que nos tornemos úteis para Ele, e que tenhamos algo para transmitir aos outros.


Extraído do texto “Graça Especial e Graça Reservada” – Watchman Nee (do livro Doze Cestos Cheios Vol.1)


sexta-feira, 20 de setembro de 2024

DEUS ESCOLHEU AS COISAS FRACAS

 

“Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos” (Lucas 1:52,53).


Existe algo muito incomum a respeito do nosso grande Mestre Jesus. Você já notou o tipo de discípulos que Ele escolheu? Por que será que o Senhor escolheu esse tipo de discípulos? Eles não eram grandes eruditos da época, tampouco tinham diplomas universitários. Penso que poderíamos chamá-los de um pobre lote, com pouca capacidade intelectual. Eles sempre entendiam errado o que o Senhor falava, ou falhavam em compreender o ponto a que Ele se referia. Sempre se esqueciam das coisas que Ele tinha falado, por isso, Ele os relembrava delas mais à frente, ou essas coisas eram trazidas à luz novamente pelo Espírito Santo.


A descrição de Paulo feita aos cristãos de Corinto encaixa bem nesses discípulos: “não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento… Deus escolheu as coisas loucas do mundo… e escolheu as coisas fracas do mundo” (1 Co 2:26,27). Essa não é a forma de agir do mundo. Você não teria nenhuma chance em alguma posição elevada neste mundo hoje, se fosse um Pedro, um Tiago ou um João.


Por que o Senhor escolheu esses homens? Porque havia muito espaço neles para aquilo que Ele iria trazer. Eles não eram plenos ou fortes. Em certo sentido, eles deram ao Senhor uma grande oportunidade de colocar dentro deles o que não tinham. O povo que tinha tudo no tempo de Cristo nunca alcançou nada. Você sabe quão verdadeiro isso foi! “Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos” [Lc 1:53].


Isso é algo que devemos aprender, porque uma das coisas que devemos deixar lá no vale, quando subimos a montanha, é a nossa ignorância. Você pode dizer: “Ignorância significa não saber”, mas pense melhor… Qual é a marca da ignorância? Ela é: “Eu já sei tudo”, não é verdade? O povo verdadeiramente ignorante é aquele que pensa que já sabe tudo.


Me lembro de uma certa senhora que conheci há alguns anos. Não me considero um grande mestre, mas para cada frase que eu proferia, ela dizia: “Eu sei! Eu sei disso!” Seria muito bom se a vida dela fosse um reflexo daquele conhecimento, mas tudo apontava para o contrário. Você não chegaria a lugar algum com essa preciosa irmã, por causa do “Eu sei! Eu já sei!”


A marca da ignorância é saber tudo, e essa é uma das coisas que devemos deixar para trás ao subir a montanha [essa palavra foi entregue em uma conferência nas montanhas da Suíça]. Devemos ser ensináveis, vazios, fracos, tolos aos nossos próprios olhos, simplesmente ninguém. A Escola de Jesus Cristo é cheia de pessoas assim, e é por isso que Ele escolheu aqueles discípulos. Vamos nos lembrar que somos Seus discípulos, e que ainda temos tudo a aprender. Realmente entendemos muito pouco do Senhor Jesus, mas Ele está no nosso meio como nosso Raboni, nosso grande Mestre, e acredito que Ele vai Se revelar a nós, se nossos corações estiverem abertos para Ele.


Extratos do capítulo 1 do livro “Discipulado na Escola de Cristo” de T. Austin-Sparks


quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Esconde-te junto à torrente de Querite

Esconde-te junto à torrente de Querite. (1 Rs 17.3.)


Os servos de Deus precisam ser instruídos quanto ao valor da vida escondida. Para se ocupar uma posição elevada

diante dos semelhantes, é preciso tomar uma posição humilde diante de Deus. Não devemos ficar surpresos se às

vezes nosso Pai nos diz: "Chega meu filho. Você já aguentou bastante dessa correria, publicidade e movimento;

retire-se daqui, esconda-se junto ao ribeiro — esconda-se no Querite do quarto de enfermidade, ou no Querite do

luto, ou em alguma solidão, do qual as multidões se afastaram." 

 

Feliz daquele que pode responder: "A Tua vontade nisto é a minha também. Fujo para Ti e me escondo.

Esconde-me no oculto do Teu tabernáculo e à sombra das Tuas asas!" 

 

Para que uma alma piedosa tenha poder entre os homens, ela precisa ganhá-lo em algum Querite escondido.

A aquisição de poder espiritual é impossível, se não nos escondermos dos homens e de nós mesmos em algum

lugar oculto onde possamos absorver o poder do Deus eterno: como a vegetação que absorveu por longas eras a

energia do sol, agora a devolve através do carvão em brasa.

 

O Bispo Andrews, um servo de Deus, teve o seu Querite, no qual passava cinco horas diariamente em oração e

devoção. João Welsh também, o qual achava mal empregado o dia em que não passava de oito a dez horas em

comunhão particular. Davi Brainerd teve o seu Querite nas matas da América do Norte. 

 

Christmas Evans o teve nas viagens longas e solitárias por entre os montes de Gales. 

 

Ah, voltemo-nos aos benditos começos da nossa era: Patmos, o lugar segregado das prisões romanas, o deserto

da Arábia, os montes e vales da Palestina, todos estes são lembrados para sempre como os Querites daqueles que

fizeram o nosso mundo de hoje. 

