segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

O Espírito Santo na família

 Para vós outros é a promessa, para vossos filhos…” (At 2.39).

Frequentemente, no Antigo Testamento, encontramos expressões em que pais e filhos eram ligados como parceiros nas alianças e bênçãos de Deus: “tu e a tua casa”; “tu e tua descendência”; “eu e a minha casa”; “vós e vossos filhos”. Expressões como essas revelam o maravilhoso vínculo que torna a família uma só unidade aos olhos de Deus.


E louvado seja Deus! A mesma expressão é encontrada no Novo Testamento também:“vós e vossos filhos”. Em nenhum outro lugar poderia ter significado maior do que no texto acima. No dia de Pentecostes, a Igreja de Cristo, que acabara de nascer por meio da ressurreição de Jesus dentre os mortos, recebeu o batismo no Espírito Santo e ouviu esta palavra: “Para vós outros é a promessa E para vossos filhos”. Todas as bênçãos da nova dispensação e do ministério do Espírito foram garantidas para os filhos também.


“Para vós outros é a promessa, para vossos filhos.” A promessa é do Espírito de Jesus glorificado, em toda sua plenitude, no batismo de fogo e de poder. Quando somos batizados no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, estamos confessando nossa fé na santa Trindade, e no Espírito Santo, não só como um com o Pai e com o Filho, mas como sendo a Terceira Pessoa, trazendo a plena e perfeita revelação da glória divina. Tudo o que fora prometido por Deus na velha aliança, tudo o que foi manifestado e oferecido para nós da graça divina em Jesus, o Espírito Santo veio para implantar e tornar propriedade nossa. Por meio dele, todas as promessas de Deus são cumpridas, toda a graça e a salvação em Cristo passam a ser uma experiência e possessão pessoal. A Palavra de Deus chama nossos filhos de filhos da promessa. É especialmente dessa promessa do Espírito Santo que são herdeiros. E o segredo para educar filhos nos caminhos de Deus é criá-los na fé e na expectativa do cumprimento dessa promessa.


 


Dependência do Espírito para treinar os filhos


Com fé na promessa, precisamos aprender a considerar o auxílio e a presença do Espírito no treinamento diário dos filhos como absolutamente necessários e indispensáveis. Mas, não é só isso: a atuação do Espírito no nosso lar foi-nos garantido por promessa. Em todas as nossas orações por eles, na vida diária e nos cultos domésticos, precisamos aprender a esperar a operação direta do Espírito Santo e a depender dela. Dessa forma, nós os educaremos em função do cumprimento da promessa de tal forma que a vida deles, ainda mais que a nossa, seja, desde a juventude, vivida no poder do Espírito, santa ao Senhor.


A promessa é para vocês e para os seus filhos. Essa ideia de treinar os filhos todos os dias na dependência da presença do Espírito Santo, com a expectativa de que ele venha para encher a vida deles, parece muito estranha e elevada para algumas pessoas – totalmente impraticável. A razão de pensar assim é simplesmente porque não aprenderam ainda a considerar a habitação do Espírito em nós como essencial para uma vida cristã autêntica. A promessa do Espírito é para você: somente quando os pais reconhecerem que é impossível viver conforme Deus deseja sem o toque do Espírito para guiá-los no dia a dia, é que eles terão capacidade de crer plenamente na promessa em favor de seus filhos. Só assim é que conseguirão tornar-se ministros do Espírito para sua família. Oh, que a Igreja de Cristo compreendesse o lugar e o poder que o Espírito de Deus deve ter em cada cristão e em cada lar cristão!


 


Influência poderosa


Porque a promessa é para vocês e para os seus filhos. Assim como é na vida natural, também na graça vocês e seus filhos foram intimamente vinculados para o bem ou para o mal. Física, intelectual e moralmente, eles participam da sua vida. Espiritualmente, pode ser assim também. O dom do Espírito e sua operação bondosa para com vocês e para com eles não consistem em dois atos distintos e separados; pelo contrário, é em vocês e por meio de vocês que ele chega também a eles. A vida e a influência diária dos pais é o canal que ele usa para alcançar os filhos com sua vivificação e graça santificadora.


