segunda-feira, 14 de agosto de 2023

O Líder da Nossa Salvação

 


"Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles." (Hebreus 2:10)


Vimos que existe mais de um motivo para a humilhação do Senhor Jesus até o sofrimento da morte. O primeiro motivo foi para que, como líder - Autor - da nossa salvação por meio de quem Deus conduz seus filhos à glória, ele abrisse o acesso ao caminho de vida, onde deveríamos andar. Para tanto, era necessário que fosse aperfeiçoado por meio do sofrimento e da morte. Somente dessa forma Jesus poderia tornar-se um líder no verdadeiro e pleno sentido da palavra. No sofrimento, sua vontade foi aperfeiçoada, seu caráter moldado, sua dependência de Deus e prazer na vontade divina foram confirmados e manifestos. No sofrimento, sua obediência até a morte abriu o único e vivo caminho por meio do qual a criatura pode chegar até o Criador, ou seja, a mais profunda humildade e completa entrega. Como líder, ele abriu o caminho de vida, um modo de viver e agir, que devemos seguir.

Anteriormente mencionamos um segundo aspecto da morte de Cristo relacionado à comunhão. A morte não é unicamente propiciação, é também comunhão. É somente no sofrimento, em ser crucificado e morto com Cristo, que conhecemos Cristo e sua salvação. Cristo foi aperfeiçoado por meio do sofrimento para que se tornasse um líder, para que encontrássemos o caminho para Deus e para a glória em conformidade com ele e participando de seu Espírito e semelhança.

A obra de um líder pressupõe três aspectos. Primeiramente, ele mesmo deve passar por todas as dificuldades e perigos do caminho, deve conhecê-lo e mostrá-lo para os que o seguem.

Em segundo lugar, aqueles que seguem devem entregar-se completamente à sua liderança e condução, andando como ele andou. Finalmente, o líder deve tomar conta de seus seguidores

- deve cuidar para que todos os empecilhos sejam removidos e deve suprir todas as suas necessidades. Possamos ver como tudo isso foi cumprido em Jesus de forma tão abençoada; e que conforto nos traz saber que Jesus também tem este nome: o líder da nossa salvação.

O líder deve andar no mesmo caminho que seus seguidores deverão percorrer. O caminho pelo qual procuramos em vão era aquele que poderia nos livrar do domínio do pecado, tanto no que se refere à culpa dele decorrente por termos transgredido contra Deus quanto a seu poder de morte a tudo o que é santo e bom. Não havia saída desse estado de pecado, culpa e morte, senão por meio da submissão ao julgamento de Deus e testificando uma entrega completa e voluntária à

vontade de Deus ao sofrer esse julgamento. Jamais poderíamos livrar-nos da natureza caída sob o governo do poder do eu e da vontade própria, senão por meio da morte completa para essa natureza, e nos dispondo a suportar qualquer sofrimento para não permitir que ela prevalecesse. Esse foi o caminho no qual Jesus deveria liderar-nos. E ele mesmo deveria andar por esse caminho. "Porque convinha que aquele, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse por meio de sofrimentos, o Líder da salvação deles". Cristo foi perfeito desde seu nascimento; cada um de seus desejos e inclinações eram perfeitos somente como uma disposição, como um poder, que necessitava ser testado, desenvolvido e fortalecido por meio da provação. O sofrimento e a morte que Cristo experimentou pessoalmente ao aperfeiçoar seu caráter são o fundamento da obra realizada

em nosso favor. Era necessário que Deus o aperfeiçoasse por meio do sofrimento; a perfeição que decorre do sofrimento é mansidão, bondade, paciência e perfeita submissão à vontade de Deus. O Cordeiro de Deus é agora o Cordeiro sobre o trono por causa da humildade e mansidão de coração que demonstrou aqui na terra. Ele foi aperfeiçoado por meio do sofrimento e encontrado digno de ser nosso Sumo Sacerdote.

