segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Cristo o Unigênito e o Primogênito

 O Novo Testamento revela que em relação ao Filho de Deus há dois aspectos: o aspecto do Filho unigênito de Deus e o aspecto do Filho primogênito de Deus. Desde a eternidade até o momento de Sua ressurreição, Cristo foi o Filho de Deus apenas no aspecto do Filho unigênito de Deus (João 1:18 ; 3:16). De acordo com Sua divindade, Cristo é, e sempre será, o Filho 9 unigênito de Deus. Como o Filho unigênito, Cristo tem um relacionamento eterno com o Pai no sentido de que o Pai é a fonte eterna do Filho e que o Filho é a personificação e expressão eterna do Pai. Por meio da ressurreição, Cristo, que assumiu a natureza humana por meio da encarnação, tornou-se o Filho de Deus em outro aspecto, o aspecto do Filho primogênito de Deus (Heb. 1:5-6; Rom. 1:3-4; Atos 13: 33). Como o Filho unigênito de Deus, Cristo é a personificação e expressão da vida divina (João 1:4; 1 João 5:11-12). Por meio da ressurreição, Cristo tornou-se o Filho primogênito de Deus como o dispensador de vida para a propagação da vida corporificada Nele (Rm 1:3-4; 8:10 , 6, 11, 29). Em Sua primeira vinda, Cristo foi o Filho unigênito, mas em Sua segunda vinda Ele será o Filho primogênito (Hb 1:6-8).

Ron Kangas

Melquisedeque Feito Semelhante ao Filho de Deus

 Conforme > Hebreus 7:1-28


O Novo Sacerdócio Segundo a Ordem de Melquisedeque


Melquisedeque Feito Semelhante ao Filho de Deus


“Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando voltava da matança dos reis, e o abençoou, para o qual também Abraão separou o dízimo de tudo (primeiramente se interpreta rei de justiça, depois também é rei de Salém, ou seja, rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia; que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote perpetuamente.” (Hebreus 7:1-3)


No capítulo 5 da epístola, lemos que Jesus foi chamado por Deus assim como Arão. Em muitos aspectos, Arão foi um tipo de Cristo, mas, em outros, seu sacerdócio fracassou

completamente até mesmo em prefigurar o sacerdócio de Cristo. A provisão divina especial proveu outro nome em quem foi prefigurado o que faltou em Arão como um tipo. A diferença entre o sacerdócio de Arão e o de Melquisedeque é extrema. O segredo da Epístola aos Hebreus e o segredo da vida cristã em seu poder e perfeição reside no entendimento correto dessa diferença e também em conhecer em que sentido Melquisedeque foi feito semelhante ao Filho de Deus.

O segredo pode ser expresso na frase: Sacerdote para sempre.

O lugar que Melquisedeque ocupa na história sagrada é uma das evidências mais marcantes da inspiração e unidade da Escritura, que foi escrita sob a orientação sobrenatural do Espírito Santo. No livro de Gênesis, tudo o que nos é dado a conhecer a respeito de Melquisedeque está escrito em três versículos simples e curtos. Mil anos mais tarde, encontramos um salmo onde há um único versículo que mostra o próprio Deus jurando a seu Filho que ele seria um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Passam-se mais mil anos, e esse único versículo torna-se a semente da maravilhosa exposição encontrada nesta epístola a respeito de toda a obra de redenção revelada em Cristo Jesus. As suas características mais notáveis estão contidas no tipo extraordinário que nos é apresentado.

Quanto mais estudamos esse assunto, mais exclamamos: "Isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos" (Sl 118:3). Vemos nisso nada menos que um milagre da sabedoria divina guiando Melquisedeque e Abraão tendo em vista o que aconteceria com o Filho de Deus dois mil anos mais tarde, revelando ao salmista o propósito secreto da mente divina na promessa feita ao Filho no céu e, então, por meio do mesmo Espírito Santo, guiando o escritor da epístola em sua exposição divinamente inspirada. Não poderia ser dada uma evidência mais forte da inspiração divina para aquele que crê. De fato, tudo foi realizado e registrado em seu devido tempo por meio do Espírito eterno, o Espírito do próprio Cristo.

Nos primeiros três versículos do capítulo 7, que ora consideramos, o escritor nos lembra da história de Melquisedeque, nos informa seu nome e história. Seu nome significa Rei de Justiça. Ele é também denominado segundo a cidade onde reina, Salém, que significa paz, Rei de Paz. A combinação desses dois títulos prova como Melquisedeque foi destinado por Deus para ser uma figura de seu Filho. Justiça e paz são mencionadas juntamente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento como bênçãos características do reino de Cristo. Justiça como o único fundamento da paz; paz como resultado certo e bendito da justiça. O reino de Deus é justiça e paz e, como o fruto certo de ambos, alegria no Espírito Santo.

Melquisedeque era sacerdote e rei, algo desconhecido foi em toda a história de Israel. Aquilo que mantido sempre separado no povo de Deus foi, por meio da profecia divina, unido em Melquisedeque, que foi feito semelhante ao Filho de Deus. A Epístola aos Hebreus desvendará especialmente a glória de Cristo como o Rei-Sacerdote.