Se você está tranquilo com o pensamento de que já foi salvo, e não está buscando ser realmente cheio do Espírito; se sua vida ainda é mais para carnal do que espiritual; se você tem mais do espírito do mundo do que o Espírito de Deus – não fique surpreso se seus filhos crescerem sem se converterem de verdade. Será apenas um resultado natural e lógico. Você está impedindo a ação do Espírito Santo. Você infunde neles, dia a dia, o espírito do mundo. Pode ser de maneira inconsciente, mas sua influência está, com grande eficácia, direcionando-os à religião humana, em harmonia com o espírito do mundo, ao invés de inspirá-los para a vida de Deus, no poder do Espírito Santo enviado do céu.


A promessa é para vocês, e para seus filhos. Apesar da influência errada dos pais, a bênção pode até alcançar os filhos por meio da fé de outros; entretanto, os pais não têm nenhuma garantia disso, a menos que se entreguem ao Senhor e se tornem o canal para levar a verdadeira vida a eles. Se ainda não fomos despertados por nenhum outro fator, permita Deus que nosso amor de pais pelos filhos nos faça ver que nada menos que o enchimento do Espírito Santo nos capacitará a influenciá-los para Deus.


 


A poderosa promessa de Deus


A promessa é para vocês e para seus filhos. É muito comum considerar a promessa de Deus como mera palavra ou pensamento – algo que não tem poder até que nós, do nosso lado, façamos aquilo que é necessário para torná-lo eficaz. Não reconhecemos que a Palavra de Deus tem em si mesma uma energia viva e potente, uma semente divina que só precisa ser escondida e preservada no coração para gerar a fé capaz de trazer o maravilhoso cumprimento da promessa.


Quando Deus dá uma promessa, isso significa que ele, em seu infinito poder, se amarrou para cumprir o que disse, e que ele certamente fará isso assim que tomarmos posse dela pela fé. Nesse caso, a promessa significa que o Espírito Santo já é nosso, com toda sua graça capaz de nos vivificar, santificar e alegrar; ele está apenas esperando para vir e se tornar, dentro do nosso lar e da nossa vida diária, tudo o que precisamos para ter uma família santa e vitoriosa.


Não importa o quanto nosso lar está distante do ideal de Deus e o quanto parece ser impossível, com nossas circunstâncias e dificuldades, mudá-lo; se apenas nos refugiarmos na promessa, nos apegando a ela por meio da oração da fé, Deus mesmo se encarregará de cumpri-la.


Uma promessa requer duas coisas: aquele que está recebendo precisa crer e tomar posse dela, e quem está fazendo a promessa precisa cumpri-la e torná-la verdadeira. Que nossa atitude seja de fé simples e confiante em Deus, em favor de nós mesmos e dos nossos filhos, contando com a certeza da promessa: Deus é fiel e certamente a cumprirá.


 


Corações e lares cheios da presença do Espírito


Caros companheiros, pais e mães! Humilhemo-nos e reconheçamos que nossa vida no lar não tem comprovado a verdade e a glória dessa promessa. Confessemos com vergonha o quanto nossa vida e coração ainda são carnais, cheios do espírito do mundo e não do Espírito de Deus. Abramos o coração para aceitar a promessa de Deus como algo que tem o poder divino de vivificar e de gerar, por si mesma, exatamente o estado de mente que Deus requer para poder cumpri-la. Consideremos a nós mesmos como os ministros do Espírito Santo, escolhidos por Deus para preparar e treinar nossos filhos desde a infância sob a influência dele, e rendamo-nos totalmente à sua ação e direção.


Treinar um filho corretamente significa prepará-lo como templo do Espírito Santo, significa viver, nós mesmos, no poder do Espírito. Que nenhum senso de incapacidade ou fraqueza nos desanime: “para vocês e para seus filhos é a promessa”. Coloquemos nossa vida, como pais, sob a direção do Espírito Santo, pois só podemos ser para nossos filhos o que realmente somos para Deus.


Que o espírito de louvor e ação de graças nos encha incessantemente, por Deus nos ter concedido a maravilhosa graça de tornar a nossa vida no lar a esfera para a ação especial do seu Espírito. Nossa oração constante e nossa expectativa confiante é que, pelo poder do Espírito Santo enviado do Céu, nosso lar aqui seja cada vez mais parecido ao lar no Céu, do qual devemos ser a imagem e para o qual queremos ser a preparação.


Extraído de The Children for Christ (Os Filhos para Cristo).

