segunda-feira, 26 de junho de 2023
A GLÓRIA DE CRISTO NÃO PODE SER OCULTADA
Do pecado para a justiça
O EVANGELHO PARA O CRENTE
Do Pecado Para a Justiça - Rm 6
O capítulo 5 concluiu com a graça no Trono no lugar da Lei. No capítulo 6 a pergunta é feita e respondida: "Pecaremos para que a graça abunde?" Pregar sobre a graça é algo difícil e Paulo ao tentar fazer isso usa todos os superlativos ao afirmar a sua vastidão no amor de Deus.
Todavia ele tem consciência do perigo da corrupção do coração humano que perverteria esta graça e a transformaria em sensualidade. Por isso ele passa da declaração de como a graça justifica o pecador, para mostrar como a própria graça pode ser justificada. Ele justifica a justificação dizendo que a graça e a justificação não são aliadas do pecado e sim os seus destruidores; que a graça não apenas remove a culpa do pecado, mas trata com o próprio pecado e produz santidade de vida e caráter.
Em outras palavras, que a graça reina em vida. A graça está no Trono, e por isso, não existe lugar para a licenciosidade. É verdade que não estamos debaixo da lei, mas ainda estamos "debaixo", debaixo da graça. A graça exerce o governo sobre nós ao invés do pecado, morte ou lei. A graça traz vida somente àqueles sobre os quais ela reina. Desse modo a graça e a justificação são justificadas.
Respondendo à pergunta "Continuaremos no pecado para que a graça seja mais abundante?”, o capítulo 6 tem quatro respostas: (1) Você não pode (1-11); (2) Você não precisa (12-14); (3) Você não deve (15-19); (4) É melhor não (20-23). Primeiro Paulo argumenta com aquele que faz a pergunta, depois faz um apelo, depois ordena e finalmente adverte!
O argumento: Você não pode;
O apelo: Você não precisa;
A ordem: Você não deve;
O aviso: É melhor não.
Esse é um resumo do capítulo. Mas vejamos outro.
"Continuaremos no pecado?" Isso é impossível para aqueles que morreram para o pecado (Rm 6.2). O verso 3 diz que é uma contradição da nossa confissão no batismo.
O verso 4 mostra que é inconsistente com nossa união com Cristo. Os versos 5 a 7 são um retorno à antiga escravidão.
Os versos 9 e 11 são uma violação do padrão da nossa vida, que é ser como Cristo em todas as coisas. Os versos 12 a 14 dizem que é desnecessário e priva a Deus das Suas armas na luta contra o pecado. Os versos 15 a 20 introduzem novamente a Satanás e o pecado como senhores. O verso 21 mostra que continuar no pecado ofenderia a consciência cristã. Os versos 22 e 23 declaram que terminaria em desastre. Este é o resumo completo do capítulo.
Existem três características regendo estas respostas com respeito ao ser libertado do pecado, mencionadas nos versos 17,18 e 22. O pecado aqui deve sempre ser escrito
com letra maiúscula, visto não ser mencionado no plural. A libertação dos "pecados" não é o assunto aqui, como no capítulo anterior: a justificação nos livra dos pecados. É algo mais avançado, pois é a libertação do Pecado como "senhor", agindo como tirano sobre os escravos. O tratamento é mostrado em três partes:
(1) A primeira trata com o método da libertação: o caminho no qual a liberdade é assegurada - Rm 6.1-11.
(2) A segunda trata com a nossa apropriação da libertação pela fé: a liberdade deve ser exercitada e desfrutada completamente - Rm 6.12 a 14.
(3) A terceira trata com o alvo e o resultado da nossa apropriação. A liberdade não é um fim; é a condição de algo maior: santidade e vida - Rm 6.15 a 23.
O Método do Livramento
Examinemos principalmente o método do livramento.
Existe um paralelo nos primeiros onze versículos de Romanos 5 e 6: No capítulo 5 temos estabelecida a implicação da morte de Cristo por nós; no capítulo 6 temos a implicação da nossa morte com Cristo. O nosso conhecimento do método da libertação não tornará
desnecessário estar em contato com o Único que pode nos libertar, a saber, Jesus Cristo. Você não pode colocar o método em prática; só Deus pode fazer isso. Deixe com Ele e com o Espírito Santo. O aprendizado nunca pode substituir a fé.