O silêncio da Escritura a respeito da genealogia, nascimento e morte de Melquisedeque é então interpretado como uma prova de quão diferente foi seu sacerdócio do sacerdócio de Arão e dos sacerdotes de Israel, onde a descendência era o mais importante. Assim, Deus preparou na pessoa de Melquisedeque uma maravilhosa profecia sobre seu Filho, cujo direito ao sacerdócio não se encontra em linhagem terrena, mas no fato de ele ser o Filho de Deus de eternidade a eternidade. Sendo feito semelhante ao Filho de Deus, Melquisedeque permanece um sacerdote para sempre.

"Um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque". Essa palavra de Deus encontra-se no salmo que faz a conexão entre o livro de Gênesis e a Epístola aos Hebreus. O Espírito Santo, que a inspirou e, então, a expôs, aguarda para levar-nos para o mistério de sua glória como uma experiência viva. A expressão "para sempre", encontrada nas expressões "sacerdote para sempre, salvação eterna, eterna redenção, aperfeiçoado para sempre", significa não somente "sem fim", mas também "infinitamente mais". Deus é o Eterno, sua vida é uma vida eterna. Essa vida é eterna no sentido de ser divina, na qual não há mudança ou decomposição, mas é também juventude e força eternas porque Deus está nela presente. O sacerdócio eterno de Cristo significa que ele fará sua obra em nós no poder da vida eterna, na vida de Deus, no céu. Ele vive para sempre, portanto, pode salvar completamente.

Possa Deus ensinar-nos o significado de Cristo ser nosso Melquisedeque, um sacerdote para sempre. O entendimento espiritual desse sacerdócio eterno, que nos é transmitido até mesmo na terra e que mantém uma vida eterna, imutável dentro de nós eleva nossa experiência interior para além da região do esforço, da mudança e do fracasso e a coloca no descanso de Deus, de forma que a imutabilidade de seu propósito é a medida da imutabilidade de nossa fé e esperança.

1. No capítulo 7 da Epístola aos Hebreus, temos o início das coisas difíceis de entender, coisas que somente os que são perfeitos podem entender (Hb 6). Somente aqueles que caminham para a perfeição, que desejam intensamente possuir o máximo do que Deus é capaz de operar neles por meio de Cristo, podem apossar-se da revelação do sacerdócio eterno em seu interior. Nem talento nem inteligência são suficientes para isso; somente o coração sedento pelo Deus vivo poderá entender que fomos aproximados de Deus.

2. Somente o Espírito Santo por meio de quem a história foi registrada, e o juramento para o Filho que foi revelado, e a exposição inspirada podem conduzir-nos ao poder e bênção espirituais aqui revelados. O Espírito Santo somente nos conduz à medida que ele é conhecido como aquele que habita em nosso interior, aquele por quem aguardamos com profunda humildade e a quem nos rendemos em humilde resignação. Quão santo, bendito e solene é crer que o Espírito de Deus nos está guiando para a perfeição para que tenhamos essa verdade como nossa e também a experimentemos!

3. "Ele habita continuamente": uma vida imutável, que não tem fim, é a característica de Melquisedeque, o qual foi feito semelhante a Cristo em Seu sacerdócio celestial, e foi também feito semelhante à vida do crente que aprende a conhecer e a confiar em Jesus

completamente.



(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público)  


O Precursor Além do Véu

 

"Para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão

da esperança proposta; a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo

sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." (Hebreus 6:18-20)


No capítulo 5 da epístola, ao falar a respeito do sacerdócio de Jesus, o escritor citou duas vezes as palavras do Salmo 90 com referência à profecia de um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (vv. 6 e 10). Mas ele temia que, por causa da indolência, os hebreus estivessem muito atrás na vida cristã e seriam incapazes de receber este ensinamento mais elevado. Por essa razão ele interpôs essas palavras de reprovação e advertência. Depois, então, ele exorta e encoraja e, agora, está prestes a dirigir-se ao ensinamento central da epístola. Há em especial dois grandes mistérios que o escritor foi comissionado a desvendar; um deles é a respeito do sacerdócio celestial de Cristo, o outro é a respeito do santuário celestial onde Cristo ministra e para o qual nos dá acesso. Os dois últimos versículos do capítulo 6 são a transição para a nova seção da epístola e, nesses versículos, esses mistérios são mencionados como a "esperança proposta". Esperança entra "além do véu" e encontra "Jesus, o precursor, que entrou por nós, Jesus, um sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque".

"nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta" - ou "da esperança que temos diante de nós". A esperança por vezes significa o objeto da esperança que Deus coloca diante de nós; outras vezes, significa a graça subjetiva ou um coração em que há esperança. Nesse versículo, ela se refere especialmente ao objeto da nossa esperança. E o que essa esperança significa fica claro a partir do próximo capítulo (Hb 7:19), onde lemos: "se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus". Essa esperança superior é o acesso que nosso Sumo Sacerdote que está no céu nos concede à própria presença de Deus, ao gozo da comunhão com ele e de sua bem-aventurança mesmo estando nós ainda na terra.

"a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu". A esperança é uma âncora. Um barco é preso por uma âncora que não vemos e que foi jogada nas profundezas. Da mesma forma, a esperança no invisível além do véu, que Deus nos concedeu, segura-nos firme. À medida que nosso coração está fixado nela, é despertada a esperança como uma graça subjetiva e ela também penetra além do véu.