Andrew Murray 


Fonte: Celebrando Deus 

O Espírito Santo e a Consciência



Andrew Murray

“A obra redentora de Deus começa na consciência”

“Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência”. (Rm 9.1)

A maior glória de Deus é a Sua santidade, em virtude da qual odeia e destrói o mal, ama e opera o bem. Na humanidade, a consciência tem a mesma função: condenar o pecado e aprovar o que é certo e bom. Após a queda no pecado, a consciência foi o que sobrou da imagem de Deus no homem, como aquilo que mais se aproxima de Seu caráter, como a guardiã da honra Dele. A obra redentora de Deus começa na consciência. O Espírito de Deus é o Espírito de santidade; a consciência é uma fagulha da santidade divina. A harmonia entre a obra do Espírito Santo, em renovar e santificar o homem, e a obra da consciência é íntima e essencial. O crente que deseja ser cheio com o Espírito Santo e experimentar fartamente as bênçãos que Ele dá, deve primeiro conceder à sua consciência o lugar de honra que lhe é devido. A fidelidade à consciência é o primeiro passo na senda da restauração à santidade de Deus. Uma boa consciência é o princípio fundamental e característico da verdadeira espiritualidade. À medida que a consciência testifica em imediata resposta a Deus e à medida que o Espírito dá testemunho da aceitação, por parte de Deus, da nossa fé e obediência, então os dois tornam-se um. A consciência e o Espírito são unidos quando aquele constata que o Pai nos respondeu, enquanto este testifica que Deus aceitou nossa fé e obediência.

A consciência pode ser comparada à janela de um quarto pela qual irradia a luz do céu e, bem como, pela qual podemos ver o céu. O coração é o aposento que expressa nossa vida, ego e alma com suas capacidades e afeições. Nas paredes desse aposento, está escrita a lei de Deus. Mesmo nos povos pagãos, ela é ainda parcialmente legível, embora tristemente obscurecida e descaracterizada. No crente, a lei está escrita, pelo Espírito Santo, em letras de luz, as quais são frequentemente turvas no princípio, mas tornam-se mais claras e evidentes à medida que são expostas à luz que vem de Deus. A cada pecado que cometo, a luz que brilha interiormente evidencia-o e condena-o. Se o pecado não é confessado e abandonado, a mancha permanece e a consciência torna-se corrompida porque a mente rejeitou o ensino da luz (Tt 1.15). E assim, com pecado sobre pecado, a janela fica mais e mais opaca, até que a luz mal consegue brilhar através dela, ao ponto de um cristão poder passar a pecar sem perturbação, pois sua consciência tornou-se praticamente cega e insensível.

Em Seu trabalho de renovação, o Espírito Santo não cria novas faculdades; Ele renova e santifica aquelas que já existem. A consciência é uma obra do Espírito de Deus na função de Criador. Como Espírito de Deus, na função de Redentor, Seu primeiro cuidado é restaurar o que o pecado corrompeu. É somente restaurando a consciência à sua função plena e saudável, e nela revelando a graça maravilhosa de Cristo, com “o Espírito testificando com o nosso espírito”, que Ele habilita o crente a viver uma vida na plena luz do favor de Deus. É quando a janela do coração, que tem vista para o céu, é limpa, e assim permanece, é que podemos andar na luz.

Por meio da consciência, o Espírito faz com que a luz da lei santa de Deus brilhe dentro do coração. Um quarto pode ter as cortinas puxadas, ou mesmo as venezianas fechadas, mas isso não impede que a luz de um relâmpago, de tempo em tempo, brilhe através delas. É possível que uma consciência esteja tão corrompida e cauterizada a ponto da pessoa continuar vivendo como se tudo estivesse “normal”. Quando o relâmpago do Sinai brilha no coração, a consciência desperta e fica pronta para admitir e sofrer a condenação. Tanto a lei quanto o evangelho, com o seu chamado ao arrependimento e a sua convicção de pecado, apelam para a consciência. É apenas quando a consciência concorda com a acusação da transgressão e da incredulidade, que o livramento pode verdadeiramente vir.