Como então a liberdade é efetuada? Pela morte! A morte é a entrada para a vida e é pela nossa própria morte. O livramento da culpa e penalidade do pecado só é possível pela morte de Outro por nós, mas o livramento da escravidão do pecado depende da nossa morte com Ele. O único caminho para o livramento do pecado é morrendo para ele, pois morrendo passamos para um nível onde não há pecado, onde o rompimento com ele é completo e final.
O pecado é contrário à atitude adotada e final do próprio cristão em relação a ele e é contrário à ação de Deus em relação ao velho homem. Os cinco primeiros versículos mostram a primeira atitude e o versículo 6 a segunda; desse modo o subjetivo do cristão é unido ao objetivo de Cristo. Aquela atitude de morte está implicada e simbolizada pelo batismo. Então morremos para o pecado: como viveremos ainda nele? O pecado é odiado, não os pecados - mas o Pecado - o senhor tirano. Quando fomos batizados, o nosso batismo significou que morremos para o pecado? Se não, vamos deixar que ele tenha esse sentido agora? Ele fala da união com Cristo, unidade, incorporação, associação com Ele. Esta união é uma coisa completa, pois é união com tudo o que Ele é em todos os seus relacionamentos. União com Ele em Sua morte, num corte definitivo com a velha vida. Em seguida vem o sepultamento. Morte e sepultamento são os portais da ressurreição, para que "assim também pudéssemos andar em novidade de vida" - nova em qualidade, em natureza, em caráter. Não me estranha Paulo ter orado para que pudesse conhecer "o poder da Sua ressurreição". Não existe outro poder adequado para a emancipação do pecado e para uma vida de santo serviço. Este é o método através do qual o poder da ressurreição opera. Toma posse disso e você evitará desapontamento e fracasso. A
novidade de vida é um resultado certo, se morremos com Cristo. União com Ele é uma união em todas as coisas, direto para a sua consumação (Rm 6.5). Você começa com a união com Cristo em Sua morte, e uma vez unido a Ele, você é levado imediatamente para dentro da Sua ressurreição. Ela não será nossa em toda a sua plenitude até este corpo físico ser feito como o corpo glorioso do Senhor Jesus. Então seremos em todos os sentidos semelhantes a Ele, mesmo no corpo, pois o propósito final disso é um novo corpo. Isso não nos priva da vida no presente, mas o "novo corpo" representa a conclusão do processo.
"Nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse destruído", incapacitado, tornado impotente e inoperante. Este corpo de pecado ainda é um de pecado mesmo no caso do crente. As tendências para o pecado estão nele. O pecado habita nos seus membros (Rm 7.23). Há concupiscências nele. "Não reine o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências" (Rm 6.12). O corpo do cristão mais avançado e espiritual hoje é um "corpo de pecado”.
Quando o pecado é expulso do trono da vontade e do espírito, ele faz do corpo a sua fortaleza. É o fato da presença do pecado nos membros físicos que desperta o
gemido pela redenção deste corpo, conforme nos mostra Romanos 8. A realidade atual é que o nosso corpo é um "corpo de pecado", e a esperança futura é a redenção deste corpo; as duas estão constantemente diante de nós nestes capítulos. Não existe dificuldade com respeito ao sentido do "corpo do pecado". Parece-me que Paulo o usa no sentido
literal como se referindo a este corpo pecaminoso - o "corpo mortal" com seus desejos (Rm 6.12).
Crucificados Com Cristo
E sobre o velho homem? O termo parece necessário por descrever algo que estava nele antes do "novo homem" passar a existir. Em Gálatas 2.20 o velho homem é chamado de "Eu": "Eu fui crucificado com Cristo".
Podemos dizer que o "velho homem" é a velha personalidade, mas isso parece exagerado, pois parece ser mais do que queremos dizer. Relacionado com isso Paulo usa a palavra "carne". Durante anos eu confundi o "velho homem" com a "carne", pensando que era a mesma coisa.