Nosso coração vive onde vive a nossa esperança. Lá encontra-se também o nosso verdadeiro ser. "onde o Precursor entrou por nós". Precursor é uma das palavras-chave da epístola. Se não entendermos corretamente essa palavra, nossa visão da obra de Jesus como Sumo Sacerdote será certamente imperfeita. Essa palavra nos aponta para a obra que ele realizou ao abrir-nos o caminho por onde ele mesmo andou. Aponta-nos para o nosso ato de segui-lo naquele caminho até o lugar onde ele entrou e ao qual temos agora acesso. Jesus já nos foi apresentado como líder.

Teremos agora diante de nós (Hb 10:21) o novo e vivo caminho que ele abriu. Ouviremos a respeito da carreira que temos de correr, olhando para Jesus, que foi antes de nós, suportando a cruz, e agora está assentado à direita de Deus (Hb 12:1). Nada pode ajudar-nos mais a entender a obra que Jesus realiza como Filho e Sumo Sacerdote do que aceitá-lo como líder e precursor, que nos conduz à presença do próprio Pai. 

"entrou por nós". Estamos familiarizados com o significado abençoado que há nas palavras "por nós" em referência a Cristo na cruz. A obra que ele realizou foi por todos nós; nós

vivemos por meio dessa obra e nessa obra. A obra de Cristo além do véu é igualmente verdadeira. Tudo foi realizado em nosso favor, para nós; tudo o que ele é e possui além do véu é para nós; é o que possuímos no presente; por meio desse fato e nele firmados, nós vivemos com Cristo e em Cristo. O véu foi rasgado para que o acesso através dele fosse aberto para nós; para que pudéssemos ter acesso àquilo que está além do véu, para que pudéssemos entrar em um novo mundo, uma forma inteiramente nova de viver em comunhão próxima e íntima com Deus. Um sumo sacerdote deve ter um santuário no qual ministra. O mistério do santuário aberto mostra-nos que podemos também entrar. O santuário interior, o Santo dos Santos, a presença de Deus é a esfera do ministério de Cristo, é nossa vida e nosso serviço.

"Jesus, como precursor"! O escritor parece deleitar-se em repetir o nome de nosso Salvador como Filho do Homem.

Mesmo na glória do céu, ele continua sendo Jesus, nosso irmão.

"tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque". Devemos aprender o significado do sacerdócio desse Melquisedeque. Contudo, a glória principal desse sacerdócio é o fato de Jesus Cristo ser um sacerdote para sempre, no poder de uma vida eterna, que dá acesso à vida para a qual ele mesmo entrou, e nos leva até lá para que vivamos, na terra, com a vida da eternidade em nosso seio.

Leitor, você conhece o poder dessa esperança, você tem entrado na vida que está além do véu, onde o precursor entrou por nós? Jesus está no céu por você, para assegurar-lhe uma vida na terra no poder e no gozo do céu, para manter o reino dos céus dentro de você por meio daquele Espírito através do qual a vontade de Deus é feita na terra assim como no céu. Tudo o que Jesus tem e é é celestial, tudo o que ele concede e faz é celestial. Como Sumo Sacerdote à direita de Deus, ele abençoa com toda a sorte de bênçãos celestiais. Prepare-se, pois a glória da pessoa de Cristo e ministério nos lugares celestiais serão agora abertos para você, para que você os contemple, para que se aproprie de todos eles como seu bem pessoal. Creia que o sumo sacerdócio de Jesus não consiste somente no fato de ele ter assegurado certas bênçãos espirituais para você, mas no fato de ele capacitá-lo e adequá-lo para entrar na experiência pessoal e plena e no gozo pessoal e pleno de todas elas.

1. Existe um santuário onde Deus habita. Havia um véu que fazia separação entre o homem e Deus. Jesus veio desde esse santuário para viver sem o véu e o rasgou e abriu um caminho para nós. Ele agora está no Santuário celestial como nosso precursor, ele está lá para nós. Agora podemos entrar e habitar lá dentro no poder do Espírito Santo. Esse é o evangelho segundo a Epístola aos Hebreus.

2. A esperança entra além do véu, regozija-se em tudo o que se encontra lá dentro e tem a segurança de que obterá revelação no coração de tudo o que está lá preparado para nós.

3. "Jesus, o Precursor", siga-o. Ainda que você não compreenda tudo, siga-o em Seu caminho de humildade, mansidão e obediência.

E ele o conduzirá para dentro, para além do véu. Essa é a promessa que, ainda nesta vida, você herdará por meio da paciência e da longanimidade.



(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público )  


O Juramento de Deus

 

"Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é

o fim de toda contenda. Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta."(Hebreus 6:16-18)


Para qualquer pessoa sincera, é sempre um ato solene e de extrema seriedade fazer um juramento e apelar ao Deus onisciente pela verdade daquilo que ele diz. No entanto, Deus fazer um juramento diante do homem é algo ainda mais solene e sério do que um homem fazer um juramento diante de Deus.

É disso que o escritor da Epístola aos Hebreus tratará a partir de agora. Ele mencionou o juramento que Deus fez em sua ira: "Não entrarão no meu descanso". No próximo capítulo, ele mencionará o profundo significado da designação de Cristo como Sumo Sacerdote, confirmada por meio de juramento.

Aqui ele deseja mostrar aos que creem o forte encorajamento que eles têm no juramento de Deus, a fim de que possam aguardar mais confiadamente o cumprimento da promessa.

Somente essa confiança possibilitará ao cristão suportar e vencer.