É através da consciência que o Espírito, do mesmo modo, faz com que a luz da misericórdia brilhe. Quando as janelas de uma casa estão manchadas, ainda podem ser lavadas. “… muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo!” (Hb 9:14; 10:2, 22). O alvo do sangue de Cristo é alcançar a consciência, para silenciar suas acusações, e limpá-la até que possa testificar: cada mácula está removida; o amor do Pai faz com que Cristo, em brilho evidente, irradie em minha alma. Este é o privilégio de cada crente. Isso é o que se verifica quando a consciência diz: “amém” à mensagem de Deus a respeito do poder do sangue de Jesus.

A consciência que foi purificada no sangue deve ser mantida limpa através de um andar em obediência e fé, com a luz do cuidado de Deus brilhando sobre ela. Diante da promessa de que o Espírito de habitação, o Espírito de Cristo, se responsabilizaria em guiar-nos em toda a vontade de Deus, é a consciência que constata e testifica que Ele tem realizado esta obra. O crente é chamado a andar em humildade e vigilância, a fim de que em nada sua consciência o acuse de não ter feito o que ele sabia ser certo ou ter feito o que não provém de fé. Ele deve estar contente com nada menos do que o testemunho da boa consciência, conforme ressaltou Paulo: “Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo…” (2 Co 1.12. Cf. At 23.1; 24.16; 2 Tm 1.3). Note bem estas palavras: “nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência”. É quando a janela é mantida limpa e brilhante por nossa habitação na luz que nós podemos ter comunhão com o Pai e com o Filho. O amor do céu resplandece fulgurante em nosso interior, e nosso amor responde em confiança infantil. “Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus… porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável” (1 Jo 3.21-22).

A manutenção de uma boa consciência em relação a Deus é essencial para a vida da fé. O crente não deve se contentar com nada menos que isso. Ele deve estar convicto de que isso está ao seu alcance. Os crentes do Antigo Testamento tiveram, pela fé, o testemunho de terem agradado a Deus (Hb 11:4-6, 39). No Novo Testamento, ela se coloca diante de nós não somente como um mandamento a ser obedecido, mas também como uma graça concedida pelo próprio Deus. “… a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda a boa obra e crescendo no conhecimento de Deus; sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória…”; “… para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé…; “… operando em vós o que é agradável diante dele” (Cl 1.10-11; 2 Ts 1.11; Hb 13.21). Quanto mais buscamos esse testemunho da consciência – de que estamos fazendo o que é agradável a Deus – mais sentiremos o livramento daquelas falhas que nos privam de olharmos imediatamente para o sangue de Cristo. O sangue, que limpa a consciência, age no poder da vida eterna, constante, imutável e que salva completamente. ”Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1.7).

A causa da fraqueza da nossa fé é a falta de uma consciência limpa. Perceba como Paulo conecta as duas coisas em 1 Timóteo: “… ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia” (1.5); “… mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé” (1.19). E especialmente 3.9: “… conservando o mistério da fé com a consciência limpa”. A consciência é o fundamento da fé. Aquele que deseja se fortalecer na fé, e ter confiança para com Deus, deve saber se O está agradando (1 Jo 3.21-22). Jesus disse claramente que é para os que O amam e guardam Seus mandamentos que a promessa do Espírito é dirigida. Como podemos reivindicar, confiadamente, essa promessa, a não ser que, em simplicidade infantil, nossa consciência possa testificar que preenchemos as condições? Até que a Igreja possa subir à altura de seu santo chamado como intercessora, e reivindicar essas promessas ilimitadas que lhe estão disponíveis, os crentes se aproximarão de seu Pai, regozijando-se, como Paulo, no testemunho de sua consciência – de que pela graça de Deus estão andando em santidade e sinceridade divina. Devemos compreender que esta conduta exige a mais profunda humildade e traz a maior glória para a graça ofertada por Deus; levando-nos a desistir das nossas pretensões de que podemos alcançar, por nós mesmos, o padrão que Ele se propõe em conceder-nos gratuitamente.