Agora vejo que isso é impossível, pois existem duas declarações a respeito do velho homem: (1) "Nosso velho homem foi crucificado com Cristo" (Rm 6.6); (2) Nas cartas aos Efésios e Colossenses o velho homem deve ser despojado. Na verdade ele foi despojado. O Calvário é o lugar onde o velho homem foi crucificado, e nós mesmos, como também nossos pecados, fomos levados ali. O velho homem foi executado como um criminoso e rebelde sem esperança. Este velho homem crucificado é claramente distinto da nossa morte para o pecado. O velho homem não morre para o pecado; ele morre em seus pecados. É preciso um "novo homem" para morrer para o pecado. O "novo homem" concorda com Deus em que o único lugar para o velho homem é na Cruz e por isso despoja do velho
homem. A tarefa de crucificar o velho homem não é deixada aos nossos cuidados; Deus já fez isso, e devemos considerar isso como já tendo sido feito. Mas a "carne" é
deixada para o novo homem crucificar (Gl 5.24). O velho homem é crucificado, mas sua natureza, suas tendências, seus hábitos involuntários permanecem. O “velho homem” usou o mecanismo do nosso ser por tanto tempo que, num curto momento de desvio ele, num ímpeto momentâneo, é capaz de agir involuntariamente e por causa do costume habitual clamar por satisfação. São "os feitos do corpo"
(Rm 8.13) que devem ser mortificados.
O caminho da libertação é indicado. Somos justificados do pecado. Nenhum senhor pode fazer uma exigência legal sobre um servo que esteja morto. Se ele escapa e é
apanhado, pode ter que responder a um processo criminal, mas o escravo morto está livre. Os escravos do pecado estão mortos, e o pecado, como o antigo senhor, é forçado a reconhecer isso. Mas a morte do escravo é apenas um lado dessa questão. “Porque se morremos com Cristo, cremos que viveremos juntamente com Ele". Partilhamos dessa vida agora. Precisamos da vida Dele antes de poder morrer para o pecado e tudo o que o pecado outrora significou para nós, com Ele. Precisamos da Sua vida a fim de nos considerarmos cada dia mortos para o pecado.
Observe de novo que isso não é morrer para os pecados, mas para o pecado; é por isso que ele é completo num só ato. Morrer para os pecados não é completo e final, mas é algo que prossegue dia após dia. Ele morreu - nós também.
Ele vive nós também. Este deve ser o nosso constante considerar. Nós não temos nada a ver com a cruz, mas temos a ver com o morrer para o pecado. Este é o ensino
claro dessa passagem.
Morte e vida! Alcançamos o positivo através do negativo.
A morte não é o fim, mas o meio pelo qual entramos na vida, e nos tornamos "vivos dentre os mortos". Nosso papel é viver, não morrer, mas morremos para viver e para passarmos mais e mais a uma plenitude de vida muito maior. Cada ponto da vida mais plena se encontra na Cruz.
Da morte para a vida
O EVANGELHO PARA O CRENTE
REFERÊNCIA: Romanos 5
Capítulo 1
Da Morte Para a Vida - Romanos 5
A Epístola inteira de Paulo aos Romanos é anunciada resumidamente nas palavras: "O Evangelho de Deus” (1.1).
Sua estrutura é bastante simples, pois existem apenas três divisões:
A primeira do capítulo 1 ao 8
A segunda do capítulo 9 ao 11
A terceira do capítulo 12 ao 16
Estritamente falando, o Evangelho de Deus como tema da
epístola é limitado à primeira divisão (1 a 8), isto é, ele é
limitado no que diz respeito à apresentação sistemática do
Evangelho. Ela é dividida em duas partes de quatro capítulos cada. No final do capítulo 4 alcançamos um período e o capítulo 5 inicia uma superestrutura construída sobre os primeiros quatro capítulos. A distinção entre estas duas partes fica assim:
Capítulos 1 a 4: O Evangelho para o pecador
Capítulos 5 a 8: O Evangelho para o justificado
A primeira começa com a questão do pecado e termina com a justificação do pecador; a segunda começa onde a primeira termina, isto é, com a justificação do pecador e conclui com sua redenção plena. Romanos 1 a 4 nos mostra o criminoso sendo levado ao tribunal e sua absolvição plena é assegurada pela fé, com base no sangue expiador do Senhor Jesus. Romanos 5 a 8 nos mostra o
pecador justificado deixando o tribunal plenamente absolvido, e depois, tratando com ele. Finalmente ele é visto em plena conformidade com a imagem do Filho de Deus.