Consideremos esse assunto mais uma vez. O juramento de Deus prova claramente que fé é o que ele busca acima de tudo. Deus deseja que confiemos nele. Fé nada mais é do que depender de Deus para fazer por nós o que não podemos fazer, é depender dele para fazer o que ele se propôs fazer. O propósito de Deus para nós é algo de infinita e inimaginável bênção. Ele está pronto; como Deus, ele deseja intensamente operar em nós tudo o que prometeu. 

Contudo, ele não poderá realizar essa obra a menos que abramos nosso coração para ele e nos entreguemos serenamente e nos rendamos a ele para que realize Sua obra. Enquanto essa fé não se apodera de nós, estamos sempre procurando fazer a obra de Deus e o impedimos de agir. A fé nos ensina a colocar-nos nas mãos de Deus em profunda humildade e dependência, em mansidão e

paciência, a abrir caminho para ele e a esperar por seu devido tempo. A fé faz com que o coração e a vida se abram para Deus em expectativa e esperança. Somente então Deus estará livre para agir; a fé concede a Deus seu lugar como Deus e o honra.

E ele cumpre a promessa: "aquele que me honrar será honrado por mim". Como é importante aprender a lição que, acima de tudo, o único requisito que Deus exige de nós é que confiemos nele para que ele mesmo faça sua obra!

É para isso que Jesus tornou-se mediador, ou seja, colocou-se no meio, interpôs-se com juramento. Observe as expressões que são empregadas: "Deus, quando quis mostrar....", eles mostraram seu amor para com o nome de Deus, eles foram persuadidos a mostrar diligência na plenitude da esperança.

Ao proferir "Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito", o autor da epístola menciona o que Deus mostrará aos que o servem. Em outras palavras, Deus deseja mostrar-nos quão imutável é seu propósito de abençoar-nos se tão somente lhe permitirmos, se tão somente confiarmos nele e, ao confiar nele, permitamos que opere em nós. Ele deseja mostrar-nos isso "mais abundantemente". Ele deseja que tenhamos uma prova mais abundante disso, para que, como vimos no capítulo 2 de Hebreus, nos apeguemos com mais firmeza e vejamos que não pode haver qualquer possibilidade para dúvida. Deus fará. Foi para isso que ele confirmou a promessa com um juramento.

"para que, mediante duas coisas imutáveis" - a promessa e o juramento de Deus - "nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos". Observe a expressão "é impossível que Deus minta"! É como se Deus nos perguntasse se pensamos que seja possível que ele, o fiel e imutável, possa mentir, caso achemos que sua palavra não basta. Deus sabe quão pouco nosso coração entenebrecido confia nele. Suas promessas são tão grandes, tão divinas, tão celestiais que não podemos aceitá-las. 

Então, para nos despertar de nossa incredulidade e dela para nos envergonhar, ele vem e, como se fosse possível que Deus mentisse, nos chama para ouvi-lo quando faz um juramento em nossa presença de que cumprirá o que diz: "Abençoando te abençoarei, multiplicando te multiplicarei". E tudo isso ele faz para que nós, os herdeiros da salvação, tenhamos forte alento, sejamos fortemente encorajados. Certamente, todo e qualquer vestígio de temor e dúvida deve desvanecer-se, e nossa alma se prostrará em adoração e clamará: Ó, Deus, eu creio em ti!

Nunca mais duvidarei de tua palavra.

"Deus, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo". Sim, "por si mesmo"! Nisso reside o poder do juramento e o poder de nossa fé em nosso juramento. Deus aponta para si mesmo, para o seu Ser divino, sua glória, seu poder, e jura por si mesmo, coloca a si mesmo como garantia, como refém, de que, tão certo como ele vive, ele cumprirá sua promessa. Ó, se tão somente separássemos tempo para estar diante desse Deus e ouvi-lo jurar-nos que será fiel, certamente nos envergonharíamos de ter abrigado por um momento dúvida em nosso coração, de ter pensado na possibilidade de ele não ser verdadeiro e que não cumprirá sua palavra. Não deveríamos nos ajoelhar e jurar que, por meio de sua graça, preferimos morrer a fazer Deus mentiroso?

Façamos uma pausa e meditemos no significado de toda essa argumentação a respeito da bênção e do juramento de Deus. Na vida cristä, falta firmeza, constância, diligência, perseverança.

A causa de tudo isso é simples: falta de fé. E a causa disso, mais uma vez, é o desconhecimento do que Deus deseja e de seu propósito e poder de abençoar maravilhosamente. Também nos falta conhecimento de Sua fidelidade em cumprir seu propósito. Assim, Deus fez esse juramento de fidelidade com o objetivo de curar esses males, para dizer ao seu povo que ele fará tudo para ganhar sua confiança, e fará tudo por eles se tão somente confiarem nele.

Ó, irmãos, não confiaremos hoje em Deus e na plenitude de sua bênção? Não consideraremos

como nossa obrigação mais sagrada e nosso privilégio mais abençoado, honrar Deus todos os dias por meio de uma vida de completa e plena confiança?

1. "O juramento, servindo de garantía". Essa é a palavra "firme" empregada em Hebreus 3:7, 14; 6:19. Quando vemos quão firme, quão imutável, são a promessa de Deus e a esperança que ele nos

concede, nossa confiança também aumentará mais firmemente.

A plenitude de minha fé depende de eu ser estar ocupado com a fidelidade de Deus.

2. "pela fé e paciência" Tendo sofrido longo tempo. Deus é com frequência muito lento. "Ele suporta seus eleitos por longo tempo."