Como pode ser alcançada essa vida santa que nos habilita a invocar diariamente a Deus e aos homens como Paulo: “Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência”? O primeiro passo é humilhar-se sob a reprovação da consciência. Não se contente com uma confissão superficial de que algo está errado. Tome cuidado com a confusão entre transgressão real e tentação para pecar. Se temos de morrer para o pecado, pelo Espírito de habitação, devemos primeiro lidar com a prática do pecado. Em silenciosa submissão e humilhação, conceda à consciência tempo para reprovar e condenar qualquer pecado. Diga para o seu Pai que você, pela Sua graça, irá obedecer – mesmo nas menores coisas. Aceite, mais uma vez, a oferta de Cristo de governar totalmente seu coração, habitar em você como Senhor e dono. Confie que Ele, pelo Seu Espírito Santo, fará isso, mesmo quando você sentir-se fraco e desamparado. Lembre-se que a obediência, o acolhimento e a observância das palavras de Cristo em sua vontade e vida, é o único caminho para provar a realidade de sua rendição a Ele e o seu interesse em Sua obra e graça. Prometa, em fé, que pela graça de Deus você irá procurar sempre ter uma consciência livre de ofensa a Deus e aos outros.

Quando você seguir esses passos, estará sendo fiel em manter sua consciência pura, e a luz do céu irá resplandecer de forma mais gloriosa no seu coração, revelando o pecado e enfatizando a lei escrita pelo Espírito. Esteja disposto a ser ensinado; confie que o Espírito irá ensiná-lo. Cada esforço sincero para manter limpa a consciência, que foi lavada pelo sangue, será acompanhado da ajuda do Espírito. Renda-se de todo o coração à vontade de Deus e ao poder do Seu Espírito Santo.

À medida que você curvar-se à reprovação da sua consciência e entregar-se completamente para fazer a vontade de Deus, sua intrepidez se fortalecerá, tornando possível ter uma consciência livre de ofensa. O testemunho da consciência sobre o que você está fazendo e irá fazer, pela graça, será acompanhado pelo testemunho do Espírito sobre o que Cristo está fazendo e irá fazer. Em simplicidade infantil, você irá procurar começar cada dia com a simples oração: “Pai, não há nada agora entre o Senhor e este seu filho. Minha consciência, divinamente limpa no sangue, dá testemunho disso. Não permita que nem mesmo a sombra de uma nuvem interfira nesse dia. Em tudo quero fazer a Sua vontade: Seu Espírito habita em mim, me guia e me fortalece em Cristo”. Você entrará naquela vida que se regozija somente na graça ilimitada, e que diz ao fim de cada dia: nosso gozo é esse: o testemunho de nossa consciência de que em santidade e divina sinceridade, pela graça de Deus, nos conduzimos neste mundo.


(Artigo extraído do capítulo 21 da obra “O Espírito de Cristo”, Editora dos Clássicos, 2013, considerado por muitos como o maior clássico de Andrew Murray e um dos maiores da literatura cristã).


http://www.editoradosclassicos.com.br/blog/artigos/o-espirito-santo-e-a-consciencia


Fonte: Celebrando Deus

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Servir ao Senhor em Santidade e Justiça


Lucas 1:68, 74-75


O cântico de Zacarias, conhecido como "Benedictus", é um louvor a Deus por Sua fidelidade e misericórdia. Ele exalta o Senhor que visitou e redimiu o Seu povo, cumprindo Sua promessa de salvação. Essas palavras não são apenas um cântico de gratidão, mas um lembrete de nossa vocação como filhos de Deus: servir ao Senhor em temor, em santidade e justiça, todos os dias de nossas vidas.


Libertos para Servir

Deus, em Sua infinita misericórdia, nos libertou do maior inimigo: o pecado. Essa libertação, conquistada por meio de Jesus Cristo, não é apenas uma promessa de vida eterna, mas um chamado para uma nova vida aqui e agora. Somos libertos para servir a Deus com um coração cheio de temor reverente, mas sem medo, pois sabemos que Ele é um Pai amoroso que cuida de nós.


Santidade e Justiça

Servir a Deus em santidade significa dedicar nossa vida a Ele, buscando viver de acordo com Sua vontade. Já a justiça refere-se a um comportamento alinhado com os princípios do Reino, agindo com integridade, compaixão e amor. Esses dois aspectos são inseparáveis na vida cristã, pois a santidade nos separa do mundo, enquanto a justiça nos torna instrumentos de Deus no mundo.


Todos os Dias da Nossa Vida

Nosso serviço ao Senhor não é temporário nem ocasional. É um compromisso diário, uma resposta contínua ao Seu amor e graça. Isso significa que, em tudo o que fazemos – no trabalho, na família, no ministério ou nas pequenas decisões – buscamos glorificar a Deus.


*Hoje, reflita:*


Você tem vivido sem temor, confiando na libertação que Jesus trouxe?


