segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Diligência e Perseverança

 

"Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e

pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira.

Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidênciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos. Desejamos,

porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança; para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles

que pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas." (Hebreus 6:9-12)


Em toda assembléia cristã, há duas classes de pessoas.

Alguns entregaram-se completamente para buscar e servir a Deus de todo o seu coração. Outros, frequentemente a maioria, são como Israel, estão satisfeitos com a libertação do Egito e entregam-se à indolência, não lutam para possuir completamente o descanso na terra prometida. Ao falar para tal igreja, aquele que fala pode dirigir-se separadamente às duas classes de pessoas. Ou pode dirigir-se ao grupo primeiramente de um ponto de vista, depois, de outro. É essa última forma que

encontramos na Epístola aos Hebreus. Em sua advertência, a epístola fala a todos, como se todos estivessem em perigo. Em sua exortação e encorajamento, a epístola fala como se todos

compartilhassem os sentimentos da outra metade, o grupo composto de pessoas que estão em uma melhor condição.

"Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira" a respeito de cair e da impossibilidade de renovação. Temos a esperança que nossa palavra de advertência dê frutos e que, pela graça de Deus, que já operou em vocês, vocês serão animados para abandonar toda negligência e incredulidade, e avançarão.

Olhamos para o próprio Deus, para que Ele mesmo aperfeiçoe sua obra em vós.

"Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos". Se, na presente condição dos hebreus, havia muito que deixava o escritor ansioso, ele encoraja seus leitores e a si mesmo mostrando-lhes o passado.

Quando o evangelho foi pregado entre eles, eles receberam os mensageiros de Cristo com alegria, e permaneceram com eles, compartilhando de seu opróbrio e sofrendo danos por causa de seu nome. Ainda agora havia amor pelo povo de Deus entre os hebreus. E Deus não é injusto para esquecer o que foi feito por seu nome e por seu povo; Deus pode lembrar da recompensa do copo de água fria ainda que aquele que ofereceu esse copo tenha ele mesmo esfriado, e pode vir bênção que o restaura novamente. Deus não lembra do pecado somente, ele lembra muito mais da obra de amor.

"Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança".

Em todos os negócios deste mundo, a diligência é o segredo do sucesso. Sem atenção e incômodos e grande esforço, não podemos esperar que nosso trabalho prospere. Ainda assim, há muitos cristãos que imaginam que na vida cristã as coisas cairão em suas mãos. Quando ouvem que Jesus fará toda a obra, eles consideram isso como um passe para uma vida fácil.

Quanto engano! Jesus, de fato, fará tudo, mas ele assume essa responsabilidade simplesmente para nos inspirar com seu próprio espírito de auto sacrifício e devoção à vontade do Pai, com sua prontidão em abandonar toda tranquilidade e conforto para satisfazer a Deus e ao homem, com sua própria diligência incansável em trabalhar enquanto ainda dia. Então, o escritor da epístola conclama os leitores a mostrarem até ao fim a mesma diligência que haviam anteriormente manifestado, para a plena certeza da esperança.

Aqui temos as mesmas três palavras que tivemos na segunda advertência. Nessa advertência, lemos: "Esforcemo-nos" sejamos diligentes -, "pois, por entrar naquele descanso" (4.11); "se guardarmos firme até ao fim a ousadia e a exultação da nossa esperança" (3:6); "Se guardarmos firme até ao fim a confiança que desde o princípio tivemos" (3:14). As grandes características da perseverança cristã são aqui mais uma vez colocadas junto. Esperança olha para a frente e vive nas promessas, ela se gloria antecipadamente na certeza do cumprimento das promessas. 

A esperança gloriosa, radiante, é um dos elementos de uma vida cristã saudável, uma das âncoras mais seguras contra o retroceder. Essa esperança deve ser cultivada; devemos ser diligentes na plena certeza da esperança, uma esperança que inclui toda a plenitude das promessas de Deus, e que enche todo o coração. E tudo isso deve ser feito até ao fim, com uma paciência e perseverança

que desconhecem cansaço, que aguardam pelo tempo de Deus e buscam, com paciência, até que seu cumprimento seja completo.

Para que não sejais indolentes. O fato de serem tardios ao ouvir (5:11) foi o que lhes causou tanto mal. Esse perigo é ainda muito presente. "Mas imitadores daqueles que pela fé e pela longanimidade herdam as promessas". O escritor advertiu os hebreus contra o exemplo dos pais no deserto.

Aqui ele os encoraja lembrando-os daqueles que pela fé e pela longanimidade herdaram as promessas. Longanimidade é a perseverança da fé. A fé apropria-se instantaneamente de tudo

o que Deus promete, mas tem o perigo de deixar de apegar-se firmemente. Longanimidade vem para dizer como a fé necessita ser renovada diariamente e, ainda que a promessa tarde, ela fortalece a alma para apegar-se firmemente até ao fim. Essa é uma das grandes lições práticas da epístola, é uma lição que o jovem crente especialmente necessita. Conversão não passa de um início, de um degrau, é a porta de entrada em um caminho; dia a dia, sua entrega deve ser renovada; todos os dias, a fé deve aceitar Cristo novamente e encontrar sua força nele. Por meio da fé e da longanimidade, nós herdamos, entramos na posse das promessas. Salvação é aquilo que Cristo Jesus é para nós e faz em nós. Para que ele seja, de fato, a nossa vida, devemos ter comunhão pessoal com ele diariamente, devemos render-nos pessoalmente e de forma inequívoca a seus ensinamentos e à sua obra. Tomemos cuidado, acima de tudo, de confiar ou descansar inconscientemente naquilo que temos, ou daquilo que desfrutamos da graça. É unicamente por meio da fé e da longanimidade, pelo renovar incessante e diário de nossa consagração e de nossa fé em nosso devocional com o nosso amado Senhor que a vida celestial pode ser mantida em seu frescor e poder.

1. "Deus não é injusto para ficar esquecido de vosso trabalho".

Quão frequentemente Deus falou a Israel sobre seu primeiro amor.

Que encorajamento para todos aqueles que esfriaram voltar e confiar nele para que sejam restaurados. Deus não pode ficar esquecido do que aconteceu entre você e ele.

2. "para que não vos torneis indolentes" nem um dia sequer. Nós podemos perder em uma hora que deixamos de vigiar aquilo que ganhamos em um ano. Cristo e Seu serviço exigem uma atenção

completa, não-dividida e incessante.

3. Não permita que o caminho de Deus lhe pareça muito lento e difícil. Permita que a paciência faça sua obra perfeita. Assim como o agricultor tem muita paciência com a semente, Deus é paciente

com você. Seja paciente com ele. Somente lembre-se desta simples lição: dia a dia, renove sua entrega a Jesus e sua fé nele e sua esperança em Deus. Fé e paciência herdarão as promessas.



(Por Andrew Murray - fragmento de "The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews": em domínio público ) 


FONTE: https://library.mibckerala.org/lms_frame/eBook/The%20Holiest%20of%20All%20-%20Andrew%20Murray.pdf

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