Esta é a paciência dos santos: permitir que Deus use o tempo que desejar e sempre confiar nele ao longo de todo o processo.

3. "Para que não sejais indolentes". A fé que Deus realizará tudo desperta a diligência tanto em esperar nele quanto em fazer sua vontade.



(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público ) 


Herdando a Promessa

 

Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem

jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente abençoando

te abençoarei e multiplicando te multiplicarei. E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa." (Hebreus 6:13-15)


Nesses versículos, a epístola está tratando com um dos maiores perigos da vida espiritual. A experiência confirma amplamente o que se viu nas primeiras igrejas cristãs, ou seja, muitos dos que iniciaram bem a carreira e pararam, depois, abandonaram a fé. A vida cristã é uma carreira; iniciar a corrida de nada aproveita a menos que corramos até ao fim e alcancemos o alvo. A fé pode aceitar, mas somente a paciência herda a promessa. Nossa dedicação a Jesus, nosso líder, deve ser mantida dia a dia, constantemente, com zelo e diligência sempre crescentes, caso contrário voltar atrás é inevitável. A igreja de Cristo é um verdadeiro hospital de cristãos que voltaram atrás, que, na alegria de seu primeiro amor, dispuseram-se honestamente a viver inteiramente para Deus, contudo sucumbiram gradualmente em uma vida de formalidades e fraquezas. Não há nada de que a igreja necessite mais do que a pregação sobre diligência e perseverança diárias como a condição indispensável para crescer e ser fortalecido. Aprendamos com a Epístola aos Hebreus como essas virtudes podem ser cultivadas em nós mesmos e em outros. A epístola mencionou aqueles que, pela fé e paciência, herdaram as promessas. Agora passará a mostrar-nos o que

isso significa usando o exemplo de Abraão. O autor aponta-nos primeiramente, como sempre o faz, para aquilo que Deus promete e, então, para a capacidade que existe no homem que reivindica e desenvolve essa promessa.

"Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, abençoando te abençoarei e multiplicando te multiplicarei". Quanto mais profundo for nosso entendimento da certeza e da plenitude da bênção de Deus, mais nosso coração será despertado para crer e perseverar. A Palavra de Deus é nossa garantia daquilo que devemos aguardar e esperar. Quanto maior, então, deverá ser a nossa confiança quando essa palavra é um juramento.

Os versículos seguintes falam-nos a respeito disso. Aqui, a plenitude das bênçãos de Deus nos é apresentada na promessa dada a Abraão: sendo sua semente, somos seus herdeiros, e o que Deus prometeu a ele é também para nós. Não devemos contentar-nos com nada menos; nada menos do que isso nos encorajará para viver uma vida como a de Abraão em fé e paciência.

"Certamente, abençoando, te abençoarei e multiplicando te multiplicarei". Na língua hebraica, a repetição de um verbo é um recurso utilizado para enfatizar o que é dito, para expressar a certeza e a grandeza da afirmação que foi feita.

Nos lábios de Deus, a repetição "abençoando, te abençoarei e, multiplicando, te multiplicarei" tinha o propósito de despertar no coração de Abraão a confiança de que a bênção seria deveras algo maravilhoso e digno de Deus, uma bênção no poder e plenitude divinos. Na segunda metade da sentença, nos é mostrado que bênção seria: "multiplicando, te multiplicarei".

A Escritura nos ensina que a bênção mais suprema que Deus pode conceder, aquilo que verdadeiramente nos torna semelhantes a Deus, é o poder de multiplicar a nós mesmos, de

tornar-nos como Deus é, a fonte e a bênção para outras vidas.

Assim, "bênção" e "multiplicação" aparecem conectadas em passagens como Gênesis 1:22, 28 e 9:1. Está escrito a respeito dos seres vivos: "Deus os abençoou, dizendo: Sede fecundos e

multiplicai-vos". E a respeito do homem: "E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos e multiplicai-vos". E também diz a respeito de Noé: "Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhe disse: Sede fecundos e multiplicai-vos". É a glória de Deus ser o doador da vida, multiplicar em suas criaturas sua própria vida e bem-aventurança. Uma das maiores bênçãos de Deus é transmitir esse poder de crescer e multiplicar àqueles que ele escolhe para seu serviço. O poder de sua bênção para Adão pode ser visto na raça que dele descendeu, assim como sua bênção para Abraão pode ser vista em sua semente, e até mesmo no próprio Jesus Cristo. E para cada filho de Abraão, para cada verdadeiro crente, a promessa ainda é concedida em poder divino: "Certamente, abençoando, te abençoarei e, multiplicando, te multiplicarei". Todo aquele que tão somente reivindicar e entregar-se para a bênção de Deus descobrirá que a bênção é um poder da vida divina que o fará frutífero em bênçãos para outros, e tornará também verdadeiro para ele a promessa "multiplicando te multiplicarei". Assim como Cristo, nós também podemos tornar-nos sacerdotes, trazendo a bênção de Deus para aqueles que não o conhecem.

Quando entendemos essa plenitude de bênção em seu poder divino, quando começamos a entender o significado de "abençoando, te abençoarei" e quando a alma vê que há algo mais do que simplesmente ser salvo da ira, ela então se torna o recipiente, e o canal, e o dispensador de vida e bênção para outros. É então que começa a desejar sacrificar tudo e a perseverar pacientemente até que obtenha a promessa.

