domingo, 8 de outubro de 2023

O Sumo Sacerdote Capaz de Condoer-se dos Ignorantes

 "Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrificio pelos pecados, e é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas. E, por esta razão, deve oferecer sacrifícios pelos pecados, tanto do povo como de si mesmo." (Hebreus 5:1-3)


Sabemos o quanto a Epistola aos Hebreus já mencionou até este ponto a respeito da verdadeira humanidade e compaixão do Senhor Jesus. No capítulo 2, lemos: "Porque convinha que [Deus] aperfeiçoasse por meio de sofrimentos o Autor da salvação deles". "Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele igualmente participou". "Por isso mesmo convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos". "Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados". E, no capítulo 4, lemos: "Pois não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas à nossa semelhança, mas sem pecado". E essa verdade tem tal importância que o autor chama mais uma vez nossa atenção para ela. Não é suficiente termos uma convicção geral dessa verdade, precisamos que ela se aposse de nosso coração e de nossa vida até que todo pensamento a respeito de Jesus seja permeado por um sentimento tal acerca de sua compaixão de forma que todo sentimento de fraqueza seja substituído de uma vez por todas pela consciência cheia de júbilo de que tudo está bem porque Jesus é tão gentil e cuida de forma tão

amorosa de todas as nossas fraquezas e de nossa ignorância.

Ouçamos mais uma vez o que a palavra ensina. "Todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrifício pelos pecados". Aqui temos a obra de um sumo sacerdote e o primeiro requisito essencial para essa obra é atuar nas coisas concernentes a Deus; ele está encarregado de tudo o que diz respeito ao acesso a Deus, à sua adoração e serviço e, para isso, precisa oferecer dons e sacrifícios. E o requisito é ser um homem, porque deve atuar em favor dos homens. A grande razão para isso é que ele seja "capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas. E, por esta razão, deve oferecer sacrifícios pelos pecados, tanto do povo como de si mesmo". Na raiz do ofício do sacerdote, deve estar o sentimento de perfeita união na fraqueza e na necessidade de ajuda. Na ação sacerdotal, isso é manifestado no fato de oferecer sacrifícios tanto pelo povo como de si mesmo. E a razão de tudo isso é que o espírito sacerdotal seja sempre mantido vivo para o consolo e confiança de todos os necessitados e cansados - "ele deve ser capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram".

Glória a Deus pela maravilhosa figura que nos é dada na Epístola aos Hebreus a respeito do que Jesus é. Um sacerdote deve ser o representante de Deus diante dos homens. Mas ele estará incapacitado de ser esse representante se ele mesmo não for um homem rodeado de fraquezas, e assim, seja identificado com os homens a fim de representá-los diante de Deus. Por essa razão, Jesus foi feito um pouco menor do que os anjos. O sumo sacerdote necessita oferecer tanto dons como sacrifícios em favor do povo como de si mesmo. As ofertas por si mesmo deveriam ser o elo de união com o povo. Assim, o nosso bendito Senhor Jesus ofereceu orações e súplicas com forte clamor e lágrimas (Hb 5:7), sim, em tudo isso, ele ofereceu-se a Deus. E a razão disso tudo foi para que pudesse ganhar nosso coração e nossa confiança como "Aquele que é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram". Deus, de fato, faz todo o possível para nos assegurar que, tendo tal Sumo Sacerdote, não necessitamos temer que a ignorância ou erro venham impedir-nos de encontrar o caminho para ele e para o seu amor. Jesus cuidará de nós - ele é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram.

Em nossa fé no sacerdócio de Cristo, não temos estado por demais habituados a olhar mais para Sua obra do que para Seu coração? Não temos quase que exclusivamente colocado o pensamento sobre nossos pecados em primeiro plano? Com tal atitude, deixamos de perceber que, em Jesus, também foi feita provisão especial para nossas fraquezas, nossa ignorância e erros - não nos damos conta de que também para tais coisas há nele uma provisão. Ele, o Filho de Deus, que foi feito semelhante a nós, Ele mesmo estava rodeado de fraquezas para que pudesse ser um Sumo Sacerdote misericordioso e fiel, capaz de condoer-se de nossa ignorância e erros. Ó, recebamos essa maravilhosa mensagem em sua plenitude e nos apropriemos dela. Jesus não poderia ascender

ao trono como Sacerdote sem que primeiro, na escola da experiência pessoal, tivesse aprendido a compadecer-se dos fracos e a suportá-los em amor. Possam, daqui para frente, nossas fraquezas e ignorância, ao invés de servirem de desencorajamento e impedimento para que avancemos, sejam o motivo e a justificativa que nos levam a achegar-nos com ousadia até Jesus para recebermos ajuda, pois ele é "capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram". Na busca pela santidade, frequentemente a nossa ignorância é nossa maior fonte de fracasso. Não podemos entender completamente o que é ensinado a respeito do descanso de Deus e do poder da fé, de habitar além do véu ou do fato de Cristo habitar em nosso coração. Tudo parece muito elevado para nós, completamente fora de nosso alcance. Se tão somente aprendêssemos a confiar em Jesus, não somente como aquele que fez propiciação pelos nossos pecados! Se aprendêssemos a confiar nele como aquele que foi especialmente escolhido e treinado e preparado e então elevado ao trono de Deus para ser o líder dos ignorantes e dos que erram, capaz de suportar em amor cada uma de suas

fraquezas! Aceitemos hoje novamente esse Salvador como Deus o revelou aqui para nós, e regozijemo-nos no fato de que nossa ignorância não precisa ser uma barreira no caminho

para Deus porque Jesus cuida dela.

1. Ó, quanto trabalho Deus tem tido para levar nosso pobre coração a confiar nele plenamente. Aceitemos a revelação, e tenhamos nosso coração tão cheio com a compaixão e ternura de Jesus de forma que em cada dificuldade nosso primeiro pensamento seja sempre a certeza e a bênção de sua compaixão e socorro.

2. Quantos há que lamentam sobre seu pecado e não pensam que estão fazendo seus pecados mais e mais fortes não indo, com ousadia, até Jesus com sua ignorância e fraquezas.

3. Aprenda esta lição. Todo o sacerdócio de Jesus tem um único objetivo: conduzi-lo confiada e alegremente para perto de Deus para que você viva em comunhão com ele. Com isso em vista, confie a Jesus sua ignorância e fraquezas de modo tão decidido e determinado como o fez com seus pecados.



(Por Andrew Murray - fragmento de "The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews": em domínio público - tradução livre)  


FONTE: https://library.mibckerala.org/lms_frame/eBook/The%20Holiest%20of%20All%20-%20Andrew%20Murray.pdf


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