Na Segunda parte, Romanos 5 a 8, temos o Evangelho para os crentes, o Evangelho que é peculiar ao Novo Testamento. O que queremos dizer com isso? Nos capítulos 1 a 4 temos a justificação pela fé, mas não existe nada peculiar nisso para o Novo Testamento, porque ela é encontrada no Antigo Testamento. Os santos daqueles dias estavam familiarizados com grande parte do que Paulo ensina nestes capítulos. Mas nos capítulos 5 a 8 temos uma revelação da verdade que é totalmente nova,
principalmente na plenitude da sua aplicação.
Antes Inimigos - Agora Filhos
Um título adequado para Romanos 1 a 4 poderia ser:
Antes Inimigos - Agora Filhos. Não "filhinhos", mas filhos; não pecadores, mas inimigos transformados em filhos. O termo "pecadores" está aqui, mas não é ele que dá cor a esta divisão. A ênfase não está na nossa pecaminosidade e sim na nossa inimizade, nossa rebelião. Nos capítulos 1 a 4 a ênfase está na justificação, mas no capítulo 5 está na reconciliação. Os justificados eram pecadores, mas os que foram reconciliados e feitos filhos eram inimigos. Em cada um desses capítulos temos uma subdivisão da divisão principal que estamos considerando.
Capítulo 5: a palavra predominante é morte
Capítulo 6: a palavra predominante é pecado
Capítulo 7: a palavra predominante é lei
Capítulo 8: a palavra predominante é carne
Existem quatro monarcas: A morte, o pecado, a lei e a carne e todos eles são destronados. A morte submete o seu trono à vida; o pecado submete o seu trono à justiça; a lei submete o seu trono à graça; a carne submete o seu trono ao Espírito.
Comparando de outra forma esses capítulos, podemos dizer que o capítulo 5 é a libertação da penalidade do pecado; o capítulo 6 é a libertação do domínio do pecado: escravidão; o capítulo 7 é a libertação da força do pecado - a lei; o capítulo 8 é a libertação da presença do pecado - a redenção do corpo. No capítulo 5 os inimigos são reconciliados; no capítulo 6 os escravos são redimidos: no
capítulo 7 os prisioneiros da lei são libertados; no capítulo 8 os filhinhos de Deus são estabelecidos como filhos maduros. Não existe outra parte na Escritura de maior importância para o crente em Cristo do que esta. Ela é o Evangelho real e básico para o crente.
Salvos na Esperança e a Justificação
De modo geral o capítulo 5 de Romanos se divide em duas partes: versículos 1 a 10 e versículos 11 a 21. Na primeira parte o "nós" sobressai, mas a segunda parte é bastante impessoal. Ambas começam com "portanto", e iniciam do mesmo ponto, que é a justificação pela fé. Os dois "portanto" unem as duas divisões com o final do capítulo 4, onde a justificação é explicada. A primeira divisão começa com a justificação como experiência e a segunda com a justificação como verdade abstrata. É por isso que a última é impessoal e a primeira mostra o "nós" claramente por tratar com a experiência de todos os que estão em Cristo. Romanos 5.1-11 expõe como um coração renovado pela graça deduz intuitivamente o final daquela redenção cuja experiência inicial é a justificação pela fé.
Permanecendo na graça eles "regozijam na esperança da glória de Deus". Este é o raciocínio do coração, não da mente, desde o início até o final da experiência. Romanos 5.12-21 não expõe a lógica do coração e sim da mente. Ali temos a revelação da verdade dada no capítulo 4, por meio
da lógica, do raciocínio, a lei pela qual a justificação de muitos surge da obediência de Um, o Senhor Jesus.
Salvos na Esperança – Rm 8.24a
Observe particularmente os onze primeiros versículos de Romanos 5. O assunto neles é esperança. Existe uma semelhança entre o tema e o tratamento dessa divisão com a que está no fim do capítulo 8. Lá também é esperança, com base numa consciência do amor de Deus em Cristo. O fato do início e da conclusão dessa divisão ser semelhante prova que esta é uma parte completa da Epístola. A
esperança é, portanto, o tema dessa divisão.
(1) A Ocasião da Esperança. A ocasião é a justificação, já experimentada por meio da graça. Esta experiência é incompleta e preliminar, pois o escritor trata com uma esperança de algo ainda por vir. "Somos salvos em esperança". Deus cuida de nós visando nos dar não apenas a bênção inicial, mas todas as bênçãos que Sua redenção providencia. Por isso "somos salvos em esperança".