Você está disposto a ser um imitador de Abraão e permitir que o Deus que falou a Abraão também fale com você? Lembre-se, não é algo fácil receber e reivindicar essa promessa. Abraão a recebeu no caminho de fé e obediência e autossacrificio, rendendo-se inteira e completamente à vontade e ao guiar de Deus. Quando ofereceu Isaque, Deus deu essa promessa para Abraão. Mais do que isso, ao oferecer Isaque como sacrifício, Abraão, na verdade, sacrificou a si mesmo, então essa promessa lhe foi dada com um juramento. Deus falará com você tão verdadeiramente quanto falou com Abraão.

Aprenda com Abraão a sair de seu país, de sua casa e de sua parentela; entregue-se ao guiar de Deus; esteja preparado para sacrificar tudo. Deus também o encontrará com sua bênção dupla. E seu coração se tornará forte para ouvir a voz de Deus dizendo: "abençoando, eu te abençoarei, multiplicando, eu te multiplicarei". Então, assim como foi com Abraão, também será com você: "E, assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa". Não seremos unicamente herdeiros, mas herdeiros de fato das promessas.

1. Essa promessa é dada após a mais terrível advertência.

Antes do cristão negligente ser despertado, essa promessa não é mencionada. Quando ele for, então, despertado, a pregação dessa promessa em sua plenitude lhe concederá coragem e força.

2. Seu coração o condena e você teme que há pouca esperança para você tornar-se um filho de Deus santo, resplandecente, que cresce, bendito e uma bênção? Venha e aprenda o segredo com

Abraão, "Deus falou com Abraão". Ouça Deus. Permita que Deus lhe fale, siga-o onde ele o conduzir, obedeça ao que ele ordena. Ele o conduzirá ao lugar da bênção, o lugar da revelação de Si mesmo.

3. E ponha em prática imediatamente a lição do Hoje. Não se desencoraje se você se sente fraco e frio, e se parece não haver nenhum progresso em sua vida. Ouça as palavras de Deus:

"abençoando te abençoarei". Alimente-se do que ele diz. E confie nele para operar em você tudo o que você necessita.

4. Você é um obreiro no serviço de Deus? Espere em Deus para que ele mesmo lhe fale esta palavra também: "multiplicando, te multiplicarei". Ele pode fazer, mesmo de você, uma bênção para

muitos. Mas tal promessa necessita de um juramento para que possa encontrar acesso ao coração. Aceite e viva no juramento de Deus.



(Por Andrew Murray - fragmento da exposição da epístola aos hebreus - The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews: em domínio público ) 

 

FONTE: https://library.mibckerala.org/lms_frame/eBook/The%20Holiest%20of%20All%20-%20Andrew%20Murray.pdf


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Diligência e Perseverança

 

"Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e

pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira.

Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidênciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos. Desejamos,

porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança; para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles

que pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas." (Hebreus 6:9-12)


Em toda assembléia cristã, há duas classes de pessoas.

Alguns entregaram-se completamente para buscar e servir a Deus de todo o seu coração. Outros, frequentemente a maioria, são como Israel, estão satisfeitos com a libertação do Egito e entregam-se à indolência, não lutam para possuir completamente o descanso na terra prometida. Ao falar para tal igreja, aquele que fala pode dirigir-se separadamente às duas classes de pessoas. Ou pode dirigir-se ao grupo primeiramente de um ponto de vista, depois, de outro. É essa última forma que

encontramos na Epístola aos Hebreus. Em sua advertência, a epístola fala a todos, como se todos estivessem em perigo. Em sua exortação e encorajamento, a epístola fala como se todos

compartilhassem os sentimentos da outra metade, o grupo composto de pessoas que estão em uma melhor condição.

"Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira" a respeito de cair e da impossibilidade de renovação. Temos a esperança que nossa palavra de advertência dê frutos e que, pela graça de Deus, que já operou em vocês, vocês serão animados para abandonar toda negligência e incredulidade, e avançarão.

Olhamos para o próprio Deus, para que Ele mesmo aperfeiçoe sua obra em vós.

"Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos". Se, na presente condição dos hebreus, havia muito que deixava o escritor ansioso, ele encoraja seus leitores e a si mesmo mostrando-lhes o passado.

Quando o evangelho foi pregado entre eles, eles receberam os mensageiros de Cristo com alegria, e permaneceram com eles, compartilhando de seu opróbrio e sofrendo danos por causa de seu nome. Ainda agora havia amor pelo povo de Deus entre os hebreus. E Deus não é injusto para esquecer o que foi feito por seu nome e por seu povo; Deus pode lembrar da recompensa do copo de água fria ainda que aquele que ofereceu esse copo tenha ele mesmo esfriado, e pode vir bênção que o restaura novamente. Deus não lembra do pecado somente, ele lembra muito mais da obra de amor.

"Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança".

Em todos os negócios deste mundo, a diligência é o segredo do sucesso. Sem atenção e incômodos e grande esforço, não podemos esperar que nosso trabalho prospere. Ainda assim, há muitos cristãos que imaginam que na vida cristã as coisas cairão em suas mãos. Quando ouvem que Jesus fará toda a obra, eles consideram isso como um passe para uma vida fácil.

