quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Jesus nos Chama Irmãos

 


"Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo (Sl 22:22): A meus irmãos declararei o teu nome, cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Eu porei nele a minha confiança (Is 8:17). E ainda: Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu (Is 8:18)." (Hebreus 2:11-13)


Nesses versículos da Epístola aos Hebreus, temos a razão do versículo que o precede. Em outras palavras, por que foi necessário que Deus, ao conduzir muitos filhos à glória, aperfeiçoasse o líder de sua salvação por meio do sofrimento?

Em outras palavras, como foi que, aperfeiçoando Jesus, Deus poderia aperfeiçoar os outros filhos e dar-lhes salvação? A resposta é que aquele que santifica - Jesus - e aqueles que são santificados - os filhos de Deus - todos vêm de Um só, ou seja, todos vêm de Deus. Para provar isso, o autor cita três textos em que Jesus nos chama irmãos, que se assemelha a nós, tomando seu lugar conosco ao confiar em Deus, e refere-se a nós como os filhos que Deus lhe deu. A perfeição de Jesus - o

Primogênito - assegura a salvação dos filhos que ele conduz à glória, porque Jesus e eles são um pelo fato de terem sido gerados de Deus. É a unidade de Jesus conosco que o capacita para ser o líder da salvação.

Essa unidade tem suas raízes na vida divina. "Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só". Jesus é o Unigênito, o Filho eterno, um com o Pai em seu ser divino e majestade. Nós somos filhos de Deus à medida que compartilhamos da vida divina por meio dele e nele. Apesar da diferença entre a filiação de Jesus e a nossa - a filiação de Jesus sendo original e a nossa derivada -, ambas procedem de uma mesma fonte; a vida de ambos tem sua origem na vida de Deus. É essa unidade de Cristo conosco na origem que lhe possibilitou tornar-se um conosco em nossa humanidade e, assim, ser o líder de nossa salvação. É essa unidade que o possibilita transmitir-nos aquela perfeição, a perfeita mansidão e capacidade de deleitar-se na vontade de Deus, que foi formada, produzida, em sua natureza humana por meio do sofrimento, sua santidade com a qual devemos nos tornar santos.

"Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só". Jesus é o que santifica, nós somos os santificados. A razão por que Cristo tornou-se o líder de nossa salvação, a grande obra que fez por nós, o laço de união entre o Filho e os filhos de Deus, a prova de eles levarem sobre si Sua imagem e semelhança e a marca de sua real unidade é santidade.

A palavra "santo" é uma das palavras mais profundas nas Escrituras; significa muito mais do que "separado" ou "consagrado" para Deus. O Deus triúno é o Santo triúno: santidade é o mistério mais profundo de seu Ser, é a maravilhosa união de sua justiça e seu amor. Ser santo é estar em comunhão com Deus, ser possuído por ele. Portanto, o Espírito leva especialmente o nome Santo porque ele é o portador do amor de Deus para nós, e sua obra especial é manter a comunhão

divina. Jesus é o Santo de Deus, que nos torna santos ao encher-nos com seu Santo Espírito". A diferença entre Jesus e nós é grande - a unidade é ainda maior. Ele e nós viemos de Um só, juntos somos participantes da vida e da santidade de Deus. Apeguemo-nos com mais firmeza a tão grande salvação.

Essa unidade é manifestada pelo fato de Jesus chamar-nos "irmão". "Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: A meus irmãos declararei o teu nome". O escritor mencionou nossa união interior com Jesus. Mas, que diferença na vida real, uma diferença tão profunda que o Senhor tem todas as razões para envergonhar-se de nós! Sim, quão frequentemente seus santos o envergonharam diante de anjos e diante do mundo e lhe deram razão para envergonhar-se desse relacionamento! Mas - bendito seja o seu nome - o fato de ele ter-se tornado homem foi um ato de condescendência, originado no fato de ele saber de sua unidade conosco porque viemos de Um só; e teve sua força no amor de um irmão mais velho.

Na sequência da epístola, são citados três textos: Salmo 22:23, no qual o Messias sofredor promete fazer conhecido o nome do Pai a seus irmãos; o segundo e terceiro textos encontram-se em Isaías 8:17 e 18. Nesses textos, a comunhão de Jesus com todo o seu povo na vida de fé e confiança, bem como o lugar que ocupa na liderança daqueles que Deus lhe deu como filhos encontram expressão em tipos proféticos.

Que pensamentos maravilhosos! Nós, exatamente como Jesus, viemos de Deus! É sob a luz dessa verdade que Jesus olha para nós e nos ama e trata conosco! É sob a luz dessa verdade que

devemos olhar para Jesus e amá-lo e relacionar-nos com ele. Devemos olhar para nós mesmos também sob a luz dessa verdade. Esta é a vida de fé: ver Jesus e a nós mesmos como ele nos vê, pensar como ele pensa, viver em seu coração.

Então será cumprida a promessa: "A meus irmãos declararei o teu nome"; "para que o amor com que me amaste esteja neles".

À medida que nos inclinamos diante dele em humilde silêncio e aguardamos, a alma o ouvirá dizer: "Meu irmão, deixa-me revelar-te o Pai". O nome e o amor e a proximidade ao Pai são revestidos de novo significado quando eu posso afirmar: Jesus me chama irmão! Deus falou comigo em seu Filho!

Então entenderei que, para a fé, a incompreensível realidade da unidade com Jesus torna-se a experiência abençoada e consciente da alma em seu dia a dia.

1. União com Jesus pelo fato de ser nascido de Deus, por ser santo, em ser considerado por ele como Seu irmão! Que vida abençoada! Que salvação plena!

2. "Aquele que faz a vontade de meu Pai, esse é meu irmão".

Se você deseja conhecer a santa alegria de ouvir Jesus referindo-se a você como "irmão", permita que sua vida seja como foi a dele: fazer a vontade de Deus! Foi nessa condição que ele foi aperfeiçoado no sofrimento. É nisso que seu Espírito e vida serão manifestados em você, e o nome "irmão" será o indicador não somente de Sua compaixão, mas também da unidade em Espírito e da semelhança na conduta, que provará que você é um filho de Deus.

3. Santificação, santidade, nada mais é do que uma vida em união com Jesus. Nada mais e nada menos. Aquele que santifica e os que são santificados, todos vêm de um só. Viver nessa unidade,

ter Jesus vivendo em nós, é o caminho para sermos santos.

4. "E novamente, colocarei nele a minha confiança". Jesus viveu pela fé em Deus. Ele é o Líder e Aperfeiçoador da fé. Ele abriu o caminho da fé para nós e nos conduz nesse caminho.


(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público) 


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