Um líder dever ser seguido. Seus seguidores devem andar no mesmo caminho em que ele andou. Jesus foi feito como nós e devemos ir até ele e ser feitos como ele. Seu sofrimento e morte não se tratam somente de substituição e propiciação.

É isso sim, graças a Deus, mas muito mais. É um chamamento à comunhão e conformação. A substituição repousa na identificação, a partir daí a conformação cresce e tem sua força. O Cordeiro de Deus não tem outra salvação ou perfeição para nos dar, senão seu próprio Espírito manso de inteira dependência e absoluta submissão a Deus. A mansidão e humildade que Deus precisava aperfeiçoar nele são igualmente necessárias para nós. Nós devemos sofrer e ser crucificados e morrer com ele. Morte para o eu e para o mundo, à custa de qualquer sofrimento e autonegação, esse é o único caminho para a glória que o Líder de nossa salvação abriu para nós.

Um líder cuida de seus seguidores. Ele não diz: “Sigam-me os que puderem". Ele cuida de cada um, até mesmo do mais fraco. Lembre-se do cuidado que Stanley tomou na mais densa e escura África, ao reunir os que haviam se extraviado, deixando os fracos para serem cuidados no acampamento e

aguardar até que pudessem reunir-se novamente a ele. Jesus é um líder compassivo e compreensivo, e o mais fiel. Com toda a fidelidade e firmeza com as quais andou por aquele caminho

na terra, ele ajudará a caminhar naquele caminho até o fim todo aquele que, em mansidão, confiará nele e lhe obedecerá.

Irmão, você entende o que significa que o Pai, ao conduzi-lo para a glória, fez de Jesus o Líder de nossa salvação? Jesus é responsável por você. Tome-o como seu líder e confie nele como tal. A grande necessidade daquele que segue um líder é um espírito doce e ensinável. Alegre-se por ter tal Líder, ele mesmo foi aperfeiçoado em mansidão e submissão por meio do sofrimento, para que pudesse liderá-lo no abençoado caminho que O levou à glória do Pai e certamente levará você também.

Lembre-se quem é este líder - o Filho de Deus, o divino Criador e sustentador de todas as coisas. Ele nos guia não somente como um líder fora de nós na forma de Filho do Homem, influenciando pelo exemplo e ensino, mas por meio de autoridade e bondade. Ele nos guia também como Filho de Deus, que age em nós pelo Espírito Santo; sim, aquele que habita em nós. Assim como Deus nele operou e o aperfeiçoou, ele, como Deus, agora opera em nós e nos aperfeiçoa.

1. Cristo veio para nos dar uma concepção completamente nova da vida verdadeira, ele veio para nos mostrar uma nova forma de pensar e viver, para nos ensinar que uma vida celestial consiste em

abandonar tudo que tenha a mais infima conexão com o pecado, a fim de satisfazer ao Pai completamente. Esse é o novo e vivo caminho que ele abriu quando rasgou o véu da sua carne.

2. Porque convinha que Deus o aperfeiçoasse. Tudo o que Cristo realizou e tudo o que foi realizado nele foi feito por Deus. Ele entregou-se a Deus; ele nada fez de si mesmo. Ele permitiu que Deus

fizesse tudo nele. Esse é o caminho da perfeição, o caminho para a glória liderado por Jesus. Sua divindade é indescritivelmente preciosa para nós por causa daquilo que ele pode ser e fazer em nós. Mas também sua humanidade é indescritivelmente preciosa, mostrando-nos como ele foi aperfeiçoado, como Deus operou nele, o que devemos ser e, por meio dele, certamente o seremos.

3. Procure entender claramente a verdade que ele é somente Salvador à medida em que é líder; salvação significa ser conduzido por ele. 



(Por Andrew Murray - fragmento de "The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews": em domínio público - tradução livre)


FONTE: https://library.mibckerala.org/lms_frame/eBook/The%20Holiest%20of%20All%20-%20Andrew%20Murray.pdf

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