Quanto engano! Jesus, de fato, fará tudo, mas ele assume essa responsabilidade simplesmente para nos inspirar com seu próprio espírito de auto sacrifício e devoção à vontade do Pai, com sua prontidão em abandonar toda tranquilidade e conforto para satisfazer a Deus e ao homem, com sua própria diligência incansável em trabalhar enquanto ainda dia. Então, o escritor da epístola conclama os leitores a mostrarem até ao fim a mesma diligência que haviam anteriormente manifestado, para a plena certeza da esperança.

Aqui temos as mesmas três palavras que tivemos na segunda advertência. Nessa advertência, lemos: "Esforcemo-nos" sejamos diligentes -, "pois, por entrar naquele descanso" (4.11); "se guardarmos firme até ao fim a ousadia e a exultação da nossa esperança" (3:6); "Se guardarmos firme até ao fim a confiança que desde o princípio tivemos" (3:14). As grandes características da perseverança cristã são aqui mais uma vez colocadas junto. Esperança olha para a frente e vive nas promessas, ela se gloria antecipadamente na certeza do cumprimento das promessas. 

A esperança gloriosa, radiante, é um dos elementos de uma vida cristã saudável, uma das âncoras mais seguras contra o retroceder. Essa esperança deve ser cultivada; devemos ser diligentes na plena certeza da esperança, uma esperança que inclui toda a plenitude das promessas de Deus, e que enche todo o coração. E tudo isso deve ser feito até ao fim, com uma paciência e perseverança

que desconhecem cansaço, que aguardam pelo tempo de Deus e buscam, com paciência, até que seu cumprimento seja completo.

Para que não sejais indolentes. O fato de serem tardios ao ouvir (5:11) foi o que lhes causou tanto mal. Esse perigo é ainda muito presente. "Mas imitadores daqueles que pela fé e pela longanimidade herdam as promessas". O escritor advertiu os hebreus contra o exemplo dos pais no deserto.

Aqui ele os encoraja lembrando-os daqueles que pela fé e pela longanimidade herdaram as promessas. Longanimidade é a perseverança da fé. A fé apropria-se instantaneamente de tudo

o que Deus promete, mas tem o perigo de deixar de apegar-se firmemente. Longanimidade vem para dizer como a fé necessita ser renovada diariamente e, ainda que a promessa tarde, ela fortalece a alma para apegar-se firmemente até ao fim. Essa é uma das grandes lições práticas da epístola, é uma lição que o jovem crente especialmente necessita. Conversão não passa de um início, de um degrau, é a porta de entrada em um caminho; dia a dia, sua entrega deve ser renovada; todos os dias, a fé deve aceitar Cristo novamente e encontrar sua força nele. Por meio da fé e da longanimidade, nós herdamos, entramos na posse das promessas. Salvação é aquilo que Cristo Jesus é para nós e faz em nós. Para que ele seja, de fato, a nossa vida, devemos ter comunhão pessoal com ele diariamente, devemos render-nos pessoalmente e de forma inequívoca a seus ensinamentos e à sua obra. Tomemos cuidado, acima de tudo, de confiar ou descansar inconscientemente naquilo que temos, ou daquilo que desfrutamos da graça. É unicamente por meio da fé e da longanimidade, pelo renovar incessante e diário de nossa consagração e de nossa fé em nosso devocional com o nosso amado Senhor que a vida celestial pode ser mantida em seu frescor e poder.

1. "Deus não é injusto para ficar esquecido de vosso trabalho".

Quão frequentemente Deus falou a Israel sobre seu primeiro amor.

Que encorajamento para todos aqueles que esfriaram voltar e confiar nele para que sejam restaurados. Deus não pode ficar esquecido do que aconteceu entre você e ele.

2. "para que não vos torneis indolentes" nem um dia sequer. Nós podemos perder em uma hora que deixamos de vigiar aquilo que ganhamos em um ano. Cristo e Seu serviço exigem uma atenção

completa, não-dividida e incessante.

3. Não permita que o caminho de Deus lhe pareça muito lento e difícil. Permita que a paciência faça sua obra perfeita. Assim como o agricultor tem muita paciência com a semente, Deus é paciente

com você. Seja paciente com ele. Somente lembre-se desta simples lição: dia a dia, renove sua entrega a Jesus e sua fé nele e sua esperança em Deus. Fé e paciência herdarão as promessas.



(Por Andrew Murray - fragmento de "The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews": em domínio público ) 


FONTE: https://library.mibckerala.org/lms_frame/eBook/The%20Holiest%20of%20All%20-%20Andrew%20Murray.pdf

O Perigo de Abandonar a Fé

 

"É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados e provaram do dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia. Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; mas se produz espinhos e abrolhos é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada."(Hebreus 6:4-8)


"Avancemos para a perfeição. É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los". O argumento empregado aqui é extremamente sério, refere-se à vida cristã e a todo seu progresso em meio a dificuldades. Frequentemente se diz que, nos negócios, no estudo, na guerra, não há segurança alguma, senão em avançar. Parar é voltar para trás. Parar de esforçar-se é perder terreno. Diminuir o passo antes do alvo ter sido alcançado significa perder a corrida. A única marca verdadeira de um verdadeiro cristão, de seu amor verdadeiro por Cristo, é o desejo profundo e o esforço contínuo para conhecer mais do Senhor. A experiência de milhares de cristãos que estavam satisfeitos com um bom início da carreira cristã mostrou que esse é o primeiro passo do caminho de volta, de retrocesso, cujo fim é perder tudo. O propósito por que o escritor da epístola emprega essa argumentação a respeito dos que caíram é motivá-los a avançar para a perfeição.