(2) 0 Sustento da Esperança. "A tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança". Começando com a esperança, você a leva através de toda tribulação, pois isso até mesmo a ajuda a crescer!
(3) A Base da Esperança. "Porque o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado".
(4) O Raciocínio da Esperança. Ele começa com a premissa de um argumento: "Cristo morreu", morreu "a Seu tempo", morreu "pelo ímpio". Tal amor nunca é encontrado no caso de um homem comum, porque aqui o amor é pelos pecadores, pelos impios, pelos inimigos.
(5) As Conclusões da Esperança. Se justificados enquanto eram pecadores, então seremos salvos da ira. A outra conclusão é esta: se fomos reconciliados, sendo inimigos, seremos completamente salvos agora que estamos reconciliados e não somos inimigos. Se já fomos justificados por Seu Sangue, se já fomos reconciliados por Sua morte, então a redenção plena está garantida; visto que Ele não apenas morreu para salvar, mas Ele vive para completá-la, pois seremos "salvos por Sua vida". Esta é a visão geral desta primeira divisão do capítulo 5.
Justificação
Consideremos agora a visão geral da segunda parte do capítulo 5, começando com o versículo 12. Sua construção é peculiar. Ela contém digressões, conforme o estilo que é comum a Paulo. Seu tratamento principal está nos versículos 12, 18 e 19. Parece que os versículos 18 e 19 deveriam ser ligados com o versículo 12. O que fica entre eles é uma digressão dupla. O que segue os versículos 19, 20 e 21 se relaciona com uma parte da digressão dos versículos 13 e 14, concernente à lei, de modo que podemos ler os versículos 13, 14, 20 e 21, um após o outro.
O tema é a justificação com duas coisas nela: (1) A lei da ampla aplicação da Justificação; e (2) o propósito final dela como vida. Justificação é algo feito por outro em nosso favor, como nos mostram os versiculos 1 a 4. Mas como pode a virtude de algo assim feito por outro ser transmitido a todos? A resposta é que a virtude do ato pode ser transmitida a todos da mesma forma que o pecado de
um se espalhou a todos. A explicação é encontrada na unidade orgânica da raça. Sem tal coisa como a solidariedade da raça, o ato substitutivo de um em favor de todos seria impossível; mas por causa dessa solidariedade, um ato de desobediência tornou pecadores a todos e trouxe condenação. Assim também, o ato de Outro traz justificação: vida ao invés de morte; justiça ao invés de pecadores - ela os constitui justos. Não apenas os justifica, mas os torna justos. Há a justiça imputada, e também a
justiça comunicada. Deus nunca imputa justiça a ninguém, sem comunicá-la também - nunca!
Gloriando na Esperança
Este é o esboço geral. Agora vamos salientar alguns dos ensinamentos mais detalhadamente. "Sendo justificados pela fé temos paz com Deus ... e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus" (Rm 5.1,2). Paz e esperança são os frutos imediatos; não apenas a justificação, mas reconciliação, paz com Deus, levados à Sua presença, considerados justos e retos, uma obra no interior. Não temos consciência de culpa, pois temos paz. Ao invés de ira é vida e "acesso a esta graça na qual permanecemos" (Rm 5.2). Existe uma nova posição, uma nova relação com Deus, uma nova posição diante Dele, um novo coração, um novo prospecto, uma nova esperança, um novo futuro. Três vezes encontramos a palavra gloriar: (1) Regozijamos na esperança da glória de Deus; (2) Regozijamos nas tribulações; (3) Regozijamos em Deus. Está escrito que todos pecaram e carecem da "glória de Deus" (Rm 3.23).
Qual é esta "glória de Deus?" Não pode ser outra coisa senão o ideal definitivo que Deus tinha para a vida e o caráter do ser humano. A glória de Deus representa tudo o que pertence ao homem segundo o propósito de Deus ao criá-lo. Ficamos aquém disso por causa do pecado; mas agora, permanecendo na graça, nos regozijamos na esperança dessa glória. Onde a criação fracassou, a redenção teve sucesso. O propósito criativo de Deus será realizado. Cristo fez uma aliança com Deus que ele será realizado. O homem nunca pode ser realmente homem, se não for um vaso para o Divino. Deus nunca pretendeu que ele vivesse sua vida à parte Dele mesmo. Deus deve ser a sua vida - Deus em Cristo. A glória do homem é realmente a glória de Deus, pois é a vida, a sabedoria, o poder de Deus deve ser sua vida, sua sabedoria e seu poder.
