segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Melquisedeque Feito Semelhante ao Filho de Deus

 Conforme > Hebreus 7:1-28


O Novo Sacerdócio Segundo a Ordem de Melquisedeque


Melquisedeque Feito Semelhante ao Filho de Deus


“Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando voltava da matança dos reis, e o abençoou, para o qual também Abraão separou o dízimo de tudo (primeiramente se interpreta rei de justiça, depois também é rei de Salém, ou seja, rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia; que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote perpetuamente.” (Hebreus 7:1-3)


No capítulo 5 da epístola, lemos que Jesus foi chamado por Deus assim como Arão. Em muitos aspectos, Arão foi um tipo de Cristo, mas, em outros, seu sacerdócio fracassou

completamente até mesmo em prefigurar o sacerdócio de Cristo. A provisão divina especial proveu outro nome em quem foi prefigurado o que faltou em Arão como um tipo. A diferença entre o sacerdócio de Arão e o de Melquisedeque é extrema. O segredo da Epístola aos Hebreus e o segredo da vida cristã em seu poder e perfeição reside no entendimento correto dessa diferença e também em conhecer em que sentido Melquisedeque foi feito semelhante ao Filho de Deus.

O segredo pode ser expresso na frase: Sacerdote para sempre.

O lugar que Melquisedeque ocupa na história sagrada é uma das evidências mais marcantes da inspiração e unidade da Escritura, que foi escrita sob a orientação sobrenatural do Espírito Santo. No livro de Gênesis, tudo o que nos é dado a conhecer a respeito de Melquisedeque está escrito em três versículos simples e curtos. Mil anos mais tarde, encontramos um salmo onde há um único versículo que mostra o próprio Deus jurando a seu Filho que ele seria um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Passam-se mais mil anos, e esse único versículo torna-se a semente da maravilhosa exposição encontrada nesta epístola a respeito de toda a obra de redenção revelada em Cristo Jesus. As suas características mais notáveis estão contidas no tipo extraordinário que nos é apresentado.

Quanto mais estudamos esse assunto, mais exclamamos: "Isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos" (Sl 118:3). Vemos nisso nada menos que um milagre da sabedoria divina guiando Melquisedeque e Abraão tendo em vista o que aconteceria com o Filho de Deus dois mil anos mais tarde, revelando ao salmista o propósito secreto da mente divina na promessa feita ao Filho no céu e, então, por meio do mesmo Espírito Santo, guiando o escritor da epístola em sua exposição divinamente inspirada. Não poderia ser dada uma evidência mais forte da inspiração divina para aquele que crê. De fato, tudo foi realizado e registrado em seu devido tempo por meio do Espírito eterno, o Espírito do próprio Cristo.

Nos primeiros três versículos do capítulo 7, que ora consideramos, o escritor nos lembra da história de Melquisedeque, nos informa seu nome e história. Seu nome significa Rei de Justiça. Ele é também denominado segundo a cidade onde reina, Salém, que significa paz, Rei de Paz. A combinação desses dois títulos prova como Melquisedeque foi destinado por Deus para ser uma figura de seu Filho. Justiça e paz são mencionadas juntamente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento como bênçãos características do reino de Cristo. Justiça como o único fundamento da paz; paz como resultado certo e bendito da justiça. O reino de Deus é justiça e paz e, como o fruto certo de ambos, alegria no Espírito Santo.

Melquisedeque era sacerdote e rei, algo desconhecido foi em toda a história de Israel. Aquilo que mantido sempre separado no povo de Deus foi, por meio da profecia divina, unido em Melquisedeque, que foi feito semelhante ao Filho de Deus. A Epístola aos Hebreus desvendará especialmente a glória de Cristo como o Rei-Sacerdote.

O silêncio da Escritura a respeito da genealogia, nascimento e morte de Melquisedeque é então interpretado como uma prova de quão diferente foi seu sacerdócio do sacerdócio de Arão e dos sacerdotes de Israel, onde a descendência era o mais importante. Assim, Deus preparou na pessoa de Melquisedeque uma maravilhosa profecia sobre seu Filho, cujo direito ao sacerdócio não se encontra em linhagem terrena, mas no fato de ele ser o Filho de Deus de eternidade a eternidade. Sendo feito semelhante ao Filho de Deus, Melquisedeque permanece um sacerdote para sempre.

"Um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque". Essa palavra de Deus encontra-se no salmo que faz a conexão entre o livro de Gênesis e a Epístola aos Hebreus. O Espírito Santo, que a inspirou e, então, a expôs, aguarda para levar-nos para o mistério de sua glória como uma experiência viva. A expressão "para sempre", encontrada nas expressões "sacerdote para sempre, salvação eterna, eterna redenção, aperfeiçoado para sempre", significa não somente "sem fim", mas também "infinitamente mais". Deus é o Eterno, sua vida é uma vida eterna. Essa vida é eterna no sentido de ser divina, na qual não há mudança ou decomposição, mas é também juventude e força eternas porque Deus está nela presente. O sacerdócio eterno de Cristo significa que ele fará sua obra em nós no poder da vida eterna, na vida de Deus, no céu. Ele vive para sempre, portanto, pode salvar completamente.

Possa Deus ensinar-nos o significado de Cristo ser nosso Melquisedeque, um sacerdote para sempre. O entendimento espiritual desse sacerdócio eterno, que nos é transmitido até mesmo na terra e que mantém uma vida eterna, imutável dentro de nós eleva nossa experiência interior para além da região do esforço, da mudança e do fracasso e a coloca no descanso de Deus, de forma que a imutabilidade de seu propósito é a medida da imutabilidade de nossa fé e esperança.

1. No capítulo 7 da Epístola aos Hebreus, temos o início das coisas difíceis de entender, coisas que somente os que são perfeitos podem entender (Hb 6). Somente aqueles que caminham para a perfeição, que desejam intensamente possuir o máximo do que Deus é capaz de operar neles por meio de Cristo, podem apossar-se da revelação do sacerdócio eterno em seu interior. Nem talento nem inteligência são suficientes para isso; somente o coração sedento pelo Deus vivo poderá entender que fomos aproximados de Deus.

2. Somente o Espírito Santo por meio de quem a história foi registrada, e o juramento para o Filho que foi revelado, e a exposição inspirada podem conduzir-nos ao poder e bênção espirituais aqui revelados. O Espírito Santo somente nos conduz à medida que ele é conhecido como aquele que habita em nosso interior, aquele por quem aguardamos com profunda humildade e a quem nos rendemos em humilde resignação. Quão santo, bendito e solene é crer que o Espírito de Deus nos está guiando para a perfeição para que tenhamos essa verdade como nossa e também a experimentemos!

3. "Ele habita continuamente": uma vida imutável, que não tem fim, é a característica de Melquisedeque, o qual foi feito semelhante a Cristo em Seu sacerdócio celestial, e foi também feito semelhante à vida do crente que aprende a conhecer e a confiar em Jesus

completamente.



(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público)  


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