 

Nosso Senhor encontrou o Seu Querite em Nazaré e no deserto da Judéia entre as oliveiras de Betânia e na

solidão de Gadara. Nenhum de nós, pois, pode passar sem algum Querite, onde o som das vozes humanas é

substituído pela quietude das águas que vêm do trono, e onde podemos provar as doçuras e embeber-nos do

poder de uma vida escondida com Cristo.


— Elijah, de Meyer —

SEUS INÚMEROS CAMINHOS

 



“Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado” (At 2:25).


Se estivermos bem acostumados a estar constantemente na presença de Deus, todas as nossas enfermidades serão aliviadas por essa presença. O Senhor faz, com muita frequência, com que sejamos levados a sofrer um pouco. Ele faz isso para purificar a nossa alma e obrigar-nos a continuar na Sua presença (ou, se for necessário, levar-nos – através do sofrimento – de volta para a Sua presença). 


O que você deve fazer diante das suas atuais dificuldades? Oferecer todas as suas dores ao Senhor constantemente e incessantemente. Peça a Ele forças para suportar a dor. Mas, acima de tudo, adquira o hábito de passar o seu tempo com Deus. Procure não esquecê-Lo.


Durante a sua dor, apenas O adore. De tempos em tempos, ofereça-se para Ele. Quando o sofrimento estiver insuportável, suplique com muita humildade e afeição – deixe-me repetir, afeição – para que Ele a conforte e faça conformar-se com Sua vontade.


Parece que Deus tem inúmeros caminhos para conduzir-nos até Ele. Talvez o menos comum seja esconder-se de você. O que devemos fazer quando não conseguimos mais encontrar o Senhor? A palavra-chave é fé. Fé é a única coisa que não falha nesses momentos. Deixe que ela seja o seu suporte. Ela deve ser o alicerce da sua confiança. Nos momentos em que Deus parece nos ter abandonado é preciso, mais do que nunca, exercitar nossa fé nEle.


Você tem me perguntado como eu estou. Estou sempre feliz. O mundo inteiro está sofrendo e aqui estou eu, uma pessoa que tem uma disciplina severa, e que sente continuamente tantas alegrias que fica difícil contê-las.


Peço humildemente a Deus que me dê uma parte do seu sofrimento, embora saiba que sou tão fraco que se o Senhor me deixasse apenas por um momento, eu seria o homem mais infeliz do mundo. Mas, para dizer a verdade, eu nem mesmo levo em consideração a possibilidade dEle me deixar sozinho. Veja, a fé deu-me uma convicção muito forte, que é a percepção de que Ele nunca nos abandona.


Sim, eu percebo continuamente a Sua presença. Mas, se eu perdesse essa percepção, a fé de que Ele está comigo seria mais forte do que ela. Tenha, portanto, apenas um medo: o medo de deixá-Lo.


Esteja sempre com Ele. Vamos viver sempre com Sua presença. Vamos morrer com Sua presença.


Irmão Lawrence (1614-1691)



"Seus inúmeros caminhos" é uma porção selecionada do livro  “The practice of the presence of God the best rule of a holy life, being conversations and letters of Nicholas Herman of Lorraine" (Brother Lawrence).

terça-feira, 17 de setembro de 2024

As Vitórias da Cruz

 "Vem e vê as vitórias da cruz!

As feridas de Cristo são as tuas curas,

Suas agonias são teu repouso,

Seus conflitos são tuas conquistas,

Seus gemidos são tuas canções,

Suas dores são teu conforto,

Sua vergonha é tua glória,

Sua morte é tua vida, e

Seus sofrimentos são a tua salvação!"


Matthew Henry.


HUMILDES DE ESPÍRITO

 


“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3).


Devemos sempre pedir por mais do amor de Cristo; dificilmente estaremos a salvo das artimanhas em nosso caminho, se não formos humildes em espírito.


Cristo era o único que podia, sem luta, contentar-se em ser “verme e não homem” (Sl 22:6).


A pessoa que se engrandece, se degrada aos olhos de Deus na mesma medida que se exalta aos seus próprios olhos.


Afundamos no nada à medida que crescemos em Cristo. Crescer na pobreza de espírito é realmente crescer na graça, pois: “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15:5).


Se estivermos assentados aos pés de Jesus, toda jactância carnal será banida, teremos Sua mente de sabedoria em todas as coisas e não poderemos nos comportar indevidamente.


Nenhum descanso teremos para a planta dos nossos pés, exceto em Cristo. Sempre que um pobre necessitado O busca, Ele o trata como Noé fez com aquela pomba. Noé estendeu a mão e a abrigou dentro da arca.


Se nos censuramos a nós mesmos, Cristo nos justifica. Se formos mudos em nossa própria defesa, Ele abre a boca para pleitear nossa causa, e restaura nossos corações feridos.


Se eu estiver satisfeito em não ser nada, não posso me ofender; e quando for realmente humilde e me reconhecer como um verme, não irei reclamar se for pisoteado.


O orgulho alimenta a lembrança das injúrias, a humildade as esquece e as perdoa.


Ló nunca se aproximou de Deus o suficiente para conhecer seu próprio coração; foi Abraão, e não Ló, que admitiu: Sou apenas “pó e cinza” (Gn 18:27). 


Robert Cleaver Chapman (1803-1902) 


("Humildes de espírito" é a tradução de extratos selecionados das páginas 84 e 85 do livro “Choice Sayings, Notes of Expositions”.)


Vitória

  "Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água ...