Graça + Glória
A justificação é apenas o início; o fim é a glória. O caminho é a graça, mas é graça + glória. Ele concede graça para poder conceder glória. Esta é a esperança; será realizável? Não tenha dúvidas quanto a isso. Existem dificuldades, tribulações, todavia nos regozijamos na esperança a despeito delas! Não! Não! Não a despeito delas, mas por causa delas. Elas alimentam nossa esperança;
Deus precisa permiti-las por causa da nossa necessidade de disciplina. O caráter não pode surgir sem disciplina e a glória nunca vem sem o caráter. Estes são os passos: tribulações, disciplina, caráter, glória; e a esperança se regozija no meio de todas elas.
E a justificação dessa esperança é certa. "A esperança não confunde" (Rm 5.5). Por quê? Porque o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.
Deus nos ama e temos a experiência disso no coração; Ele banha nosso ser e somos convencidos de que nenhuma coisa criada pode nos separar desse amor de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Embora fôssemos inimigos, mesmo assim Deus nos amou. Quando era uma questão de pecadores, foi o Messias Quem morreu por eles, mas quando morreu por Seus inimigos, foi como Filho. Por que
o contraste? Para que pudéssemos sentir mais e mais o amor de Deus. Dessa forma somos levados
para dentro de Sua família, onde o Pai do nosso Senhor se torna o nosso Pai. Por meio da morte que Ele morreu Ele nos salva do mais remoto; por meio da vida que Ele agora vive Ele nos salva totalmente; e nós estamos tão certos da esperança, que nós regozijamos como se ela já tivesse sido realizada, porque o amor de Deus está derramado em nossos corações. Nosso presente é graça, paz e esperança; nosso futuro é glória! Regozijamo-nos "em Deus", por meio de Quem temos agora recebido a reconciliação.
sábado, 24 de junho de 2023
O MISTÉRIO DE DEUS
sexta-feira, 23 de junho de 2023
VESTIDURAS LAVADAS NO SANGUE DO CORDEIRO E O DIREITO À ARVORE DA VIDA
"Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas." (Ap 22:14)
Será que já entendemos o peso dessa Palavra? Aqui não são os que foram perdoados pelo sangue, mas aqueles que não só prepararam suas vestes, mas também a lavaram com o sangue do Cordeiro. Isso tem relação com santidade, com pureza. O sangue perdoa, mas também purifica. Se esses tem direito a entrar na cidade pelas portas, há também aqueles que não poderão entrar. Como diz o verso 19 , a parte que lhes cabe será tirada. Por isso devemos tratar com temor as exortações que temos recebido do Espírito Santo. E para evitar distorções não estou falando de perda de salvação, mas de direito.
Edward Burke
O HOMEM PRUDENTE E O TOLO
"Em tudo o homem prudente procede com conhecimento; mas o tolo espraia a sua insensatez." ( Pv 13:16)
Nesta minha caminhada de 37 anos no Senhor vi que o jovem na experiência, - e eu passei por isso, pensa que sabe, que entende tudo e quer ensinar. Mas também vejo irmãos de longa caminhada que mesmo no erro não se deixam ensinar e serem corrigidos. Ambos são tolice. Da primeira me arrependi, da segunda que o Senhor me livre. Tenhamos sempre um coração ensinável.
Edward Burke
A ÚLTIMA TROMBETA E O CUMPRIMENTO DO MISTÉRIO
"E tocou o sétimo anjo a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos." (Ap 11:15)
Ao soar da última trombeta todas as coisas se definirão para o povo de Deus. Ela será a última, e à partir daí, da ressurreição dos mortos, da nossa transformação o reino do Senhor virá. Depois do soar desta trombeta não haverá mais tempo de correr para comprar óleo, se arrepender, procurar reconciliação, pagar dívida, nada. Por isso Jesus é tão insistente com esta advertência: Vigiai pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora. Prepara-te para te encontrares com o teu Deus.
Edward Burke
Estamos em uma jornada espiritual
" antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia ete...