Para entendermos a força de seu argumento, devemos notar especialmente dois fatores a respeito dos que abandonam a fé: o estágio elevado que podem ter atingido e a irrecuperável

profundidade na qual afundaram. Quanto aos primeiros, são empregadas cinco expressões: "foram iluminados"; "provaram do dom celestial; "se tornaram participantes do Espírito Santo"; "provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro". Quanto aos últimos, nos é dito "visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia, é impossível renová-los novamente para o arrependimento".

A pergunta que surge naturalmente a partir da leitura desses versículos refere-se à verdade bíblica a respeito da perseverança dos santos de Deus, na qual tantos santos encontraram sua força e alegria. O Senhor Jesus disse a respeito de suas ovelhas: "Eu lhes dou a vida eterna, jamais perecerão e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo, e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" (Jo 10:28 e 29). Uma vez que Jesus concede vida eterna para uma alma, essa vida não pode ser perdida.

Esse é o aspecto divino da verdade. Toda verdade tem dois aspectos. A única maneira de entendermos plenamente a verdade é considerar os dois aspectos como o todo e render-nos à sua força plena. Há também um aspecto humano. A Escritura fala palavras de advertência muito sérias em relação à possibilidade de receber a graça de Deus em vão, de iniciar bem e depois decair da graça (2Co 6:1; Gl 5:4). O Senhor mencionou mais de uma vez o homem que recebe a palavra de Deus com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, ele crê por um curto período de tempo. Em tempo de avivamento, de influências espirituais poderosas, como ocorreu em Corinto e na Galácia, muitos foram poderosamente afetados e mudados de forma visível. Depois, contudo, provavam que nunca haviam verdadeiramente nascido de novo; não haviam recebido a vida eterna. É a respeito desses que esses versículos da Epístola aos Hebreus se referem. É possível que as emoções de alguém sejam tocadas, que sua vontade seja afetada, mas seu coração não ser de fato renovado. Os dons do Espírito podem ser recebidos sem as suas graças. A alegria da luz recebida na mente pode ser confundida com a vida recebida na alma. Então, alguns que pareciam verdadeiros cristãos

aos olhos dos homens podem cair sem que haja esperança de renovação para eles.

Então, como podemos saber quem verdadeiramente recebeu a vida eterna? E qual é a marca de alguém que não experimentou meramente uma mudança superficial ou temporária? Não existe qualquer marca por meio da qual o homem possa saber isso. O único sinal certo de que a perseverança dos santos será nossa é perseverar entre os santos, perseverar em santificação e obediência. "nós somos sua casa; nos tornaremos participantes de Cristo se mantivermos firme até ao fim". Minha segurança da salvação não é algo que posso levar comigo como uma passagem de trem ou uma cédula bancária, para ser usada quando necessário. O selo de Deus para a minha alma é o Espírito Santo; minha segurança reside em uma vida no espírito; é quando sou guiado pelo Senhor que ele testemunha com o meu espírito, e que eu posso clamar Abba, Pai (Rm 8:14-16). Jesus não somente dá vida, ele mesmo é nossa vida. Minha segurança de salvação é encontrada unicamente na comunhão viva com o Jesus vivo, em amor e obediência.

É isto o que vemos nos versículos 7 e 8: "Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; mas se produz espinhos e abrolhos é rejeitada". A alma que está satisfeita em beber da água da chuva e busca unicamente sua própria felicidade e não dá fruto tem toda a razão de temer. É no crescimento e na frutificação, no exercício das faculdades espirituais de discernir o bem e o mal, é em avançar para a perfeição, em seguir nosso precursor no caminho em que ele foi aperfeiçoado, é em obedecer a vontade de Deus que sabemos que temos vida eterna.

A palavra de Deus é mais cortante que espada de dois gumes.

Possa cada um de nós entregar-se ao poder perscrutador dessa palavra. Qualquer coisa semelhante à indolência, preguiça e satisfação unicamente com as coisas elementares da doutrina cristã é indescritivelmente perigoso. Nada adiantará senão prestar mais abundante atenção, buscar mais diligentemente entrar no descanso e, com todo o nosso coração, avançar para a perfeição.

1. Enganar a si mesmo é uma possibilidade muito séria. Nossa única salvaguarda é Deus, é render-se a sua luz perscrutadora, confiar em sua fidelidade, entregar-se para fazer sua vontade.

Nenhuma alma pode perecer no limiar do trono.

2. "Avançar para a perfeição" não é uma ordem dada para alguns poucos escolhidos, mas para todos e, especialmente, para os que estão ficando para trás e para os fracos. Tome cuidado com cada pensamento que possa fazer diminuir a força dessa ordem e a imediata obediência a ela. Que nossa única resposta seja: "Sim, Senhor". Abra seus olhos e coração ao estado de todos que estão ao

seu redor, que são preguiçosos, indolentes e estão à deriva, ficando para trás, e os ajude. "Devido ao tempo decorrido, já devíeis ser mestres".



(Por Andrew Murray - fragmento de "The Holiest of All: An Exposition of the Epistle to the Hebrews": em domínio público - tradução livre)


FONTE: https://library.mibckerala.org/lms_frame/eBook/The%20Holiest%20of%20All%20-%20Andrew%20Murray.pdf



Estamos em uma jornada espiritual

  " antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia ete...