segunda-feira, 30 de outubro de 2023

O Juramento de Deus

 

"Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é

o fim de toda contenda. Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta."(Hebreus 6:16-18)


Para qualquer pessoa sincera, é sempre um ato solene e de extrema seriedade fazer um juramento e apelar ao Deus onisciente pela verdade daquilo que ele diz. No entanto, Deus fazer um juramento diante do homem é algo ainda mais solene e sério do que um homem fazer um juramento diante de Deus.

É disso que o escritor da Epístola aos Hebreus tratará a partir de agora. Ele mencionou o juramento que Deus fez em sua ira: "Não entrarão no meu descanso". No próximo capítulo, ele mencionará o profundo significado da designação de Cristo como Sumo Sacerdote, confirmada por meio de juramento.

Aqui ele deseja mostrar aos que creem o forte encorajamento que eles têm no juramento de Deus, a fim de que possam aguardar mais confiadamente o cumprimento da promessa.

Somente essa confiança possibilitará ao cristão suportar e vencer.

Consideremos esse assunto mais uma vez. O juramento de Deus prova claramente que fé é o que ele busca acima de tudo. Deus deseja que confiemos nele. Fé nada mais é do que depender de Deus para fazer por nós o que não podemos fazer, é depender dele para fazer o que ele se propôs fazer. O propósito de Deus para nós é algo de infinita e inimaginável bênção. Ele está pronto; como Deus, ele deseja intensamente operar em nós tudo o que prometeu. 

Contudo, ele não poderá realizar essa obra a menos que abramos nosso coração para ele e nos entreguemos serenamente e nos rendamos a ele para que realize Sua obra. Enquanto essa fé não se apodera de nós, estamos sempre procurando fazer a obra de Deus e o impedimos de agir. A fé nos ensina a colocar-nos nas mãos de Deus em profunda humildade e dependência, em mansidão e

paciência, a abrir caminho para ele e a esperar por seu devido tempo. A fé faz com que o coração e a vida se abram para Deus em expectativa e esperança. Somente então Deus estará livre para agir; a fé concede a Deus seu lugar como Deus e o honra.

E ele cumpre a promessa: "aquele que me honrar será honrado por mim". Como é importante aprender a lição que, acima de tudo, o único requisito que Deus exige de nós é que confiemos nele para que ele mesmo faça sua obra!

É para isso que Jesus tornou-se mediador, ou seja, colocou-se no meio, interpôs-se com juramento. Observe as expressões que são empregadas: "Deus, quando quis mostrar....", eles mostraram seu amor para com o nome de Deus, eles foram persuadidos a mostrar diligência na plenitude da esperança.

Ao proferir "Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito", o autor da epístola menciona o que Deus mostrará aos que o servem. Em outras palavras, Deus deseja mostrar-nos quão imutável é seu propósito de abençoar-nos se tão somente lhe permitirmos, se tão somente confiarmos nele e, ao confiar nele, permitamos que opere em nós. Ele deseja mostrar-nos isso "mais abundantemente". Ele deseja que tenhamos uma prova mais abundante disso, para que, como vimos no capítulo 2 de Hebreus, nos apeguemos com mais firmeza e vejamos que não pode haver qualquer possibilidade para dúvida. Deus fará. Foi para isso que ele confirmou a promessa com um juramento.

"para que, mediante duas coisas imutáveis" - a promessa e o juramento de Deus - "nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos". Observe a expressão "é impossível que Deus minta"! É como se Deus nos perguntasse se pensamos que seja possível que ele, o fiel e imutável, possa mentir, caso achemos que sua palavra não basta. Deus sabe quão pouco nosso coração entenebrecido confia nele. Suas promessas são tão grandes, tão divinas, tão celestiais que não podemos aceitá-las. 

Então, para nos despertar de nossa incredulidade e dela para nos envergonhar, ele vem e, como se fosse possível que Deus mentisse, nos chama para ouvi-lo quando faz um juramento em nossa presença de que cumprirá o que diz: "Abençoando te abençoarei, multiplicando te multiplicarei". E tudo isso ele faz para que nós, os herdeiros da salvação, tenhamos forte alento, sejamos fortemente encorajados. Certamente, todo e qualquer vestígio de temor e dúvida deve desvanecer-se, e nossa alma se prostrará em adoração e clamará: Ó, Deus, eu creio em ti!

Nunca mais duvidarei de tua palavra.

"Deus, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo". Sim, "por si mesmo"! Nisso reside o poder do juramento e o poder de nossa fé em nosso juramento. Deus aponta para si mesmo, para o seu Ser divino, sua glória, seu poder, e jura por si mesmo, coloca a si mesmo como garantia, como refém, de que, tão certo como ele vive, ele cumprirá sua promessa. Ó, se tão somente separássemos tempo para estar diante desse Deus e ouvi-lo jurar-nos que será fiel, certamente nos envergonharíamos de ter abrigado por um momento dúvida em nosso coração, de ter pensado na possibilidade de ele não ser verdadeiro e que não cumprirá sua palavra. Não deveríamos nos ajoelhar e jurar que, por meio de sua graça, preferimos morrer a fazer Deus mentiroso?

Façamos uma pausa e meditemos no significado de toda essa argumentação a respeito da bênção e do juramento de Deus. Na vida cristä, falta firmeza, constância, diligência, perseverança.

A causa de tudo isso é simples: falta de fé. E a causa disso, mais uma vez, é o desconhecimento do que Deus deseja e de seu propósito e poder de abençoar maravilhosamente. Também nos falta conhecimento de Sua fidelidade em cumprir seu propósito. Assim, Deus fez esse juramento de fidelidade com o objetivo de curar esses males, para dizer ao seu povo que ele fará tudo para ganhar sua confiança, e fará tudo por eles se tão somente confiarem nele.

Ó, irmãos, não confiaremos hoje em Deus e na plenitude de sua bênção? Não consideraremos

como nossa obrigação mais sagrada e nosso privilégio mais abençoado, honrar Deus todos os dias por meio de uma vida de completa e plena confiança?

1. "O juramento, servindo de garantía". Essa é a palavra "firme" empregada em Hebreus 3:7, 14; 6:19. Quando vemos quão firme, quão imutável, são a promessa de Deus e a esperança que ele nos

concede, nossa confiança também aumentará mais firmemente.

A plenitude de minha fé depende de eu ser estar ocupado com a fidelidade de Deus.

2. "pela fé e paciência" Tendo sofrido longo tempo. Deus é com frequência muito lento. "Ele suporta seus eleitos por longo tempo."

Esta é a paciência dos santos: permitir que Deus use o tempo que desejar e sempre confiar nele ao longo de todo o processo.

3. "Para que não sejais indolentes". A fé que Deus realizará tudo desperta a diligência tanto em esperar nele quanto em fazer sua vontade.



(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público ) 


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