Seu serviço a Deus reflete santidade e justiça?


Como você pode ser mais intencional em servir ao Senhor em todas as áreas de sua vida?


*Oração:*

"Senhor, bendito seja o Teu nome por Tua salvação e por nos libertar para vivermos livres do medo. Ajuda-me a Te servir em santidade e justiça, todos os dias da minha vida. Que minha vida seja um cântico de louvor a Ti, em gratidão e obediência. Em nome de Jesus, amém.”


Caminhos Misteriosos

 *Caminhos Misteriosos*

"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos." (Isaías 55:8-9)


"Deus nos levará ao céu, mas tirando do inferno" (Rm 5:18; 8:1). Deus nos trará conforto, mas deve ser pelo senso de nossa própria indignidade (Jo 16:8; 1 Tm 1:15). Ele perdoará nossos pecados, mas deve ser pela visão e percepção de nossos pecados (Os 5:15; Is 64:6). Ele nos trará à vida, mas deve ser pela morte (2 Co 4:10-12; 1 Co 15:36). Ele nos levará à glória, mas deve ser por vergonha (Is 61:6-7). Deus trabalha pelos contrários; portanto, quando estiver nos contrários, acredite neles" (Is 55:8-9).


(Richard Sibbes - 1577-1635)


Soberania dos caminhos de Deus

 




“Eles serão meus, diz o Senhor dos Exércitos, naquele dia em que reconhecerei publicamente e declararei abertamente que eles são minhas joias” (Ml 3:17 - Versão Amplificada).


O que podemos concluir quando nos comprometemos totalmente com Deus, realmente desejando que Ele cumpra Sua plena vontade em nossas vidas pela Sua graça, e logo a seguir nos encontramos em meio a situações terrivelmente complicadas, que parecem contradizer a fidelidade de Deus? A que conclusão iremos chegar?


Nesse caso teremos duas alternativas: acreditar que Deus não se importa com toda a nossa devoção e consagração, e nos abandonou nessa confusão, ou decidir crer que tudo está debaixo dos Seus olhos. Essa é uma decisão suprema. Temos a alternativa de crer em Deus ou não. Isso é o que nos diz a Palavra.


Tudo se resume em compreender que as pessoas envolvidas nas ações ordenadas pela soberania Divina enfrentam situações como essas. Mas, finalmente, essa soberania evidenciará que tudo que lhes acontece está relacionado a algo extraordinariamente precioso para o Senhor. Esses “serão meus, diz o Senhor dos exércitos, minha possessão particular, no dia em que preparei” (Ml 3:17 tradução ASV).


O Senhor busca algo especial e para isso Ele precisa de um povo. Esse povo peculiar para Deus  passará por experiências incomuns, interiores e exteriores. Eles não trilharão o curso de vida normal... Não será assim com essas pessoas! Essas pessoas seguirão caminhos tortuosos, intrincados e extremamente difíceis, mas existe uma soberania operando por trás dessas coisas.


Essa é minha maneira de analisar essa situação, de acordo com o que vejo na Palavra. Só posso afirmar isso, não é estranho aos propósitos de Deus que Seu povo passe por esse tipo de experiência. Seja o remanescente de Israel, sejam as reações de Deus nesta dispensação cristã que vemos retratadas no livro do Apocalipse, descritas nas mensagens para as igrejas. Tudo está baseado nessa prerrogativa. Nada soa normal com a vida dessas pessoas, porque Deus não deseja nada normal, dentro do nosso conceito natural.


Deus busca algo excepcional, e por isso nossa experiência também deverá ser extraordinária.


-- T. Austin-Sparks (Tradução do texto do dia 26 de maio do devocional “Daily Open Windows”,).


Descanso nEle: Nosso Abrigo Seguro



"E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana" (Lucas 2:25). 


Deus é onisciente. Ele conhece todas as coisas - todas as coisas possíveis, todas as coisas reais, todos os eventos, conhece todas as criaturas, todo o passado, o presente e o futuro. Conhece perfeitamente todos os pormenores da vida de todos os seres que há no céu, na terra e no inferno. "...conhece o jaz em trevas" (Dn 2:22). Nada escapa a Sua atenção, nada pode ser escondido dEle, não há nada que Ele esqueça. Bem podemos dizer como o salmista: "Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance; é tão elevado que não o posso atingir" (Sl 139:6). Seu conhecimento é perfeito. Ele jamais erra, nem muda, nem passa por alto alguma coisa. 

Quão solene é esse fato: nada pode se esconder de Deus! "... sei em que vocês estão pensando" (Ez 11:5). Embora Ele seja invisível para nós, não somos para Ele. Nem as trevas da noite, nem as cortinas mais espessas, nem o calabouço mais profundo podem ocultar o pecador dos olhos do Onisciente.¹

“Para aqueles que buscaram refúgio agarrando-se à esperança que o evangelho nos apresenta, que doçura inexprimível encontram no conhecimento de que nosso Pai Celestial nos conhece inteiramente. Ninguém pode nos delatar, nenhum inimigo é capaz de nos acusar com sucesso; nenhum esqueleto esquecido pode cair de dentro de um armário para nos envergonhar e expor nosso passado... Nosso Pai Celestial conhece nossa estrutura e se lembra de que somos pó. Ele conhecia nossa inata traição, e, por amor de Seu Nome, decidiu salvar-nos (Is 48:8-11). Seu Filho unigênito sentiu a intensa angústia de nossas dores quando caminhou entre nós. Seu conhecimento de nossas aflições e adversidades é mais que teórico - é pessoal, cálido e compassivo. O que quer que nos aconteça, Deus sabe e se importa como ninguém é capaz de importar-se.”²

*Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o SENHOR, que se compadece de ti* (Isaías 54:10).



(¹ extratos selecionados dos livros "Os atributos de Deus", cap 3 - A. W. Pink e "O conhecimento do Santo", cap 10 -.A. W. Tozer).


FÉ E VITÓRIA

 


O irmão Stephen Kaung em uma de suas preleções exortou os irmãos dizendo que “o problema com algumas pessoas hoje é que, mesmo após terem ouvido o que o Senhor fez no passado e mesmo crendo em Deus, não há comprometimento. Como esperar que Deus se comprometa conosco, se não nos comprometemos com Ele? 

FÉ demanda COMPROMETIMENTO! 

FÉ demanda RENDIÇÃO! 

FÉ demanda OBEDIÊNCIA! 

Temos que tomá-lO como nosso Rei e se assim o fizermos, Ele reinará sobre nós e sobre todas as coisas por nós. [Sl 44: 5,6] Aqui, o salmista assume uma posição de fé: crê em Deus; crê que Ele o salvará. O salmista não colocará sua confiança em si mesmo. Essa posição de fé é uma que devemos tomar, e quando o fizermos, declararemos: “Pois tu nos salvaste dos nossos inimigos e cobriste de vergonha os que nos odeiam” [Sl 44:7]. Observe o tempo verbal empregado aqui: ao tomar essa posição de fé e declará-la, torna-se algo que Deus já fez: “Tu tens (…) tu tens”. É claro que sabemos que quando o salmista declarou isso como um testemunho não foi liberto imediatamente. Mas foi liberto. Isso é: “Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Mc 11: 24). 

Em outras palavras, se tivermos fé, fé verdadeira em Deus, por intermédio da fé recebemos o que haverá de suceder. Primeiro recebemos por fé e depois podemos receber de fato. Nosso problema é que queremos receber de fato antes de recebermos pela fé. Nesse caso, não é por fé, mas por vista. A fé opera quando o fato ainda não ocorreu, mas pela fé, já foi realizado. Se cremos que recebemos, então receberemos. 

Lembro-me do que o querido irmão Nee disse a respeito da fé: “Fé não é apenas crer que Deus é capaz; claro que Ele é capaz, Ele é onipotente. Fé não é apenas crer que Deus está disposto; é claro, Deus está disposto; Ele é amor. Fé é crer que Deus já fez”. 

Podemos nos perguntar “como pode?” “Ora a fé é a certeza de coisas que se esperam (…)” (Hb 11: 1). Fé torna real o que não foi visto. Ainda não foi visto, mas a fé já creu. Portanto, a fé substancia aquilo que ainda não foi realizado. 

Geralmente damos um testemunho quando experimentamos algo. Mas o testemunho da fé é diferente: testificamos de algo antes de acontecer porque sabemos que acontecerá.”


Stephen Kaung.


Estamos em uma jornada espiritual

  " antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia ete...